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	<title> &#192; Luz da Sabedoria Divina</title>
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	<description>Luz terna, suave, no meio da noite,
Leva-me mais longe...
N&#227;o tenho aqui morada permanente:
Leva-me mais longe...
Que importa se &#233; t&#227;o longe, para mim,
A praia aonde tenho de chegar,
Se sobre mim levar constantemente
Poisada a clara luz do teu olhar?
Nem sempre Te pedi como hoje pe&#231;o
Para seres a luz que me ilumina;
Mas sei que ao fim terei abrigo e acesso
Na plenitude da tua luz divina.
Esquece os meus passos mal andados,
Meu desamor perdoa e meu pecado.
Eu sei que vai raiar a madrugada
E n&#227;o me deixar&#225;s abandonado.
Se Tu me d&#225;s a m&#227;o, n&#227;o terei medo,
Meus passos ser&#227;o firmes no andar.
Luz terna, suave, leva-me mais longe:
Basta-me um passo para a Ti chegar. (Hino da Liturgia das Horas)
Que estas p&#225;ginas possam refletir essa Luz e revelem caminhos que nos conduzam ao Sol que n&#227;o tem ocaso: Jesus, Cora&#231;&#227;o ardente de Amor.
H&#225; j&#225; alguns anos, no in&#237;cio, um leitor perguntou-me com que objetivo tinha criado este site. Dada a evid&#234;ncia do conte&#250;do, pareceu-me, ent&#227;o, ser uma pergunta pouco pertinente.
No entanto, dado que uma pergunta pede sempre uma resposta e procurando ser o mais sint&#233;tico poss&#237;vel, apraz-me todavia responder:
Na medida em que o Esp&#237;rito Santo o continuar a inspirar e procurando ser-lhe sempre muito d&#243;cil, o motivo que me conduz continua a ser o mesmo de ent&#227;o:
A expectativa de poder contribuir para dar a conhecer alguns dos contributos com que tantas almas privilegiadas, fizeram aumentar o tesouro da nossa F&#233; cat&#243;lica.
Assim esta possa crescer em cada um daqueles que nos visitarem.</description>
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		<title>A Ci&#234;ncia da Cruz</title>
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		<dc:date>2018-03-31T13:46:37Z</dc:date>
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&lt;p&gt;O que se segue &#233; um conjunto de cita&#231;&#245;es, mais ou menos longas, da &#250;ltima obra de Edith Stein (santa Teresa Benedita da Cruz), cuja vers&#227;o portuguesa foi editada pelas &#034;Edi&#231;&#245;es Loyola&#034;, S&#227;o Paulo, Brasil, 1988. Estas foram retiradas da 4&#170; edi&#231;&#227;o da referida vers&#227;o e apenas foram feitas ligeiras e raras altera&#231;&#245;es formais, de maneira a serem mais facilmente lidas pelos leitores de portugu&#234;s de Portugal. Elas tentam transmitir o que de mais importante encontrei neste estudo, formando uma (&#8230;)&lt;/p&gt;


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&lt;a href="http://luz-da-sabedoria-divina.com/spip.php?rubrique97" rel="directory"&gt;Edith Stein&lt;/a&gt;


