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A Vinda do Espírito Santo

domingo 8 de Junho de 2025

Maria a Consuelo:

"Tendo-se completado o dia de Pentecostes, estavam todos reunidos no mesmo lugar. De repente veio do céu um ruído como o agitar-se de um vendaval impetuoso, que encheu toda a casa onde se encontravam. Apareceram-lhes, então, línguas como de fogo, que se repartiram e que pousaram sobre cada um deles. E todos ficaram repletos do Espírito Santo e começaram a falar noutras línguas, conforme o Espírito lhes concedia que se exprimissem" [1].

Jesus Cristo tinha plasmado na alma dos apóstolos a sua vida, paixão e morte. Mas a tela do grande Artífice tinha ficado escondida pelo medo daqueles homens assustadiços e cobardes. Sentiam pavor dos pontífices e judeus que condenaram o seu divino Mestre. Mas no glorioso dia de Pentecostes ressurgiu com força de entre as ruínas da sua fraca natureza um esplêndido quadro de vivas e maravilhosas cores; despertaram para uma nova vida, recuperando agilidade e movimento, as figuras que antes estavam paradas, em silêncio, ocultas pelo medo, a falta de fé e a desconfiança.

Ficou para sempre indelével nas suas almas toda a beleza e elegância da tela, dando um novo valor à mensagem evangélica. Os apóstolos puseram em ordem os pensamentos, as palavras e as obras, ficando tudo submetido ao maravilhoso Espírito que desceu dos céus e entrou em cada um deles renovando as suas vidas: Espírito Santo, arquiteto da santidade, construtor de carismas, modelador das almas, fonte da vida, aqueduto de graça, paradigma de virtudes, santificador do espírito e benfeitor de dons, que com sabedoria e ciência divina iluminou esplendidamente a tela. Instou as figuras a moverem-se, enriqueceu-as com o dom da palavra e a diversidade das línguas. Suavizou com mestria as arestas irritantes, próprios da fraca condição humana. Infundiu-lhes coragem para que chamassem cada coisa pelo seu nome; e pela boca daqueles que antes eram cobardes, temerosos e assustadiços ouviu-se dizer com santa ousadia por todas as ruas de Jerusalém tudo quanto naqueles dias tinha acontecido relativamente a um homem chamado Jesus. A acção de tão divino Espírito foi altamente sublime e extraordinária, pois fez que o cobarde se tornasse valente, aos adormecidos despertou da sua modorra, aos débeis fez fortes e os tíbios converteu em fervorosos, e as palavras "arrependimento, conversão e batismo" [2] deixaram-se ouvir por todo o lado.

O Espírito Santo não veio apenas sobre o cenáculo, mas desceu sobre o mundo enchendo-o com os seus dons, derramou sabedoria sobre os ignorantes, iluminou o entendimento dos humildes, alimentou de ciência divina os simples, revestiu de fortaleza os débeis, deu conselho aos inexperientes, infundiu piedade nos corações e de "santo temor de Deus encheu as almas [3]. "um vento impetuoso invadiu toda a casa" [4] sendo para os apóstolos vida e consolação, porque as palavras do divino Mestre sobre a grande promessa tinham-se tornado realidade; o fogo do Espírito Santo tinha-os transformado, "revestindo-os do poder do alto" [5].

O Espírito Santo transformou a face da terra; a sua ação foi altamente santificadora, sobretudo para aqueles que não puseram entraves a tão augusto Senhor. Entretanto, pontífices, sacerdotes, governadores e povo judeu viviam na descrença. A eles veio Jesus antes de a outros povos; mas, ingratos, fecharam-lhe a porta do coração. O Senhor Jesus "veio a sua casa, mas os seus não o receberam" [6]. Estes homens preferiram as trevas à luz e continuaram a viver na noite longa e escura, carregando sobre a sua consciência o lastro do pecado. Desprezaram o Messias, o Salvador, e desta forma rechaçaram a graça de serem libertados por Aquele a quem levaram à cruz.

O Espírito Santo tinha-me cativa, e a minha felicidade estava em possuí-lo. Como Esposa eleita vivo imersa n’Ele. Ele nutre o meu espírito com a sua sabedoria, e a minha alma é como um oceano das sua divinas graças. Ele embeleza os meus sentidos e tem prisioneiro o meu coração. Constantemente o louvo e com a minha língua o bendigo, e "todo o meu ser em sua segurança descansa" [7].Os apóstolos ficaram transformados pela poderosa ação do divino Artífice, "que fez neles maravilhas" [8].

Pedro, sob cuja responsabilidade se formava a Igreja de Jesus Cristo, depois de ter compreendido a Santa missão que o senhor lhe tinha confiado, tomou a palavra e com grande entusiasmo disse: "Irmãos, vamos gritar ao mundo a boa nova. «Coragem! Não temais, eis aqui o vosso Deus. Ele mesmo vem, e vos salvará» [9]."

Pedro saiu com o rosto transfigurado. Todo Ele era "força de Deus e sabedoria de Deus. Porque o que é loucura de Deus é mais sábio que os homens, e o que é fraqueza de Deus é mais forte do que os homens" [10]. Com esta sabedoria e força divina Pedro, acompanhado dos onze, foi anunciar em nome do Senhor Jesus.


Fonte: Maria, Estrela da Evangelização, 1.1


[1At 2,1-4.

[2V. At 2,37-38.

[3V. Eclo 1,15.

[4V. At 2,2.

[5V.Lc 24,49.

[6Jo 1,11.

[7V. Sal 16,9.

[8V. Lc 1,49; Sal 40,6.

[9V. Is 35,4.

[101Cor 1,24-25.