Página inicial do sítio > Revelações Privadas > Catalina Rivas > A Devoção ao Meu Sagrado Coração
A Devoção ao Meu Sagrado Coração
sexta-feira 6 de Junho de 2025
Jesus a Catalina:
"A devoção ao Meu Coração tem um objeto muito digno, já que este Coração é perfeito pela sua própria matéria. A carne de que é formado é um gérmen transmitido sem mancha através das idades, conservado pela ação santificante do Verbo eterno, trazido por uma Virgem nas suas puras entranhas e que lhe mereceu ser Ela mesma concebida sem pecado.
Toda a Trindade trabalhou na formação do Meu Coração, manifestando nele a sua graça e a sua misericórdia.
O Pai criou-o com a perfeição que devia torná-lo digno de ser o Coração de Seu Filho e fê-lo resplandecer com a imagem viva da Sua eterna beleza.
Eu, o Verbo, tomando esta carne, enobreço-a, divinizo-a, torno-a sensível à glória de Deus e aos interesses do homem, e faço-a palpitar na indissolúvel caridade que Me une com Deus e com o homem.
O Espírito Santo enche o Meu Coração, atravessa-o e abrasa-o com as Suas divinas chamas que o consumirão eternamente. Faz dele o Seu templo e o seu tabernáculo; consagra-o com a Sua presença, ilumina-o com os Seus esplendores, anima-o e sustem-no com uma vida sem desvitalização nem decadência.
Assim o Pai, o Verbo e o Espírito Santo formaram o Coração do Homem-Deus. O Pai traz a esta obra o poder que cria; o Verbo, o amor que repara; o Espírito Santo, o amor que fecundiza.
Tal é o Meu Coração, tal é o órgão mais puro da santa humildade de que Eu Me revesti no seio de Maria e que pessoalmente, uni a Mim, ao fazer-me homem. Este Coração é o manancial generoso de onde brotou o sangue durante a Minha agonia no Horto das Oliveiras, quando oprimido sob o peso das vossas culpas, redobrei a Minha oração, tendo ficado o Meu corpo banhado de um suor mortal.
Este Coração deixou sair as gotas de sangue redentor debaixo dos espinhos da coroa santa e das varas da flagelação. Este Coração regou durante três horas o cimo do Calvário com o precioso sangue que pagava o resgate do mundo. Depois da Minha morte, este Coração abriu-se para pagar completamente, com o excesso de amor, um resgate para o qual teria sido suficiente uma só gota. Este Coração, depois de ter dormido três dias no sepulcro, despertou com toda a energia e toda a força do seu amor; revestiu-se, no corpo ressuscitado do Homem-Deus, das mais maravilhosas propriedades e no céu dá ao Meu corpo glorificado o movimento, o esplendor e a grandeza de uma vida que não terá fim.
Vede nesta matéria sensível, o Coração que mostrei a Margarida Maria, dizendo-lhe: “Olha para este Coração que tanto amou os homens”. Este Coração sensível e material, não deve ser mais que um objeto secundário da vossa devoção. Há um objeto espiritual que é a parte principal: o Meu amor aos homens, cujo símbolo é o coração e as chamas que dele saem, e que devem ensinar-vos os vossos grandes sentimentos.
Este amor deveria ser para vós, motivo inesgotável de admiração e agradecimento.
Por amor, deixei o céu por Belém e o seio de Meu Pai pelo seio de Maria. No seio de Meu Pai a Minha luz é inacessível; ao sair dele manifesto-a, derramo-a, prodigalizo-a, começo a levantar o véu de tão grande e consolador mistério.
Por amor aos judeus, revelei-me aos pastores e por amor aos gentios, revelei-me aos magos. Deste modo, se forma ao redor do Meu Coração, como ao redor de um centro divino, a Igreja; nascente, ao mesmo tempo, entre os pagãos e os judeus, cujos destinos abraçarão todos os tempos e todos os lugares.
Belém viu a glória do Meu nascimento no céu e na terra. Nazaré verá a glória interior da minha vida oculta.
Pobre, desconhecido, desvalorizado, dou-lhes por amor, eloquentes lições de obscuridade, de silêncio, de humildade, de simplicidade, de mortificação, de esquecimento de si mesmos. Neste género de vida vou crescendo em idade e em sabedoria diante de Deus e dos homens. Assim vivo, assim ajo, assim calo, assim trabalho e Me oculto por amor aos homens.