		</description>


 <content:encoded>&lt;div class='rss_chapo'&gt;&lt;p&gt;O que se segue &#233; um conjunto de cita&#231;&#245;es, mais ou menos longas, da &#250;ltima obra de Edith Stein (santa Teresa Benedita da Cruz), cuja vers&#227;o portuguesa foi editada pelas &#034;Edi&#231;&#245;es Loyola&#034;, S&#227;o Paulo, Brasil, 1988. Estas foram retiradas da 4&#170; edi&#231;&#227;o da referida vers&#227;o e apenas foram feitas ligeiras e raras altera&#231;&#245;es formais, de maneira a serem mais facilmente lidas pelos leitores de portugu&#234;s de Portugal. Elas tentam transmitir o que de mais importante encontrei neste estudo, formando uma esp&#233;cie de resumo, muito incompleto e marcado pelas minhas preocupa&#231;&#245;es pessoais - o do leitor seria naturalmente diferente. Para al&#233;m do que imediatamente ele transmite, pode ser que suscite, tamb&#233;m, quest&#245;es que o levem a ler a obra completa (tanto esta de santa Teresa Benedita como a de s&#227;o Jo&#227;o da Cruz).&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;
		&lt;div class='rss_texte'&gt;&lt;p&gt;&#034;Quando falamos em &lt;i&gt;ci&#234;ncia da cruz&lt;/i&gt;, devemos entender que n&#227;o se trata de uma ci&#234;ncia no sentido comum da palavra, nem somente de uma teoria, ou um simples sistema de asser&#231;&#245;es verdadeiras. Tampouco de um sistema formal, fruto do pensamento l&#243;gico. Ela &#233;, isso sim, uma verdade j&#225; aceite, uma teologia da cruz: verdade viva, real e eficaz, compar&#225;vel a uma semente que, quando lan&#231;ada na alma, deita ra&#237;zes, dando-lhe caracter&#237;sticas especiais e determinando-lhe a conduta. Ela brilha e transparece nas atitudes. &#201; neste sentido que se fala em &lt;i&gt;ci&#234;ncia dos santos&lt;/i&gt; e que falamos em &lt;i&gt;ci&#234;ncia da cruz&lt;/i&gt;. &#201; das caracter&#237;sticas e energias vitais, latentes nas profundezas da alma, que nascem a concep&#231;&#227;o da vida e a perspectiva em que s&#227;o encarados Deus e o universo; podendo dessa maneira ser caracterizadas e sintetizadas numa teoria.&#034; (pag. 11-12)&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&#034;Existem sinais naturalmente percept&#237;veis a indicar que a natureza humana, tal qual a conhecemos, se encontra num estado deca&#237;do. Da&#237; a incapacidade de aprendermos intimamente os factos segundo o seu verdadeiro valor e de reagirmos adequadamente eles. Esta incapacidade pode ter a sua origem numa defici&#234;ncia inata da intelig&#234;ncia, ou num embotamento geral que pouco a pouco se tenha formado, ou ainda numa insensibilidade positiva para determinadas impress&#245;es, quando frequentemente repetidas. Coisas muitas vezes ouvidas e bem conhecidas deixam-nos indiferentes. Acresce ainda que assuntos de interesse pr&#243;prio e preocupa&#231;&#245;es particulares nos tornam insens&#237;veis a outras coisas. Acontece, por&#233;m, que essa insensibilidade e inflexibilidade interiores nos incomodam a ponto de nos fazerem sofrer. A teoria de que aqui se trata de uma lei psicol&#243;gica pouco nos alivia. Sentimo-nos, por outro lado, felizes , ao perceber que ainda somos capazes de experimentar alegrias profundas e verdadeiras. Mesmo a dor profunda e aut&#234;ntica se nos afigura uma gra&#231;a, comparada com o entorpecimento da sensibilidade. Sobretudo no campo religioso torpeza e insensibilidade s&#227;o dolorosamente sentidas. Muitos fi&#233;is sentem-se deprimidos ao notarem que os factos do plano da salva&#231;&#227;o n&#227;o os impressionam mais, nem lhes servem como deveriam, de norma e fonte de energia para a vida. O exemplo dado pelos santos mostra-lhes o que deveria acontecer: quando de facto se cr&#234;, as verdades da F&#233; e as obras maravilhosas de Deus, tornam-se conte&#250;do da vida, a ponto de as demais coisas perderem import&#226;ncia ou receberem tamb&#233;m a marca desse conte&#250;do. &#201; a isto que chamamos &#171;objectividade dos santos&#187;, express&#227;o que designa a receptividade interna e prim&#225;ria da alma, renascida pelo Esp&#237;rito Santo. Tudo quanto se aproxima dessa alma ser&#225; apropriadamente captado, com profunda sensibilidade.&#034; (pag. 12)&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&#034;Com essa objectividade dos santos tem certa semelhan&#231;a a &lt;i&gt;objectividade das crian&#231;as&lt;/i&gt;, que recebe as impress&#245;es e a elas corresponde com todo o vigor e naturalidade espont&#226;neos. [...] Existem almas, precocemente escolhidas pela gra&#231;a de Deus, que re&#250;nem em si a &#171;objectividade dos santos&#187; e o realismo da alma infantil. Conta-se que santa Br&#237;gida, aos dez anos, ouviu falar, pela primeira vez, na paix&#227;o e morte de Cristo. Na noite seguinte, apareceu-lheo Crucificado. A partir de ent&#227;o, jamais p&#244;de meditar a paix&#227;o de Cristo sem derramar l&#225;grimas.&#034; (pag. 13)&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&#034;No caso de s&#227;o Jo&#227;o da Cruz, deve ser levada em conta uma terceira circunst&#226;ncia: ele ele foi um &lt;i&gt;artista&lt;/i&gt; por natureza. [...] Portanto, devemos levar em considera&#231;&#227;o a sua &lt;i&gt;objectividade pr&#243;pria de artista&lt;/i&gt;. Na impressionabilidade vigorosa e genu&#237;na, o artista, a crian&#231;a e o santo muito se assemelham.&#034; (pag.13)&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&#034;Toda a arte, independentemente da inten&#231;&#227;o do artista, &#233;, ao mesmo tempo, um s&#237;mbolo. [...] H&#225; um s&#237;mbolo quando algo da plenitude do sentido das coisas penetra a mente humana e &#233; captado e apresentado de tal maneira que a plenitude do sentido - inexaur&#237;vel para o conhecimento humano - seja misteriosamente insinuada. Desse modo, toda a verdadeira arte &#233; uma esp&#233;cie de revela&#231;&#227;o, e a produ&#231;&#227;o art&#237;stica, um minist&#233;rio sagrado. [...] Nele [s&#227;o Jo&#227;o da Cruz] a &#171;objectividade pr&#243;pria &#187; da crian&#231;a, do artista e do santo uniram-se para preparar as condi&#231;&#245;es favor&#225;veis &#224; mensagem da cruz, que se transformaria em &lt;i&gt;ci&#234;ncia da cruz&lt;/i&gt;. (pag. 14-15)&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&#034;Cristo entrega a sua vida para dar aos homens a entrada na vida eterna. Por&#233;m, para ganharem a vida eterna, eles dever&#227;o por sua vez, sacrificar a vida terrena. Dever&#227;o morrer com Cristo para com ele ressurgir: isto quer dizer que pelo sofrimento e abnega&#231;&#227;o de si mesmos devem morrer, diariamente, durante a vida toda e, se necess&#225;rio, aceitar o mart&#237;rio em testemunho do evangelho.&#034; (pag. 20)&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&#034;Por certo os planos da Salva&#231;&#227;o estendem-se a toda a humanidade [...]. Mas Deus cuida de cada alma em particular. Cada alma &#233;, em si, para ele, uma esposa, toda cercada de carinho e de fidelidade conjugal e paternal.&#034; (pag. 21/22).&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&#034;A alma est&#225; unida a Cristo e viver&#225; da vida de Cristo - se consentir em entregar-se completamente a ele, seguindo-lhe inteiramente o caminho da cruz. Essa doutrina encontramo-la com toda a clareza e vigor nas mensagens de s&#227;o Paulo, j&#225; possuidor de uma &lt;i&gt;ci&#234;ncia da cruz &lt;/i&gt; bem desenvolvida, uma &lt;i&gt;teologia da cruz &lt;/i&gt; fruto da sua pr&#243;pria experi&#234;ncia &#237;ntima:&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&#171;Pois n&#227;o foi para baptizar que Cristo me enviou, mas para anunciar o evangelho, sem recorrer &#224; sabedoria da linguagem, a fim de que n&#227;o se torne in&#250;til a cruz de Cristo. Com efeito, a linguagem da cruz &#233; loucura para aqueles que se perdem, mas para aqueles que se salvam, para n&#243;s, &#233; poder de Deus (...). Os judeus pedem sinais, e os gregos andam em busca de sabedoria; n&#243;s, por&#233;m, anunciamos Cristo crucificado, que para os judeus &#233; esc&#226;ndalo, para os gentios &#233; loucura, mas para aqueles que s&#227;o chamados - tanto judeus como gregos - &#233; Cristo, poder de Deus e sabedoria de Deus. Pois o que &#233; loucura de Deus &#233; mais s&#225;bio do que os homens, e o que &#233; fraqueza de Deus &#233; mais forte do que os homens.&#187;&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt; [&lt;a href=&#034;#nb1&#034; class=&#034;spip_note&#034; rel=&#034;appendix&#034; title=&#034;1Cor 1,17-18.22-24.&#034; id=&#034;nh1&#034;&gt;1&lt;/a&gt;]&lt;/span&gt;&#034; (pag. 22)&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&#034;A for&#231;a redentora foi conferida ao Verbo, na Cruz, e estende-se a todos os que acolhem o Verbo de cora&#231;&#227;o aberto, sem exigir milagres ou argumentos intelectuais de sabedoria humana. Em tais almas, o Verbo, na cruz, torna-se a for&#231;a vitalizante que denominamos &lt;i&gt;ci&#234;ncia da cruz&lt;/i&gt; na qual s&#227;o Paulo se tornou mestre:&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&#171;De facto, pela Lei eu morri para a Lei, a fim de viver para Deus. Fui crucificado junto com Cristo. J&#225; n&#227;o sou eu que vivo, mas &#233; Cristo que vive em mim. A minha vida presente na carne, eu a vivo pela f&#233; no Filho de Deus, que me amou e se entregou a si mesmo por mim&#187;&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt; [&lt;a href=&#034;#nb2&#034; class=&#034;spip_note&#034; rel=&#034;appendix&#034; title=&#034;Gl 2, 19-20.&#034; id=&#034;nh2&#034;&gt;2&lt;/a&gt;]&lt;/span&gt; .&#034; (pag.23)&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&#034;Quem se decidiu por Cristo morreu para o mundo e este para ele, e traz no seu corpo os estigmas do Senhor Jesus,&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt; [&lt;a href=&#034;#nb3&#034; class=&#034;spip_note&#034; rel=&#034;appendix&#034; title=&#034;Cf Gl 6,17.&#034; id=&#034;nh3&#034;&gt;3&lt;/a&gt;]&lt;/span&gt;tornou-se fraco e desprezado pelos homens e, contudo, forte, porque o poder de Deus se manifesta na fraqueza.&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt; [&lt;a href=&#034;#nb4&#034; class=&#034;spip_note&#034; rel=&#034;appendix&#034; title=&#034;2Cor 12,9.&#034; id=&#034;nh4&#034;&gt;4&lt;/a&gt;]&lt;/span&gt; Assim o disc&#237;pulo de Cristo n&#227;o somente aceita a cruz, como tamb&#233;m se crucifica, &#171;pois os que s&#227;o de Jesus Cristo crucificaram a carne com suas paix&#245;es e seus desejos&#187;.&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt; [&lt;a href=&#034;#nb5&#034; class=&#034;spip_note&#034; rel=&#034;appendix&#034; title=&#034;Gl 5,24.&#034; id=&#034;nh5&#034;&gt;5&lt;/a&gt;]&lt;/span&gt; Travaram luta feroz contra as inclina&#231;&#245;es da natureza para que o pecado morresse neles e desse lugar &#224; vida do Esp&#237;rito. Esta &#250;ltima &#233; o que importa: a cruz n&#227;o &#233; um fim em si mesma. Ela ergue-se e aponta para o alto. N&#227;o &#233; somente sinal, &#233; a arma forte de Cristo. &#201; a vara do pastor, com que o David divino vai de encontro ao Golias das trevas e com a qual o golpeia, abrindo a porta do c&#233;u. E a torrente da luz divina transbordar&#225;, envolvendo a todos os que formam o s&#233;quito do Cristo crucificado.&#034; (pag.24)&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&#034;Morrer com Cristo na cruz para com ele ressurgir &#233; uma verdade que se verifica - para cada fiel e principalmente para cada sacerdote - na realidade do santo sacrif&#237;cio da Missa. De acordo com a F&#233;, o sacrif&#237;cio da missa &#233; a renova&#231;&#227;o do sacrif&#237;cio da cruz. Quem o celebra ou dele participa com f&#233; viva alcan&#231;ar&#225; os mesmos efeitos que se produziram no Calv&#225;rio.&#034; (pag. 24)&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&#034;O santo sacrif&#237;cio foi institu&#237;do por decreto da Divina Trindade, em sua honra &#233; realizado, para franquear o acesso &#224; sua eternidade.&#034; (pag. 25)&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&#034;A cruz e a noite s&#227;o o caminho s&#227;o o caminho para a luz celeste - eis a jubilosa mensagem da cruz.&#034; (pag. 33)&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&#034;O verdadeiro esp&#237;rito antes procura em Deus a amargura que as del&#237;cias, prefere o sofrimento ao consolo, a priva&#231;&#227;o ao gozo, a aridez e as afli&#231;&#245;es &#224;s doces comunica&#231;&#245;es celestes, sabendo que isto &#233; seguir a Cristo e renunciar-se. Agir de outro modo &#233; buscar-se a si mesmo em Deus, o que &#233; muito contr&#225;rio ao amor.&#034; (pag. 34)&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&#034;... assim como por meio da &#225;rvore proibida no para&#237;so, foi essa natureza [humana] estragada e perdida por Ad&#227;o, assim na &#225;rvore da cruz foi remida e reparada.&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt; [&lt;a href=&#034;#nb6&#034; class=&#034;spip_note&#034; rel=&#034;appendix&#034; title=&#034;C&#226;ntico Espiritual, Explica&#231;&#227;o da Can&#231;&#227;o XXIII.&#034; id=&#034;nh6&#034;&gt;6&lt;/a&gt;]&lt;/span&gt;&#034; (pag. 35)&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&#034;Quanto mais perfeita for a crucifix&#227;o ativa e passiva, tanto mais &#237;ntima ser&#225; a uni&#227;o com o crucificado, e tanto maior ser&#225; a participa&#231;&#227;o na vida divina.&#034; (pag. 35)&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&#034;Sendo que s&#227;o Jo&#227;o foi declarado &lt;i&gt;Doutor&lt;/i&gt; pela Santa Igreja, quem desejar esclarecer-se sobre quest&#245;es de m&#237;stica, no &#226;mbito da doutrina cat&#243;lica, dever&#225; a ele se dirigir.&#034; (pag. 37)&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&#034;Ele sempre levou em conta a grande variedade dos diversos caminhos e a adapta&#231;&#227;o suave e flex&#237;vel da gra&#231;a &#224;s condi&#231;&#245;es particulares das almas.&#034; (pag. 38)&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&#034;Existe uma noturna e suave claridade do esp&#237;rito, em que livre da faina diurna, distendido e recolhido ao mesmo tempo, ele se concentra no profundo sentido do seu ser e da sua exist&#234;ncia, do mundo e do sobrenatural.&#034; (pag. 42)&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&#034;A &lt;i&gt;noite m&#237;stica&lt;/i&gt; n&#227;o deve ser entendida em sentido c&#243;smico; ela n&#227;o vem de fora, mas tem a sua origem no &#237;ntimo da alma e s&#243; envolve a alma na qual penetra. Mas os efeitos que produz nessa alma s&#227;o comparados aos da noite c&#243;smica: o mundo exterior fica &#034;envolto em trevas&#034;, ainda que haja a clara luz do dia; produzem-se na alma solid&#227;o, abandono e vazio, a atividade das suas faculdades fica tolhida, afligem-na amea&#231;as de pavor que a noite esconde em seu seio. H&#225;, por&#233;m, uma &lt;i&gt;luz noturna &lt;/i&gt; que abre no fundo da alma um mundo novo e ilumina com a sua claridade interna o mundo exterior, revelando-o completamente mudado.&#034; (pag. 43)&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&#034;A preponder&#226;ncia do s&#237;mbolo da noite vem indicar que, nos escritos do Santo Doutor da Igreja, quem fala n&#227;o &#233; tanto o te&#243;logo: &#233; mais o poeta e o m&#237;stico, embora o te&#243;logo vigie e governe com cuidado os pensamentos e express&#245;es&#034; (pag. 44)&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&#034;A fim de se livrar dos grilh&#245;es da sua natureza sens&#237;vel, deve a alma empenhar todas as energias dispon&#237;veis, mas &#233; preciso que Deus venha em seu aux&#237;lio e lhe envie a gra&#231;a preveniente: Deus inicia a sua ac&#231;&#227;o e tamb&#233;m a completa.&#034; (pag.46)&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&#034;O desaparecimento do mundo sens&#237;vel &#233; como o cair da noite, quando ainda resta uma luminosidade crepuscular, resqu&#237;cio da claridade diurna. Mas a f&#233; como escurid&#227;o da meia noite, porque neste ponto acham-se apagados n&#227;o s&#243; a actividade dos sentidos, mas tamb&#233;m o entendimento natural da raz&#227;o. Quando, enfim, a alma encontra o pr&#243;prio Deus, &#233; como se rompesse em sua noite a alvorada do dia da eternidade.&#034; (pag. 46)&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&#034;N&#227;o se trata, por certo, de extinguir a percep&#231;&#227;o dos sentidos: eles s&#227;o como janelas pelas quais recebemos a luz da nossa intelig&#234;ncia enquanto estivermos no c&#225;rcere escuro da exist&#234;ncia corporal e, enquanto existirmos, deles n&#227;o poderemos prescindir. Devemos, por&#233;m, aprender a ver, a ouvir, etc... como se n&#227;o v&#237;ssemos ou ouv&#237;ssemos nada. O que deve mudar &#233; a nossa atitude fundamental em face do mundo sens&#237;vel.&#034; (pag. 47)&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&#034;O in&#237;cio da &lt;i&gt;Noite escura&lt;/i&gt; traz consigo uma total novidade: o &#171;sentir-se em casa&#187; neste mundo, t&#227;o natural e agrad&#225;vel; os prazeres que proporciona; o desejo desses prazeres e, logo em seguida, a sua aceita&#231;&#227;o. Enfim, tudo quanto constitui e representa o cotidiano do homem &#233;, aos olhos de Deus, &lt;i&gt;escurid&#227;o&lt;/i&gt;, incompat&#237;vel com a Luz divina. Na alma, tudo isso tem de ser cortado pela raiz, se nela se quiser dar lugar a Deus. Corresponder a esse imperativo significa abrir luta contra a natureza humana; significa tomar sobre si a pr&#243;pria cruz e entregar-se &#224; crucifix&#227;o. [...]o imp&#233;rio do desejo na alma &#233; realmente escurid&#227;o, como ser&#225; comprovado: a concupisc&#234;ncia cansa e atormenta a alma, deixando-a em escurid&#227;o, mancha-a e esgota-lhe as for&#231;as; rouba-lhe o esp&#237;rito de Deus, de quem se afastou pela entrega ao esp&#237;rito animal. Lutar contra a concupisc&#234;ncia, ou tomar sobre si acruz, significa entrar activamente na &lt;i&gt;noite escura&lt;/i&gt;.&#034; (pag. 48)&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&#034;A alma &#233; incapaz de ter ideia de Deus pelo pensamento discursivo, ou de fazer progresso por meio do pensamento reflexivo auxiliado pela imagina&#231;&#227;o.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A aridez e o vazio tornam a alma &lt;i&gt;humilde&lt;/i&gt;. O orgulho de outrora desaparece, por n&#227;o encontrar a alma em si mesma coisa alguma que ainda lhe sirva de est&#237;mulo a olhar os outros com desd&#233;m; despertam-se agora no pr&#243;prio cora&#231;&#227;o amor e estima por eles. [...] A avareza espiritual &#233; radicalmente curada: n&#227;o mais encontrando gosto em nenhum exerc&#237;cio espiritual, torna-se comedida e h&#225; de fazer o que faz unicamente por amor a Deus, sem procurar nisso satisfa&#231;&#227;o pessoal. [...] A &lt;i&gt;noite escura&lt;/i&gt; torna-se escola de todas as virtudes: ensina a &lt;i&gt;resigna&#231;&#227;o&lt;/i&gt; e a &lt;i&gt;paci&#234;ncia&lt;/i&gt;, [...] a perseveran&#231;a em todas as contrariedades assegura-lhe &lt;i&gt;&#226;nimo&lt;/i&gt; e &lt;i&gt;fortaleza&lt;/i&gt;. A purifica&#231;&#227;o completa de todas as inclina&#231;&#245;es e desejos sens&#237;veis, leva a alma &#224; &lt;i&gt;liberdade de esp&#237;rito&lt;/i&gt;, em que amadurecem do esp&#237;rito os frutos,&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt; [&lt;a href=&#034;#nb7&#034; class=&#034;spip_note&#034; rel=&#034;appendix&#034; title=&#034;Cf. Gl 5,22.&#034; id=&#034;nh7&#034;&gt;7&lt;/a&gt;]&lt;/span&gt; e essa liberdade garante abrigo e seguran&#231;a contra os tr&#234;s inimigos - o dem&#243;nio, o mundo e a carne -, que nada poder&#227;o contra o esp&#237;rito, porque a alma &#171;saiu sem ser notada&#187;. A casa est&#225; em profunda paz, uma vez que as paix&#245;es se acalmaram e a sensibilidade adormeceu, pela aridez.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A alma escapou, encontrou o caminho do esp&#237;rito, o caminho dos adiantados, a via iluminativa onde o pr&#243;prio Deus lhe serve de mestre [...] Antes de entrar na noite do esp&#237;rito, a alma experimentar&#225;, al&#233;m da aridez e do vazio, dolorosas e profundas prova&#231;&#245;es, causadas por penosas tenta&#231;&#245;es: o esp&#237;rito de impureza e o de blasf&#233;mia apoderam-se da sua imagina&#231;&#227;o, o esp&#237;rito mentiroso causa-lhe escr&#250;pulos, confus&#245;es e perplexidades. S&#227;o tempestades que t&#234;m por fim provar e fortalecer as almas. [...] Quanto mais alto o grau de uni&#227;o amorosa que Deus reserva &#224; alma, tanto mais profundas e demorada ser&#225; a purifica&#231;&#227;o. [...] &#192; medida que morre o homem carnal &#233; que se d&#225; a ressurrei&#231;&#227;o do homem espiritual.&#034; (pag. 53-55)&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&#034;Jo&#227;o da Cruz denominou a &lt;i&gt;noite do esp&#237;rito&lt;/i&gt;, &#171;caminho estreito&#187;. Antes a F&#233; j&#225; fora designada &#171;caminho&#187;, e a sua escurid&#227;o denominada &#171;meia noite&#187;. Da&#237; se concluir que, na &lt;i&gt;noite do esp&#237;rito&lt;/i&gt;, a F&#233; representa o papel principal.&#034; [...] (pag. 55)&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&#034;A segunda noite &#233; mais escura que a primeira: aquela atingiu a parte sens&#237;vel do homem e foi de natureza mais exterior, ao passo que a noite da F&#233; atinge a parte superior, racional; &#233; de natureza interna, e priva a alma do entendimento, chegando at&#233; a ceg&#225;-la.&#034; (pag.56)&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&#034;Ouvindo falar algu&#233;m de alguma coisa nunca vista e n&#227;o conhecida sequer por semelhan&#231;a com outra, o que [a intelig&#234;ncia] pode apreender &#233; somente o nome da coisa, mas nunca adquiri-lhe a imagem. Seria o caso do cego de nascen&#231;a em rela&#231;&#227;o &#224;s cores. Algo assim nos acontece em mat&#233;ria de F&#233;, pois esta refere-se a realidades que nunca vimos ou ouvimos: desconhecemos tamb&#233;m coisas que lhe sejam semelhantes. Resta-nos uma &#250;nica atitude admiss&#237;vel: aceitar o que nos foi dito, pondo de lado a luz do nosso conhecimento natural. cabe-nos dar assentimento ao que nos foi dito, embora n&#227;o nos tenha sido mostrado pelos sentidos. Por isso, a F&#233; &#233; para a alma uma noite totalmente escura. Mas &#233; por isso tamb&#233;m que a F&#233; traz a luz &#224; alma: um conhecimento com absoluta certeza, que supera todo e qualquer outro conhecimento e ci&#234;ncia, de modo que s&#243; se chega &#224; verdadeira concep&#231;&#227;o da F&#233; pela perfeita contempla&#231;&#227;o. Eis por que est&#225; escrito: &#171;Si non credideritis, non intelligetis&#187; - Se n&#227;o o crerdes n&#227;o o compreendereis.&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt; [&lt;a href=&#034;#nb8&#034; class=&#034;spip_note&#034; rel=&#034;appendix&#034; title=&#034;A frase &#233; do profeta Isa&#237;as.&#034; id=&#034;nh8&#034;&gt;8&lt;/a&gt;]&lt;/span&gt;&#034; (pag. 56-57).&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&#034;Ap&#243;s ter renunciado na noite dos sentidos a todos os desejos de criaturas, dever&#225; [a alma], para chegar a Deus, morrer para as for&#231;as naturais, ou seja, para os sentidos e a raz&#227;o.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Para conseguir a transforma&#231;&#227;o sobrenatural, &#233; preciso deixar tudo quanto faz parte do homem natural. A alma precisa abandonar mesmo os bens sobrenaturais, caso Deus os tenha dado. Ela deve separar-se de tudo o que se refira ao entendimento. Deve manter-se &#224;s escuras - como um cego - apoiando-se na F&#233; escura, tomando-a como guia e luz, e n&#227;o se apoiando em nada do que entende, prova, sente e imagina, porque tudo isso s&#227;o trevas que a far&#227;o errar [...] Para chegar &#224; uni&#227;o com Deus, &#233; preciso crer em seu ser, o qual n&#227;o &#233; apreendido pelo entendimento, nem pelo desejo, nem pela imagina&#231;&#227;o ou qualquer outro sentimento, nem se pode saber nesta vida.&#034; (pag. 57-58)&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&#034;A uni&#227;o sobrenatural realiza-se quando a vontade da alma se conforma a tal ponto com a vontade de Deus que ambos constituem uma s&#243; vontade, e n&#227;o h&#225; em nenhuma delas nada que possa contrariar a outra. [...] A uni&#227;o chegar&#225; a tal ponto que... todas as coisas de Deus e da alma se tornam unas, pela transforma&#231;&#227;o e pela participa&#231;&#227;o, e a alma parece mais Deus que ela mesma... ela &#233; Deus por participa&#231;&#227;o, embora o seu ser continue naturalmente distinto dele, tanto quanto antes.&#034; [...] (pag. 58-59)&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&#034;O despojamento necess&#225;rio para a uni&#227;o transformadora &#233; levado a efeito no &lt;i&gt;entendimento&lt;/i&gt; pela &lt;i&gt;F&#233;&lt;/i&gt;; na &lt;i&gt;mem&#243;ria&lt;/i&gt; pela &lt;i&gt;Esperan&#231;a&lt;/i&gt;; na &lt;i&gt;vontade&lt;/i&gt; pelo &lt;i&gt;Amor&lt;/i&gt;. [...] a &lt;i&gt;F&#233;&lt;/i&gt; reduz a raz&#227;o ao nada, levando-a reconhecer a sua incapacidade diante da grandeza de Deus. A &lt;i&gt;Esperan&#231;a&lt;/i&gt; esvazia a mem&#243;ria, levando-a a ocupar-se com algo que n&#227;o possui. [...] Ela ensina-nos que devemos esperar tudo de Deus e nada de n&#243;s mesmos ou das criaturas. [...] O Amor, enfim, liberta a vontade de todas as coisas, obrigando-a a amar a Deus acima de tudo, o que s&#243; &#233; poss&#237;vel se exclu&#237;dos os desejos das coisas criadas.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;[...] esse caminho de completo despojamento &#233; o &lt;i&gt;caminho estreito&lt;/i&gt; que somente poucos encontram.&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt; [&lt;a href=&#034;#nb9&#034; class=&#034;spip_note&#034; rel=&#034;appendix&#034; title=&#034;Cf. Mt 7,14.&#034; id=&#034;nh9&#034;&gt;9&lt;/a&gt;]&lt;/span&gt; &#201; o caminho que conduz &#224; alta montanha da perfei&#231;&#227;o e que s&#243; pode ser trilhado porquem estiver livre de qualquer peso que o arraste para baixo. &#201; o &lt;i&gt;caminho da cruz&lt;/i&gt;, para o qual o Senhor convida os seus disc&#237;pulos: &#171;Se algu&#233;m me quer seguir, renuncie-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me. Porque o que quiser salvar a sua vida vai perd&#234;-la, mas o que perder a sua vida por amor de mim, esse a salvar&#225;&#187;.&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt; [&lt;a href=&#034;#nb10&#034; class=&#034;spip_note&#034; rel=&#034;appendix&#034; title=&#034;Cf. Mc 8,34.&#034; id=&#034;nh10&#034;&gt;10&lt;/a&gt;]&lt;/span&gt;&#034; (pag. 59-60)&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&#034;Beber o c&#225;lice do Senhor&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt; [&lt;a href=&#034;#nb11&#034; class=&#034;spip_note&#034; rel=&#034;appendix&#034; title=&#034;Cf. Mt 20,21.&#034; id=&#034;nh11&#034;&gt;11&lt;/a&gt;]&lt;/span&gt; significa morrer para a natureza, quer sens&#237;vel quer espiritual. S&#243; assim se trilha o caminho estreito, pois nele n&#227;o cabe mais que a abnega&#231;&#227;o e a cruz, a qual &#233; o corrim&#227;o para subir, que muito alivia e suaviza a caminhada. &#201; por isso que Jesus disse: &#171;O meu jugo &#233; suave e o meu fardo &#233; leve&#187;.&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt; [&lt;a href=&#034;#nb12&#034; class=&#034;spip_note&#034; rel=&#034;appendix&#034; title=&#034;Mt 11,30.&#034; id=&#034;nh12&#034;&gt;12&lt;/a&gt;]&lt;/span&gt; Este fardo &#233; a cruz; porque se o homem se decide a sujeitar-se a carregar essa cruz, quer dizer, procura em tudo, por amor de Deus, as fadigas e as toma sobre si alegremente, encontrar&#225; de facto grande al&#237;vio e do&#231;ura em todas as coisas e caminhar&#225; nesta completa ren&#250;ncia sem desejar coisa alguma.&#034; (pag. 60-61)&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&#034;Tomando tudo isso em considera&#231;&#227;o, &#233; de esperar que a alma verdadeiramente espiritual &#171;entenda o mist&#233;rio da porta estreita e do caminho de Cristo para se unir a Deus, e saiba que, quanto mais se aniquila por Deus, sens&#237;vel e espiritualmente, tanto mais se une a ele e tanto maior a obra que faz. e Quando vier a ficar reduzida ao nada, o que constitui a suprema humilha&#231;&#227;o, estar&#225; realizada a uni&#227;o espiritual entre a alma e Deus, o mais alto estado a que nesta vida se pode chegar&#187;. Essa uni&#227;o &#171;n&#227;o consiste, pois, em recrea&#231;&#245;es, gozos e sensa&#231;&#245;es espirituais, mas numa viva morte de cruz, sens&#237;vel e espiritual, interior e exterior&#187;.&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt; [&lt;a href=&#034;#nb13&#034; class=&#034;spip_note&#034; rel=&#034;appendix&#034; title=&#034;Subida 1. II, c. 7.&#034; id=&#034;nh13&#034;&gt;13&lt;/a&gt;]&lt;/span&gt;&#034; (pag. 61-62)&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&#034;A escurid&#227;o que leva a Deus &#233; como j&#225; sabemos a &lt;i&gt;F&#233;&lt;/i&gt;. Ela &#233; o &#250;nico meio que leva &#224; uni&#227;o, ao colocar-nos diante dos olhos Deus tal qual ele &#233;: Deus infinito, uno e trino. [...]Por ora, dependemos inteiramente dessa F&#233;. O que ela nos ensina, pela &lt;i&gt;contempla&#231;&#227;o&lt;/i&gt;, &#233; um conhecimento &lt;i&gt;geral e obscuro&lt;/i&gt;: a contempla&#231;&#227;o &#233; oposta n&#227;o somente &#224;s atividades naturais do entendimento, como tamb&#233;m &#224;s diversas maneiras de o entendimento chegar a conhecimentos sobrenaturais particulares claramente percept&#237;veis, tais como vis&#245;es, revela&#231;&#245;es, locu&#231;&#245;es e sensa&#231;&#245;es espirituais. [...] Os sentidos arrogam-se o poder de opinar sobre coisas espirituais, quando neste assunto s&#227;o t&#227;o ignorantes como um jumento nas coisas racionais. Nesse terreno, &#233; poss&#237;vel tamb&#233;m que o dem&#243;nio exer&#231;a os seus enganos, pois tem influ&#234;ncia nas coisas corporais. E mesmo que as imagens fossem enviadas por Deus seriam menos proveitosas para o esp&#237;rito - e tanto menos o ser&#227;o quanto mais aparecerem exteriormente: isto porque favorecem menos o esp&#237;rito de ora&#231;&#227;o e d&#227;o a entender que s&#227;o mais importantes e mais capazes de conduzir que a pr&#243;pria F&#233;. E o dem&#243;nio aproveita-se de prefer&#234;ncia disso tudo para causar dano &#224;s almas. Por todas essas raz&#245;es conv&#233;m rejeitar essas apari&#231;&#245;es. Se elas forem enviadas por Deus, nenhum perigo correr&#225; a alma ao rejeit&#225;-las, porque toda e qualquer comunica&#231;&#227;o vinda de Deus, no &#171;instante mesmo em que aparece ou &#233; sentida, produz efeito no esp&#237;rito, sem dar lugar a que a alma tenha tempo de deliberar se o quer ou n&#227;o&#187;. Ao contr&#225;rio das vis&#245;es de origem diab&#243;lica &#171;que s&#243; podem dar os primeiros impulsos &#224; vontade - mas n&#227;o mov&#234;-la al&#233;m desse ponto, se ela n&#227;o quiser&#187;. as vis&#245;es divinas &#171;penetram a alma e movem a vontade a amar, deixando efeito ao qual ela n&#227;o pode resistir embora o queira... Apesar desses proveitos salutares, n&#227;o conv&#233;m &#224; alma aspirar a essas vis&#245;es divinas [...] o desejo de vis&#245;es abre as portas ao dem&#243;nio [...]