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Psicologia, Terapia e Crescimento Espiritual

segunda-feira 30 de Junho de 2008

Etimologicamente a palavra "psicologia" é a junção de "psico" (do grego psyché - que exprime a ideia de alma e espírito) com "logia" (relativa ao logos - do grego: discurso, palavra).

Assim sendo a psicologia teria, à partida, a nobre missão de explorar, descrever e aprofundar o que dissesse respeito à alma, isto é, a parte espiritual do ser humano (conforme o dicionário).

Ora nós sabemos, em especial os psicólogos, que isso não é, nem nunca foi assim. Desde o início estes se interessaram mais pelas questões do funcionamento do indivíduo do que pela sua cosmovisão: Como aprende, como se desenvolve, como adoece, como se relaciona, como trabalha, etc. Desta forma o contributo da psicologia limitou-se a especificar um pouco mais aquilo que já as outras ciências faziam. Desviou-se do caminho que seria o seu ou nem mesmo o chegou a iniciar (excepção feita a William James e às suas pesquisas no campo da consciência).Talvez tenha sido essa razão pela qual a fenomenologista Edith Stein lhe chamou uma ciência de fraldas.

É certo que a psicologia se desdobra na abordagem de muitas áreas, cuja especificidade nos leva a considerar que não há uma psicologia mas várias, conforme o campo de interesse. No entanto... No que diz respeito ao campo que nos interessa ,a alma, única para cada ser humano, seria de esperar que fosse a psicologia clínica a estar mais bem preparada para fazer a sua abordagem, principalmente no sentido de uma psicoterapia com outros horizontes que os da simples adaptação a uma realidade tantas vezes ela própria geradora de doença.

Os primeiros passos na tentativa de uma terapia de base científica são dados por Freud. Verificou-se, no entanto, que, apesar da sua grandeza, foram várias as limitações que impediram que as inspirações deste ambicioso homem de ciência dessem origem a uma psicoterapia verdadeiramente libertadora.

Dessas limitações apontamos duas que consideramos de primodial importância. Primeiro o seu quadro de referência científico baseado na física clássica, quando, no seu tempo, a própria física tinha já alcançado outras alturas com Einstein e outros. Segundo a sua cosmovisão, estritamente materialista, que o levou a teorizar sobre factos que a sua miopia espiritual tinha necessáriamente de enviezar.

Considerar a religião como um estadio do desenvolvimento da sociedade, comparável ao estadio obessessivo-compulsivo do desenvolvimento do indíviduo, é um exercício académico tão legítimo como qualquer outro de um qualquer intelectual racionalista. Ainda por cima prever que o desenvolvimento da sociedade acarretaria o fim desse estadio religioso, colocou Freud ao mesmo nível (talvez por ele almejado) de Darwin e de Marx. Diz-se, em geito de anedota, que certo dia os três se terão encontrado em Roma e que o Papa terá dito que se tinham ali reunido os "três demónios".

Independentemente da veracidade desse facto, talvez fosse uma boa ideia dar ouvidos a Konrad Lorenz que afirmava que os homens ainda não levam o humor suficientemente a sério. Não nos vamos agora debruçar sobre progressos e regressos da história humana (talvez num outro artigo). No entanto, a título de exemplo, deixamos a pergunta: o individualismo e a cultura tribal (tatuagens, percings, etc), que a sociedade de consumo propõe aos nossos jovens, pode considerar-se desenvolvimento? E já agora outra: que libertação existe nas alienantes liturgias de determinados concertos de música Rock?

Mas regressemos à clínica. Yung, discípulo de Freud, mas em cujo espírito ainda existia alguma réstea de luz sobrenatural, vem dar relevo à experiência religiosa na formação da estrutura psíquica, o que aliás lhe valeu uma total desaprovação de Freud. Essa noção e a conceptualização de um núcleo do Self como centro das mais importantes energias que podem conduzir o indivíduo no caminho de uma realização aproximam Yung da abordagem ao mais característico do ser humano, isto é, o espírito.

No entanto, o uso de conceitos como os (posteriormente) famosos "arquétipos", as "concomitâncias" ou coincidências significativas conduzem-no ao que consideramos uma abordagem pagã do fenómeno religioso que mais tarde, isto é, nos nossos dias, viria alimentar a grande síncrese produzida pelo movimento da Nova Era.

A par desta escola que, apesar de tudo, ainda se preocupa com a "interioridade" do ser humano, uma outra linha se desenvolveu, o comportamentalismo. Aqui o sujeito é pramáticamente visto como uma "caixa preta" que dá respostas a estímulos. Naquilo que nos motiva, no que diz respeito a esta escola, para já basta...

Bastante mais tarde, já depois da 2ª Grande Guerra, um médico e psicólogo, que viveu a experiência dos campos de concentração, Victor Frankl de seu nome, vem dar algumas pedradas no charco da psicologia e terapias ateias ao chamar a atenção para a importância do espírito, enquanto sede do sentido, da liberdade e da responsabilidade da pessoa humana, independentemente da situação clínica em que se encontra. Devido à proximidade conceptual em que nos sítuamos relativamente a este autor, o seu método, a "análise existencial" e a respectiva proposta terapêutica, a "logoterapia", serão assunto de um futuro artigo.

Assim sendo, concluímos este artigo, trancrevendo, com a devida vénia, algumas palavras de V. Frankl:

«Qualquer passo que se dê, pela fé, nas coisas divinas, isto é qualquer passo a caminho da dimensão suprahumana, resiste sempre à força: não pode ser forçado, e muito menos pela psicoterapia. Já nos damos por satisfeitos se o reducionismo não bloquear a porta de entrada no suprahumano, tal como costuma fazer, ao seguir de perto uma interpretação vulgar e tergiversada da psicanálise, que depois inculca aos pacientes. Já nos damos por satisfeitos se não continuar a apresentar Deus como "nada mais que" uma imagem do pai, e a religião como algo "que outra coisa não é senão" uma neurose da humanidade, degradando-a, assim, aos olhos dos pacientes.» (V. Frankl, Psicoterapia e Sentido da Vida, p.298, Quadrante, S. Paulo, 1986)

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