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Antes da Assunção
Maria Morre de Amor
e a Sua alma sobe ao Céu
sexta-feira 15 de Agosto de 2025
Maria a Consuelo:
Depois de ter dado as últimas recomendações a meus filhos senti como o coração me abrasava as entranhas e me oprimia o peito. Ajoelhei-me junto ao estrado e supliquei aos apóstolos que me deixassem por breves instantes para orar. Saíram todos em silêncio e com o semblante muito grave.
Quando fiquei a sós, chamei Jesus, meu divino Filho; mas não me respondia, dava a sensação de que se tinha tornado surdo ao meu apelo, e no exercício de uma profunda fé voltei a chamar às portas do céu.
(...)
Estendi-me sobre o estrado em que os meus ossos tinham descansado durante muito tempo. Estava rodeada dos filhos fiéis da Igreja, que oravam num profundo e reverente silêncio. Os meus olhos iam pouco a pouco perdendo a luz; eram três da tarde de uma sexta-feira e, no entanto, pareceu-me noite escura, e ainda que faltassem muitas horas para a chegada da noite o sol recolheu os seus raios e as sombras estenderam-se pela face da terra em sinal de luto.
Continuei, interiormente, a chamar Jesus, meu divino Filho, "lembrando-me da sua misericórdia" [1]; e ali se deteve o meu pensamento, na sua misericórdia e no seu infinito amor. Vi ao longe um vulto, seguido de uma música que arrebatava a minha alma; pouco a pouco foi-se aproximando. Os meus olhos, algo opacos, não podiam distinguir bem o que me rodeava; suavemente perguntei: "Quem é Aquele que está a chegar" [2] "cavalgando sobre nuvens" [3] e "sobre as asas do vento?" [4] O arcanjo Gabriel respondeu-me: "É o meu Senhor". [5] E esses que cantam, quem são? "Senhora, são os anjos. Vosso Filho vem rodeado de anjos para confortar o vosso espírito e levar-vos para o céu."
(...)
Os coros angélicos continuavam a cantar suave e deliciosamente; de repente, como se cumprissem ordens divinas, guardaram silêncio. Ouviu-se a doce e majestosa voz do Senhor «"Levantai-vos, minha Mãe, excelsa Senhora e vinde a mim porque já passou o inverno e pararam as chuvas". [6] . Acabou para Vós o sofrimento "e não haverá mais pranto nem lágrimas nos vossos olhos". [7]Agora escutai bem e ouvireis o murmúrio dos anjos que cantam a Maria, Jardim de Deus e eterna Primavera da graça, Rosa escolhida e Açucena de beleza singular, que perfuma o trono do Altíssimo. Minha Mãe, segui-me.»
Inclinei a cabeça no ombro de Jesus e disse: Meu Senhor e Meu Deus! "Em vossas mãos entrego o meu espírito". [8]
Assim entreguei a minha alma a Deus, enquanto sobre o estrado descansavam os meus pobres ossos, cansados de esperar Aquele a quem amara.
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Os apóstolos não viram Jesus, mas sentiram como os coros angélicos entoavam suaves melodias, enquanto um perfume de rosas se espalhava por toda a casa.
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Deixaram o meu corpo estendido sobre o estrado, depois deram-me sepultura e os apóstolos, mergulhados num pranto amargo, acompanharam os meus restos mortais ao lugar do meu repouso.
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A minha alma subiu aos céus acompanhada de Jesus, meu muito amado Filho, e de miríades e miríades de anjos e arcanjos. "Toda magnífica, a Filha do Pai, adentra nos céus, as suas vestes ornadas do ouro mais fino". [9]
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Perante mim os anjos guardavam um silêncio respeitoso, e aqueles que por desígnio divino me custodiavam desde o berço regozijavam-se em chamar-me Rainha celestial e Senhora do Universo.
Durante três dias a minha alma permaneceu nos céus imersa no amor de Deus Pai, de Deus Filho e de Deus Espírito Santo, rodeada de miríades de anjos e arcanjos e de muitos espíritos sutilíssimos e belos.
(...)
Colocaram os despojos de meu corpo numa sepultura nova, depois correram a pedra e os apóstolos comovidos, partiram cada qual para o seu trabalho. Pedro e João ficaram junto à sepultura; Pedro estava muito triste; João, choroso e cabisbaixo, tinha o coração ferido, não falava, soloçava baixinho, porque ali, atrás da lousa, estava o seu grande tesouro; a Mãe que Jesus lhe entregara tinha conquistado o seu coração.
(...)
Durante três dias permaneceram junto da lousa. Pedro fazia algumas visitas ao cenáculo e permanecia nele durante um curto espaço de tempo, depois voltava e instalava-se junto à sepultura na companhia de João.
(...)
Pedro e João, dois corações unidos pelos mesmos sentimentos; Sustentava-os uma força especial vinda do alto, e dia após dia esperaram confiantes por detrás da grande pedra, como se conhecessem o glorioso final. A música continuava a ouvir-se suavemente, enquanto a recordação de mim estava viva nos seus pensamentos e nas suas palavras.
(...)
Tinha chegado o amanhecer do terceiro dia, e a suave música deixou de se ouvir. Pedro e João ficaram receosos com este silêncio e foram ao cenáculo. Ali conferiram o sucedido com os outros apóstolos, e todos decidiram dirigir-se ao sepulcro onde dias antes colocaram o meu corpo, deslocaram a lousa - era pesada - e entre o pânico, a tristeza e o sonho não conseguiam compreender o que ali se estava a passar. Subitamente viram perante eles um espírito luminoso com aparência angélica que lhes disse: "A quem procurais? Vossa Mãe já não está aqui. A celestial Rainha ressuscitou e subiu aos céus. Porque estais tão tristes? Vamos, não desfaleçais. Varões galileus, ficai alegres; Maria foi elevada ao céu."
Depois de ouvirem as palavras do anjo puderam ver como a sepultura estava vazia e no lugar onde o meu corpo tinha sido colocado ficou como testemunho uma grande quantidade de rosas. Foram de novo para o cenáculo e a todos os discípulos que iam chegando confirmaram a boa nova: "Maria, nossa Mãe, ilustre Mestra da Igreja, ressuscitou e subiu aos céus; vimos o lugar onde colocámos o seu corpo e está vazio. ..."
Fonte: Maria, Estrela da Evangelização, cap.21, Barcelona, 1999
[1] V. Eclo 51,8.
[2] V. Gen 24,65.
[3] V. Dt 33,26.
[4] 2Sam 22,11.
[5] Gen 24,65.
[6] V. Cant 2,10-11.
[7] V. Ap 21,4.
[8] Lc 23,46.
[9] V. Sal 44 (45),14.