&#034; (pag. 63-64)&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&#034;Assim como h&#227;o de ser rejeitadas as sensa&#231;&#245;es dos sentidos exteriores, devem s&#234;-lo tamb&#233;m as sensa&#231;&#245;es dos &lt;i&gt;sentidos interiores&lt;/i&gt;, da &lt;i&gt;imagina&#231;&#227;o&lt;/i&gt; e da &lt;i&gt;fantasia&lt;/i&gt;. [...] Para os principiantes, pode ser necess&#225;rio imaginar Deus como um grande inc&#234;ndio, um clar&#227;o ou algo semelhante, a fim de, por meio do sens&#237;vel, suscitar ou inflamar o amor na alma. Essas imagens importam tamb&#233;m como meios remotos; as almas devem ordinariamente passar por tal fase para chegarem ao final, &#224; mans&#227;o do repouso espiritual... mas &#233; preciso que passem... e n&#227;o permane&#231;am... pois dessa maneira nunca chegariam ao final&#187;&#034; (pag. 64-65)&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&#034;Todas as inquieta&#231;&#245;es e afli&#231;&#245;es da alma t&#234;m origem na m&#225; compreens&#227;o desse estado [da contempla&#231;&#227;o] e da volta &#224; medita&#231;&#227;o, agora est&#233;ril.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Na contempla&#231;&#227;o, as pot&#234;ncias espirituais - mem&#243;ria, intelig&#234;ncia e vontade - acham-se reunidas num s&#243; ato simult&#226;neo. [...] A alma v&#234;-se mergulhada num profundo esquecimento e vive como que fora do tempo. A ora&#231;&#227;o parece-lhe curta, embora &#224;s vezes dure v&#225;rias horas. Essa ora&#231;&#227;o, aparentemente breve, &#171;penetra os c&#233;us, pois a alma est&#225; unificada em si mesma num conhecimento celestial&#187;. &#034; (pag. 66)&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&#034;A vontade v&#234;-se tomada de amor, mergulhada nele, embora n&#227;o saiba exatamente qual seja o objeto desse amor. [...] &#201; uma luz clara e pura que se derrama na alma.&#034; (pag. 66)&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&#034;Nesse estado de uni&#227;o de amor, Deus n&#227;o se comunica &#224; alma por meio de vis&#245;es imagin&#225;rias ou semelhan&#231;as, ou imagens, mas... boca a boca [...] Para chegar a esse ponto, &#233; necess&#225;ria uma longa caminhada: &#233; por graus que Deus conduz a alma a essa altura sublime. Ele adapta-se, inicialmente, &#224; sua natureza, comunicando-lhe de in&#237;cio &#171;o espiritual por meio de coisas exteriores, palp&#225;veis: d&#225;-lhe instru&#231;&#227;o... por formas, imagens e meios acess&#237;veis ao seu modo de entender... ora naturais, ora sobrenaturais... e tamb&#233;m por racioc&#237;nios; e eleva-a paulatinamente ao entendimento do supremo esp&#237;rito de Deus&#187;. &#034; (pag. 66-67)&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&#034;Antigamente falou Deus, prometendo-nos o Cristo. Agora, por&#233;m, tudo nos deu com o pr&#243;prio Cristo, dizendo: &#171;Ouvi-o!&#187; Mt 17,5.&#034; (pag.67)&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&#034;Esse obscuro conhecimento amoroso, que &#233; a F&#233;, serve nesta vida para a divina uni&#227;o, como a luz da gl&#243;ria serve na outra de meio para a vis&#227;o clara de Deus&#034; (pag.69)&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&#034;Soba a influ&#234;ncia da luz espiritual, as coisas ficam gravadas profundamente na alma, a ponto de, todas as vezes em que voltam &#224; consci&#234;ncia, serem conhecidas tal como na primeira vez. [...] Quando o abandono, a obscuridade e a pobreza do esp&#237;rito permitem &#224; F&#233; enraizar-se na alma, infundem-lhe, simultaneamente, a &lt;i&gt;Esperan&#231;a&lt;/i&gt; e a &lt;i&gt;Caridade&lt;/i&gt;, Caridade que se manifesta, n&#227;o por afetos sentimentais, mas por aumento de for&#231;as, maior generosidade e coragem da alma, a um ponto at&#233; ent&#227;o desconhecido. [...] (pag,69)&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&#034;&#201; prefer&#237;vel &#224; alma n&#227;o querer ver com clareza as coisas da F&#233;, para conservar-lhe o m&#233;rito puro e inteiro, e para assim chegar, pela &lt;i&gt;noite da F&#233;&lt;/i&gt; e sem perigo de erro, &#224; uni&#227;o divina.&#034; (pag.72)&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&#034;Quando o entendimento est&#225; recolhido em medita&#231;&#227;o, ent&#227;o ele une-se &#224; verdade sobre a qual pensa. O Esp&#237;rito tamb&#233;m est&#225; unido a ele naquela verdade - como o est&#225; sempre, em toda a verdade -, da&#237; se compreender a uni&#227;o da intelig&#234;ncia com o Esp&#237;rito Santo pela verdade.&#034; (pag.72)&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&#034;&#171;Devemos contentar-nos em saber os mist&#233;rios e verdades da f&#233; com a simplicidade e a verdade com que a Igreja no-lo prop&#245;e; isto basta para inflamar muito a vontade...&#187;&#034; (pag.73)&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&#034;O &lt;i&gt;caminho da F&#233;&lt;/i&gt; percorre a &lt;i&gt;noite escura&lt;/i&gt; e &#233; ao mesmo tempo o &lt;i&gt;caminho da cruz&lt;/i&gt;. O que se disse at&#233; agora sobre as riquezas e as gra&#231;as da ilumina&#231;&#227;o indica-nos a ren&#250;ncia que delas se exige. Somente quem tiver possu&#237;do essas riquezas pode avaliar como &#233; dolorosa uma ren&#250;ncia volunt&#225;ria; como a escurid&#227;o se torna espessa ao fechar-se os olhos em plena luz; como &#233; uma verdadeira crucifix&#227;o cercear a vida do esp&#237;rito e subtrair-lhe tudo quanto lhe agrada.&#034; (pag.76)&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&#034;E como n&#227;o h&#225; forma ou figura alguma com que a mem&#243;ria possa atingir a Deus, &#233; preciso nada menos que desfazer-se totalmente de todas as formas que n&#227;o s&#227;o Deus.&#034; (pag.76)&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&#034;Para fugir a tudo isso, conv&#233;m &#224; mem&#243;ria livrar-se de tudo quanto a aproxima de Deus sob a forma de imagens ou compara&#231;&#245;es tiradas de coisas criadas.&#034; (pag.77)&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&#034;O bem moral consiste em refrear as paix&#245;es e pensamentos desordenados, &#171;a que se seguem tranquilidade, paz, sossego e virtudes morais&#187;. Todas as inquieta&#231;&#245;es e obst&#225;culos &#224; paz da alma s&#227;o causados pelo conte&#250;do da mem&#243;ria.&#034; (pag. 77)&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&#034;&#171;quanto mais a mem&#243;ria se despoja, tanto mais ganha em esperan&#231;a... tanto mais uni&#227;o com Deus ter&#225;&#187;&#034; (pag.78)&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&#034;a recusa &#224;s comunica&#231;&#245;es divinas n&#227;o significa &#171;apagar o esp&#237;rito&#187;, o que aconteceria se a alma impedisse com a sua obra ativa o que Deus lhe comunica passivamente&#034; (pag.79)&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&#034;&#171;Portanto, deve a alma somente buscar, em todas as apreens&#245;es sobrenaturais - vis&#245;es, locu&#231;&#245;es, revela&#231;&#245;es - n&#227;o se deter na apar&#234;ncia exterior, isto &#233;, no que significam, representam ou fazem compreender; mas admitir unicamente o amor divino que essas comunica&#231;&#245;es despertam interiormente.&#187;&#034; (pag. 79)&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&#034;Enfim, sejam boas ou m&#225;s [as imagens impressas na alma], &#233; sempre bom para a alma n&#227;o querer compreender coisa alguma, procurando antes ir a Deus pela f&#233; e na esperan&#231;a.&#034; (pag.80)&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&#034;&#171;A for&#231;a da alma reside nas suas faculdades, paix&#245;es e apetites, governados pela vontade. Quando a vontade os dirige para Deus e os afasta de tudo o que n&#227;o &#233; ele, guarda a fortaleza da alma para o Senhor, e na verdade ama-o com todas as for&#231;as&#187;&#034; (pag. 81)&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&#034;As paix&#245;es, quando desordenadas, produzem na alma todos os v&#237;cios e imperfei&#231;&#245;es, e quando ordenadas e bem dirigidas, geram todas as virtudes. &#034; (pag. 81)&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&#034;E portanto, se algu&#233;m se disp&#245;e a amar a Deus, n&#227;o &#233; pelas deliciosas sensa&#231;&#245;es que sente, mas deixa-as por Deus, a quem n&#227;o sente. [...]&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Infeliz aquele que pensa a aus&#234;ncia de deleites espirituais como aus&#234;ncia de Deus, ou, possuindo-os, ache que ent&#227;o possui a Deus. A uni&#227;o a Deus s&#243; &#233; obtida pelo vazio das tend&#234;ncias quanto a qualquer gozo particular.&#034; (pag. 82)&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&#034;Quem, entretanto, conseguir livrar-se de todo o apego aos bens temporais, alcan&#231;ar&#225; a liberdade de esp&#237;rito, a clareza da raz&#227;o, calma, tranquilidade e confian&#231;a em Deus, al&#233;m da submiss&#227;o da vontade &#224; vontade divina.&#034; (pag.83)&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&#034;Da equivocada alegria pelas pr&#243;prias boas obras nascem a soberba farisaica e a presun&#231;&#227;o, o desprezo pelos outros e o desejo de ser elogiado - com o que se perde o m&#233;rito eterno. Isso equivale &#224; injusti&#231;a e &#224; nega&#231;&#227;o de Deus, autor de toda e qualquer boa obra.&#034; [...] &#171;Tais almas afrouxam muito no amor a Deus e ao pr&#243;ximo, pois o amor-pr&#243;prio que t&#234;m pelas suas obras f&#225;-las arrefecer na caridade&#187;&#034; (pag. 87)&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&#034;&#171;... Onde houver mais sinais e testemunhos, menos merecimento haver&#225; em crer.&#187;&#034; (pag. 88)&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&#034;A pessoa verdadeiramente devota faz do invis&#237;vel o objeto principal da sua devo&#231;&#227;o; n&#227;o necessita de muitas imagens e prefere as que se conformem mais ao divino que ao humano; nem se aflige se lhas tiram. [...] A alma deve abstrair-se daquilo que ajuda a levar o cora&#231;&#227;o a Deus e n&#227;o fazer disso est&#237;mulo para os sentidos, pois o instrumento que serviria de apoio passa a ser obst&#225;culo.&#034; (pag. 90)&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&#034;Numerosos perigos podem surgir do uso de imagens, ainda que haja muita piedade: o dem&#243;nio aproveita-se delas para surpreender as almas imprudentes - por exemplo, por meio de apari&#231;&#245;es sobrenaturais simuladas (as imagens come&#231;am a mover-se, a dar sinais, etc.). [...] Aos principiantes, &#233; relativamente permitido esse apego devocional &#171;sens&#237;vel&#187;, pois isso ajuda a perder o gosto pelas coisas profanas. Mas o verdadeiro espiritual conhece somente o recolhimento interior e as rela&#231;&#245;es espirituais da mente com Deus. Conv&#233;m orar em lugares convenientes, tais como igrejas e lugares tranquilos que ofere&#231;am a boa atmosfera &#224; ora&#231;&#227;o; mas para adorar a Deus &#171;em esp&#237;rito e verdade&#187;,&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt; [&lt;a href=&#034;#nb14&#034; class=&#034;spip_note&#034; rel=&#034;appendix&#034; title=&#034;Jo 4,23.&#034; id=&#034;nh14&#034;&gt;14&lt;/a&gt;]&lt;/span&gt; deve-se escolher um lugar que n&#227;o agrade aos sentidos. (pag. 91)&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&#034;Embora Deus n&#227;o esteja preso a lugar nenhum, parece que deseja ser louvado no pr&#243;prio lugar onde concedeu gra&#231;as.&#034; (pag. 92)&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&#034;Deus n&#227;o est&#225; adstrito &#224;s leis da vida ps&#237;quica natural: nesse plano, &#233; imposs&#237;vel amar sem conhecer antes o que se ama. Entretanto, Deus pode por via sobrenatural infundir e aumentar o amor sem infundir ou aumentar determinado conhecimento. [...] Mas isso n&#227;o deve levar &#224; conclus&#227;o de que geralmente a f&#233; somente desperte amor, sem comunicar conhecimento. Pelo contr&#225;rio: ela dirige-se primeiramente &#224; intelig&#234;ncia, abrindo-lhe o entendimento &#224; verdade divina.&#034; (pag. 113)&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&#034;Quando a alma experimenta, nesta sua entrega, o ser tomada por Deus, ele se comunica a ela ao mesmo tempo como luz e calor.&#034; (pag. 114)&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&#034; Todos os erros da alma costumam ser provocados pelas suas tend&#234;ncias, gostos, racioc&#237;nios. Donde, impedidos todas essas opera&#231;&#245;es e movimentos, claro est&#225; que a alma fica assegurada contra os erros que eles provocam... ela n&#227;o se livra somente de si, mas tamb&#233;m dos outros inimigos - o mundo e o dem&#243;nio - pois, canceladas as suas inclina&#231;&#245;es e opera&#231;&#245;es, estas j&#225; n&#227;o a podem hostilizar em parte alguma... As suas tend&#234;ncias e faculdades j&#225; n&#227;o se perdem em coisas in&#250;teis e perigosas; ela sente-se segura perante &#171;a vangl&#243;ria, falsa complac&#234;ncia e muitas outras coisas&#187;. [...] Por isso a alma pode julgar a aridez e a escurid&#227;o como bons sinais; s&#227;o ind&#237;cios de que Deus est&#225; trabalhando para livr&#225;-la de si pr&#243;pria. [...] Ele a conduz como a um cego, por caminhos escuros, sem que a alma saiba por onde e para onde, mas s&#227;o caminhos que ela pr&#243;pria nunca teria encontrado, ainda que nas circunst&#226;ncias mais prop&#237;cias e no gozo da vis&#227;o mais agu&#231;ada. [...]&#171;Somente ao olhar para tr&#225;s se dar&#225; conta de que estava bem segura na escurid&#227;o.&#187; Al&#233;m disso, o caminho foi seguro porque era uma &lt;i&gt;via de sofrimentos&lt;/i&gt;. No sofrimento, a alma recebe for&#231;a de Deus, ao passo que no agir e gozar p&#245;e &#224; mostra s suas fraquezas e imperfei&#231;&#245;es.&#034; [...] A alma logo h&#225; de notar em si a firme resolu&#231;&#227;o de jamais fazer algo que reconhe&#231;a ofender a Deus e de nada omitir daquilo em que julga poder prestar-lhe servi&#231;o. Esse obscuro amor desperta-lhe vivo cuidado e solicitude interior por tudo quanto deva fazer ou omitir, a fim de agradar a Deus.&#034; (pag. 116-118)&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&#034;A &lt;i&gt;escada secreta&lt;/i&gt; &#233; a contempla&#231;&#227;o escura: &#233; secreta por ser &lt;i&gt;sabedoria m&#237;stica de Deus&lt;/i&gt;, misteriosamente infundida na alma pelo amor. [...] Como aquele que enxergasse uma coisa que nunca tivesse visto antes...: por muito que se esfor&#231;asse n&#227;o saberia dizer o que &#233;. Como seria poss&#237;vel &#224; alma expressar o que n&#227;o lhe passou pelos sentidos?&#034; (pag.118)&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&#034;Assim como pela escada se sobe para se alcan&#231;ar os bens, tesouros e riquezas que se acham numa fortaleza muito alta, assim tamb&#233;m por esta secreta contempla&#231;&#227;o, sem saber como, a alma sobe e toma posse dos bens e tesouros do c&#233;u. [...] Nesse caminho, a alma est&#225; sujeita a altos e baixos; &#224; prosperidade segue-se sempre alguma tempestade ou afli&#231;&#227;o. [...] Ap&#243;s a mis&#233;ria e o tormento, seguem-se tamb&#233;m a abund&#226;ncia e a tranquilidade. [...] A causa disso &#233; que o estado de perfei&#231;&#227;o consiste no perfeito amor a Deus e desprezo de si mesmo; desta forma, n&#227;o pode deixar de ter essas duas partes - o conhecimento de Deus e o conhecimento de si mesmo [...]&#034; (pag.121)&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&#034;Contudo, a contempla&#231;&#227;o &#233; &#171;&lt;i&gt;escada&lt;/i&gt;&#187; principalmente porque &#233; &#171;&lt;i&gt;ci&#234;ncia de amor&lt;/i&gt;... conhecimento infuso e amoroso de Deus, o qual vai, ao mesmo tempo, ilustrando e enamorando a alma at&#233; elev&#225;-la, de grau em grau, ao Deus criador - pois &#233; somente o amor que une a alma a Deus.&#187;&#034; (pag. 120)&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&#034;O &lt;i&gt;primeiro grau de amor&lt;/i&gt; faz alma adoecer em seu pr&#243;prio bem. Mas essa enfermidade n&#227;o &#233; para a morte, mas para a gl&#243;ria de Deus. A alma morre para o pecado e para todas as coisas que n&#227;o s&#227;o Deus. O &lt;i&gt;segundo degrau&lt;/i&gt; faz a alma buscar incessantemente a Deus. O &lt;i&gt;terceiro degrau&lt;/i&gt; a estimula a agir e lhe d&#225; calor, para que ela n&#227;o desfale&#231;a. [...]&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O &lt;i&gt;quarto degrau&lt;/i&gt; causa na alma um habitual &#171;suportar sem fatigar-se&#187;. O amor faz com que todas as coisas grandes, graves e pesadas nada lhe pare&#231;am. [...] Este degrau do amor &#233; muito elevado. [...]&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O &lt;i&gt;quinto degrau do amor&lt;/i&gt; faz a alma desejar e cobi&#231;ar a Deus impacientemente. [...]&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;No &lt;i&gt;sexto degrau&lt;/i&gt;, a alma corre ligeiramente para Deus e com frequ&#234;ncia sente a sua proximidade. [...] A ligeireza que agora lhe &#233; peculiar &#233; causada pela grande dilata&#231;&#227;o da caridade e por estar quase completo o processo de purifica&#231;&#227;o. Desta forma logo h&#225; de chegar ao &lt;i&gt;s&#233;timo degrau&lt;/i&gt;.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Aqui a alma anima-se bastante. O amor j&#225; n&#227;o se vale do ju&#237;zo para esperar, nem do conselho para retirar-se, nem da vergonha para refrear-se. Tais almas alcan&#231;am de Deus tudo quanto lhes apraz pedir. Ap&#243;s esse destemor e confian&#231;a concedidos por Deus &#224; alma, neste s&#233;timo degrau, segue-se o &lt;i&gt;oitavo degrau&lt;/i&gt;, que consiste em apoderar-se do Amado e a ele se unir. [...&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O &lt;i&gt;nono degrau&lt;/i&gt; corresponde aos perfe3itos, que ardem no amor de Deus com muita suavidade. &#201; um ardor cheio de do&#231;ura e deleite, produzido pelo &lt;i&gt;Esp&#237;rito Santo&lt;/i&gt;, em raz&#227;o da uni&#227;o que essas almas t&#234;m com Deus. [...]&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&#034;O &lt;i&gt;d&#233;cimo e &#250;ltimo degrau da escada secreta do amor&lt;/i&gt; j&#225; n&#227;o mais pertence a esta vida. Este degrau faz a alma assemelhar-se totalmente a Deus, em virtude da clara vis&#227;o de Deus que ela possuir&#225; imediatamente ao sair do corpo, se tiver alcan&#231;ado nesta vida o nono degrau. Essas poucas almas n&#227;o passam pelo purgat&#243;rio, pois j&#225; est&#227;o perfeitamente purificadas pelo amor. [...] &#171;Eis como a alma, por meio dessa &lt;i&gt;sabedoria m&#237;stica&lt;/i&gt; e amor secreto, vai saindo de todas as coisas e de si mesma e subindo at&#233; Deus; porque o amor &#233; semelhante ao fogo que sobe em labaredas &#224;s alturas [...] (pag. 120-122)&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&#034;A &lt;i&gt;F&#233;&lt;/i&gt; &#233; uma &#171;&lt;i&gt;t&#250;nica&lt;/i&gt;&#187; interior de t&#227;o excelsa brancura que ofusca a vista de qualquer intelig&#234;ncia. o &lt;i&gt;dem&#243;nio&lt;/i&gt; ent&#227;o n&#227;o a &#234; (a alma), nem ousa prejudica-la. [...]&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Sobre a t&#250;nica branca da F&#233; veste a alma a &#171;&lt;i&gt;almilla&lt;/i&gt;&#187; verde da &lt;i&gt;esperan&#231;a&lt;/i&gt;. A alma com ela liberta-se e defende-se do segundo inimigo, o &lt;i&gt;mundo&lt;/i&gt;. [...]&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Sobre o branco e o verde, para o remate e perfei&#231;&#227;o da libr&#233;, traz a alma uma terceira cor, qual seja, uma &#171;toga&#187; vermelho-vivo, como sinal da terceira virtude, &lt;i&gt;o amor&lt;/i&gt;. Com ela a alma fica amparada e escondida do terceiro inimigo, a &lt;i&gt;carne&lt;/i&gt;; porque onde existe verdadeiro amor a Deus n&#227;o cabe o amor a si mesmo ou aos seus pr&#243;prios interesses. [...]&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A &lt;i&gt;F&#233;&lt;/i&gt; esvazia e obscurece a intelig&#234;ncia de todos os seus conhecimentos naturais, dispondo-os assim para a uni&#227;o com a Sabedoria divina; a &lt;i&gt;esperan&#231;a&lt;/i&gt; esvazia e afasta a mem&#243;ria de toda a posse de criaturas e p&#245;e-na naquilo que espera; a &lt;i&gt;caridade&lt;/i&gt; esvazia e aniquila as inclina&#231;&#245;es e tend&#234;ncias da vontade por qualquer coisa que n&#227;o seja Deus e p&#245;e-nas somente nele. Sem o traje das tr&#234;s virtudes, &#233; imposs&#237;vel &#224; alma chegar &#224; perfeita uni&#227;o com Deus no amor. (pag. 123-124)&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&#034;A escurid&#227;o permitiu-lhe [&#224; alma] caminhar protegida das ciladas e persegui&#231;&#245;es do dem&#243;nio; porque toda a comunica&#231;&#227;o infusa &#233; comunicada secretamente &#224; alma, sem a sua colabora&#231;&#227;o; todas as pot&#234;ncias da parte sens&#237;vel ficam na escurid&#227;o. Ora, &#233; somente por meio das faculdades sens&#237;veis que o dem&#243;nio percebe e compreende &#171;o que h&#225; na alma... e o que nela se passa&#187;. Assim, quanto mais espiritual, interior e elevado e quanto mais ultrapassar o conhecimento sens&#237;vel, menos a comunica&#231;&#227;o ser&#225; acess&#237;vel e intelig&#237;vel ao dem&#243;nio. [...] ele procura por todos os meios alvoro&#231;ar e perturbar a parte sens&#237;vel e externa (que est&#225; ao seu alcance), provocando-lhe sustos, dores, receios e ang&#250;stias, a fim de causar inquieta&#231;&#227;o e intranquilidade nas partes superiores e espirituais [...] poder&#225; simular uma falsa vis&#227;o [...] mas n&#227;o poder&#225; jamais simular comunica&#231;&#245;es puramente espirituais, pois estas n&#227;o possuem nenhuma forma ou figura, portanto inacess&#237;veis a qualquer imita&#231;&#227;o&#034; (pag.124-125)&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&#034;O encontro (a uni&#227;o da alma com o Esposo) n&#227;o se pode dar sem ela estar completamente purificada. &#171;Portanto quem se recusar a sair na &lt;i&gt;noite&lt;/i&gt;... &#224; procura do Amado e n&#227;o quiser renunciar &#224; pr&#243;pria vontade nem mortificar-se, mas o quiser procurar em seu pr&#243;prio leito, comodamente... n&#227;o haver&#225; de encontra-lo&#187;.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;[...] Para chegar a Deus, ela n&#227;o h&#225; de interessar-se por mais nada al&#233;m dele pr&#243;prio.&#034; (pag. 126-127)&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&#034;A alma, sendo &lt;i&gt;esp&#237;rito&lt;/i&gt;, encontra-se no reino do espiritual e dos esp&#237;ritos. A estrutura que apresenta &#233;-lhe inteiramente peculiar: a alma n&#227;o &#233; somente a forma vivificante do corpo, ou seja o interior do exterior; tamb&#233;m nela existe o contraste entre interior e exterior. &#201; no seu &#237;ntimo, na sua ess&#234;ncia, que a alma se encontra em casa. Por meio da atividade natural das suas faculdades, ela sai de si pr&#243;pria e vai ao encontro do mundo exterior, exercendo uma atividade sens&#237;vel, que &#233; inferior a ela mesma. Aquilo que a alma sai para encontrar &#233; por ela absorvido e por sua vez absorve-a: determina-a nas suas a&#231;&#245;es e condutas e, em certo sentido, limita-lhe a liberdade; n&#227;o pode por certo penetrar o &#237;ntimo da alma, mas pode mant&#234;-la afastada do seu pr&#243;prio &#237;ntimo.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Deus &#233; &lt;i&gt;puro esp&#237;rito&lt;/i&gt;, [...] um mist&#233;rio que nos envolve constantemente [...]. &#224; medida que aumenta o nosso conhecimento de Deus, esse mist&#233;rio vai-se desvendando num n&#237;vel mais profundo; mas nunca &#233; completamente desvendado, ou seja , jamais deixa de constituir um mist&#233;rio.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Falamos num &lt;i&gt;Reino do Esp&#237;rito e dos esp&#237;ritos&lt;/i&gt;, porquanto todos os seres espirituais possuem uma rela&#231;&#227;o entre si, ao menos possivelmente, e porquanto fazem parte de um todo. [...] Nesse reino Deus tem o primeiro lugar, excedendo infinitamente todo o espiritual e todos os esp&#237;ritos. Um esp&#237;rito criado s&#243; pode elevar-se at&#233; ele erguendo-se acima de si mesmo. Deus &#233; o fundamento que sustenta todo o ser, dando-lhe exist&#234;ncia e conservando-o. O que a ele subir encontra nele, simultaneamente, o seu apoio seguro.&#034; (pag. 127-129)&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&#034;S&#227;o Jo&#227;o da Cruz denomina a Deus &#171;&lt;i&gt;o ponto de repouso&lt;/i&gt; da alma&#187; (centro de gravidade) ]...] Quanto maior o grau de amor, tanto mais intimamente a alma &#233; possu&#237;da por Deus. Pelos degraus da escada , a alma sobe para Deus, para a uni&#227;o com ele; e quanto mais sobe para Deus, tanto mais profundamente desce em si mesma: a uni&#227;o h&#225; de realizar-se no &#237;ntimo da alma, nas profundezas do seu &#226;mago. [...]&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Deus mora no mais &#237;ntimo da alma e nada do que dentro dela se encontra lhe &#233; oculto. Mas nenhum dos esp&#237;ritos criados poder&#225; , por si pr&#243;prio, entrar nesse jardim fechado ou espreita-lo [....]&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;[S&#227;o Jo&#227;o da Cruz] afirma que os homens dotados do discernimento dos esp&#237;ritos reconhecem por poucos sinais exteriores, qual o estado interior de outrem.&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt; [&lt;a href=&#034;#nb15&#034; class=&#034;spip_note&#034; rel=&#034;appendix&#034; title=&#034;Cf. Subida, 1. II, c 24.&#034; id=&#034;nh15&#034;&gt;15&lt;/a&gt;]&lt;/span&gt; Por a&#237; se deduz que a via normal de conhecimento da vida ps&#237;quica do pr&#243;ximo passa pelas manifesta&#231;&#245;es sens&#237;veis da vida ps&#237;quica e aprofunda-se at&#233; onde o interior se manifesta. De facto a toda a exterioriza&#231;&#227;o, mediante express&#245;es sens&#237;veis, sensa&#231;&#245;es, sons, palavras, ac&#231;&#245;es e obras, corresponde certa manifesta&#231;&#227;o interior, espont&#226;nea ou n&#227;o, consciente ou inconsciente (isto temo-lo por pressuposto). Alguma coisa do interior aflora em tudo do que de l&#225; prov&#233;m. Mas enquanto dependermos da via natural de conhecimento, sem ser guiado por ilumina&#231;&#245;es divinas extraordin&#225;rias, essas exterioriza&#231;&#245;es n&#227;o se apresentar&#227;o com forma n&#237;tida e que nos permita interpret&#225;-las com seguran&#231;a e clareza; sempre h&#225; de permanecer algo misterioso. E quando o interior se mant&#233;m fechado, nenhum olhar humano poder&#225; for&#231;a-lo para o penetrar. A alma tem rela&#231;&#245;es n&#227;o s&#243; com os seus semelhantes, mas tamb&#233;m com os &lt;i&gt;puros esp&#237;ritos criados&lt;/i&gt;, bons e maus. De acordo com &lt;i&gt;Dion&#237;sio Areopagita&lt;/i&gt;, Jo&#227;o da Cruz &#233; de parecer que as ilumina&#231;&#245;es divinas s&#227;o concedidas aos homens por interm&#233;dio dos anjos, embora admita que essa comunica&#231;&#227;o de gra&#231;as pelos graus da hierarquia celeste n&#227;o constitui a &#250;nica via poss&#237;vel: ele reconhece a imediata uni&#227;o de Deus com a alma e &#233; essa que mais lhe importa. Ele analisa mais atentamente as persegui&#231;&#245;es do dem&#243;nio que a influ&#234;ncia do anjo bom. O Santo observa que o dem&#243;nio rodeia constantemente as almas, a fim de as afastar do caminho para Deus.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;[...] No que tange aos homens, os puros esp&#237;ritos, como tais, para se fazerem entender por eles, t&#234;m o poder de aparecer-lhes sob forma vis&#237;vel e de se tornarem presentes mediante palavras percet&#237;veis. Contudo esse caminho &#233; muito perigoso, pois faz-nos correr o risco de enganos e ilus&#245;es [...]&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;[...] os anjos t&#234;m conhecimento do mundo sens&#237;vel e, portanto, das atitudes exteriores do homem,&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt; [&lt;a href=&#034;#nb16&#034; class=&#034;spip_note&#034; rel=&#034;appendix&#034; title=&#034;Cf. santo Tom&#225;s de Aquino, De Veritate, q. 8 a II corp. (in: Investiga&#231;&#245;es (&#8230;)&#034; id=&#034;nh16&#034;&gt;16&lt;/a&gt;]&lt;/span&gt; porque o servi&#231;o que prestam aos homens sup&#245;em tal esp&#233;cie de conhecimento. E o facto de esses anjos n&#227;o necessitarem dos sentidos corporais para esse conhecimento indica haver outros meios poss&#237;veis para a percep&#231;&#227;o da natureza corporal. [...] O anjo da guarda &#171;ouve&#187; a ora&#231;&#227;o que sobe at&#233; ele, brotando do sil&#234;ncio do cora&#231;&#227;. O dem&#243;nio percebe certos movimentos da alma e aproveita-os para as suas tenta&#231;&#245;es. Mas os esp&#237;ritos t&#234;m a capacidade de se tornarem compreens&#237;veis &#224; alma por via nitidamente espiritual, tais como palavras silenciosas que no interior da alma s&#227;o proferidas e percebidas, sem interm&#233;dio dos sentidos exteriores; ou ent&#227;o utilizam-se de est&#237;mulos que s&#227;o sentidos no interior como que determinados por factores externos. Por exemplo, a mudan&#231;a repentina de disposi&#231;&#227;o ou impulso da vontade que n&#227;o encontram explica&#231;&#227;o em vista dos acontecimentos comuns da exist&#234;ncia humana. Aquilo que n&#227;o pertence &#224; esfera dos sentidos exteriores pode, apesar disso, estar na depend&#234;ncia da sensibilidade em geral e n&#227;o ter o significado de puramente espiritual [...] Puramente espiritual &#233; somente aquilo que se passa no &#237;ntimo do cora&#231;&#227;o, ou seja, a vida da alma em Deus e por Deus.&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt; [&lt;a href=&#034;#nb17&#034; class=&#034;spip_note&#034; rel=&#034;appendix&#034; title=&#034;Cf. Chama viva de amor, explica&#231;&#227;o da estrofe 2, verso 6.&#034; id=&#034;nh17&#034;&gt;17&lt;/a&gt;]&lt;/span&gt; A essa intimidade os esp&#237;ritos criados n&#227;o t&#234;m acesso [...]&#034; (pag. 129-132)&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&#034;Os &lt;i&gt;pensamentos do cora&#231;&#227;o&lt;/i&gt; constituem a vida origin&#225;ria da alma na sua mais pura ess&#234;ncia. [...]L&#225;, a alma vive tal qual &#233; em si mesma, fora do alcance de tudo quanto as coisas criadas nela possam suscitar. [...] Essa vida primordial &#233; oculta, n&#227;o s&#243; aos outros esp&#237;ritos, como tamb&#233;m &#224; pr&#243;pria alma. [...] Vida ps&#237;quica significa n&#227;o mais a vida primordial, mas o que &#233; apreens&#237;vel por uma percep&#231;&#227;o interna, que &#233; diferente da primitiva sensa&#231;&#227;o brotada no &#226;mago da alma [...]&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Nem tudo quanto come&#231;a a surgir e a ser sentido &#233; efetivamente percebido. [...]somente quem levar uma vida plenamente recolhida alcan&#231;ar&#225; perfeita vigil&#226;ncia sobre esses primeiros movimentos.