Página inicial do sítio > Revelações Privadas > Catalina Rivas > Getsemani

Getsemani

quinta-feira 17 de Abril de 2025

Jesus a Catalina:

"Escuta… Aquela noite de tragédia foi uma noite escura para a Minha alma que avançava titubeante entre as oliveiras do Getsemani. Tinha dito aos Apóstolos que naquela noite todos tropeçariam em Mim, porque tinha de se verificar a profecia: “Ferirei o Pastor e dispersar-se-ão as ovelhas”. Sabia que Me abandonariam, mas também estava certo de que voltariam a Mim. O que disse tinha por finalidade fazer-lhes ver que ia para a morte com o conhecimento do seu abandono. Não foi lamento, foi aviso antecipado.

Tudo deveria servir para aumentar a Minha tristeza. Pedro, seguro de si e sem o menor conhecimento da sua fragilidade, ocasionou-Me a pena de se declarar fiel ainda que os outros Me tivessem abandonado: “ainda que todos tropecem, eu certamente não”.

Minha menina, Eu conheço todas as Minhas criaturas e não foi nada de novo ouvir dizer a Pedro aquela frase, espontânea sim, mas cheia de presunção. A sua declaração pública foi de uma grande dor para a Minha Humanidade. Pedro, tu, e só tu Me serás fiel? O galo não cantará duas vezes quando tu Me tiveres negado três vezes. Pedro, que dizes? Queres fazer-Me acreditar na tua fidelidade? Queres talvez dizer-Me que Me amas mais que os outros? Não te tinha pedido esta declaração, pedir-ta-ei depois quando tiver ressuscitado e então compreenderás o que agora não podes compreender. Sim, oh Meu Pedro, é verdade que Me amas, mas ainda não sabes o que é o amor sem falhas, não sabes o que vales sem a Minha ajuda, Pedro, sabê-lo-ás depois, quando te olhar no pretório… Foi assim que entrei no Getsemani com apenas três dos Meus Apóstolos.

Pedro é um caso, um exemplo, que esteve materialmente presente na noite da traição, mas vós sabeis que não foi só Pedro que estava presente, mas sim todos vós com todas as vossas misérias. Por isso entrei no Horto oprimido por imensas penas e abandonei-Me à tristeza.

Mas alguém Me esperava ali, entre as oliveiras, alguém que queria pôr-Me à prova do ludíbrio. Era o tentador que, ignorando a Minha Divindade, acreditava poder fazer-Me cair no abatimento. Chamava-Me os piores nomes, chamava-Me iludido e fanático e afirmava que ele sim, tinha sido capaz de elevar a humanidade. Porque te atormentas? Dizia. Tu não podes fazer nada por ninguém, tu és apenas um miserável iludido que sente a loucura. Vês como eu sou honrado? Todos Me pedem favores; faz como eu, usa o teu poder para teres fiéis e submissos seguidores. Assim continuava o infame Satanás picando-Me, dizendo-Me que Deus não aceitaria nada do que Eu esperava, porque o poder sobre os homens, dizia ele, estava na sua própria mão.

Se quiseres fazer de ti um santo, insistia o miserável, declara ao mundo que a luxúria e a soberba são as únicas satisfações do homem. Ao falares de humildade e castidade tornaste-te tão odioso que até os santos sacerdotes do Templo querem prender-te. Vai, dizia-Me, sai deste maldito Horto, procura Judas e diz-lhe que queres fundar com ele uma nova religião. Eu ajudar-te-ei, porque te vejo mísero e abatido, porque tremes. Vê quão intrépido eu sou porque sei que sou o rei do mundo!

Mas se Satanás Me esperava para Me tentar, também Meu Pai Me esperava e por um motivo diferente. Ele, deixando Satanás dar livre curso ao seu ódio, preparava-Me o Altar sobre o qual Eu, Sua Vítima, devia ser imolado. Era verdade, Eu devia assumir as culpas dos outros e Satanás não sabia porque justamente Eu tinha devido fazê-lo. Conhecia bem as profecias, mas não podia crer que Eu era o enviado do Pai. Ao contrário Ele que Me tinha enviado esperava aquela noite para dar aos homens a medida do Seu amor, com o sacrifício total de Mim, Seu Filho e sua primeira Criatura.

Deste modo O Pai mostrou-Me e atirou tudo para cima de Mim pelo que devia afastar-Me um pouco dos três discípulos e permanecer só, com a tremenda carga. Tão tremenda que todo o Meu Ser vacilava enquanto com as mãos procurava apoio para não cair por terra. Era o sofrimento que rugia e se condensava na Minha alma, era o sofrimento por ver tanta Bondade ofendida e tanta miséria.