Quando começa a Minha vida pública, o mesmo amor induz-me ao batismo, onde Me ofereço em expiação pelos vossos pecados; ao deserto onde Me humilho, onde sou tentado, onde até Me deixo levar nas asas do anjo caído, à plataforma do templo, tudo por amor. Coração de Messias, de Salvador e de Pai, tudo é possível ao Meu amor desde que vos leve a decidir seguir-me no combate. Para a luta com o demónio, dei-vos as palavras, as flechas tiradas das Escrituras, com as quais ferireis sempre o tentador. Mas é preciso que elas partam dos vossos corações como do Meu Coração, quando vos tiverdes purificado na oração e no jejum. Quando a mortificação vos tiver feito fortes, magnânimos, vencedores de vós mesmos.
A Minha vida coisa não é outra coisa que o Meu Coração em ação e em sofrimento. Age e ao mesmo tempo sofre por vosso amor com uma atividade que Me faz correr à conquista das almas, e com uma paciência misericordiosa que duplica o valor do Meu céu.
Anuncio e reconcilio os pecadores, curo os doentes, acolho as crianças, instruo e formo os Meus discípulos, alimento as multidões famintas, e com milagres, benefícios e palestras, derramo o Meu Coração, do qual mana a infinita caridade sem jamais se esgotar.
Choro sobre o sepulcro de Lázaro que é Meu amigo, sobre a infiel Jerusalém que é a Minha Pátria, sobre o mundo, objeto da cólera divina.
Foi o Meu Coração de homem que derramou estas lágrimas; foi o amor que as arrancou do Meu Coração e o desejo de vos ver chorar a vós foi o que Me fez dar às lágrimas a sua própria virtude, e declarar como bem-aventurados os que as derramam.
Na Minha vida, o sacrifício das lágrimas não era senão o prelúdio do sacrifício do sangue. Os Meus pés, as Minhas mãos, a Minha cabeça, o Meu Coração derramaram-no sucessivamente e em abundância.
Este Coração revelou-se inteiramente sobre a cruz, quer com palavras de perdão, quer com um testamento de amor, quer com o grito apagado do seu zelo e a sede que sobe do Coração aos lábios. Até que por fim o amor e a justiça ficaram satisfeitos e já nada ficou que expiar, nada que perdoar, nada que amar.
Está consumado. Mas não: não terminou tudo, porque Eu ressuscito e o Meu coração ressuscitado dilata-se, triunfa, superabunda de alegria, alegra-se neste triunfo, regozija-se nos seus próprios méritos e obtém um complemento de alegria e de glória que vai ser de grande proveito para a terra.
Todas as aparições que se seguem à Minha gloriosa ressurreição são triunfos do Meu Coração. Madalena reconhece-me pela voz, os discípulos de Emaús na fração do pão, Tomás pela chaga do Meu lado aberto, todos os apóstolos e discípulos pela paz que lhes desejo e lhes levo.
Finalmente, quando vitorioso da morte, subo ao mais alto dos céus e vou sentar-me no trono eterno preparado para Minha glória, é para concluir a Minha própria vitória no Coração de Meu Pai e obter que o Espírito Santo desça sobre a Minha Igreja nascente como o tinha prometido. Assim o Meu Coração cresce ainda mais no seu triunfo e, a terra experimenta mais que nunca a sua divina influência.
Este amor é perfeito quando fala e quando cala, quando promete e quando dá, quando perdoa e quando se exalta; é perfeito na terra e no céu. Toda a Minha vida procede do Coração: o amor é a Minha primeira palavra e amei-vos até ao fim, até ao esgotamento, até à loucura de amor.
Filhinhos: tendes um Redentor, vinde a Mim, que Sou cheio de Misericórdia para os que querem ser redimidos. Sou fonte de água viva, rio caudaloso, que procede do trono de Deus, que sem receber de ninguém, a todos dou amplamente, sem que as Minhas correntes diminuam: que os sedentos corram para apagar a sua sede em Mim. É uma minha, sem fim, dos tesouros eternos. Vinde, ávidos a receber as Minhas graças, que nunca levareis tantos tesouros, e nunca faltarão para repartir, infinitamente, pelos outros.
Venham os cegos à luz, os aflitos e atormentados, à alegria sem fim; venham os presos à liberdade; os desterrados à sua pátria; os mortos à vida. Que esperais? Que fazeis amarrados como vis bestas às manjedouras do mundo, comendo palha sem suco nem substâncias alimentícias?
Rebentai as vossas amarras: vinde à mesa que vos espera, repleta de verdadeiras delícias e presentes inestimáveis. Despertai, que a luz entra pelas vossas portas; abri-me a porta, não fiqueis às escuras e nas trevas da morte…"
Fonte: "A Arca da Nova Aliança - ARC 106"