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Assim chegamos a uma segunda raz&#227;o pela qual a vida primordial &#233; oculta ao pr&#243;prio sujeito. [...] S&#227;o poucas as almas que vivem no seu &#226;mago e dele se sustentam. [...] Para faz&#234;-los resolverem-se a &#171;entrar em si pr&#243;prios&#187; &#233; preciso que Deus os chame e os atraia vigorosamente.&#034; (pag. 132-133)&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&#034;Permanecendo nas mais &#237;ntimas profundezas do seu reino, a alma domina-o inteiramente e, sem abandonar o lugar onde permanece, goza da liberdade de mover-se dentro do pr&#243;prio reino a seu bel-prazer. A possibilidade de mover-se dentro de si mesma funda-se nesta qualidade: a alma &#233; um EU. O EU &#233; aquilo que permite &#224; alma abranger-se a si mesma e a tudo quanto nela se move, como que encerrando-se em si mesma e a tudo o mais, dentro de um &#226;mbito espacial. L&#225; dentro, o ponto mais profundo &#233;, ao mesmo tempo, a morada da sua liberdade: o lugar onde a alma pode enfeixar a sua exist&#234;ncia e decidir sobre si pr&#243;pria. [...] somente no ponto mais profundo &#233; poss&#237;vel avaliar todos os factores com exactid&#227;o. [...] aquele que n&#227;o tem o pleno dom&#237;nio de si pr&#243;prio n&#227;o conseguir&#225; dispor de si com plena liberdade - ser&#225; influenciado por outros factores.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O homem &#233; chamado a viver no seu &#237;ntimo e, consequentemente, a governar-se a si pr&#243;prio, o que s&#243; &#233; poss&#237;vel nesse ponto de apoio. Somente assim poder&#225; decidir e assumir um lugar conveniente frente ao mundo. Entretanto o homem jamais conseguir&#225; explorar totalmente o seu &#237;ntimo. Este &#233; um segredo de Deus que s&#243; ele pode desvendar conforme lhe aprouver. [...] os esp&#237;ritos criados, bons e maus, n&#227;o t&#234;m acesso a esse &#237;ntimo, n&#227;o podem ler &lt;i&gt;os pensamentos do cora&#231;&#227;o&lt;/i&gt; - s&#243; Deus o faz. [...]&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O direito de autodetermina&#231;&#227;o &#233; propriedade inalien&#225;vel da alma. Trata-se do grande mist&#233;rio da liberdade pessoal que &#233; respeitada at&#233; pelo pr&#243;prio Deus. [...]&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;[...] Como ent&#227;o se configura o problema em rela&#231;&#227;o &#224; grande maioria dos homens que n&#227;o chegam ao matrim&#243;nio m&#237;stico? Poder&#227;o eles entrar no seu &#237;ntimo e nele tomar decis&#245;es, ou dever&#227;o contentar-se com decis&#245;es, mais ou menos superficiais? N&#227;o &#233; f&#225;cil responder simplesmente &#171;sim&#187; ou &#171;n&#227;o&#187;.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;[...] O &#171;EU&#187; toma posi&#231;&#227;o conforme os motivos que se lhe apresentem. O seu movimento parte do pontoem que, de prefer&#234;ncia costuma permanecer. Esse ponto n&#227;o &#233; o mesmo em todos n&#243;s: difere essencialmente em todos os tipos humanos. O homem que se abandonou aos prazeres dos sentidos acha-se geralmente entregue a algum prazer sens&#237;vel ou empenhado em busc&#225;-lo. O ponto das suas decis&#245;es est&#225; por isso mesmo, muito longe do seu &#237;ntimo. Quem procura a verdade prefere escolher como ponto central da sua perman&#234;ncia a actividade indagadora da intelig&#234;ncia; e, se &#233; realmente a verdade que tal pessoa procura (e, portanto, n&#227;o um mero amontoado de conhecimentos particulares), podemos afirmar que talvez ela esteja a aproximar-se de Deus, que &#233; a pr&#243;pria Verdade, e portanto ase esteja a aproximar do seu pr&#243;prio &#237;ntimo: estaria mesmo bem mais pr&#243;xima do que se poderia conjeturar. Vamos acrescentar aos dois exemplos precedentes um terceiro, por se revestir, a nosso ver, de singular import&#226;ncia: o do homem egoc&#234;ntrico, aquele para quem o &#171;EU&#187; constitui o ponto central. &#192; primeira vista, parece que esse homem alcan&#231;ou especial profundidade no seu &#237;ntimo. Entretanto, n&#227;o h&#225; tipo humano cujo acesso ao &#237;ntimo esteja t&#227;o entravado quanto esse. Algo semelhante se passa em todos os indiv&#237;duos enquanto n&#227;o atravessarem a &lt;i&gt;noite escura inteiramente&lt;/i&gt;. [...]&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;[...] Ningu&#233;m, humanamente falando, &#233; capaz de avaliar todas as raz&#245;es pr&#243; ou contra que influem na decis&#227;o. S&#243; h&#225; uma coisa a fazer: tomar a decis&#227;o de acordo com o que a consci&#234;ncia individual consiga discernir como melhor. O homem de f&#233;, por&#233;m sabe que existe Algu&#233;m cuja intelig&#234;ncia &#233; ilimitada e que, por isso mesmo, tudo abrange e penetra. A consci&#234;ncia de quem vive compenetrado nessa certeza de F&#233; n&#227;o se contentar&#225; com o que pessoalmente lhe parecer melhor: h&#225; de procurar o que &#233; certo aos olhos de Deus. Por a&#237; &#233; que somente a atitude religiosa &#233; a verdadeira atitude &#233;tica. Por certo, mesmo na ordem natural, o que &#233; correto e o que &#233; bom nos atrai, &#233; procurado e &#224;s vezes &#233; atingido. mas somente na procura da Vontade Divina haver&#225; realiza&#231;&#227;o verdadeira, al&#233;m da certeza de fazer o que &#233; justo e certo. [...] Quem procura &lt;i&gt;hic et nunc&lt;/i&gt; o que &#233; certo, e toma decis&#245;es de acordo com o seu entendimento, encontra-se a caminho de Deus e de si pr&#243;prio, ainda que n&#227;o o saiba. [...] Quem procura por &lt;i&gt;princ&#237;pio&lt;/i&gt; o que &#233; reto, isto &#233;, quem tiver a vontade de o praticar em todas as circunst&#226;ncias, decidiu sobre si mesmo e entregou a sua vontade &#224; vontade Deus, mesmo que n&#227;o veja com clareza que a pr&#225;tica do que &#233; reto coincide com a vontade divina. [...] Aquele que com F&#233; cega, n&#227;o quiser sen&#227;o o que Deus quer, alcan&#231;ou o sumo grau a que o homem pode chegar com a gra&#231;a de Deus [...]&#034; (pag.134-139)&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&#034;[...] S&#227;o Jo&#227;o da Cruz distingue tr&#234;s formas de uni&#227;o com Deus:&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt; [&lt;a href=&#034;#nb18&#034; class=&#034;spip_note&#034; rel=&#034;appendix&#034; title=&#034;Subida, 1. II, c. 4.&#034; id=&#034;nh18&#034;&gt;18&lt;/a&gt;]&lt;/span&gt; pela primeira, Deus est&#225; essencialmente presente nas coisas criadas, mantendo-lhes a exist&#234;ncia; pela segunda d&#225;-se a inabita&#231;&#227;o na alma, mediante a gra&#231;a; enquanto a terceira consiste na uni&#227;o transformadora, mediante o amor perfeito. [...]&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A inabita&#231;&#227;o pela gra&#231;a existe somente nos seres de natureza pessoal e espiritual, porque requer de quem a recebe a livre aceita&#231;&#227;o de gra&#231;a santificante. [...]&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&#201; devido &#224; pr&#243;pria natureza que n&#227;o se realiza a inabita&#231;&#227;o nos seres impessoais. [...] e somente quem vive em esp&#237;rito pode receber vida espiritual. [...] Nas almas, o Esp&#237;rito Santo &#233; infundido pela gra&#231;a e &#233; por ele que ela vive a vida da gra&#231;a. Nele, a alma ama o Pai com o amor do Filho e ama o Filho com o amor do Pai.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A conviv&#234;ncia da alma com a vida trinit&#225;ria pode realizar-se ainda que a pr&#243;pria alma n&#227;o se d&#234; conta da inabita&#231;&#227;o das tr&#234;s pessoas divinas.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;[...] A F&#233; &#233; o caminho que nos leva &#192; uni&#227;o com Deus, embora a consuma&#231;&#227;o final perten&#231;a &#224; outra vida.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;[Santa Teresa fala] de um arrebatamento da alma em Deus, que a torna completamente insens&#237;vel &#224;s coisas do mundo e inteiramente atenta a Deus. [...] Esse estado dura pouco tempo (cerca de trinta minutos , talvez), mas &#233; de tal modo a perman&#234;ncia de Deus na alma &#171;que , quando volta a si, n&#227;o pode de maneira nenhuma, duvidar de que estava em Deus e Deus nela. Com tanta firmeza lhe fica gravada essa verdade, que ainda que passem anos sem que Deus torne a conceder-lhe aquela gra&#231;a, n&#227;o se esquece de onde esteve, nem consegue duvidar disso; sem falar nos efeitos que nela permanecem...&#187; [...] o que perdura &#233; &#171;uma certeza que fica na alma e que s&#243; Deus pode transmitir&#187;. [...]&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A primeira modalidade de inabita&#231;&#227;o - ou melhor, de divina presen&#231;a, por n&#227;o ser inabita&#231;&#227;o propriamente dita - nada mais requer do que o facto de o sujeito no qual Deus est&#225; presente se encontrar submetido &#224; ci&#234;ncia e pot&#234;ncia divinas, al&#233;m de estar condicionado pela divindade. Tudo isso &#233; comum a todas as criaturas. O ser divino e a criatura permanecem completamente separados; entre eles h&#225; somente uma rela&#231;&#227;o de depend&#234;ncia existencial e unilateral que n&#227;o significa uni&#227;o, nem, portanto, inabita&#231;&#227;o. Para haver inabita&#231;&#227;o &#233; preciso que ambas as partes sejam seres interiores, ou seja, seres que se apreendam e se compreendam intimamente e que sejam capazes de receber outro ser espirituais, pois somente eles podem permanecer em si pr&#243;prios e ao mesmo tempo receber outro ser espiritual - modo pelo qual se realiza a verdadeira inabita&#231;&#227;o. [...]&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Pela autopurifica&#231;&#227;o, a vontade humana une-se cada vez mais &#224; vontade divina, mas isso ocorre sem que essa seja aceite como realidade presente: &#233; aceite como f&#233; cega. [...] Na purifica&#231;&#227;o passiva, pelo fogo consumidor do amor divino, a vontade divina penetra cada vez mais a vontade humana e, ao mesmo tempo, faz-se sentir como realidade presente. [...]&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;[...] A inabita&#231;&#227;o pela gra&#231;a confere a virtude da F&#233;, ou seja, a for&#231;a de aceitar o que n&#227;o se pode provar rigorosamente com raz&#245;es e te como real aquilo que n&#227;o se percebe na sua presen&#231;a. [...] Deus conceder&#225; gradativamente ao homem pela terceira modalidade de inabita&#231;&#227;o, a voca&#231;&#227;o m&#237;stica [...] um encontro pessoal, por meio de um &#237;ntimo toque. Revelar&#225; o seu pr&#243;prio interior por ilumina&#231;&#245;es particulares da sua natureza e dos seus des&#237;gnios secretos. [...] Nos v&#225;rios graus unitivos, realiza-se a uni&#227;o que parte da fonte de vida pessoal e vai at&#233; &#224; m&#250;tua entrega das pessoas.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Observemos ainda que o simples toque no &#237;ntimo n&#227;o exige, como condi&#231;&#227;o necess&#225;ria, a inabita&#231;&#227;o pela gra&#231;a. Esse toque pode ser dado ao incr&#233;dulo para o despertar da f&#233; e a prepara&#231;&#227;o para a gra&#231;a santificante. Pode servir tamb&#233;m para tornar um incr&#233;dulo capaz de se prestar como instrumento para determinadas finalidades. Isso vale quanto &#224;s ilumina&#231;&#245;es. A uni&#227;o, por&#233;m, que &#233; entrega m&#250;tua, n&#227;o pode existir sem f&#233; e amor, ou seja, sem a gra&#231;a santificante. [...] Se a uni&#227;o &#233; de facto a finalidade para a qual as almas foram criadas, deve existir previamente uma propor&#231;&#227;o que possibilite essa uni&#227;o. [...] J&#225; foi dito que o matrim&#243;nio m&#237;stico vem a ser a uni&#227;o com a Sant&#237;ssima Trindade. Enquanto o toque de Deus na alma ocorrer na obscuridade e &#224;s escondidas, s&#243; se notar&#225; o toque pessoal em si, sem perceber se o contacto foi com uma ou diversas pessoas. Quando, por&#233;m, houver completa integra&#231;&#227;o na vida divina, pela perfeita uni&#227;o amorosa, chegar-se-&#225; a saber que se est&#225; a viver uma vida trinit&#225;ria - com as tr&#234;s pessoas divinas - e que se tem contacto com essas tr&#234;s pessoas.&#034; (pag. 139-151)&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&#034;A obscuridade da f&#233; &#233; [...]comparada &#224; escurid&#227;o da meia noite - devemos prescindir totalmente da luz natural da intelig&#234;ncia para alcan&#231;ar a luz da F&#233;.&#034; (pag. 151)&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&#034;Tanto na F&#233; como na contempla&#231;&#227;o, a alma &#233; tomada por Deus. A aceita&#231;&#227;o da verdade revelada n&#227;o &#233; somente uma quest&#227;o de resolu&#231;&#227;o da vontade natural: a mensagem de F&#233; &#233; dirigida a muitos que n&#227;o a aceitam. Para tanto, pode haver motivos de ordem natural; tamb&#233;m existem casos em que h&#225; uma misteriosa impossibilidade: a hora da gra&#231;a ainda n&#227;o chegou, a sua inabita&#231;&#227;o ainda n&#227;o come&#231;ou. Na contempla&#231;&#227;o, por&#233;m, a alma encontra-se com o pr&#243;prio Deus, que dela se apodera.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Deus &#233; amor. Ser possu&#237;do por Deus, quando o esp&#237;rito estiver preparado, &#233; inflamar-se em amor. O amor eterno &#233; fogo que devora tudo o que &#233; finito, e finitos s&#227;o os movimentos despertados na alma pelas criaturas. Voltando-se para elas, a alma afasta-se do amor divino, mas sem conseguir escapar-lhe. O amor torna-se para ela fogo devorador. [...] Ainda que a alma, por natureza, n&#227;o possa desfazer-se como os elementos materiais, se por livre entrega vier a enraizar-se no temporal, sentir&#225; a m&#227;o do Deus vivo que, na sua omnipot&#234;ncia, poderia destru&#237;-la, consumindo-a no fogo vingador do seu divino amor desprezado, ou devor&#225;-la eternamente, como os anjos ca&#237;dos. Esta &#250;ltima &#233; a morte propriamente dita, e seria a sorte de todos n&#243;s se Cristo n&#227;o se tivesse colocado entre n&#243;s e a divina justi&#231;a, abrindo-nos, por sua paix&#227;o e morte, o caminho para a miseric&#243;rdia.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;[...] O &#171;Consummatum est&#187; &#233; o an&#250;ncio do fim do holocausto expiat&#243;rio; o &#171;Pater, in manus tuas comendo spiritum meum&#187; &#233; a volta definitiva para a uni&#227;o de amor eterna e inalter&#225;vel.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Na paix&#227;o e morte de Jesus Cristo, os nossos pecados foram consumidos pelo fogo. Se aceitarmos essa realidade na f&#233;, e em piedosa entrega aceitarmos o Cristo integral - o que significa escolher e trilhar o caminho da imita&#231;&#227;o de Cristo - ent&#227;o, o mesmo Cristo nos levar&#225;, pela sua paix&#227;o e cruz, &#224; gl&#243;ria da ressurrei&#231;&#227;o. &#201; justamente isso o que se experimenta na contempla&#231;&#227;o: ela &#233; morte e ressurrei&#231;&#227;o. Ap&#243;s a &lt;i&gt;noite escura&lt;/i&gt;, come&#231;a a raiar a &lt;i&gt;chama viva de amor&lt;/i&gt;.&#034; (pag. 153/154)&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&#034;A viva chama de amor &#233; o Esp&#237;rito Santo [...] O Espirito Santo provoca um inc&#234;ndio de amor em que a vontade da alma e a chama divina se tornam um &#250;nico amor. [...] Todos os movimentos da alma s&#227;o ent&#227;o divinos, s&#227;o actos de Deus e ao mesmo tempo da alma, &#171;porque os faz nela e com ela, que entrega a sua vontade e consentimento&#187;.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;[...] O facto &#233; que &#171;numa alma j&#225; examinada, provada e purificada no fogo das tribula&#231;&#245;es, sofrimentos e tenta&#231;&#245;es, e que se tenha mostrado fiel no amor, &#233; por causa dessa fidelidade que se realiza o que o Filho de Deus prometeu... que se algu&#233;m o amasse, a Sant&#237;ssima Trindade viria a ele e nele faria morada&#187;.&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt; [&lt;a href=&#034;#nb19&#034; class=&#034;spip_note&#034; rel=&#034;appendix&#034; title=&#034;Cf. Jo 14,23.&#034; id=&#034;nh19&#034;&gt;19&lt;/a&gt;]&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Ora, Deus far&#225; morada na alma &#171;ilustrando-lhe divinamente a intelig&#234;ncia com a Sabedoria do Filho, deleitando-lhe a vontade no Esp&#237;rito Santo enquanto o Pai a absorve poderosa e fortemente no abismo do seu amor&#187;. [...] &#171;Oh! amor ardente que com os teus movimentos amorosos deliciosamente me glorificas, cumulando a capacidade e energia da minha alma!... dando-lhe entendimento divino, que sacia toda a aptid&#227;o e capacidade da minha intelig&#234;ncia; comunicando-me todo o amor que comporta a m&#225;xima energia da minha vontade [...] n&#227;o s&#243; deixaste de ser para mim escura como antes, mas &#233;s a divina luz da minha intelig&#234;ncia, com que te posso fitar; n&#227;o s&#243; deixaste de causar desfalecimento &#224; minha fraqueza, mas &#233;s a for&#231;a da minha vontade, com a qual posso amar-te e fruir-te, estando toda transformada em divino amor [...]&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A alma chama de encontro esse &#171;ser tomado pelo Esp&#237;rito santo&#187;: Deus investe sobre ela com &#237;mpeto sobrenatural, elevando-a acima da carne e conduzindo-a &#224; consuma&#231;&#227;o almejada. Trata-se de verdadeiros encontros - o Espirito Santo penetra a sua ess&#234;ncia, transfigura-a e diviniza-a.&#034; (pag. 156/161)&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&#034;O suave caut&#233;rio do amor cauteriza as feridas da mis&#233;ria e do pecado, transformando-as em feridas de amor. [...] toda a alma ser&#225; uma chaga de amor [...] ficando toda ferida e toda curada [...]&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A m&#227;o que produz a ferida &#233; o Pai, piedoso e onipotente [...] Feriste-me para curar-me, &#243; divina m&#227;o! Mataste em mim o que me deixava longe, debaixo da &#225;rvore da morte, sem a vida de Deus na qual agora vivo. Foi o que realizaste com a liberalidade da tua generosa gra&#231;a, que me comunicaste ao tocar-me com o toque do resplendor da tua gl&#243;ria e figura da tua subst&#226;ncia, que &#233; o teu Filho Unig&#233;nito. [...] S&#243; ver&#227;o e sentir&#227;o o teu toque delicado aqueles que, afastando-se do mundo, se tornarem delicados, para que a delicadeza encontre delicadeza [...]&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Se h&#225; t&#227;o poucos &#171;que chegam a t&#227;o alto estado, de perfeita uni&#227;o com Deus... n&#227;o &#233; porque Deus queira que haja poucos desses esp&#237;ritos elevados... mas &#233; que acha poucos... que se disponham a opera&#231;&#227;o t&#227;o alta e sublime&#187;. [...]&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Num retrospecto, a alma reconhece que tudo foi ordenado para sua salva&#231;&#227;o e que a luz presente &#233; proporcional &#224;s trevas passadas. [...] Na vida nova de uni&#227;o, todos os apetites e faculdades da alma, todas as suas tend&#234;ncias e atividades ser&#227;o divinamente transformados.&#034; (pag. 162-166)&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&#034;Quando Deus tiver concedido &#224; alma a luz da sua gra&#231;a, os olhos do esp&#237;rito ser&#227;o iluminados e abertos para a luz divina. E como um abismo de trevas chamava a outro, agora um abismo de gra&#231;a chama a outro, ou seja, depois da transforma&#231;&#227;o da alma em Deus, a luz divina funde-se agora com a luz da alma, a ponto de somente a primeira brilhar.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O sentido da alma tamb&#233;m estava cego por procurar satisfa&#231;&#227;o em coisas que n&#227;o eram Deus. O desejo encobria-lhe os olhos da intelig&#234;ncia como cataratas, deixando-os cegos para as sublimes formosuras e riquezas de Deus. a menor coisa que se coloque diretamente diante da vista impede de enxergar as coisas mais distantes. Basta o menor desejo para impedir a alma de enxergar todas as maravilhas de Deus.[...] Para os homens em que prevalece a vida sens&#237;vel, isto &#233;, os que vivem segundo os seus apetites e inclina&#231;&#245;es naturais, os apetites de origem espiritual tornam-se puramente naturais. Mesmo quando a alma aspira a Deus, o desejo nem sempre &#233; sobrenatural; s&#243; o &#233; quando Deus o infunde e fortalece.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Assim, o sentido da alma com os seus apetites e inclina&#231;&#245;es estava obscuro e cego; agora, por&#233;m, est&#225; iluminado pela uni&#227;o sobrenatural com Deus.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;[...] A intelig&#234;ncia unida a Deus reflete a sabedoria tal qual a recebe. E conforme a perfei&#231;&#227;o com que est&#225; unida &#224; bondade divina, assim a vontade irradia para Deus em Deus. [...] Assim como Deus se lhe entrega por livre e espont&#226;nea vontade, assim ela d&#225; Deus ao pr&#243;prio Deus em Deus, e a sua vontade ser&#225; tanto mais livre e generosa quanto mais unida a Deus... [...] &#201; causa de grande satisfa&#231;&#227;o e contentamento para a alma ver que d&#225; a Deus mais do que ela &#233; e vale em si, dando, com tanta liberalidade, Deus a si pr&#243;prio, como coisa dela...&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;[...] A alma, doravante, s&#243; encontra prazer em Deus, sem intromiss&#227;o de criatura alguma: ela goza de Deus somente pelo que ele &#233; em si mesmo, sem que intervenha outro gozo.&#034; (pag. 172-174)&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&#034;A alma vem a falar do maravilhoso efeito nela produzido, &#224;s vezes, por Deus: ocorre-lhe a imagem de algu&#233;m que desperta do sono e torna a respirar profundamente, parecendo-lhe que algo semelhante se passa dentro de si.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;[...] E este &#233; o grande deleite do despertar: conhecer as criaturas por meio de Deus, e n&#227;o a Deus por meio das criaturas... [...] &#201; totalmente indiz&#237;vel o que a alma conhece e experimenta nesse despertar da excel&#234;ncia de Deus.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;[...] O Rei dos C&#233;us se lhe mostra como igual e irm&#227;o. [...] Tudo isso se passa no &#237;ntimo do seu ser, onde ele &#171;s&#243; e secretamente mora&#187;. Em algumas, ele mora a s&#243;s; em outras, n&#227;o; em algumas com prazer, em outras contrariado; em algumas sente-se em casa, onde tudo orienta e dirige; em outras, como estranho, a quem n&#227;o se permite mandar nem nada fazer.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;[...] Numa alma completamente livre de todas as tend&#234;ncias, despida de todas as formas, imagens e inclina&#231;&#245;es relativas &#224;s criaturas, ele permanecer&#225; totalmente escondido num &#237;ntimo abra&#231;o. [...] Feliz a alma que sempre sente ao vivo que Deus nela repousa e encontra o seu agrado! &#201; preciso que se conserve em grande tranquilidade, para que nenhum movimento ou ru&#237;do perturbe o Amado.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;[...] ao acordar para o mais sublime conhecimento de Deus, a alma &#233; soprada pelo Esp&#237;rito Santo e fica inflamada pelo amor daquilo que viu.&#034; (pag. 175-178)&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&#034;Quando o sentimento de impossibilidade perante o indiz&#237;vel imp&#245;e sil&#234;ncio a s&#227;o Jo&#227;o da Cruz, como ousar dar explica&#231;&#227;o objetiva &#224;s suas palavras? Quis&#233;ramos somente agradecer-lhe por nos ter feito divisar uma terra maravilhosa, um para&#237;so terrestre nos umbrais do celeste. Devemos, entretanto, tentar relacionar o que nos foi descortinado com o que j&#225; era conhecido. Foi o amor &#224;s almas que o fez abrir a boca: o Santo deseja inspirar-lhes &#226;nimo para encetarem o duro caminho da cruz, caminho &#237;ngreme e estreito, mas que termina em alturas t&#227;o luminosas e felizes!&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;[...] N&#227;o h&#225; outro caminho para a uni&#227;o a n&#227;o ser o da cruz e da noite, isto &#233; , a morte do homem velho [...]&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;[...] Na &lt;i&gt;Chama viva de amor&lt;/i&gt;, poesia e interpreta&#231;&#227;o s&#227;o uma s&#243; coisa. [...] O Santo viveu sempre imerso na sagrada escritura; sempre se lhe apresentaram espontaneamente imagens e compara&#231;&#245;es b&#237;blicas, e delas fez uso para fixar e confirmar com palavras da Escritura o que a pr&#243;pria experi&#234;ncia lhe ensinava. Mas nesse escrito, a harmonia entre a sua pr&#243;pria experi&#234;ncia, a Palavra Divina revelada e os acontecimentos da hist&#243;ria sagrada &#233; acentuadamente percept&#237;vel. (pag. 178-180)&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&#034;Lido despreocupadamente na sua primeira reda&#231;&#227;o, o &lt;i&gt;C&#226;ntico&lt;/i&gt; d&#225;-nos ideia de ser a express&#227;o f&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;
		&lt;hr /&gt;
		&lt;div class='rss_notes'&gt;&lt;div id=&#034;nb1&#034;&gt;
&lt;p&gt;&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt;[&lt;a href=&#034;#nh1&#034; class=&#034;spip_note&#034; title=&#034;Notas 1&#034; rev=&#034;appendix&#034;&gt;1&lt;/a&gt;] &lt;/span&gt;1Cor 1,17-18.22-24.&lt;/p&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div id=&#034;nb2&#034;&gt;
&lt;p&gt;&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt;[&lt;a href=&#034;#nh2&#034; class=&#034;spip_note&#034; title=&#034;Notas 2&#034; rev=&#034;appendix&#034;&gt;2&lt;/a&gt;] &lt;/span&gt;Gl 2, 19-20.&lt;/p&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div id=&#034;nb3&#034;&gt;
&lt;p&gt;&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt;[&lt;a href=&#034;#nh3&#034; class=&#034;spip_note&#034; title=&#034;Notas 3&#034; rev=&#034;appendix&#034;&gt;3&lt;/a&gt;] &lt;/span&gt;Cf Gl 6,17.&lt;/p&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div id=&#034;nb4&#034;&gt;
&lt;p&gt;&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt;[&lt;a href=&#034;#nh4&#034; class=&#034;spip_note&#034; title=&#034;Notas 4&#034; rev=&#034;appendix&#034;&gt;4&lt;/a&gt;] &lt;/span&gt;2Cor 12,9.&lt;/p&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div id=&#034;nb5&#034;&gt;
&lt;p&gt;&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt;[&lt;a href=&#034;#nh5&#034; class=&#034;spip_note&#034; title=&#034;Notas 5&#034; rev=&#034;appendix&#034;&gt;5&lt;/a&gt;] &lt;/span&gt;Gl 5,24.&lt;/p&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div id=&#034;nb6&#034;&gt;
&lt;p&gt;&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt;[&lt;a href=&#034;#nh6&#034; class=&#034;spip_note&#034; title=&#034;Notas 6&#034; rev=&#034;appendix&#034;&gt;6&lt;/a&gt;] &lt;/span&gt;C&#226;ntico Espiritual, Explica&#231;&#227;o da Can&#231;&#227;o XXIII.&lt;/p&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div id=&#034;nb7&#034;&gt;
&lt;p&gt;&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt;[&lt;a href=&#034;#nh7&#034; class=&#034;spip_note&#034; title=&#034;Notas 7&#034; rev=&#034;appendix&#034;&gt;7&lt;/a&gt;] &lt;/span&gt;Cf. Gl 5,22.&lt;/p&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div id=&#034;nb8&#034;&gt;
&lt;p&gt;&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt;[&lt;a href=&#034;#nh8&#034; class=&#034;spip_note&#034; title=&#034;Notas 8&#034; rev=&#034;appendix&#034;&gt;8&lt;/a&gt;] &lt;/span&gt;A frase &#233; do profeta Isa&#237;as.&lt;/p&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div id=&#034;nb9&#034;&gt;
&lt;p&gt;&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt;[&lt;a href=&#034;#nh9&#034; class=&#034;spip_note&#034; title=&#034;Notas 9&#034; rev=&#034;appendix&#034;&gt;9&lt;/a&gt;] &lt;/span&gt;Cf. Mt 7,14.&lt;/p&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div id=&#034;nb10&#034;&gt;
&lt;p&gt;&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt;[&lt;a href=&#034;#nh10&#034; class=&#034;spip_note&#034; title=&#034;Notas 10&#034; rev=&#034;appendix&#034;&gt;10&lt;/a&gt;] &lt;/span&gt;Cf. Mc 8,34.&lt;/p&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div id=&#034;nb11&#034;&gt;
&lt;p&gt;&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt;[&lt;a href=&#034;#nh11&#034; class=&#034;spip_note&#034; title=&#034;Notas 11&#034; rev=&#034;appendix&#034;&gt;11&lt;/a&gt;] &lt;/span&gt;Cf. Mt 20,21.&lt;/p&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div id=&#034;nb12&#034;&gt;
&lt;p&gt;&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt;[&lt;a href=&#034;#nh12&#034; class=&#034;spip_note&#034; title=&#034;Notas 12&#034; rev=&#034;appendix&#034;&gt;12&lt;/a&gt;] &lt;/span&gt;Mt 11,30.&lt;/p&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div id=&#034;nb13&#034;&gt;
&lt;p&gt;&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt;[&lt;a href=&#034;#nh13&#034; class=&#034;spip_note&#034; title=&#034;Notas 13&#034; rev=&#034;appendix&#034;&gt;13&lt;/a&gt;] &lt;/span&gt;&lt;i&gt;Subida&lt;/i&gt; 1. II, c. 7.&lt;/p&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div id=&#034;nb14&#034;&gt;
&lt;p&gt;&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt;[&lt;a href=&#034;#nh14&#034; class=&#034;spip_note&#034; title=&#034;Notas 14&#034; rev=&#034;appendix&#034;&gt;14&lt;/a&gt;] &lt;/span&gt;Jo 4,23.&lt;/p&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div id=&#034;nb15&#034;&gt;
&lt;p&gt;&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt;[&lt;a href=&#034;#nh15&#034; class=&#034;spip_note&#034; title=&#034;Notas 15&#034; rev=&#034;appendix&#034;&gt;15&lt;/a&gt;] &lt;/span&gt;Cf. &lt;i&gt;Subida&lt;/i&gt;, 1. II, c 24.&lt;/p&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div id=&#034;nb16&#034;&gt;
&lt;p&gt;&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt;[&lt;a href=&#034;#nh16&#034; class=&#034;spip_note&#034; title=&#034;Notas 16&#034; rev=&#034;appendix&#034;&gt;16&lt;/a&gt;] &lt;/span&gt;Cf. santo Tom&#225;s de Aquino, &lt;i&gt;De Veritate&lt;/i&gt;, q. 8 a II corp. (in: &lt;i&gt;Investiga&#231;&#245;es sobre a verdade&lt;/i&gt; I, 224).&lt;/p&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div id=&#034;nb17&#034;&gt;
&lt;p&gt;&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt;[&lt;a href=&#034;#nh17&#034; class=&#034;spip_note&#034; title=&#034;Notas 17&#034; rev=&#034;appendix&#034;&gt;17&lt;/a&gt;] &lt;/span&gt;Cf. &lt;i&gt;Chama viva de amor&lt;/i&gt;, explica&#231;&#227;o da estrofe 2, verso 6.&lt;/p&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div id=&#034;nb18&#034;&gt;
&lt;p&gt;&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt;[&lt;a href=&#034;#nh18&#034; class=&#034;spip_note&#034; title=&#034;Notas 18&#034; rev=&#034;appendix&#034;&gt;18&lt;/a&gt;] &lt;/span&gt;&lt;i&gt;Subida&lt;/i&gt;, 1. II, c. 4.&lt;/p&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div id=&#034;nb19&#034;&gt;
&lt;p&gt;&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt;[&lt;a href=&#034;#nh19&#034; class=&#034;spip_note&#034; title=&#034;Notas 19&#034; rev=&#034;appendix&#034;&gt;19&lt;/a&gt;] &lt;/span&gt;Cf. Jo 14,23.&lt;/p&gt;
&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;
		