Com efeito, via que Meu Pai, enquanto Me dizia: “Filho, Tu és a Minha Vítima”, Me fazia ver quão ilógico era o pecado do homem, quão miserável a soberba e toda a culpa diante da infinita majestade de Meu Pai. Assim a Minha alma sentia ímpetos ardentes relativamente ao Pai, o qual aceitava e repetia: “Filho, Tu és a Minha Vítima; Filho, sobre Ti pesam as culpas que não cometeste; Tu deves pagar o castigo como se na verdade Me tivesses ofendido.” E enchia-Me de tristeza e fazia-Me experimentar o horror que há entre o ímpeto de amor e a culpa. Tremenda batalha entre o amor e o desamor, incomensurável luta num Homem que naquele momento não queria ser Deus. Total destruição, suor de Sangue. Já a sensibilidade dolorosa tinha superado o ímpeto de amor, Eu era todo dor, sentia que era a culpa personificada. Compreendes? Eu sentia assim, não era natural que pedisse o afastamento de tanta miséria? Era a natureza que já não recebia nada de Meu Pai, nada do Bem, porque tinha recebido todo o mal dos homens.

No entanto mantive a Minha doçura mesmo nesse estado; a Minha própria natureza, se bem que totalmente submetida, exausta como estava, procurava alívio. E pronunciei então as grandes palavras, aquelas que em Mim eram vida e que testemunhavam a todos que a Minha Vontade estava sempre unida ao Pai: “Não se faça a Minha Vontade – a da natureza – mas a Tua”. E o Pai sorriu, mas Eu permanecia extremamente triste pela sensibilidade ferida e o amor tremendamente contrariado.

Estou só, muito só, pensei. Todos os pecados estão contra Mim, mais ainda, sinto-os como Meus. Meu Pai afasta-Me e põe-Me debaixo da espada de Sua Justiça, talvez os Apóstolos… não, tão pouco eles estão Comigo…

Fui despertá-los e dar-lhes outras instruções voltando à solidão de antes. Como um barco sem leme, abatido pela fúria das ondas, voltei a orar e a orar; a chorar e a suar sangue enquanto Satanás continuava a rir-se e a zombar de Mim. Onde estava a Glória do Tabor e o poder desconcertante do inferno? Não tinha Eu vencido a natureza fazendo mil prodígios? E não tinha perdoado mil pecados? Porque agora vim a ser Eu mesmo pecado? E não tinha dado aos homens a Palavra Eterna? Porque estou agora carregado com todas as mentiras? Não Me tinha ocultado quando queriam prender-Me e dar-Me a morte? Porque estavam agora todos diante de Mim para Me acusar sem que Eu possa levantar a cabeça?

Não importa, não importa. Eu amo Meu Pai, Ele compreende-Me… E assim, de pensamento em pensamento, se fazia em Mim mais densa a escuridão. Baixava ao abismo, na morte, sem poder morrer.
Oh, homens! Que dizeis ao pensar nestas coisas Minhas e vossas? Que dizeis sentindo-Me gemer na tortura imensa e sem limites? Podeis compreender? Jamais o podereis. Y quando ireis saber que sofri não só por vós, mas também para que Meu Pai fosse desagravado da soberba de Lúcifer e seus iguais?

Ficai a saber que um homem como vós pagou por todos os males, tudo vi: carreguei em Mim todos vós, o pecado dos anjos, tudo… Devia reparar tudo e fi-lo, a terra e o céu têm o equilíbrio perfeito.

Os três dormiam e não sabiam nada. À terceira vez que voltei a percorrer os Meus passos, o Anjo deu-Me consolação: vejam a relação de toda a angustiosa agonia na qual está presente todo o racional criado, homens e anjos, rebeldes e fiéis; e Eu no centro, representando a miséria do pecado.

Não foi maior o Getsemani que o Calvário? Não vedes a grande distância que medeia entre um e outro? Quero que o considereis e dar-vos-ei o modo de o fazer porque é a hora estabelecida por Mim. Conhecer-Me-eis mais, amar-Me-eis mais, muito mais.

Pequeno nada, queres unir o teu diminuto sofrimento à Minha insondável dor? É sexta-feira, não esqueças, Eu estou em ti…"


Fonte: A Grande Cruzada da Salvação (CS-52)