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	</item>
<item xml:lang="pt">
		<title>O Mist&#233;rio do Natal</title>
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		<dc:date>2017-12-25T18:20:53Z</dc:date>
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		<description>
&lt;p&gt;Hoje despertei cedo e de um s&#243; folego reli, mais uma vez, o livrinho de Edith Stein sobre o Natal, editado pela &#034;Editora Rei dos Livros&#034;, Lisboa, 1999. Da &#250;ltima vez que o li, pelo Natal do ano passado, pensei que seria bom partilh&#225;-lo convosco. &#201; a isso que hoje me dispus, em jeito de agradecimento &#224; autora e ao Deus Menino. O t&#237;tulo encerra a promessa de um olhar diferente sobre o que est&#225; patente aos nossos olhos e &#233; isso que a autora faz: de uma forma simples e encantadora revela-nos a (&#8230;)&lt;/p&gt;


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&lt;a href="http://luz-da-sabedoria-divina.com/spip.php?rubrique97" rel="directory"&gt;Edith Stein&lt;/a&gt;


		</description>


 <content:encoded>&lt;div class='rss_chapo'&gt;&lt;p&gt;Hoje despertei cedo e de um s&#243; folego reli, mais uma vez, o livrinho de Edith Stein sobre o Natal, editado pela &#034;Editora Rei dos Livros&#034;, Lisboa, 1999. Da &#250;ltima vez que o li, pelo Natal do ano passado, pensei que seria bom partilh&#225;-lo convosco. &#201; a isso que hoje me dispus, em jeito de agradecimento &#224; autora e ao Deus Menino. O t&#237;tulo encerra a promessa de um olhar diferente sobre o que est&#225; patente aos nossos olhos e &#233; isso que a autora faz: de uma forma simples e encantadora revela-nos a profundidade do mist&#233;rio, conduzindo-nos &#224; sua ess&#234;ncia, como &#233; pr&#243;prio da sua abordagem fenomenol&#243;gica.&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;
		&lt;div class='rss_texte'&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;O Advento e o Natal&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Quando os dias se tornam mais curtos, quando no Inverno caem os primeiros flocos de neve, ent&#227;o, docemente renasce a lembran&#231;a do Natal. Desta palavra emana um encanto misterioso ao qual um cora&#231;&#227;o dificilmente pode resistir. At&#233; aqueles para quem a evoca&#231;&#227;o do Menino de Bel&#233;m nada significa, crentes de outra f&#233; ou descrentes, preparam a festa e tentam acender aqui e ali um raio de alegria. Durante semanas e meses, um rio de amor espalha-se por toda a terra. Festa do amor e da alegria, &#233; a Estrela para qual todos se dirigem neste primeiro m&#234;s do Inverno.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Mas para o crist&#227;o, e em particular para o cat&#243;lico, o Natal &#233; ainda outra coisa. A Estrela guia-o at&#233; ao Pres&#233;pio, ao Menino que vem trazer a paz aos homens. Em in&#250;meras e graciosas imagens, a arte crist&#227; representa-O, e as velhas melodias, que evocam todo o encanto da inf&#226;ncia, glorificam-nO.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;No cora&#231;&#227;o de todo aquele que vive em Igreja, os sinos do &lt;i&gt;Rorate&lt;/i&gt;&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt; [&lt;a href=&#034;#nb2-1&#034; class=&#034;spip_note&#034; rel=&#034;appendix&#034; title=&#034;O &#034;Rorate Caeli&#034; &#233; considerado uma das mais belas e sublimes composi&#231;&#245;es n&#227;o (&#8230;)&#034; id=&#034;nh2-1&#034;&gt;1&lt;/a&gt;]&lt;/span&gt; e os c&#226;nticos do Advento despertam um santo e ardente apelo; e para aquele a quem a fonte inesgot&#225;vel da Liturgia mata a sede, o grande profeta da Encarna&#231;&#227;o repete, dia ap&#243;s dia, as suas poderosas amea&#231;as e promessas: &#171;&#211; c&#233;us, espalhai o vosso orvalho! Que das nuvens des&#231;a a salva&#231;&#227;o! O Senhor vem! Adoremo-Lo! Vem, Senhor, n&#227;o tardes! - Jerusal&#233;m, grita de alegria, porque o teu Salvador vem ao teu encontro.&#187; De 17 a 24 de Dezembro as Grandes Ant&#237;fonas do &#211; do &lt;i&gt;Magnificat&lt;/i&gt; (&#211; Sabedoria, &#211; Adonai, &#211; Filho da ra&#231;a de Jess&#233;, &#211; chave da Cidade de David, &#211; Oriente, &#211; Rei das Na&#231;&#245;es), cada vez mais intensas e cada vez mais ardentes, gritam: &#034;Vem salvar-nos!&#034; E cada vez mais carregada de promessas, chega a resposta: &#034;Vede, tudo se cumpriu&#034; (&#250;ltimo domingo do Advento). E enfim: &#034;Hoje sabereis que o Senhor vai chegar, e amanh&#227; v&#234;-Lo-eis surgir na Sua gl&#243;ria.&#034;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Sim, quando &#224; noite as velas brilham nas &#225;rvores e se trocam os presentes, um desejo insatisfeito impele-nos para fora para outra luz, at&#233; que toquem os sinos da missa da meia noite, durante a qual, sobre os altares enfeitados com velas e flores, se renova o milagre da Noite Santa: &#034;E o Verbo fez-Se carne.&#034; &#201; ent&#227;o o momento feliz em que se realizam as nossas esperan&#231;as.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Os Companheiros do Filho de Deus feito Homem&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Cada um de n&#243;s experimentou j&#225; esta alegria da Noite Santa. Todavia o c&#233;u e a terra ainda n&#227;o se tornaram numa s&#243; realidade. Hoje como outrora, a Estrela de Bel&#233;m brilha numa noite bem escura.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Nos dias que se seguem ao Natal, a Igreja troca os paramentos de festa por paramentos da cor do sangue. Est&#234;v&#227;o, o m&#225;rtir que primeiro seguiu o Senhor na morte, e os Santos Inocentes, crian&#231;as de Bel&#233;m e Jud&#225;, que foram estranguladas por M&#227;os cru&#233;is de carrascos, re&#250;nem-se &#224; volta do Menino do Pres&#233;pio, como Seu s&#233;quito. Que significa isto? Onde est&#225; agora a alegria dos C&#233;us, onde est&#225; a alegria silenciosa da Noite Santa, onde est&#225; a paz na terra? Paz na Terra aos homens de boa vontade (mas nem todos t&#234;m boa vontade). O misterioso poder do mal envolvia o mundo numa treva, por isso foi necess&#225;rio que o filho do Pai eterno descesse do C&#233;u.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;As trevas cobriam a terra e Ele veio como a luz que brilha nas trevas, mas as trevas n&#227;o O receberam. &#192;queles que O receberam trouxe a luz e a paz: a paz com o Pai do C&#233;u, a paz com todos os que tamb&#233;m s&#227;o filhos da luz e filhos do Pai, e a paz profunda do cora&#231;&#227;o; mas n&#227;o a paz com os filhos das trevas. A esses, o Pr&#237;ncipe da Paz n&#227;o oferece a paz, mas a espada. Para esses, &#233; o obst&#225;culo contra o qual correm e os quebra. Eis a dura e grave verdade que n&#227;o deve esconder-nos o encanto po&#233;tico do Menino do Pres&#233;pio.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O Mist&#233;rio da Encarna&#231;&#227;o e o mist&#233;rio do mal est&#227;o estritamente ligados. &#224; luz descida do C&#233;u op&#245;e-se, mais sombria e l&#250;gubre, a noite do pecado.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O Menino do Pres&#233;pio estende as m&#227;os e o Seu sorriso parece j&#225; querer dizer o que os l&#225;bios de Jesus homem pronunciar&#227;o mais tarde: &#034;Vinde a mim, v&#243;s todos os que sofreis e andais abatidos.&#034; Alguns responderam ao Seu chamamento. Assim os pobres pastores que, no campo de Bel&#233;m, tendo visto uma luz no c&#233;u e sabido pelo anjo da feliz not&#237;cia, disseram cheios de confian&#231;a: &#034;Vamos a Bel&#233;m!&#034;, e puseram-se a caminho. Assim os Reis Magos que, vindos do Extremo Oriente, seguiram, com a mesma f&#233; simples, a maravilhosa Estrela; das m&#227;os do Menino espalhou-se sobre eles o orvalho da gra&#231;a e &#034;ficaram cheios de alegria&#034;.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Estas m&#227;os d&#227;o e exigem ao mesmo tempo. V&#243;s, s&#225;bios, deixai a vossa sabedoria e tornai-vos simples como as crian&#231;as. V&#243;s, reis, dai as vossas coroas, os vossos tesouros, e tornai-vos humildes diante do Rei dos reis: tomai sem hesitar a parte que vos toca das penas, dos sofrimentos e das fadigas que o Seu servi&#231;o exige. V&#243;s, crian&#231;as, que nada podeis oferecer: as m&#227;os do Menino tomam a vossa fr&#225;gil exist&#234;ncia ainda antes do seu in&#237;cio. Oferecida ao Senhor da Gl&#243;ria n&#227;o pode estar mais bem entregue.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&#034;Segue-me!&#034;, dizem as m&#227;os do Menino como mais tarde ir&#227;o diz&#234;-lo os l&#225;bios do Homem. Assim chamaram o jovem disc&#237;pulo que o Senhor amou e que, agora, tamb&#233;m faz parte do cortejo do Pres&#233;pio. S&#227;o Jo&#227;o, um jovem de cora&#231;&#227;o puro, partiu sem perguntar: onde? porqu&#234;? Abandonou o barco do pai e seguiu o Mestre em todos os Seus caminhos, at&#233; ao G&#243;lgota.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&#034;Segue-me!&#034; Este apelo, o jovem Est&#234;v&#227;o tamb&#233;m o ouviu. Seguiu o mestre no Seu combate, contra os poderes das trevas, contra a cegueira da incredulidade obstinada, e foi Sua testemunha, pela palavra e pelo sangue. Caminhou segundo o Seu esp&#237;rito, o esp&#237;rito de Amor que combate o pecado, mas ama o pecador, e que, at&#233; na morte, defende, diante de Deus, o homicida.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Os que se ajoelham em volta do Pres&#233;pio s&#227;o estes filhos da luz: fr&#225;geis inocentes, pastores cheios de f&#233;, reis humildes, Est&#234;v&#227;o, o disc&#237;pulo inspirado, e Jo&#227;o, o ap&#243;stolo do amor, todos esses que seguiram o chamamento do Mestre. No polo oposto, na noite da surpreendente frieza e da cegueira, est&#227;o os doutores da lei que, sabendo quando e onde nasceria o Salvador, n&#227;o se dirigiram a Bel&#233;m, e o Rei Herodes que tamb&#233;m quis mandar matar o Senhor da Vida.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Em frente do Menino do Pres&#233;pio, os esp&#237;ritos dividem-se. Ele &#233; o Rei dos reis, o Senhor da Vida e da Morte. Ele diz: &#034;Segue-me&#034;, e quem n&#227;o &#233; por Ele &#233; contra Ele.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Tamb&#233;m Se dirige a n&#243;s e nos faz escolher entre a luz e as trevas.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;O Corpo M&#237;stico de Cristo&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;i&gt;Ser um com Deus&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Ser um com Deus; onde isso nos conduz ignoramo-lo e n&#227;o devemos perguntar antes do tempo. Apenas sabemos que, para aqueles que amam o Senhor, todas as coisas se encaminham para o melhor. De resto, os caminhos onde o Senhor nos conduz levam muito para al&#233;m desta terra.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&#211; &#034;admir&#225;vel com&#233;rcio&#034;! Encarnando, o Criador do g&#233;nero humano partilha connosco a Sua divindade. Para esta obra admir&#225;vel &#233; que o Salvador veio ao mundo. Deus fez-se filho dos homens para que os homens se tornem filhos de Deus. Um homem tinha quebrado o la&#231;o da nossa perten&#231;a a Deus, um homem devia renov&#225;-lo e resgatar-nos. Mas nenhum descendente desta velha cepa, doente e abastardada, tinha esse poder. Um novo enxerto, s&#227;o e nobre, devia ser feito no velho tronco. Ele tornou-Se um de n&#243;s e, mais ainda, fez-Se um connosco. Eis a grandeza da ra&#231;a humana: sermos todos um. Se fosse de outro modo, se f&#244;ssemos indiv&#237;duos aut&#243;nomos e separados, livres e independentes uns dos outros, a queda de um n&#227;o teria arrastado a queda dos outros. Por outro lado, o pre&#231;o da expia&#231;&#227;o poderia ter sido pago por n&#243;s e ter&#237;amos ficado livres, mas a justi&#231;a de Deus n&#227;o nos teria sido atribu&#237;da, a n&#243;s pecadores, e nenhuma justifica&#231;&#227;o teria sido poss&#237;vel.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Assim Deus veio para formar connosco um corpo misterioso: Ele, nossa cabe&#231;a, n&#243;s, Seus membros. Se unirmos as nossas m&#227;os &#224;s do menino, se respondermos &#034;sim&#034; ao Seu &#034;segue-me&#034;, ent&#227;o pertencemos-Lhe e j&#225; n&#227;o h&#225; em n&#243;s obst&#225;culo &#224; vida divina.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Come&#231;amos ent&#227;o a viver a vida eterna. Claro que ainda n&#227;o gozamos da vis&#227;o beat&#237;fica na luz da gl&#243;ria. Caminhamos sempre na obscuridade da f&#233;, mas j&#225; n&#227;o pertencemos totalmente a este mundo, pertencemos j&#225; ao reino de Deus. Quando a Virgem, bem-aventurada entre todas, pronunciou o seu &#034;fiat&#034;, o reino de Deus apareceu sobre a terra e ela foi a sua primeira serva. Os que, antes e depois do nascimento do Menino, O reconheceram em palavras e em actos, S&#227;o Jos&#233;, Santa Isabel e o seu filho, todos os que estavam em volta do Pres&#233;pio, entraram, tamb&#233;m, neste reino.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O reino de Deus surgiu de maneira diferente da que se imaginava a partir dos Salmos e dos Profetas. Os Romanos eram dominadores do pa&#237;s, e os grandes sacerdotes e os escribas continuavam a manter o povo sob o seu dom&#237;nio. Mas, invisivelmente, aquele que pertencia ao Mestre j&#225; tinha dentro de si o reino dos C&#233;us. As dores terrenas n&#227;o lhe eram tiradas, outras ainda se acrescentavam, mas uma for&#231;a o sustinha, tornando o jugo suave e a carga leve.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Ainda hoje &#233; assim para os filhos de Deus. A vida divina de que a alma &#233; abrasada &#233; esta luz que veio das trevas, milagre da Noite Santa. E quem a possui compreende isto. Para os outros &#233; uma linguagem incompreens&#237;vel. O Evangelho de S&#227;o Jo&#227;o &#233; todo ele uma tentativa para exprimir a luz eterna que &#233; amor e vida. Deus em n&#243;s e n&#243;s n'Ele, tal &#233; a nossa participa&#231;&#227;o no Reino de Deus que, na Encarna&#231;&#227;o, teve a sua origem.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;i&gt;Ser um em Deus&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Ser um com Deus &#233; apenas um princ&#237;pio. Porque sendo Cristo a cabe&#231;a do Corpo m&#237;stico e n&#243;s os seus membros, as nossas rela&#231;&#245;es m&#250;tuas s&#227;o rela&#231;&#245;es entre membros, e todos n&#243;s fazemos um em Deus, vivendo da Sua vida divina. Se Deus &#233; um em n&#243;s, e se Ele &#233; Amor, n&#227;o podemos n&#227;o amar os nossos irm&#227;os. Por isso o nosso amor ao pr&#243;ximo d&#225; a medida do nosso amor a Deus.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O amor segundo a natureza liga-nos aos que nos s&#227;o pr&#243;ximos pelos la&#231;os de sangue, pelas afinidades de car&#225;cter ou pela comunh&#227;o de interesses. Os outros s&#227;o &#034;estranhos&#034; que &#034;n&#227;o nos s&#227;o nada&#034;, ou que at&#233; nos podem ser antip&#225;ticos. Para um crist&#227;o, n&#227;o pode haver &#034;estranhos&#034;. &#201; sempre nosso &#034;pr&#243;ximo&#034; aquele que se encontra ao nosso lado, aquele que mais necessita de n&#243;s. Pouco importa que seja ou n&#227;o nosso parente, que nos agrade ou n&#227;o, que seja ou n&#227;o &#034;moralmente digno&#034; da nossa ajuda. O amor de Cristo n&#227;o conhece fronteiras, nunca se det&#233;m, nem a fealdade, nem a esc&#243;ria Lhe repugnam. Ele veio para os pecadores e n&#227;o para os justos. E se o amor de Cristo vive em n&#243;s, faremos como Ele e procuraremos as ovelhas perdidas.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O amor segundo a natureza quer para si o ser amado e possu&#237;-lo sem partilha. Por&#233;m, Cristo veio para entregar ao Pai a humanidade perdida, e todo aquele que ama com o Seu amor busca os homens para Deus e n&#227;o para si. Esta &#233; tamb&#233;m a maneira mais certa de os ter eternamente; porque se tivermos acolhido algu&#233;m em Deus, n&#243;s somos em Deus um com ele, enquanto que, por vezes, o desejo de conquista - e isso acontece de facto sempre, mais cedo ou mais tarde - conduz &#224; perda daquilo que se persegue. Isto &#233; t&#227;o v&#225;lido no que respeita o amor do outro, como no respeita o amor pr&#243;prio ou no que toca os bens temporais. Quem se d&#225; &#224;s coisas exteriores para ganhar e conservar, perde. Quem se entrega a Deus, ganha.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;i&gt;Seja Feita a Vossa Vontade&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Tocamos aqui uma terceira marca da filia&#231;&#227;o divina: &#034;Nisto saberei que Me amais, se guardardes os Meus mandamentos.&#034;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Ser filho de Deus significa caminhar de m&#227;o dada com Ele, fazer a Sua vontade e n&#227;o a nossa, entregarmo-nos a Ele nas nossas preocupa&#231;&#245;es e nas nossas esperan&#231;as, n&#227;o nos inquietarmos a respeito do nosso futuro. Assim se alcan&#231;a a liberdade e a alegria.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Como s&#227;o poucos, entre os verdadeiros crentes, os que as possuem, e at&#233; mesmo entre os que fizeram da sua vida uma entrega heroica! Quantos caminham vergados sob o peso esmagador das suas preocupa&#231;&#245;es e dos seus deveres. Conhecem a par&#225;bola das aves do c&#233;u e dos l&#237;rios do campo, mas se encontrarem algu&#233;m sem recursos, sem pens&#227;o, sem seguran&#231;a social, vivendo preocupado com o futuro, abanam a cabe&#231;a como diante de algo ins&#243;lito. Certamente, esperar que o Pai cuide dos nossos rendimentos, da nossa situa&#231;&#227;o da maneira que acharmos mais desej&#225;vel, seria enganarmo-nos redondamente. A confian&#231;a em Deus n&#227;o pode ser inabal&#225;vel, se n&#227;o incluir a disposi&#231;&#227;o de tudo aceitar dEle. S&#243; Ele sabe o que nos conv&#233;m. E se um dia a necessidade e a mis&#233;ria viessem ter connosco em vez de uma vida segura e confort&#225;vel, se o fracasso e a humilha&#231;&#227;o fossem para n&#243;s prefer&#237;veis &#224; honra e ao prest&#237;gio, seria necess&#225;rio estarmos dispon&#237;veis para isso. Quem vive assim pode viver o presente, sem preocupa&#231;&#245;es quanto ao futuro.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&#034;Seja feita a Vossa vontade&#034;. Tal deve ser a regra da vida crist&#227;, orientando o dia desde a manh&#227; at&#233; &#224; noite, o decorrer do ano, a vida inteira, como &#250;nica preocupa&#231;&#227;o do crist&#227;o. Todas as outras preocupa&#231;&#245;es, o Senhor assume-as.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Uma &#250;nica, todavia, permanece enquanto vivermos. Objetivamente, n&#227;o estamos definitivamente seguros de permanecer sempre nos caminhos do Senhor. Como os nossos primeiros pais puderam sair da fam&#237;lia de Deus para o campo dos rebeldes, assim cada um de n&#243;s est&#225; sempre na corda bamba entre o nada e a plenitude da vida divina. E, mais tarde ou mais cedo, faremos a experi&#234;ncia disso.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Na inf&#226;ncia da vida espiritual, quando justamente come&#231;amos a abandonar-nos &#224; conduta de Deus, sabemos que uma m&#227;o muito firme e muito forte nos conduz; e o que devemos fazer ou abandonar aparece-nos com toda a clareza. Mas nem sempre ser&#225; assim. Aquele que pertence a Cristo deve viver toda a vida de Cristo. Como Ele atingir&#225; a idade adulta e, um dia, entrar&#225; no caminho da Cruz que, passando por Gets&#233;mani, conduz ao G&#243;lgota. E todos os sofrimentos que nos atingem exteriormente n&#227;o s&#227;o nada em compara&#231;&#227;o com a noite escura da alma, quando a luz divina deixa de Se ouvir. Deus est&#225; l&#225;, mas escondido e em sil&#234;ncio.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Por que ter&#225; de ser assim? S&#227;o os mist&#233;rios de Deus que n&#243;s tocamos, mas que n&#227;o se deixam compreender completamente. Apenas nos &#233; poss&#237;vel come&#231;ar a contempl&#225;-los.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Deus fez-se homem para nos fazer participar de novo na Sua vida. Participa&#231;&#227;o que existia no princ&#237;pio e que &#233; o fim &#250;ltimo. Mas, neste intervalo, temos de viver. Cristo &#233; ao mesmo tempo Deus e Homem, e quem quiser participar na Sua vida tem de tomar parte na Sua vida divina e na Sua vida humana. A natureza humana de que Ele se revestiu deu-Lhe a possibilidade de sofrer e de morrer. A natureza divina que Ele possui desde toda a eternidade confere ao Seu sofrimento e &#224; Sua morte um valor infinito e uma for&#231;a redentora. O sofrimento e a morte de Cristo continuam no Seu Corpo m&#237;stico e em cada um dos seus membros. Todo o homem tem de sofrer e morrer. Mas se for membro vivo de Cristo, o seu sofrimento e a sua morte recebem ent&#227;o, da divindade de Cristo, um poder de reden&#231;&#227;o. Esta &#233; a raz&#227;o objetiva pela qual todos os santos desejaram o sofrimento. N&#227;o se trata de um gosto m&#243;rbido: o que &#224; vista da intelig&#234;ncia natural, aparece quase como uma pervers&#227;o, revela-se, todavia, &#224; luz do mist&#233;rio da Reden&#231;&#227;o, como a raz&#227;o mais elevada.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Assim, unido a Cristo, o crist&#227;o permanece inabal&#225;vel, mesmo na noite escura em que Deus lhe parece long&#237;nquo e em que se julga abandonado; e talvez a Divina Provid&#234;ncia lhe imponha este supl&#237;cio a fim de que um dos seus irm&#227;os, realmente prisioneiro do erro, seja liberto.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Digamos n&#243;s tamb&#233;m: &#034;Seja feita a Vossa vontade&#034;, mesmo no cora&#231;&#227;o da noite mais sombria.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Os Caminhos da Salva&#231;&#227;o&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Poderemos n&#243;s dizer: &#034;Seja feita a Vossa vontade&#034;, se n&#227;o conhecermos as verdadeiras exig&#234;ncias de Deus? Poderemos ainda permanecer nos Seus caminhos, se a luz interior se apagar? Sim, porque ainda que, em princ&#237;pio, esta possibilidade exista, h&#225; tais e t&#227;o poderosos meios que &#233; realmente pouco veros&#237;mil que possamos perder-nos.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Deus veio para nos salvar, nos unir a Si, nos unir aos outros, conformar a nossa vontade &#224; Sua. Conhecendo a nossa natureza, tem isso em considera&#231;&#227;o e d&#225;-nos tudo o que pode ajudar-nos a atingir esse objectivo. O Menino transforma-Se no Mestre, ensina-nos o que devemos fazer.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Para impregnar toda a nossa vida humana da vida divina, n&#227;o basta ajoelharmo-nos uma vez por ano diante do Pres&#233;pio e deixarmo-nos cativar pelo encanto da Noite Santa. &#201; preciso, ao longo da vida, comunicar com Deus, d&#243;ceis aos ensinamentos que nos transmitiu, obedientes &#224;s Suas leis.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Primeiramente devemos rezar como o Salvador nos ensinou: &#034;Pedi e recebereis.&#034; Promessa garantida de que seremos atendidos. Aquele que, todos os dias, disser do fundo do cora&#231;&#227;o: &#034;Senhor, seja feita a Vossa vontade&#034;, pode ter confian&#231;a. N&#227;o deixar&#225; de cumprir a vontade divina, mesmo que, subjectivamente, n&#227;o tenha j&#225; a certeza disso.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Vamos mais longe: Cristo n&#227;o nos deixou &#211;rf&#227;os. Enviou o Seu Esp&#237;rito que nos ensina toda a verdade. Estabeleceu a Igreja que o Seu Esp&#237;rito governa, instituiu os Seus vig&#225;rios pela boca dos quais o Esp&#237;rito nos fala numa linguagem humana. Nela, reuniu os fi&#233;is numa comunidade, e quer que cada um seja respons&#225;vel pelos outros. Assim n&#227;o estamos s&#243;s, e se a confian&#231;a no nosso discernimento e at&#233; na nossa ora&#231;&#227;o vem faltar-nos, a for&#231;a da obedi&#234;ncia e a for&#231;a da intercess&#227;o suprem essa falta.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&#034;E o Verbo fez-Se carne&#034;. Este mist&#233;rio tornou-se verdade no est&#225;bulo de Bel&#233;m. Mas ainda se realizou de uma outra maneira: &#034;O que comer da Minha carne e beber do Meu sangue possuir&#225; a vida eterna.&#034;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O Salvador, sabendo que somos e permanecemos homens que, todos os dias, temos de combater as nossas m&#225;s inclina&#231;&#245;es, vem de maneira verdadeiramente divina em socorro da nossa humanidade. Assim como o nosso corpo carnal tem necessidade do p&#227;o quotidiano, assim a vida divina em n&#243;s exige um alimento incessantemente renovado.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&#034;Eis o p&#227;o vivo que desceu do c&#233;u.&#034; Naquele que verdadeiramente o recebe como alimento realiza-se cada dia o mist&#233;rio do Natal, a Encarna&#231;&#227;o do Verbo. N&#227;o h&#225; caminho mais seguro para permanecer unido a Deus e para se enraizar cada dia mais fortemente e mais profundamente no Corpo m&#237;stico de Cristo.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Eu bem sei que para muitos esta op&#231;&#227;o parece muito radical. De facto, implica para a maior parte das pessoas uma transforma&#231;&#227;o total do comportamento e da vida interior. Mas &#233; absolutamente necess&#225;rio que seja assim. Dar em n&#243;s espa&#231;o para a Eucaristia, para que o Senhor transforme a nossa vida na Sua, &#233; exigir muito?&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Perde-se muito tempo com leituras f&#250;teis, em conversas de caf&#233; e de rua, distra&#231;&#245;es em que se perdem o tempo e as for&#231;as. N&#227;o seria de todo poss&#237;vel reservar uma hora da manh&#227; para se recolher em vez de se distrair, para ganhar for&#231;as em vez de se esgotar, a fim de enfrentar as tarefas di&#225;rias?&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Mas evidentemente, esta hora n&#227;o ser&#225; tudo. Ela dar&#225; ao nosso dia o seu verdadeiro sentido, e j&#225; n&#227;o ser&#225; poss&#237;vel deixarmo-nos ir &#224; deriva, mesmo por um momento.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;N&#227;o se pode escapar ao ju&#237;zo daquele que se visita todos os dias. Mesmo que n&#227;o se troque qualquer palavra, capta-se pelo comportamento dos outros aquilo que se &#233;. Tenta-se uma adapta&#231;&#227;o aos que nos rodeiam, e se n&#227;o se consegue, a vida em comum torna-se um supl&#237;cio. O mesmo se passa com os contactos quotidianos com o Salvador. Tornando-se cada dia mais sens&#237;vel ao que Lhe agrada ou desagrada, aquele que h&#225; pouco se satisfazia consigo pr&#243;prio v&#234; tudo, da&#237; em diante, a uma outra luz. Depara-se facilmente com tanta fealdade, que corrige como pode. Descobre muitas coisas que n&#227;o acha belas nem boas e &#224;s quais entretanto lhe &#233; dif&#237;cil dar solu&#231;&#227;o. assim, torna-se a pouco e pouco mais pequeno e mais humilde, mais paciente, mais indulgente ao argueiro que est&#225; no olho do pr&#243;ximo, pois est&#225; suficientemente ocupado com uma das traves que est&#227;o no seu. E aprende ent&#227;o a suportar-se a si pr&#243;prio na luz inexor&#225;vel da presen&#231;a divina, e a abandonar-se &#224; miseric&#243;rdia de Deus que, finalmente, triunfa daquele que escarnece das suas for&#231;as.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&#201; longo o caminho que conduz da sufici&#234;ncia do &#034;bom cat&#243;lico&#034; que &#034;cumpre os seus deveres&#034;, l&#234; &#034;bom jornal&#034;, vota &#034;bem&#034;, etc., mas que no restante faz como lhe agrada, ao abandono nas m&#227;os de Deus, na simplicidade da crian&#231;a e na humildade do publicano. Mas quem j&#225; deu um passo neste caminho n&#227;o voltar&#225; atr&#225;s.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Assim a vida filial em Deus consiste em ser ao mesmo tempo pequeno e grande. Viver da Eucaristia faz-nos sair totalmente dos limites estreitos da nossa vida pessoal para nos enraizar e fazer-nos crescer em todas as dimens&#245;es da vida de Cristo.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Quem visitar o Senhor na Sua casa n&#227;o ir&#225; sempre encher a sua ora&#231;&#227;o com a sua pr&#243;pria pessoa, com as suas coisas, mas interessar-se-&#225; primeiro pelas coisas de Deus. Participar cada dia no Santo Sacrif&#237;cio arrasta-nos, sem darmos conta, na corrente da vida da Igreja. As ora&#231;&#245;es e os ritos do altar, ao longo do ano lit&#250;rgico, desvendam-nos a hist&#243;ria da Salva&#231;&#227;o e d&#227;o-nos dela um conhecimento cada vez mais profundo. A ac&#231;&#227;o sacrificial impregna-nos cada vez mais do mist&#233;rio central da nossa f&#233;, eixo da hist&#243;ria do mundo, mist&#233;rio de Encarna&#231;&#227;o e de Reden&#231;&#227;o. Como assistir ao Santo Sacrif&#237;cio com um esp&#237;rito e um cora&#231;&#227;o abertos sem se deixar penetrar pela sua finalidade, sem se deixar tomar pelo desejo de unir a sua vida pessoal &#224; grande obra do Redentor!&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Os mist&#233;rios do cristianismo formam um todo indivis&#237;vel. Abordar um &#233; abordar todos. Assim o caminho de Bel&#233;m leva-nos irresistivelmente ao Calv&#225;rio, do Pres&#233;pio &#224; Cruz.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Quando a Sant&#237;ssima Virgem apresentou o Menino no Templo, foi-lhe anunciado que uma espada trespassaria a sua alma, que o seu filho vinha para a queda e ressurrei&#231;&#227;o de um grande n&#250;mero, e que seria um sinal de contradi&#231;&#227;o! An&#250;ncio do sofrimento, do combate entre a luz e as trevas que j&#225; se tinha manifestado no Pres&#233;pio.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Acontece que, em certos anos, a Candel&#225;ria&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt; [&lt;a href=&#034;#nb2-2&#034; class=&#034;spip_note&#034; rel=&#034;appendix&#034; title=&#034;Festa lit&#250;rgica tamb&#233;m conhecida como &#034;Nossa Senhora das Candeias&#034; em que a (&#8230;)&#034; id=&#034;nh2-2&#034;&gt;2&lt;/a&gt;]&lt;/span&gt;, festa do ciclo da Encarna&#231;&#227;o, e a Septuag&#233;sima, prel&#250;dio da Paix&#227;o, se celebram quase ao mesmo tempo. Na noite do pecado brilha a estrela de Bel&#233;m. No fulgor da luz que emana do Pres&#233;pio, desce a sombra da Cruz. A luz apaga-se nas trevas de sexta-feira santa, mas para surgir ainda mais radiosa, sol de miseric&#243;rdia, na aurora do terceiro dia.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O caminho do Filho de Deus feito Homem, atrav&#233;s de Gets&#233;mani e do G&#243;lgota, conduz ao triunfo da P&#225;scoa.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Com o Filho do Homem, atrav&#233;s do sofrimento e da morte, o nosso caminhar, o de toda a humanidade, chega tamb&#233;m &#224; gl&#243;ria da Ressurrei&#231;&#227;o.&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;
		&lt;hr /&gt;
		&lt;div class='rss_notes'&gt;&lt;div id=&#034;nb2-1&#034;&gt;
&lt;p&gt;&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt;[&lt;a href=&#034;#nh2-1&#034; class=&#034;spip_note&#034; title=&#034;Notas 2-1&#034; rev=&#034;appendix&#034;&gt;1&lt;/a&gt;] &lt;/span&gt;O &#034;Rorate Caeli&#034; &#233; considerado uma das mais belas e sublimes composi&#231;&#245;es n&#227;o s&#243; do Advento, mas de todo o repert&#243;rio lit&#250;rgico da hist&#243;ria do cristianismo. Seu refr&#227;o vem do livro do profeta Isa&#237;as (45, 8), em que se suplica: &#034;Que os c&#233;us, das alturas, derramem o seu orvalho; que as nuvens fa&#231;am chover a vit&#243;ria; abra-se a terra e brote a felicidade e, ao mesmo tempo, ela fa&#231;a germinar a justi&#231;a! Sou eu, o Senhor, a causa de tudo isso&#034; (Aleteia.org).&lt;/p&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div id=&#034;nb2-2&#034;&gt;
&lt;p&gt;&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt;[&lt;a href=&#034;#nh2-2&#034; class=&#034;spip_note&#034; title=&#034;Notas 2-2&#034; rev=&#034;appendix&#034;&gt;2&lt;/a&gt;] &lt;/span&gt;Festa lit&#250;rgica tamb&#233;m conhecida como &#034;Nossa Senhora das Candeias&#034; em que a Igreja celebra, a 2 de fevereiro, a Apresenta&#231;&#227;o do Menino No Templo (nota do webmaster)&lt;/p&gt;
&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;
		
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		<title>Da Pessoa - introdu&#231;&#227;o</title>
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&lt;p&gt;O texto com o t&#237;tulo pesado e complicado, A Estrutura &#244;ntica da pessoa e a sua problem&#225;tica epistemol&#243;gica, traduzido aqui pela primeira vez em franc&#234;s , foi publicado no volume VI da edi&#231;&#227;o alem&#227; das Oeuvres d'Edith Stein: Welt und Person. As indica&#231;&#245;es, preciosas mas infelizmente raras, acerca da hist&#243;ria deste texto, que devemos &#224; Sra L. Gelber, e em particular a incerteza que envolve a sua data&#231;&#227;o, podem resumir-se da seguinte maneira: &#171;A t&#237;tulo de hip&#243;tese fundamentada, pode dizer-se (&#8230;)&lt;/p&gt;


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&lt;a href="http://luz-da-sabedoria-divina.com/spip.php?rubrique98" rel="directory"&gt;Da Pessoa &lt;/a&gt;


		</description>


 <content:encoded>&lt;div class='rss_texte'&gt;&lt;p&gt;O texto com o t&#237;tulo pesado e complicado, &lt;i&gt;A Estrutura &#244;ntica da pessoa e a sua problem&#225;tica epistemol&#243;gica&lt;/i&gt;, traduzido aqui pela primeira vez em franc&#234;s&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt; [&lt;a href=&#034;#nb3-1&#034; class=&#034;spip_note&#034; rel=&#034;appendix&#034; title=&#034;a presente vers&#227;o portuguesa foi feita a partir desta tradu&#231;&#227;o editada por (&#8230;)&#034; id=&#034;nh3-1&#034;&gt;1&lt;/a&gt;]&lt;/span&gt;, foi publicado no volume VI da edi&#231;&#227;o alem&#227; das &lt;i&gt;Oeuvres&lt;/i&gt; d'Edith Stein: &lt;i&gt;Welt und Person&lt;/i&gt;. As indica&#231;&#245;es, preciosas mas infelizmente raras, acerca da hist&#243;ria deste texto, que devemos &#224; Sra L. Gelber, e em particular a incerteza que envolve a sua data&#231;&#227;o, podem resumir-se da seguinte maneira: &#171;A t&#237;tulo de hip&#243;tese fundamentada, pode dizer-se que este estudo data de mais ou menos 1932, que ele &#233; o resultado da concep&#231;&#227;o, longamente amadurecida, de Edith Stein sobre a ontologia da pessoa humana, e que foi concebido como uma leitura para universit&#225;rios, nomeadamente para o seu c&#237;rculo de leitores de M&#250;nster. O manuscrito foi pessoalmente confiado, antes de 1938, ao Sr e &#224; Sra Hermann Schweitzer, e foi remetido por estes em 1950 aos Arquivos Edith Stein com vista &#224; sua publuca&#231;&#227;o nos &lt;i&gt;Werke&lt;/i&gt;. Os desenvolvimentos de &lt;i&gt;Die ontische Struktur&lt;/i&gt;... est&#227;o diretamente relacionados com o pensamento elaborado em &lt;i&gt;Endliches und ewiges Sein&lt;/i&gt; e com o estudo, in&#233;dito, que o precedeu: &lt;i&gt;Akt und Potenz&lt;/i&gt;&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt; [&lt;a href=&#034;#nb3-2&#034; class=&#034;spip_note&#034; rel=&#034;appendix&#034; title=&#034;Werke, t. VI, Ed. Nauwelaerts (louvain) e Herder (Fribourg-en-Brisgau), (&#8230;)&#034; id=&#034;nh3-2&#034;&gt;2&lt;/a&gt;]&lt;/span&gt;.&#187;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Esta &#250;ltima nota sobre as afinidades de &lt;i&gt;A Struktur ontique&lt;/i&gt;... com a grande ontologia de 1935 justifica-se perfeitamente; n&#243;s mesmos o assinalamos ao trazer ao texto principal o acrescento de uma passagem de &lt;i&gt;Endliches und Ewiges Sein&lt;/i&gt; (1935) (&#171;Ser finito e Ser Eterno&#187;)&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt; [&lt;a href=&#034;#nb3-3&#034; class=&#034;spip_note&#034; rel=&#034;appendix&#034; title=&#034;Ver o Anexo II.&#034; id=&#034;nh3-3&#034;&gt;3&lt;/a&gt;]&lt;/span&gt;. Mas outros tr&#234;s anexos, extra&#237;dos de &lt;i&gt;Beitr&#228;ge zur Begr&#252;ndung der Psychologie und der Geisteswissenschaften&lt;/i&gt; (1922) (&#171;Contribui&#231;&#245;es para a funda&#231;&#227;o da psicologia e das ci&#234;ncias do esp&#237;rito&#187;), de &lt;i&gt;Seelenburg&lt;/i&gt; (1936) (&#171;O Castelo da alma&#187;) e de &lt;i&gt;Kreuzeswissenschaft&lt;/i&gt; (1942) (&#171;A Ci&#234;ncia da Cruz&#187;)&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt; [&lt;a href=&#034;#nb3-4&#034; class=&#034;spip_note&#034; rel=&#034;appendix&#034; title=&#034;Respectivamente: Ed. Max Niemeyer, T&#252;bingen, 1970; Werke, t. VI e Werke , t. I.&#034; id=&#034;nh3-4&#034;&gt;4&lt;/a&gt;]&lt;/span&gt;, mostram bem que a ontologia da pessoa que aqui apresentamos estabelece a ponte entre o que h&#225; de mais autenticamente fenomenol&#243;gico em Edith Stein e o que carateriza a sua interpreta&#231;&#227;o dos maiores m&#237;sticos da sua ordem: Teresa d'&#193;vila e Jo&#227;o da Cruz.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A &lt;i&gt;pessoa&lt;/i&gt; &#233; um tema cont&#237;nuo na obra de Edith Stein. Em &lt;i&gt;Die ontische Struktur&lt;/i&gt;..., este recebe, talvez, a sua forma e o seu tratamento mais completos. E sobretudo, n&#227;o &#233; sobrecarregado pela preocupa&#231;&#227;o, muitas vezes demasiado sens&#237;vel em &lt;i&gt;Endliches und ewiges Sein&lt;/i&gt;, de harmonizar se n&#227;o o pr&#243;prio s&#227;o Tom&#225;s, pelo menos o tomismo, e o que &#233; a sua pr&#243;pria sensibilidade filos&#243;fica. Digo bem &#171;sensibilidade&#187;, visto que Edith Stein &#233; antes de tudo uma leitora extraordinariamente sens&#237;vel e recetiva ao pensamento de outrem: Pensemos em Edmund Husserl, em Hans Lipps, em Max Scheler, em Hedwig Conrad-Martius, em Dietrich von Hildebrand; e quando &#233; puramente ela pr&#243;pria, &#233; precisamente para estilizar, quer dizer para significar indiretamente uma experi&#234;ncia pessoal, para libertar de uma viv&#234;ncia aquilo que &#233; a sua ess&#234;ncia. Ora esta viv&#234;ncia e esta experi&#234;ncia, mesmo religiosas, inscrevem-se nas categorias de um &#171;personalismo&#187; ao qual ela acrescenta marcas que n&#227;o s&#227;o nem as de Scheler, nem as de Mounier ou de Maritain, mas que lhe s&#227;o realmente pr&#243;prias.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O t&#237;tulo que consider&#225;vamos complicado, &lt;i&gt;A Estrutura &#244;ntica da pessoa e a sua problem&#225;tica epistemol&#243;gica&lt;/i&gt;, pede alguns esclarecimentos. A clarifica&#231;&#227;o mais imediata e mais direta deve ser procurada na concep&#231;&#227;o husserliana da filosofia como &lt;i&gt;ci&#234;ncia rigorosa&lt;/i&gt;. E isto porque a ideia de uma filosofia da pessoa induz necessariamente a de uma &lt;i&gt;ci&#234;ncia&lt;/i&gt; da pessoa - mesmo no sentido em que ser&#225; finalmente quest&#227;o de uma &lt;i&gt;ci&#234;ncia&lt;/i&gt; da Cruz. Esta ci&#234;ncia n&#227;o &#233; portanto a da psicologia emp&#237;rica, mas uma ci&#234;ncia da pessoa em que se articulam tr&#234;s inst&#226;ncias principais: a alma, o esp&#237;rito e o corpo, e onde a parte do Eu reserva as mais espantosas surpresas. Isso depende muito de uma an&#225;lise do ser e n&#227;o do sujeito do ser (&lt;i&gt;&#233;tant&lt;/i&gt;), do &#244;ntico e n&#227;o do ontol&#243;gico&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt; [&lt;a href=&#034;#nb3-5&#034; class=&#034;spip_note&#034; rel=&#034;appendix&#034; title=&#034;Sobre Heidegger visto por Edith Stein, ver Fenomenologia e filosofia crist&#227;, (&#8230;)&#034; id=&#034;nh3-5&#034;&gt;5&lt;/a&gt;]&lt;/span&gt;, mas mais precisamente do ser que, no seu sentido mais fundamental, &#233; pessoa: pessoa humana ou pessoa divina, ser finito ou ser eterno. Ora, se h&#225; mesmo uma ci&#234;ncia deste ser &#171;pessoal&#187;, esta abrange uma problem&#225;tica espec&#237;fica: a problem&#225;tica do conhecimento que a pessoa pode ter dela mesma; a problem&#225;tica da consci&#234;ncia de si. A estrutura essencial da pessoa &#233; a de um ser que se sabe, e para quem este saber de si ocasiona problemas. Se errarmos sobre esse ponto, este t&#237;tulo n&#227;o se pode justificar muito.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O que se desenvolve desta ci&#234;ncia &#233; ao mesmo tempo &#171;mundano&#187; e &#171;religioso&#187; no seu conte&#250;do, mas formalmente, a ci&#234;ncia da pessoa persegue o seu objecto at&#233; &#224;s esferas da f&#233;. Dito de outra forma, sem que se entre verdadeiramente no dom&#237;nio da teologia,- que s&#243; pode tomar como objecto a realidade positiva da Revela&#231;&#227;o - a ideia de ci&#234;ncia estende-se da natureza &#224; gra&#231;a como sobre um &#250;nico campo de investiga&#231;&#227;o medido com a pr&#243;pria natureza- ou com a ess&#234;ncia - da pessoa.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O primeiro tema desta ci&#234;ncia da pessoa &#233; o da alma, imediatamente tomado num duplo destino ou num duplo estilo de &lt;i&gt;vida&lt;/i&gt;: ser levada, animada de fora, pelo jogo da natureza e do mundo; ou ser libertada, conduzida, apaziguada, pelo facto de uma inser&#231;&#227;o num outro &#171;reino&#187; al&#233;m do da natureza.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Raiz da terra, raiz do c&#233;u, poder-se-ia dizer, n&#227;o reenviando a ideia de &#171;raiz&#187; imediatamente &#224; solidez, mas &#224; necessidade de extrair o seu alimento de uma fonte e de um terreno. Se a alma n&#227;o estiver enraizada em algum lado, ela morre. No entanto, para passar de um enraizamento a outro, de um solo aliment&#237;cio a outro, &#233; preciso deixar-se desenraizar: e neste estado de desenraizamento, quer dizer de liberdade, o sujeito &#233; radicalmente exposto ao vazio.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Pelo facto desta liberdade, o sujeito &#233; ent&#227;o uma &lt;i&gt;pessoa&lt;/i&gt;. Segura-se a si mesmo e pode mover-se em todos os sentidos. No entanto esta liberdade absoluta fixa-o sobre ele mesmo e condena-o a uma total imobilidade.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Esta considera&#231;&#227;o &#233; uma das mais impressionantes deste curto tratado, pela evoca&#231;&#227;o breve - densa e r&#225;pida como um pensamento de Pascal - do que Jean-Paul Sartre longamente descreveu, e no qual ele acreditava ter encontrado a pr&#243;pria ess&#234;ncia da liberdade. Liberdade, certamente, mas morta; liberdade n&#227;o libertada; liberdade n&#227;o escravizada por um pecado, mas liberdade serva do seu pr&#243;prio deslumbramento. &#171;O Si deste Eu est&#225; totalmente vazio&#187; e s&#243; recebe a plenitude do Reino ao qual ele se d&#225; gra&#231;as a esta liberdade.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Os dois Reinos, quer dizer as duas &#171;plenitudes&#187; da natureza e da gra&#231;a - onde a alma est&#225; atualmente ou potencialmente enraizada - s&#227;o os dom&#237;nios do ser: do ser vital, opaco ou determinante, e do mais vivo, mais luminosos e mais libertador ser. Em compensa&#231;&#227;o, o dom&#237;nio - se &#233; um deles - da &lt;i&gt;pura liberdade&lt;/i&gt; &#233; o &#171;dom&#237;nio vazio&#187; do nada.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Uma outra formula&#231;&#227;o desta constata&#231;&#227;o metaf&#237;sica poderia ser que os dois dom&#237;nios do ser s&#227;o os de uma necessidade, f&#237;sica ou espiritual, enquanto que o dom&#237;nio vazio &#233; o do arbitr&#225;rio. Mas pelo facto do arbitr&#225;rio ter por contr&#225;rios quer a necessidade, ou sistema de raz&#245;es objectivas, quer a vontade, onde por natureza se exprime a raz&#227;o subjectiva, vemos que &#233; do arbitr&#225;rio que &#233; libertada a liberdade enraizada para l&#225; dela mesma. Isto pode dar-lhe acesso a uma liberdade &lt;i&gt;reflectida&lt;/i&gt;, e a um livre conhecimento de si, por conseguinte fazer valer nela pot&#234;ncias de consci&#234;ncia e de intele&#231;&#227;o - de esp&#237;rito - constitutivas da pessoa sem no entanto constituir o seu n&#250;cleo. Pois se o intelecto depende do esp&#237;rito, &lt;i&gt;&#233;&lt;/i&gt; esp&#237;rito, ele n&#227;o poderia ser confundido com a alma, cujo n&#250;cleo vivo, a mais clara consci&#234;ncia, s&#243; est&#225; verdadeiramente activo neste enraizamento no C&#233;u - ou Reino do Alto.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A este n&#250;cleo da pessoa, Edith Stein deu-lhe sucessivamente - e a alguns anos de dist&#226;ncia - duas determina&#231;&#245;es: primeiramente, nas Beitr&#228;ge..., a da sensibilidade aos valores; depois aqui, a da capacidade de dom de si &#224;s aproxima&#231;&#245;es da Pessoa absoluta. Da primeira &#224; segunda f&#243;rmula tra&#231;a-se o caminho de uma &#233;tica para uma m&#237;stica, de Max Scheler a s&#227;o Jo&#227;o da Cruz.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Inaugurada, na sua tese de doutoramento de 1917, pela oposi&#231;&#227;o entre &lt;i&gt;Einsicht&lt;/i&gt; (&#171;intui&#231;&#227;o intelectual&#187;) e &lt;i&gt;Einf&#252;hlung&lt;/i&gt; (&#171;intui&#231;&#227;o - do valor - do outro&#187;), confirmada nas &lt;i&gt;Beitr&#228;ge&lt;/i&gt;... por aquela que ela definiu entre &#171;qualidades intelectuais&#187; e &#171;abertura aos valores&#187; ou &#171;disposi&#231;&#227;o a deixar-se guiar por eles&#187;, a distin&#231;&#227;o entre esp&#237;rito e alma vai tornar-se essencial. Entre os valores - te&#243;ricos ou pr&#225;ticos - do esp&#237;rito e da alma substancialmente espiritual, quer dizer sens&#237;vel j&#225; n&#227;o aos valores mas &#224;s inspira&#231;&#245;es da gra&#231;a, abre-se um desvio fundamental para a economia da pessoa. Por evid&#234;ncia, isso desloca o n&#250;cleo da pessoa para as profundezas propriamente exploradas pelos m&#237;sticos - mais perto do saber que do crer, &#233; preciso acrescentar.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O tema do esp&#237;rito, ainda claramente presente nas &lt;i&gt;Beitr&#228;ge&lt;/i&gt;..., onde essencialmente se trata das &#171;ci&#234;ncias do esp&#237;rito&#187;, j&#225; n&#227;o aparece quase nada, em &lt;i&gt;A Estrutura &#244;ntica...&lt;/i&gt;, a n&#227;o ser sob as esp&#233;cies da raz&#227;o: da raz&#227;o &lt;i&gt;natural&lt;/i&gt;. Assim como Pascal, falando da ordem dos esp&#237;ritos, a situa com os corpos na esfera da Natureza, tamb&#233;m aqui se distingue, no interior da ordem natural, entre os &lt;i&gt;corpos&lt;/i&gt; naturais e a &lt;i&gt;raz&#227;o&lt;/i&gt; natural; S&#227;o certamente concebidos como radicalmente distintos, mas o dom&#237;nio desta raz&#227;o &#171;natural&#187; n&#227;o constitui ainda uma esfera espiritual - uma esfera que equivale em Pascal &#224; ordem do cora&#231;&#227;o.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Se, nas &lt;i&gt;Beitr&#228;ge&lt;/i&gt;..., o termo &lt;i&gt;geistig&lt;/i&gt;, significa ainda essencialmente as pot&#234;ncias cognitivas distintas do n&#250;cleo da pessoa, em &lt;i&gt;Die ontische Struktur&lt;/i&gt;..., menos de dez anos mais tarde, &lt;i&gt;geistig&lt;/i&gt; significa &#171;espiritual&#187; no sentido de: o que &#171;irradia de um centro pessoal e que nele se encontra especificado&#187;.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Estes desvios sem&#226;nticos significam o progresso da an&#225;lise em dire&#231;&#227;o a uma &#171;ci&#234;ncia da alma&#187; cada vez mais marcada pelo caminho espiritual percorrido pela pr&#243;pria Edith Stein. Por isso n&#227;o &#233; de admirar que se encontrem em &lt;i&gt;A estrutura &#244;ntica&lt;/i&gt;... an&#225;lises que remontem &#224;s suas leituras de santa Teresa d'&#193;vila, e que se encontram expostas na &lt;i&gt;Seelenburg&lt;/i&gt; - texto que parcialmente retom&#225;mos no Anexo II deste volume.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Esta concep&#231;&#227;o cada vez mais espiritual da alma - como o centro mais remoto do Eu e como mais profunda capacidade de acolhimento do Esp&#237;rito de Deus - induz uma &#233;tica e uma espiritualidade perfeitamente especificadas. Os seus elementos essenciais s&#227;o: em primeiro lugar, as disposi&#231;&#245;es negativas internas da alma, como risco de queda no irracional, depois como ang&#250;stia que envolve toda a alma &#171;que nada protege&#187; - por conseguinte o sentido do pecado; em segundo lugar, a convers&#227;o &#224; luz e a participa&#231;&#227;o na obra da salva&#231;&#227;o pela caridade e pela ora&#231;&#227;o - at&#233; tocar problemas tamb&#233;m para n&#243;s atuais como os da salva&#231;&#227;o da natureza; em terceiro lugar, a apreens&#227;o da alma nos seus efeitos sobre o corpo - at&#233; uma teoria dos sacramentos dos quais um dos efeitos mais significativos foi o restabelecimento de um equil&#237;brio desfeito entre a alma e o corpo.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O conjunto destes elementos constitui o que se poderia chamar a carta pedag&#243;gica de Edith Stein. seja atrav&#233;s das suas p&#225;ginas sobre a educa&#231;&#227;o das jovens (&lt;i&gt;Werke&lt;/i&gt;, t. V, &lt;i&gt;Die Frau&lt;/i&gt;), ou atrav&#233;s do que deixam adivinhar a sua correspond&#234;ncia e determinados testemunhos dos seus alunos, vemos a pr&#225;tica pedag&#243;gica - no sentido escolar e espiritual - refletir e repercutir a an&#225;lise te&#243;rica. Tanto a caminhada espiritual como o contacto pr&#225;tico com esp&#237;ritos a formar e almas a guiar, n&#227;o s&#227;o estranhos &#224;s considera&#231;&#245;es filos&#243;ficas. O que &#233; uma esp&#233;cie de garantia de autenticidade arrisca-se evidentemente a ser criticado como uma aus&#234;ncia de rigor no m&#233;todo. Entre a psicologia e a espiritualidade, a filosofia tem por vezes alguma dificuldade em permanecer &#171;rigorosa&#187;; ou o rigor da disciplina pessoal corre, por momentos, o risco de se substituir &#224; do m&#233;todo filos&#243;fico.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;No decurso do cap&#237;tulo III, consagrado aos efeitos da gra&#231;a recebida e do trabalho de medita&#231;&#227;o que dela derivam, estabelece-se uma extensa passagem, de pensamento particularmente audacioso, que reenvia para preocupa&#231;&#245;es inesperadas e para um tema &#224; primeira vista estranho &#224; filosofia da pessoa. Trata-se de uma aparente digress&#227;o sobre a quest&#227;o da &lt;i&gt;substitui&#231;&#227;o&lt;/i&gt;: pode um homem substituir outro na rela&#231;&#227;o entre falta e puni&#231;&#227;o? e com que &lt;i&gt;direito&lt;/i&gt;? Sublinhamos &lt;i&gt;direito&lt;/i&gt;, pois de facto &#233; &#224; obra mais jur&#237;dica de Edith Stein, &#224;s suas considera&#231;&#245;es sobre o Estado, que ent&#227;o somos reenviados. Com efeito, numa extensa nota consagrada &#224; no&#231;&#227;o de falta&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt; [&lt;a href=&#034;#nb3-6&#034; class=&#034;spip_note&#034; rel=&#034;appendix&#034; title=&#034;Ver Do Estado, trad. Ph. Secretan, Paris, Ed. du Cerf, 1989, p.154 s.&#034; id=&#034;nh3-6&#034;&gt;6&lt;/a&gt;]&lt;/span&gt;, o nosso autor &#233; conduzido a distinguir entre falta jur&#237;dica e falta moral, a interroga-se sobre as formas de puni&#231;&#227;o relativas a estas situa&#231;&#245;es, sobre a rela&#231;&#227;o da pessoa com a puni&#231;&#227;o, sobre o significado da expia&#231;&#227;o, sobre a execu&#231;&#227;o da pena (e da recompensa em caso de m&#233;rito); enfim sobre a possibilidade de considerar o juiz humano &#171;jur&#237;dico&#187; como o representante do Juiz divino &#171;moral&#187;. Todas estas considera&#231;&#245;es visam em definitivo designar o que &#233; pr&#243;prio do direito, da esfera jur&#237;dica, apesar das suas not&#225;veis afinidades com a esfera moral e religiosa. Em &lt;i&gt;A Estrutura &#244;ntica&lt;/i&gt;... vemos afinar-se a problem&#225;tica anunciada em &lt;i&gt;Do Estado&lt;/i&gt; atrav&#233;s de uma pergunta: porque &#233; que a pena deve atingir o culpado (ou qualquer outra pessoa &#171;no seu lugar&#187;? Ela ser&#225; retomada aqui na perspectiva propriamente espiritual de uma imita&#231;&#227;o de Cristo. Substancialmente a pergunta &#233; ent&#227;o: &#233; essa a puni&#231;&#227;o ou a pena que o Salvador substituidamente aceitou em vez e no lugar de um outro, quer dizer do homem pecador?&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;N&#227;o h&#225; qualquer d&#250;vida de que os desenvolvimentos que interv&#234;m aqui t&#234;m por fundamento as rea&#231;&#245;es de Edith Stein, expressas no seu trabalho sobre o Estado, a determinadas teses de Dietrich von Hildebrand. Essas afinidades devem sublinhar-se para que a ontologia da pessoa que tratamos aqui apare&#231;a, o mais poss&#237;vel, no seu mais completo contexto. Tendo sido feita a tradu&#231;&#227;o de &lt;i&gt;Do Estado&lt;/i&gt; com os nossos cuidados, pode o leitor facilmente encontraras refer&#234;ncias a que fazemos alus&#227;o.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;No estudo que introduz a nossa tradu&#231;&#227;o deste &#250;ltimo texto t&#237;nhamos sido conduzidos a p&#244;r em paralelo o Eu do Estado e o Eu da Pessoa, mas precisamente na perspetiva de uma liberdade vazia: &#171;[...] o paralelismo, escrev&#237;amos n&#243;s, entre liberdade pessoal e soberania estadual permite &#034;compreender porque &#233; que se considera com mais boa vontade o Estado que o povo como uma &lt;i&gt;pessoa&lt;/i&gt;, ainda que em outros pontos de vista [...] o povo pare&#231;a mais pr&#243;ximo da personalidade individual&#034;. [...] para a pessoa [...] como para o Estado s&#243; h&#225; exist&#234;ncia, quer dizer vida e hist&#243;ria, dentro de uma realidade substancial: quanto &#224; pessoa o reino da Natureza e da Gra&#231;a, - quanto ao Estado, a comunidade popular &#224; qual ele d&#225; a sua forma estadual&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt; [&lt;a href=&#034;#nb3-7&#034; class=&#034;spip_note&#034; rel=&#034;appendix&#034; title=&#034;De L'Etat p. 13-14.&#034; id=&#034;nh3-7&#034;&gt;7&lt;/a&gt;]&lt;/span&gt;.&#187;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;No entanto o Eu n&#227;o &#233; a &#250;ltima f&#243;rmula da pessoa. &#201; em definitivo ao &lt;i&gt;indiv&#237;duo&lt;/i&gt; que Edith Stein confia, se assim se pode dizer, a dignidade da mais aut&#234;ntica personalidade; como se o Eu, o &lt;i&gt;ego&lt;/i&gt;, pudesse ainda n&#227;o ser mais que uma forma geral, uma ess&#234;ncia puramente intelig&#237;vel, um poss&#237;vel, enquanto que o indiv&#237;duo &#233; sempre real, existente. Ou como se o eu tivesse efetivamente um lado ainda objetivo ou objetiv&#225;vel - nomeadamente numa teoria da pessoa -, enquanto que a mais pura subjetividade, a do indiv&#237;duo, se tornava propriamente inef&#225;vel: &#171;Que a singularidade do homem - como a de cada pessoa espiritual - se distingue da particularidade das coisas impessoais, &#233; o que foi estabelecido. Isso est&#225; de acordo com o facto de a vida&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt; [&lt;a href=&#034;#nb3-8&#034; class=&#034;spip_note&#034; rel=&#034;appendix&#034; title=&#034;Quer dizer a exist&#234;ncia (N.d.T.).&#034; id=&#034;nh3-8&#034;&gt;8&lt;/a&gt;]&lt;/span&gt; brotar do Eu, e de ser entregue &#224; pessoa de uma maneira dupla: para se tornar consciente dela como posta &#224; parte de todas as outras, e para a formar livremente. Ora, vimos que o Eu n&#227;o deve ser pensado como sendo um simples &lt;i&gt;Eu puro&lt;/i&gt;; que este n&#227;o &#233; mais que uma forma de passagem, atrav&#233;s do qual a vida da pessoa humana sobe das profundezas da alma para a claridade da consci&#234;ncia. E o mais &#237;ntimo da alma, o que &#233; mais pr&#243;prio e espiritual da alma, n&#227;o &#233; incolor e sem forma, mas possui uma estrutura original: ela &#171;sente&#187; quando est&#225; pr&#243;xima dela mesma, reclinada sobre ela mesma. N&#227;o podemos apreend&#234;-la por um nome&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt; [&lt;a href=&#034;#nb3-9&#034; class=&#034;spip_note&#034; rel=&#034;appendix&#034; title=&#034;Dito de outra forma, uma categoria (N.d.T.).&#034; id=&#034;nh3-9&#034;&gt;9&lt;/a&gt;]&lt;/span&gt;, e ela n&#227;o &#233; compar&#225;vel a outras. N&#227;o pode ser analisada segundo as suas propriedades, os seus tra&#231;os de car&#225;cter, pois ela repousa mais fundo [...]. &#171;Sentimos&#187; igualmente a inefabilidade do seu ser sobre outros. &#201; o que, no mais fundo, nos &#171;atrai&#187; ou nos &#171;repugna&#187;. Podemos ent&#227;o sentir uma certa familiaridade. Mas o meu &lt;i&gt;g&#233;nero&lt;/i&gt;&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt; [&lt;a href=&#034;#nb3-10&#034; class=&#034;spip_note&#034; rel=&#034;appendix&#034; title=&#034;No texto, Art, quer dizer, aqui: a minha maneira de ser o meu estilo (n.d.T.).&#034; id=&#034;nh3-10&#034;&gt;10&lt;/a&gt;]&lt;/span&gt; e o do outro n&#227;o se deixam dividir entre o que &#233; comum e o que &#233; distinto. Neste sentido, devemos admitir que a diferen&#231;a ontol&#243;gica entre os indiv&#237;duos &#233; inapreens&#237;vel&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt; [&lt;a href=&#034;#nb3-11&#034; class=&#034;spip_note&#034; rel=&#034;appendix&#034; title=&#034;Endliches und Sein, em Werke, t. II, p. 458.&#034; id=&#034;nh3-11&#034;&gt;11&lt;/a&gt;]&lt;/span&gt;.&#187;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O que efectivamente devemos chamar individualismo de Edith Stein, que &#233; de facto a fina ponta &#171;existencial&#187; do seu personalismo, encontra na &lt;i&gt;Estrutura &#244;ntica&lt;/i&gt;... uma aplica&#231;&#227;o eclesiol&#243;gica completamente espantosa. Enquanto que se poderia imaginar que o problema da Igreja reproduz ao n&#237;vel espiritual os esquemas essenciais das rela&#231;&#245;es entre indiv&#237;duo e sociedade, ou entre indiv&#237;duo e comunidade, entre indiv&#237;duo e institui&#231;&#227;o, - que Edith Stein tinha estudado em &lt;i&gt;B&#235;itrage&lt;/i&gt;... e de que alguns elementos s&#227;o retomados no estudo sobre o Estado -, a sua compreens&#227;o da Igreja &#233; totalmente diferente. O indiv&#237;duo n&#227;o &#233; aquela parcela de humanidade isolada que tem necessidade dos outros, que se associa para sobreviver e para viver, que entra em comunidade - popular, nacional - para aderir a valores comuns e para viver um destino colectivo; o indiv&#237;duo &#233; precisamente esse inef&#225;vel comunicante com o Inef&#225;vel, respons&#225;vel perante Ele por todos os outros. Ou ainda: onde Jean-Paul Sartre via uma esp&#233;cie de responsabilidade orgulhosa impor a cada liberdade escolher por todos, Edith Stein - com a sua sensibilidade fenomenol&#243;gica purificada pela sua espiritualidade crist&#227; e em breve carmelita - reconhece na Igreja uma articula&#231;&#227;o original entre solid&#227;o e solidariedade: &#233; numa &#171;responsabilidade rec&#237;proca&#187; que ela v&#234; o poder formador da comunidade. Mas insistamos primeiro sobre o indiv&#237;duo : &#171;&#201; completamente espantoso ver como o que isola o homem e o conduz totalmente a ele mesmo - o que constitui a liberdade - ao mesmo tempo o liga indissoluvelmente a outros e funda uma verdadeira comunidade de destino. Ele &#233; respons&#225;vel pela sua salva&#231;&#227;o, pois n&#227;o o pode &#171;fazer&#187; sem a sua colabora&#231;&#227;o, e ningu&#233;m pode, no seu lugar, encarregar-se dela. E ao mesmo tempo &#233; respons&#225;vel pela salva&#231;&#227;o dos outros todos, e todos os outros s&#227;o respons&#225;veis pela sua [...]. Esta responsabilidade reciproca &#233;, no mais alto grau, formadora de comunidade, mais que todas as viv&#234;ncias que possam ser autenticamente comunit&#225;rias. &#232; sobre ela que a &lt;i&gt;Igreja&lt;/i&gt; repousa. No interior da Igreja, h&#225; viv&#234;ncias coletivas de todas as esp&#233;cies: cultos, recolhimentos, obras de caridade, etc. Mas n&#227;o &#233; a isso que a Igreja deve a sua exist&#234;ncia. Ela deve-a a isto, que o indiv&#237;duo se ponha na presen&#231;a de Deus; gra&#231;as ao frente a frente e &#224; permuta da liberdade humana e da Liberdade divina, &#233;-lhe dada a for&#231;a de estar l&#225; por todos; e &#233; este &lt;i&gt;Um por todos, todos por um&lt;/i&gt; que faz a Igreja&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt; [&lt;a href=&#034;#nb3-12&#034; class=&#034;spip_note&#034; rel=&#034;appendix&#034; title=&#034;A Estrutura &#244;ntica...&#034; id=&#034;nh3-12&#034;&gt;12&lt;/a&gt;]&lt;/span&gt;&#187;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Este estilo de responsabilidade aparenta-se evidentemente com a teoria da substitui&#231;&#227;o; e &#233; sem d&#250;vida no cruzamento destas duas inspira&#231;&#245;es que &#233; preciso situar Edith Stein participante no holocausto do povo judeu do pr&#243;prio fundo da sua espiritualidade crist&#227;.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;As p&#225;ginas sobre a vida propriamente religiosa, constitutiva da pessoa, sobre o pecado e a gra&#231;a, sobre a Igreja e a f&#233;, s&#227;o outros tantos documentos que apontam para a literatura teol&#243;gica e m&#237;stica. Retivemos do coment&#225;rio do &lt;i&gt;Castelo da alma&lt;/i&gt; e da &lt;i&gt;Ci&#234;ncia da Cruz&lt;/i&gt; unicamente o que tem a ver com a pessoa. N&#227;o julg&#225;mos necess&#225;rio traduzir, do primeiro texto, o que &#233; essencialmente uma par&#225;frase de Teresa d' &#193;vila. Pareceu-nos que um resumo das etapas desta arquitetura espiritual, dos contrafortes &#224; c&#226;mara nupcial, seria suficiente para apreender as impressionantes similitudes entre a an&#225;lise ainda fenomenol&#243;gica, ritmada pelos temas da atitude na&#237;ve-natural, do &lt;i&gt;Ego&lt;/i&gt; solit&#225;rio, e da necessidade de uma &lt;i&gt;Lebenswelt&lt;/i&gt;, e o que j&#225;, nas profundezas, est&#225; em resson&#226;ncia com a ci&#234;ncia m&#237;stica da alma.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Por outro lado, pareceu justo retirar da &lt;i&gt;Ci&#234;ncia da Cruz&lt;/i&gt; uma passagem importante sobre o Eu; isso permite ver como, tanto na obedi&#234;ncia ao texto dos C&#226;nticos, como na fidelidade de uma minuciosa &#171;c&#243;pia&#187;, a inspira&#231;&#227;o pr&#243;pria torna-se presenta, e com ela uma obra assumida desde as suas origens. De facto, dissemo-lo suficientemente: em vez de privilegiar a ideia de uma rutura entre filosofia e vida de f&#233;, ver entre fenomenologia e filosofia crist&#227;, &#233; preciso insistir sobre a firme continuidade que liga &lt;i&gt;Einf&#252;hlung&lt;/i&gt; &#224; ci&#234;ncia da Cruz. &lt;i&gt;A Estrutura &#244;ntica&lt;/i&gt;... &#233; n&#227;o apenas uma marca disso, mas sem d&#250;vida a mais clara testemunha.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Quanto aos efeitos da introdu&#231;&#227;o da filosofia tomista na trama desta filosofia da consci&#234;ncia e da alma, ainda n&#227;o se mediram a amplitude nem o impacto. Um trabalho s&#233;rio fica para fazer - ou mais exatamente para continuar, pois M. Florent Gaboriau&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt; [&lt;a href=&#034;#nb3-13&#034; class=&#034;spip_note&#034; rel=&#034;appendix&#034; title=&#034;F. GABORIAU, Edith Stein philosophe, Paris, FAC &#201;ditions, 1989.&#034; id=&#034;nh3-13&#034;&gt;13&lt;/a&gt;]&lt;/span&gt; deu-nos o exemplo de uma leitura atenta e inteligentemente cr&#237;tica das rela&#231;&#245;es de Edith Stein com s&#227;o Tom&#225;s e o tomismo do seu tempo.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;i&gt;Ser Finito e Ser Eterno&lt;/i&gt; &#233; efetivamente o lugar de um enriquecimento da ontologia (fixada pela fenomenologia sobre a ess&#234;ncia intelig&#237;vel, sobre o poss&#237;vel principal); A tradu&#231;&#227;o de &lt;i&gt;de Veritate&lt;/i&gt; - cujas dificuldades foram talvez ocultadas pelos elogios do P. Erich Prywara - exigiria um exame que se dirigisse ao mesmo tempo &#224; qualidade da tradu&#231;&#227;o e &#224;s afinidades, t&#227;o sens&#237;veis na obra de Edith Stein, entre a tem&#225;tica da vida do esp&#237;rito e a das vias da intelig&#234;ncia. As quest&#245;es do &lt;i&gt;ser&lt;/i&gt; e do &lt;i&gt;esp&#237;rito&lt;/i&gt; foram sem d&#250;vida apreendias em profundidade pelo encontro com s&#227;o Tom&#225;s, e devido a isso s&#227;o os pontos que podem levar aos mais deplor&#225;veis desprezos ou &#224;s mais not&#225;veis distor&#231;&#245;es de sentido... Mas o que &#233; da alma, desse centro da alma que &#233; o cora&#231;&#227;o? Aqui delineia-se qualquer coisa de inating&#237;vel - na pr&#243;pria Edith Stein. Mas ent&#227;o, o que &#233; de uma ci&#234;ncia do inating&#237;vel? &#171;Ci&#234;ncia do al&#233;m?&#187; pergunta inquieto Florent Gaboriau, a respeito da filosofia.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A publica&#231;&#227;o deste tratado sobre a pessoa n&#227;o tem apenas por objetivo alimentar a discuss&#227;o filos&#243;fica &#224; volta da obra de Edith Stein. Perguntar-se-&#225; tamb&#233;m o que possibilita a estes textos conservarem um vigor e uma frescura perfeitamente not&#225;veis. Primeiramente sem d&#250;vida a proximidade da pr&#243;pria pessoa do autor; ela revela-se a&#237; talvez mais que em qualquer outro lado. &#201; verdadeiramente da sua pessoa que ela fala. Digamos que se trata de um autorretrato estilizado por meio de um utens&#237;lio filos&#243;fico.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Em segundo lugar, este texto permite-nos , no momento em que sofremos um esbatimento cont&#237;nuo da no&#231;&#227;o de pessoa, reencontrar a sua densidade. E se tiv&#233;ssemos de endurecer indevidamente a oposi&#231;&#227;o, largamente perdida de vista, entre &#171;pessoa&#187; e &#171;indiv&#237;duo&#187;, seria igualmente necess&#225;rio lembrar que h&#225; uma &#171;eminente dignidade&#187; do indiv&#237;duo: que a individualidade n&#227;o &#233; feita apenas de um ego&#237;smo fechado sobre si, altivo ou vaidoso, arrogante ou indiferente ao outro. &lt;i&gt;Individuum&lt;/i&gt; pode ser o belo nome de uma reflexividade teoc&#234;ntrica, mesmo que se tenha feito dele o sinal retiro por defini&#231;&#227;o egoc&#234;ntrico.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Creio que esta no&#231;&#227;o, certamente n&#227;o habitual, de &#171;reflexividade teoc&#234;ntrica&#187; est&#225; apta a situar bem Edith Stein, e atrav&#233;s dela o seu conceito de pessoa. A reflexividade &#233; o pr&#243;prio movimento de constitui&#231;&#227;o da pessoa. Reflex&#227;o, liberdade, consci&#234;ncia, Eu, s&#227;o todos juntos os sinais de uma mesma realidade. Filosofia reflexiva, certamente; mas filosofia n&#227;o mais antropoc&#234;ntrica ou egoc&#234;ntrica, mas teoc&#234;ntrica. O que n&#227;o significa um abandono da reflexividade em nome, por exemplo, de uma &#171;intui&#231;&#227;o do ser&#187; (para falar como Jacques Maritain), mas a necessidade de conduzir o trabalho de an&#225;lise da alma at&#233; ao ponto de converg&#234;ncia com temas que for&#231;osamente v&#234;m existencialmente e teoricamente da m&#237;stica.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Todo o discurso sobre os direitos do homem, a pessoa humana, e a pr&#225;tica que ele subtende &#233; indispens&#225;vel e urgente. Mas muitas vezes ele ainda &#233; ligado a uma ideia da dignidade da pessoa que que se arrisca fortemente a aparecer como uma fraude, a partir do momento em que se torna demasiado vis&#237;vel que o pr&#243;prio homem &#233; o pior inimigo desta &#171;pretendida&#187; dignidade. Ou ent&#227;o fixa-se o seu &#171;lugar&#187; na alma, nas profundezas da alma, nos abismos da consci&#234;ncia e muitas vezes da inconsci&#234;ncia, num centro inviol&#225;vel que n&#227;o se limita &#224; &#171;esfera pessoal&#187; das nossas curtas sociologias e das nossas morais friorentas. A dignidade da pessoa n&#227;o est&#225; no direito de recusar o teste da sida - para s&#243; tomar um exemplo, atualmente muito falado. Ela est&#225; no interc&#226;mbio do Esp&#237;rito que d&#225; e do esp&#237;rito que recebe: na for&#231;a que torna um homem capaz de se reerguer de onde uma comum indol&#234;ncia tinha feito dele o ser &#171;agitado de impress&#245;es a rea&#231;&#245;es&#187; - que Edith Stein descreve no come&#231;o do livro - no extremo aquele que at&#233; o instinto j&#225; n&#227;o ret&#233;m diante dos perigos da droga e dos vergonhosos lugares de morte.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&#201; perante a nossa impot&#234;ncia em conceptualizar a verdadeira dignidade que devemos aprender a escutar as vozes extintas ou vivas, e particularmente a de Edith Stein. Voz sufocada h&#225; cinquenta anos&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt; [&lt;a href=&#034;#nb3-14&#034; class=&#034;spip_note&#034; rel=&#034;appendix&#034; title=&#034;Ou melhor, h&#225; setenta e quatro, &#224; data da publica&#231;&#227;o desta tradu&#231;&#227;o (&#8230;)&#034; id=&#034;nh3-14&#034;&gt;14&lt;/a&gt;]&lt;/span&gt;, mas que a escrita - felizmente traduz&#237;vel, reprodut&#237;vel, repet&#237;vel - ret&#233;m na sua for&#231;a e no seu brado. Voz inolvid&#225;vel a partir do momento em que ela ressoou em n&#243;s, nessas profundezas de onde ela surgiu e ela mesma se elevou, como uma melodia e como um grito.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Devo exprimir os meus agradecimentos a Jean-Christophe Merle, que quis muito encarregar-se da tradu&#231;&#227;o das passagens selecionadas de &lt;i&gt;Seelenburg&lt;/i&gt; e que reviu as tradu&#231;&#245;es j&#225; existentes: as das passagens tomadas de &lt;i&gt;Ser finito e Ser eterno&lt;/i&gt; e de &lt;i&gt;Ci&#234;ncia da Cruz&lt;/i&gt;. Como para a publica&#231;&#227;o de &lt;i&gt;Fenomenologia e filosofia crist&#227;&lt;/i&gt;, as tradu&#231;&#245;es existentes foram trabalhadas com vista &#224; maior unidade poss&#237;vel do estilo e da melhor harmoniza&#231;&#227;o do vocabul&#225;rio. Que os respetivos Editores encontrem aqui a express&#227;o da nossa gratid&#227;o pela sua am&#225;vel compreens&#227;o.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; PHILIBERT SECRETAN&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;
		&lt;hr /&gt;
		&lt;div class='rss_notes'&gt;&lt;div id=&#034;nb3-1&#034;&gt;
&lt;p&gt;&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt;[&lt;a href=&#034;#nh3-1&#034; class=&#034;spip_note&#034; title=&#034;Notas 3-1&#034; rev=&#034;appendix&#034;&gt;1&lt;/a&gt;] &lt;/span&gt;a presente vers&#227;o portuguesa foi feita a partir desta tradu&#231;&#227;o editada por Les &#201;ditions du Cerf, 1992, Paris.&lt;/p&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div id=&#034;nb3-2&#034;&gt;
&lt;p&gt;&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt;[&lt;a href=&#034;#nh3-2&#034; class=&#034;spip_note&#034; title=&#034;Notas 3-2&#034; rev=&#034;appendix&#034;&gt;2&lt;/a&gt;] &lt;/span&gt;&lt;i&gt;Werke&lt;/i&gt;, t. VI, Ed. Nauwelaerts (louvain) e Herder (Fribourg-en-Brisgau), 1962, p. XVII e XVIII.&lt;/p&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div id=&#034;nb3-3&#034;&gt;
&lt;p&gt;&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt;[&lt;a href=&#034;#nh3-3&#034; class=&#034;spip_note&#034; title=&#034;Notas 3-3&#034; rev=&#034;appendix&#034;&gt;3&lt;/a&gt;] &lt;/span&gt;Ver o Anexo II.&lt;/p&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div id=&#034;nb3-4&#034;&gt;
&lt;p&gt;&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt;[&lt;a href=&#034;#nh3-4&#034; class=&#034;spip_note&#034; title=&#034;Notas 3-4&#034; rev=&#034;appendix&#034;&gt;4&lt;/a&gt;] &lt;/span&gt;Respectivamente: Ed. Max Niemeyer, T&#252;bingen, 1970; &lt;i&gt;Werke&lt;/i&gt;, t. VI e &lt;i&gt;Werke&lt;/i&gt; , t. I.&lt;/p&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div id=&#034;nb3-5&#034;&gt;
&lt;p&gt;&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt;[&lt;a href=&#034;#nh3-5&#034; class=&#034;spip_note&#034; title=&#034;Notas 3-5&#034; rev=&#034;appendix&#034;&gt;5&lt;/a&gt;] &lt;/span&gt;Sobre Heidegger visto por Edith Stein, ver &lt;i&gt;Fenomenologia e filosofia crist&#227;&lt;/i&gt;, trad. Ph. Secretan, Paris, Ed. du Cerf, 1987, chap. VI.&lt;/p&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div id=&#034;nb3-6&#034;&gt;
&lt;p&gt;&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt;[&lt;a href=&#034;#nh3-6&#034; class=&#034;spip_note&#034; title=&#034;Notas 3-6&#034; rev=&#034;appendix&#034;&gt;6&lt;/a&gt;] &lt;/span&gt;Ver Do Estado, trad. Ph. Secretan, Paris, Ed. du Cerf, 1989, p.154 s.&lt;/p&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div id=&#034;nb3-7&#034;&gt;
&lt;p&gt;&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt;[&lt;a href=&#034;#nh3-7&#034; class=&#034;spip_note&#034; title=&#034;Notas 3-7&#034; rev=&#034;appendix&#034;&gt;7&lt;/a&gt;] &lt;/span&gt;De L'Etat p. 13-14.&lt;/p&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div id=&#034;nb3-8&#034;&gt;
&lt;p&gt;&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt;[&lt;a href=&#034;#nh3-8&#034; class=&#034;spip_note&#034; title=&#034;Notas 3-8&#034; rev=&#034;appendix&#034;&gt;8&lt;/a&gt;] &lt;/span&gt;Quer dizer a exist&#234;ncia (N.d.T.).&lt;/p&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div id=&#034;nb3-9&#034;&gt;
&lt;p&gt;&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt;[&lt;a href=&#034;#nh3-9&#034; class=&#034;spip_note&#034; title=&#034;Notas 3-9&#034; rev=&#034;appendix&#034;&gt;9&lt;/a&gt;] &lt;/span&gt;Dito de outra forma, uma categoria (N.d.T.).&lt;/p&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div id=&#034;nb3-10&#034;&gt;
&lt;p&gt;&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt;[&lt;a href=&#034;#nh3-10&#034; class=&#034;spip_note&#034; title=&#034;Notas 3-10&#034; rev=&#034;appendix&#034;&gt;10&lt;/a&gt;] &lt;/span&gt;No texto, &lt;i&gt;Art&lt;/i&gt;, quer dizer, aqui: a minha maneira de ser o meu estilo (n.d.T.).&lt;/p&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div id=&#034;nb3-11&#034;&gt;
&lt;p&gt;&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt;[&lt;a href=&#034;#nh3-11&#034; class=&#034;spip_note&#034; title=&#034;Notas 3-11&#034; rev=&#034;appendix&#034;&gt;11&lt;/a&gt;] &lt;/span&gt;Endliches und Sein, em Werke, t. II, p. 458.&lt;/p&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div id=&#034;nb3-12&#034;&gt;
&lt;p&gt;&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt;[&lt;a href=&#034;#nh3-12&#034; class=&#034;spip_note&#034; title=&#034;Notas 3-12&#034; rev=&#034;appendix&#034;&gt;12&lt;/a&gt;] &lt;/span&gt;A Estrutura &#244;ntica...&lt;/p&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div id=&#034;nb3-13&#034;&gt;
&lt;p&gt;&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt;[&lt;a href=&#034;#nh3-13&#034; class=&#034;spip_note&#034; title=&#034;Notas 3-13&#034; rev=&#034;appendix&#034;&gt;13&lt;/a&gt;] &lt;/span&gt;F. GABORIAU, &lt;i&gt;Edith Stein philosophe&lt;/i&gt;, Paris, FAC &#201;ditions, 1989.&lt;/p&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div id=&#034;nb3-14&#034;&gt;
&lt;p&gt;&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt;[&lt;a href=&#034;#nh3-14&#034; class=&#034;spip_note&#034; title=&#034;Notas 3-14&#034; rev=&#034;appendix&#034;&gt;14&lt;/a&gt;] &lt;/span&gt;Ou melhor, h&#225; setenta e quatro, &#224; data da publica&#231;&#227;o desta tradu&#231;&#227;o portuguesa (N.d.T.P.).&lt;/p&gt;
&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;
		
		</content:encoded>


		

	</item>
<item xml:lang="pt">
		<title>Da Pessoa - cap&#237;tulo 1</title>
		<link>http://luz-da-sabedoria-divina.com/spip.php?article126</link>
		<guid isPermaLink="true">http://luz-da-sabedoria-divina.com/spip.php?article126</guid>
		<dc:date>2017-02-28T19:57:34Z</dc:date>
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		<description>
&lt;p&gt;A vida ps&#237;quica na&#237;ve-natural &#233; um jogo de impress&#245;es e de reac&#231;&#245;es, em cont&#237;nua mudan&#231;a. A alma recebe impress&#245;es do exterior: do mundo em que evolui o sujeito da vida ps&#237;quica e que o sujeito recebe e percebe intelectualmente como um objecto; estas impress&#245;es p&#245;em a alma em movimento, e assim se formam nela atitudes diversas relativamente ao mundo: assombro ou espanto, admira&#231;&#227;o ou desprezo, amor ou &#243;dio, temor ou esperan&#231;a, alegria ou tristeza, etc. Mas igualmente vontade e ac&#231;&#227;o. (&#8230;)&lt;/p&gt;


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&lt;a href="http://luz-da-sabedoria-divina.com/spip.php?rubrique98" rel="directory"&gt;Da Pessoa &lt;/a&gt;


		</description>


 <content:encoded>&lt;div class='rss_texte'&gt;&lt;p&gt;A vida ps&#237;quica na&#237;ve-natural &#233; um jogo de&lt;i&gt; impress&#245;es&lt;/i&gt; e de &lt;i&gt;reac&#231;&#245;es&lt;/i&gt;, em cont&#237;nua mudan&#231;a. A alma recebe impress&#245;es do exterior: do mundo em que evolui o sujeito da vida ps&#237;quica e que o sujeito recebe e percebe intelectualmente como um objecto; estas impress&#245;es p&#245;em a alma em movimento, e assim se formam nela atitudes diversas relativamente ao mundo: assombro ou espanto, admira&#231;&#227;o ou desprezo, amor ou &#243;dio, temor ou esperan&#231;a, alegria ou tristeza, etc. Mas igualmente &lt;i&gt;vontade&lt;/i&gt; e &lt;i&gt;ac&#231;&#227;o&lt;/i&gt;. Resumimos tudo isso sob o t&#237;tulo de &lt;i&gt;reac&#231;&#245;es&lt;/i&gt;, e relativamente aos &#250;ltimos exemplos _ querer e agir _ fala-se geralmente de &lt;i&gt;actividade&lt;/i&gt;. N&#227;o sem raz&#227;o, pois em todas estas atitudes a alma est&#225; em movimento, em ac&#231;&#227;o; e no querer e agir esta ac&#231;&#227;o n&#227;o permanece nela, mas repercute-se l&#225; fora e contribui para formar e transformar o mundo exterior.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Se virmos as coisas de um ponto mais profundo, justifica-se que consideremos como &lt;i&gt;passiva&lt;/i&gt; toda esta engrenagem de atitudes naturais. E ao mesmo tempo diremos que elas &lt;i&gt;n&#227;o s&#227;o livres&lt;/i&gt;. Pois falta a todos estes movimentos o serem regulados a partir de um ultimo centro interior.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O sujeito ps&#237;quico &#233; conduzido a partir do exterior e n&#227;o se auto-controla. Ora tanto uma como a outra capacidade - auto-controlar-se e regular os seus pr&#243;prios movimentos - conferem uma marca caracter&#237;stica &#224; actividade e &#224; liberdade. A actividade passiva, a reac&#231;&#227;o como forma fundamental, caracteriza o estado &lt;i&gt;animal&lt;/i&gt; da vida ps&#237;quica. Isso n&#227;o exclui que certas atitudes suscept&#237;veis de se inscreverem nesta forma fundamental sejam irrealiz&#225;veis no interior da vida ps&#237;quica animal.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&#192; vida ps&#237;quica na&#237;ve-natural opomos uma vida ps&#237;quica de estrutura essencialmente diferente, que chamamos &lt;i&gt;liberta&lt;/i&gt; (termo que precisa de alguns esclarecimentos): a vida da alma que n&#227;o &#233; movida do exterior, mas que &#233; &lt;i&gt;conduzida do alto&lt;/i&gt;. O &lt;i&gt;do alto&lt;/i&gt; &#233; ao mesmo tempo um &lt;i&gt;do interior&lt;/i&gt;. Pois ser elevada ao reino do Alto significa para a alma que ela est&#225; totalmente implantada em si. E inversamente: ela n&#227;o pode estar solidamente estabelecida em si se ela n&#227;o for elevada acima de si - precisamente no reino do Alto. Assim reconduzida a si mesma e ancorada no Alto, ela &#233; &lt;i&gt;pacificada&lt;/i&gt;; resgatada das impress&#245;es do mundo, ela j&#225; n&#227;o lhe &#233; entregue sem defesa. &#201; a isso que chamamos &lt;i&gt;liberta&lt;/i&gt;.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O sujeito ps&#237;quico liberto, assim como o sujeito natural-na&#237;ve, acolhe o mundo com a sua intelig&#234;ncia. Ele recebe tamb&#233;m na sua alma as impress&#245;es do mundo. Mas a alma n&#227;o &#233; movida imediatamente por essas impress&#245;es. Ela acolhe-as a partir desse centro, onde ela est&#225; ancorada no Alto; as suas tomadas de posi&#231;&#227;o partem desse centro e s&#227;o-lhe ditadas do Alto. Tal &#233; a &lt;i&gt;complei&#231;&#227;o&lt;/i&gt; espiritual dos &lt;i&gt;filhos de Deus&lt;/i&gt;. A sua liberdade &#233; a &lt;i&gt;liberdade do crist&#227;o&lt;/i&gt;; n&#227;o &#233; aquela outra liberdade que acab&#225;mos de tratar. Atrav&#233;s desta est&#225;-se liberto do mundo. O g&#233;nero de atitude que corresponde a esta liberdade &#233; por sua vez uma &lt;i&gt;actividade passiva&lt;/i&gt;, mas de uma outra esp&#233;cie que a do &lt;i&gt;reino da natureza&lt;/i&gt;. Os processos da vida ps&#237;quica natural permanecem afastados do centro, onde a liberdade tem o seu lugar e a actividade a sua fonte. A partir deste centro, a alma orienta a sua escuta para o alto, recebe as mensagens do alto, e &lt;i&gt;submissa&lt;/i&gt;, deixa-se conduzir por elas. A actividade cessa na sua pr&#243;pria fonte, no pr&#243;prio lugar da liberdade n&#227;o &#233; feito qualquer uso da liberdade.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Depara-mo-nos aqui com mais do que uma dificuldade. &lt;i&gt;A actividade &#233; suspensa&lt;/i&gt; - esta suspens&#227;o n&#227;o &#233;, ela pr&#243;pria, um acto? &lt;i&gt;N&#227;o se faz qualquer uso da liberdade&lt;/i&gt; - n&#227;o &#233; esse ainda um acto livre, o de renunciar &#224; liberdade? Se assim fosse, n&#227;o significaria isso que a vida liberta pressup&#245;e a liberdade? Seria preciso ser livre para ser liberto. Seria preciso conter-se para se poder desprender. N&#227;o se poderia viver de uma forma na&#237;ve no &lt;i&gt;reino da gra&#231;a&lt;/i&gt;, quer dizer no reino do Alto.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Examinemos primeiro este &#250;ltimo ponto. Haver&#225; uma inser&#231;&#227;o origin&#225;ria no reino da gra&#231;a que corresponderia &#224; vida inocente-natural no mundo? &#201; assim que seria necess&#225;rio imaginar a vida do homem &#237;ntegro antes da queda. E igualmente assim a vida dos anjos, dos esp&#237;ritos que servem Deus&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt; [&lt;a href=&#034;#nb4-1&#034; class=&#034;spip_note&#034; rel=&#034;appendix&#034; title=&#034;O que os distingue n&#227;o nos interessa aqui.&#034; id=&#034;nh4-1&#034;&gt;1&lt;/a&gt;]&lt;/span&gt;. A vontade divina atravessa-os no seu centro e produz imediatamente os seus efeitos. Eles s&#227;o submissos sem se submeterem. A sua obedi&#234;ncia n&#227;o sup&#245;e qualquer ren&#250;ncia, nem qualquer uso da liberdade. Nenhum &lt;i&gt;uso&lt;/i&gt; da liberdade, mas sim a pr&#243;pria liberdade. A obedi&#234;ncia &#233; insepar&#225;vel da &lt;i&gt;possibilidade&lt;/i&gt; de desobedecer, mesmo se de facto nunca se tiver de escolher ou resistir. Os servidores de Deus s&#243; podem ser esp&#237;ritos livres. Instrumentos cegos podem operar segundo leis que a sua Vontade prescreve, mas esta n&#227;o pode agir com vitalidade atrav&#233;s deles. Do mesmo modo apenas existem seres livres que possam ser libertos. Mas esta liberta&#231;&#227;o pode ser inocente, quer dizer que ela n&#227;o &#233; necessariamente obtida por um acto livre.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Isso s&#243; &#233; necess&#225;rio quando se tratasse de um ser que, inscrito no reino da natureza, fosse entregue &#224; vida natural-na&#237;ve. O sujeito destinado a passar do reino da natureza para o reino da gra&#231;a, deve realizar esta passagem de uma forma livre; nada pode passar-se ou fazer-se sem a sua participa&#231;&#227;o. Entre o reino da natureza e o da gra&#231;a, encontra-se o reino da liberdade&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt; [&lt;a href=&#034;#nb4-2&#034; class=&#034;spip_note&#034; rel=&#034;appendix&#034; title=&#034;Veremos imediatamente que isso n&#227;o &#233; um reino stricto sensu.&#034; id=&#034;nh4-2&#034;&gt;2&lt;/a&gt;]&lt;/span&gt;. O centro da actividade, do qual a vida natural-inocente fica afastada, a partir do qual a alma se pode ancorar no Alto, &#233; em si e enquanto tal exterior aos dois reinos. O sujeito livre - a &lt;i&gt;pessoa&lt;/i&gt; - &#233; enquanto tal inteiramente exposto ao vazio. Ele possui-se a si mesmo e pode mover-se em todas as direc&#231;&#245;es; e no entanto, dotado desta liberdade absoluta, ele est&#225; completamente fixado em si e condenado &#224; imobilidade. Pois o seu Si est&#225; totalmente vazio e s&#243; &#233; cheio pelos dons do reino ao qual ele se abandona em virtude da sua liberdade.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&#201; pois pouco poss&#237;vel falar de um &lt;i&gt;reino&lt;/i&gt; da liberdade, visto que este reino n&#227;o tem dimens&#245;es e resume-se a um ponto. A pessoa, tomada &lt;i&gt;unicamente&lt;/i&gt; como sujeito livre, n&#227;o &#233; capaz de nenhum movimento da alma; toda a sua vida ps&#237;quica se desenrola num reino que tem espa&#231;o, e a alma deve encontrar a rela&#231;&#227;o com um tal reino para se poder manifestar nele. Para estar &#224; altura de fazer qualquer coisa da sua liberdade, o sujeito livre deve pois renunciar a ela - pelo menos parcialmente; para ter alma e vida, deve ligar-se a um reino. O destino da pessoa decide-se &#224; volta da quest&#227;o do que sacrifica da sua liberdade e do que conserva dela, em vista de qu&#234; oferece o que sacrifica e que uso faz da liberdade.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&#201; evidente que a pessoa n&#227;o pode subtrair-se ao reino da natureza sem se ligar a um outro reino. Retirar-se sobre si nunca pode significar que a pessoa se apoia inteira e exclusivamente em si mesma, como parece poss&#237;vel enquanto n&#227;o for considerado o vazio que constitui o sujeito puramente livre&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt; [&lt;a href=&#034;#nb4-3&#034; class=&#034;spip_note&#034; rel=&#034;appendix&#034; title=&#034;&#201; por isso que os anjos que usam a sua liberdade e querem recusar servir o (&#8230;)&#034; id=&#034;nh4-3&#034;&gt;3&lt;/a&gt;]&lt;/span&gt;. Enquanto n&#227;o se fixar num outro reino, deve ficar parcialmente ligado ao reino das natureza. &#201; o que acontece quando se passa da vida natural-naive para a vida &lt;i&gt;aut&#225;rcica&lt;/i&gt;. A vida ps&#237;quica natural-naive - que &#233; de estrutura animal - &#233; descentrada. O acesso &#224; estrutura pessoal p&#245;e em cena a posi&#231;&#227;o central, sobre a qual o sujeito ps&#237;quico pode livremente organizar-se e tomar estatura de pessoa. Materialmente, esta mudan&#231;a de estrutura n&#227;o adiciona nada &#224; vida ps&#237;quica. O que distingue essencialmente o est&#225;dio animal e a pessoa, &#233; que esta pode - &lt;i&gt;pode&lt;/i&gt;, mas n&#227;o deve - receber as impress&#245;es ps&#237;quicas e reagir-lhes a partir desse centro. Os comportamentos que ao n&#237;vel animal estas impress&#245;es espontaneamente desencadeiam, a pessoa pode &lt;i&gt;aceit&#225;-los&lt;/i&gt; ou &lt;i&gt;recus&#225;-los&lt;/i&gt;, pode livremente coloc&#225;-los em ac&#231;&#227;o ou subtrair-se a eles. A este n&#237;vel, tornam-se poss&#237;veis actos livres, dos quais o animal n&#227;o &#233; capaz. Estes actos, que em princ&#237;pio s&#243; podem efectuar-se na base de tomadas de posi&#231;&#227;o, devem precisamente o seu conte&#250;do material a este fundamento, sobre o qual eles se constroem. Estes actos que representam a vida pr&#243;pria do sujeito enquanto tal&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt; [&lt;a href=&#034;#nb4-4&#034; class=&#034;spip_note&#034; rel=&#034;appendix&#034; title=&#034;Reconhecemos-lhe a capacidade de aceitar ou de recusar tomadas de posi&#231;&#227;o.&#034; id=&#034;nh4-4&#034;&gt;4&lt;/a&gt;]&lt;/span&gt;, s&#227;o t&#227;o vazios quanto o pr&#243;prio sujeito, e tanto quanto ele precisam de ser carregados de riquezas colhidas algures.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;As ac&#231;&#245;es activas da pessoa aut&#225;rcica n&#227;o s&#227;o portanto materialmente diferentes das ac&#231;&#245;es passivas da esfera ps&#237;quica da qual ela adquire a mestria. Ela &lt;i&gt;disp&#245;e&lt;/i&gt; desta esfera, mas apenas dela. O que &#233; poss&#237;vel neste dom&#237;nio, ela pode ger&#225;-lo a seu contento. A sua actividade consiste em escolher entre o que &#233; poss&#237;vel. Certamente ela pode reprimir certas reac&#231;&#245;es ps&#237;quicas, ocasionalmente ou &lt;i&gt;sistematicamente&lt;/i&gt;, ou favorecer outras e &lt;i&gt;cultiv&#225;-las&lt;/i&gt;, e assim trabalhar na forma&#231;&#227;o do seu &lt;i&gt;car&#225;cter&lt;/i&gt;. Tais s&#227;o a autonomia e a &lt;i&gt;auto-educa&#231;&#227;o&lt;/i&gt; das quais ela &#233; capaz. &lt;i&gt;Ultrapassar-se a si mesmo&lt;/i&gt;, quer dizer transformar radicalmente o Eu natural e preench&#234;-lo com um conte&#250;do novo: disso, a pessoa &#233; por princ&#237;pio incapaz por ela pr&#243;pria.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A &lt;i&gt;livre disposi&#231;&#227;o&lt;/i&gt; que ela tem da sua esfera ps&#237;quica natural p&#245;e ainda outros problemas. Entre os poss&#237;veis que a ela se apresentam, ela pode escolher a &lt;i&gt;seu total contento&lt;/i&gt;. Esta escolha pode ser perfeitamente arbitr&#225;ria, ou obedecer a um princ&#237;pio. No primeiro caso, examinaremos ainda o que se deve entender por &#034;arbitr&#225;rio&#034;. No segundo caso, devemos perguntar-nos de onde tira a pessoa o princ&#237;pio de selec&#231;&#227;o. Um arbitr&#225;rio ilimitado significaria que a pessoa se decide &lt;i&gt;sem raz&#227;o&lt;/i&gt;. Ela pode simplesmente deixar agir os mecanismos da vida ps&#237;quica e &lt;i&gt;aceit&#225;-los&lt;/i&gt; globalmente. Este seria o uso m&#237;nimo que ela poderia fazer da sua liberdade, e ao mesmo tempo o menos perigoso. Pois que a vida ps&#237;quica natural &#233; regida por uma raz&#227;o escondida; ela est&#225; submetida a leis que o sujeito ignora e &#224;s quais - enquanto vida inocente - ela obedece cegamente. Se a pessoa se desprende do percurso natural da vida ps&#237;quica e se prende ora a isto ora aquilo, sem ter um fio director que a conduza &#224; decis&#227;o, ela cai &lt;i&gt;abaixo do n&#237;vel animal&lt;/i&gt;; a sua vida ps&#237;quica torna-se ca&#243;tica. Enquanto que em virtude da sua liberdade &#233; capaz de um &lt;i&gt;olhar&lt;/i&gt; racional, cai por abuso de liberdade numa irracionalidade radical.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Comparada com isto, a vida ps&#237;quica da pessoa que escolhe segundo princ&#237;pios seguros entre os poss&#237;veis naturais, aparece de novo como um cosmos. Como um mundo cujas leis n&#227;o s&#227;o seguidas cegamente, mas s&#227;o escolhidas livremente e inteligentemente cumpridas. Para isso, n&#227;o &#233; necess&#225;rio que a pessoa transgrida - materialmente - a sua esfera ps&#237;quica natural (o que em regime de autarcia seria totalmente incapaz de fazer). Basta que fa&#231;a uso da sua liberdade para se &lt;i&gt;conhecer a si pr&#243;pria&lt;/i&gt; - quer dizer a estrutura da sua vida ps&#237;quica e as leis que a regem.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O conhecimento no sentido estrito (ou, mais exactamente, o trabalho intelectual que a ele conduz) &#233; autenticamente uma actividade, e como tal, s&#243; um sujeito livre &#233; capaz dela. Um sujeito inocente pode, em grande medida, receber informa&#231;&#245;es e saber, mas n&#227;o pode conhecer. Como todos os actos livres, as opera&#231;&#245;es racionais s&#227;o completamente vazias e devem o seu conte&#250;do ao substratos das quais por princ&#237;pio dependem (neste caso, s&#227;o em &#250;ltima an&#225;lise informa&#231;&#245;es). Em virtude da sua liberdade, a pessoa &#233; pois capaz de penetrar cognitivamente na sua pr&#243;pria vida ps&#237;quica e descobrir as leis a que ela obedece. Al&#233;m disso, pode escolher entre aquelas, e designar algumas a que decide ent&#227;o obedecer exclusivamente. Isso &#233; poss&#237;vel porque as leis da raz&#227;o - ao contr&#225;rio das leis da natureza - n&#227;o &lt;i&gt;necessitam&lt;/i&gt;, mas &lt;i&gt;motivam&lt;/i&gt;, e s&#243; funcionam como leis naturais no quadro de uma vida ps&#237;quica em que o sujeito n&#227;o &#233; livre, ou n&#227;o faz qualquer uso da sua liberdade.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A vida ps&#237;quica da pessoa, cognitivamente esclarecida e guiada, eleva-se assim acima da vida animal - precisamente porque ela se desenvolve &#224; luz do conhecimento. N&#227;o se deveria de qualquer forma sobrestimar esta luz. Ao lado do verdadeiro conhecimento, o erro &#233; um resultado poss&#237;vel das livres opera&#231;&#245;es da raz&#227;o. A raz&#227;o cognitiva pode enganar-se e desencaminhar a pessoa que a segue; nesse caso os princ&#237;pios que ela adopta para a sua vida ps&#237;quica n&#227;o t&#234;m mais que as apar&#234;ncias enganadoras da raz&#227;o, e esta mesma vida ps&#237;quica ser&#225; certamente ordenada e esclarecida, e portanto &lt;i&gt;n&#227;o razo&#225;vel&lt;/i&gt;, e enquanto tal inferior &#224; vida ps&#237;quica animal.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O perigo de cair no irracional n&#227;o cessa de espreitar a pessoa que se agarra &#224; sua liberdade e que quer ser o seu pr&#243;prio mestre. A sua vida espiritual torna-se especificamente exposta, desprotegida.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Se ela quiser manter a sua alma abrigada e assim seguramente ganh&#225;-la, &#233; necess&#225;rio que ela encontre o contacto com um outro reino para l&#225; do da natureza. No reino da natureza, a alma n&#227;o se possui. O animal vagabundeia e em nenhum lado est&#225; em sua casa. Est&#225; constantemente entregue ao que o rodeia, ao que toma posse dele e o for&#231;a a sair de si. N&#227;o lhe &#233; poss&#237;vel barricar-se; a sua alma n&#227;o &#233; uma fortaleza na qual ele se possa refugiar. A pessoa que se estabelece no reino da natureza tem a possibilidade de se fechar &#224;quilo que a solicita do exterior. Mas enquanto ela s&#243; tiver a sua liberdade como basti&#227;o, s&#243; o pode fazer esvaziando-se constantemente a si mesma e esgotando-se a libertar-se. Apenas num novo reino a sua alma pode encontrar uma plenitude e tornar-se assim a sua pr&#243;pria morada.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;H&#225; v&#225;rias possibilidades de se encher de um conte&#250;do novo. A pessoa pode ligar-se a um esp&#237;rito que transcende a natureza, que lhe d&#225; novas for&#231;as, diferentes das da natureza, e que eventualmente a torna capaz, gra&#231;as a essas for&#231;as, de tomar uma posi&#231;&#227;o dominante no reino da natureza. Examinaremos ent&#227;o duas coisas: a nova rela&#231;&#227;o com o reino da natureza, e a rela&#231;&#227;o desta pessoa com o esp&#237;rito ao qual se ligou. Esta rela&#231;&#227;o assegura-lhe uma posi&#231;&#227;o fora da natureza; uma posi&#231;&#227;o que - por oposi&#231;&#227;o &#224; liberdade pura - &#233; verdadeiramente estabelecida. A&#237; ela pode fixar-se, a partir de a&#237; ela pode receber as impress&#245;es que lhe chegam da natureza, e responder-lhes atrav&#233;s de reac&#231;&#245;es que j&#225; n&#227;o prov&#234;m necessariamente das possibilidades inscritas no reino da natureza. Ela est&#225; assim propriamente livre relativamente &#224; natureza. Mas estar&#225; ela verdadeiramente &lt;i&gt;libertada&lt;/i&gt;, no sentido descrito mais acima, e estar&#225; junto &lt;i&gt;dela mesma&lt;/i&gt;? Nada o garante. Tudo depende do esp&#237;rito com o qual ela fez o contracto, e do que significa esse &lt;i&gt;contracto&lt;/i&gt;.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Em primeiro lugar, &lt;i&gt;esp&#237;rito&lt;/i&gt; &#233; um termo ambivalente, e &lt;i&gt;deve&lt;/i&gt; ser tomado neste duplo sentido. Significa por um lado uma &lt;i&gt;pessoa&lt;/i&gt; espiritual, e por outro uma &lt;i&gt;esfera&lt;/i&gt;. As rela&#231;&#245;es que se podem estabelecer entre uma pessoa espiritual e uma esfera espiritual s&#227;o de dois g&#233;neros: por um lado, toda a esfera espiritual emana de uma pessoa (eventualmente de uma pluralidade de pessoas) e esta &#233; o seu centro, por outro lado uma pessoa pode estar integrada numa esfera que n&#227;o emana dela. O que n&#243;s cham&#225;vamos o reino do Alto ou da Gra&#231;a &#233; a esfera espiritual que emana de Deus. Os anjos s&#227;o pessoas que nele se inscrevem &lt;i&gt;por natureza&lt;/i&gt;.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Atendendo a isso, &lt;i&gt;ligar-se a um esp&#237;rito&lt;/i&gt; tem igualmente um duplo sentido. Isso quer dizer: introduzir-se numa esfera espiritual e deixar-se encher dela. E quer igualmente dizer: submeter-se &#224; pessoa que &#233; o centro dessa esfera. Ora isso pode eventualmente fazer-se pela media&#231;&#227;o de uma pessoa que j&#225; pertence a essa esfera e &#224; qual a outra se submete sem que, no entanto, ela constitua o centro. &#201; assim que se pode ser cheio do esp&#237;rito do Alto, quer dizer encontrar o contacto com o reino da Gra&#231;a, se se segue um santo sem se ser directa e imediatamente submetido a Deus.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Aquele que, procurando ligar-se ao novo reino se submete ao esp&#237;rito deste &#250;ltimo, pode faz&#234;-lo sob a forma de uma submiss&#227;o no sentido estrito: por meio de um acto livre, P&#245;e-se ao servi&#231;o desta esfera e do seu Senhor. Mas isso pode fazer-se de outra forma, como no caso que nos serviu de exemplo: a saber que um homem procura fixar-se fora da natureza para poder domin&#225;-la. Naquelas lendas em que s&#227;o apresentados casos deste g&#233;nero - Pr&#243;spero&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt; [&lt;a href=&#034;#nb4-5&#034; class=&#034;spip_note&#034; rel=&#034;appendix&#034; title=&#034;Personagem principal da pe&#231;a de Shakespeare &#034;A Tempestade&#034;. O mago Pr&#243;spero, (&#8230;)&#034; id=&#034;nh4-5&#034;&gt;5&lt;/a&gt;]&lt;/span&gt;, Fausto&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt; [&lt;a href=&#034;#nb4-6&#034; class=&#034;spip_note&#034; rel=&#034;appendix&#034; title=&#034;Personagem principal de uma pe&#231;a de Goethe. O Dr. Fausto faz um pacto com o (&#8230;)&#034; id=&#034;nh4-6&#034;&gt;6&lt;/a&gt;]&lt;/span&gt; -, a situa&#231;&#227;o parece antes inversa. Estas personagens, em vez de elas pr&#243;prias se submeterem, parecem procurar p&#244;r ao seu servi&#231;o esp&#237;ritos capazes de dominar a natureza. Mas isso n&#227;o passa de uma apar&#234;ncia. O homem s&#243; pode entrar em contacto com esp&#237;ritos exteriores &#224; natureza ligando-se - &lt;i&gt;implicitamente&lt;/i&gt; - &#224; sua esfera e deixando-se impregnar por eles. Mas &#233; poss&#237;vel que devido ao comportamento desses esp&#237;ritos, isso lhe seja ocultado. O Senhor da esfera no qual ele &#233; recebido pode &lt;i&gt;excepcionalmente&lt;/i&gt; submeter-se &#224; sua vontade - por exemplo dominando as for&#231;as da natureza &lt;i&gt;em vez dele&lt;/i&gt; - e assim - ench&#234;-lo secretamente do seu esp&#237;rito. Ou pode ficar escondido, e enviar esp&#237;ritos do seu reino encarregando-os de se p&#244;r ao servi&#231;o do homem. O homem acredita que eles lhe est&#227;o submetidos, enquanto que na realidade eles obedecem ao seu Senhor, e assim p&#245;em o homem ao servi&#231;o deste Mestre.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Quando, desta maneira, o homem se estabelece num reino exterior &#224; natureza, n&#227;o ganha a sua alma nem regressa a si. O esp&#237;rito que assim o atrai ao seu reino procura precisamente tomar posse da sua alma e ench&#234;-lo do &lt;i&gt;seu&lt;/i&gt; esp&#237;rito. N&#227;o lhe deixa espa&#231;o para a sua pr&#243;pria vida. A sua servid&#227;o &#233; pior que no estado de natureza. O homem inocente n&#227;o &#233; livre, no sentido em que est&#225; constantemente exposto &#224;s impress&#245;es exteriores e que a sua vida se esgota em reac&#231;&#245;es. Ora, estas s&#227;o ainda as &lt;i&gt;suas&lt;/i&gt; reac&#231;&#245;es. Em compensa&#231;&#227;o, aquele que &#233; &lt;i&gt;possu&#237;do&lt;/i&gt; por um esp&#237;rito mau j&#225; n&#227;o reage &#224; sua pr&#243;pria maneira, torna-se estrangeiro para ele mesmo; a sua alma &#233; dominada por este esp&#237;rito que age atrav&#233;s dela. Cair num reino cujo mestre &#233; &#225;vido de almas para as poder dominar, n&#227;o pode, portanto, jamais significar que se encontrou a paz. A alma &#233; continuamente expulsa para fora dela pr&#243;pria e n&#227;o encontra lugar onde repousar.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O exemplo caracter&#237;stico que escolhemos mostrava como &#233; poss&#237;vel que se seja preso num tal reino. Aquele que procura posicionar-se fora da natureza para poder domin&#225;-la, permanece referido a ela. Procura-se a si mesmo, mas apenas no sentido do Eu &lt;i&gt;livre&lt;/i&gt;. Quer ter um ponto de apoio para a sua actividade. N&#227;o se preocupa em pacificar a sua &lt;i&gt;alma&lt;/i&gt; e de nela se refugiar. Tamb&#233;m n&#227;o encontra nenhuma morada para ela. Procurando dominar, cair&#225; na mais profunda servid&#227;o.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A alma s&#243; pode encontrar-se a si mesma e encontrar a paz num reino em que ela procura o Senhor n&#227;o para ele mesmo mas para ela mesma. Devido a esta plenitude n&#227;o exigente mas superabundante e infinitamente generosa, chamamos-lhe o reino da Gra&#231;a. E o reino do Alto, porque ser acolhido nele significa ser elevado. Ambas as determina&#231;&#245;es correspondem ao olhar de quem as v&#234; de baixo e relativamente a si. Se quisermos dar-lhe um nome que o designe puramente em si mesmo, segundo a sua ess&#234;ncia interna, dever&#237;amos dizer: O reino da Luz. Quando a gra&#231;a exerce a sua ac&#231;&#227;o na alma, esta &#233; cheia do que lhe conv&#233;m perfeitamente, e s&#243; a ela.Esta plenitude cumula-a. O que doravante chegar at&#233; ela do exterior n&#227;o pode - como no estado de natureza - entrar nela sem deten&#231;&#227;o. Certamente, h&#225; recep&#231;&#227;o, mas a resposta a este influxo vem da plenitude da alma.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&#201; poss&#237;vel penetrar mais neste mist&#233;rio? Tentamos fazer isso perguntando como pode acontecer que uma pessoa que perten&#231;a ao reino da natureza entre em rela&#231;&#227;o com um outro reino - e mais particularmente com o reino da gra&#231;a.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Na natureza, todos os seres animados mant&#234;m entre eles, e de uma maneira modificada igualmente com os seres inanimados, uma rela&#231;&#227;o origin&#225;ria. Enquanto que tal, todo o ser animado &#233; entregue a tudo o que est&#225; compreendido na unidade da natureza, de uma maneira tal que dela recebe impress&#245;es e que a elas reage segundo leis que caracterizamos como leis racionais que operam na sombra. Trata-se de um ser sem liberdade pessoal, ele &#233; entregue sem defesa &#224;s impress&#245;es e &#224;s reac&#231;&#245;es e encerrado nas conex&#245;es da natureza sem possibilidade alguma de se libertar delas e de as transcender. Trata-se de uma pessoa dotada n&#227;o apenas de uma alma, mas de uma vida espiritual livre, como &#233; o caso do homem no reino da natureza, tem a possibilidade de se subtrair a impress&#245;es e de se recusar a certas reac&#231;&#245;es. A isso corresponde, como experi&#234;ncia &lt;i&gt;positiva&lt;/i&gt;, o facto de o esp&#237;rito n&#227;o ser obtusamente submetido a impress&#245;es, mas - na sua atitude de origem - estar &lt;i&gt;aberto&lt;/i&gt; a um mundo que a ele se apresenta visivelmente. Enquanto que tal, o esp&#237;rito est&#225; na luz.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Nenhum ser livre e espiritual est&#225; inteiramente fechado no reino da natureza. A liberdade de se subtrair ao jogo natural das reac&#231;&#245;es d&#225;-lhe a possibilidade de ter uma posi&#231;&#227;o fora da natureza, ou mais precisamente: leva-lhe testemunho. E a abertura de esp&#237;rito &#233; &lt;i&gt;em princ&#237;pio&lt;/i&gt; universal. Tudo o que &#233; vis&#237;vel, ele pode v&#234;-lo. Tudo o que &#233; um objecto pode ser colocado diante dele. Na realidade, certamente, cada esp&#237;rito individual n&#227;o tem um campo de vis&#227;o ilimitado. O facto dele estar ligado a um fundo natural, sobre o qual ele se eleva, significa ao mesmo tempo que o seu olhar est&#225; fixo sobre o reino no qual est&#225; imerso. Mas este entrave pode soltar-se. Um ser livre tem a possibilidade de se libertar disso e de ver para l&#225; da esfera natural.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Ora isso s&#243; pode acontecer se at&#233; ele chegar qualquer coisa da esfera &#224; qual ele quereria ligar-se. A sua liberdade permite-lhe levar o seu olhar a esferas long&#237;nquas , ou de se fechar a elas. Mas somente para o caso de a ele &lt;i&gt;se oferecerem&lt;/i&gt; espontaneamente. N&#227;o saberia conquistar o que n&#227;o se oferece a ele. O homem n&#227;o pode apanhar a gra&#231;a a n&#227;o ser que ela o apanhe. S&#243; pode sucumbir ao mal se for tentado pelo mal. Como ser puramente natural, situa-se para l&#225; do bem e do mal. Estas duas possibilidades s&#243; existem para ele se transcender a natureza.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&#201; preciso perguntar-mo-nos se &#233; &lt;i&gt;apenas&lt;/i&gt; a sua liberdade que o coloca fora da natureza. Se a abertura origin&#225;ria do esp&#237;rito se encontra limitada devido &#224; sua rela&#231;&#227;o com um ser natural, e se s&#243; se apresenta a ele &lt;i&gt;espontaneamente&lt;/i&gt; aquilo que a ele est&#225; ligado enquanto ser natural - n&#227;o deve haver uma liga&#231;&#227;o com as esferas nas quais ele deve irromper, que corresponde aos la&#231;os naturais? Ou esta rela&#231;&#227;o significa apenas que a natureza se exp&#245;e perante ele, sem que dele para ela, e dela para ele, haja mat&#233;ria para preocupa&#231;&#227;o?&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Outras esferas poderiam - e precisamente gra&#231;as &#224; abertura universal do esp&#237;rito - tornar-se-lhe pr&#243;ximas, mas apenas a favor de uma aflu&#234;ncia activa vinda de ambas as partes. A natureza n&#227;o &lt;i&gt;faz apelo&lt;/i&gt; a um tal esfor&#231;o, e ela n&#227;o seria &lt;i&gt;capaz&lt;/i&gt; disso, pois ela n&#227;o constitui uma esfera espiritual e n&#227;o emana de um centro pessoal, de onde s&#243; pode proceder uma actividade. A segunda possibilidade parece plaus&#237;vel. No entanto, apenas se se tratar de uma conquista &lt;i&gt;espiritual&lt;/i&gt; de novas esferas, de uma tomada de conhecimento destas. E n&#227;o se devesse suceder que a alma fosse ao mesmo tempo recebida num reino estrangeiro. Enquanto o homem apenas receber a esfera estrangeira por meio do esp&#237;rito, &#233; poss&#237;vel que, quanto &#224; alma, permane&#231;a separada, da mesma forma que pode conhecer e reconhecer a natureza fechando-se completamente a ela. Tornar manifesto ao esp&#237;rito n&#227;o &#233; equivalente &#224; infus&#227;o na alma. Pode acontecer que o esp&#237;rito veja e que alma fique vazia. Mas enquanto o esp&#237;rito do novo reino n&#227;o encher a alma, esta n&#227;o pode tomar posi&#231;&#227;o nele. Quanto a saber como esta infus&#227;o &#233; poss&#237;vel, a quest&#227;o est&#225; ainda sem resposta.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O mal n&#227;o poderia aproximar-se do homem se n&#227;o tivesse nele uma morada origin&#225;ria. O homem liga-se livremente a ele quando sucumbe &#224; tenta&#231;&#227;o. Esta &#171;liga&#231;&#227;o&#187;, que n&#227;o &#233; uma simples apreens&#227;o intelectual, mas um abandono espiritual, s&#243; &#233; poss&#237;vel se aquilo a que o homem se liga j&#225; se introduziu nele. Ora s&#243; entra na alma aquilo que lhe &#233; conforme. Ela n&#227;o &#233; aberta a tudo e a todos, como o esp&#237;rito o pode ser. Pode portanto parecer que ela pertence de uma forma id&#234;ntica aos diversos reinos no seio dos quais pode desenvolver-se. Parece incompreens&#237;vel que ela possa sentir-se em casa mais num do que noutros e pergunta-mo-nos porque &#233; que - ao inv&#233;s do reino da Natureza - &#233; preciso uma abertura particular para neles se introduzir. Se na origem a alma a alma n&#227;o pertence mais a uns que a outros, porque n&#227;o pode ela ser igualmente por todos os lados estimulada a reagir? Em primeiro lugar: pertencer &lt;i&gt;originariamente&lt;/i&gt; a todos n&#227;o significa pertencer a todos &lt;i&gt;da mesma maneira&lt;/i&gt;. O que est&#225; na natureza est&#225; unicamente nela. Estar ligado a tudo o que pertence &#224; natureza significa, quanto &#224; alma, simplesmente que ela pode receber &#171;estimula&#231;&#245;es&#187; externas. Nada do que parte de l&#225; pode entrar nela. E ela pr&#243;pria for totalmente &#171;natureza&#187;, o que significa: surdamente fechada nela pr&#243;pria, absolutamente nada pode entrar nela. Vimos que apesar disso ela n&#227;o est&#225; em sua casa, pois a sua vida esgota-se em reac&#231;&#245;es a &lt;i&gt;solicita&#231;&#245;es&lt;/i&gt; externas. Ela n&#227;o chega a dar livremente vida ao que vive nela.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;S&#243; a alma espiritualmente desperta est&#225; aberta ao ponto de poder receber alguma coisa nela. E o que nela se derrama &#233; ainda de ordem espiritual. A alma s&#243; pode realmente instalar-se nas esferas espirituais, e n&#227;o na natureza. &#201; certo que at&#233; agora n&#227;o fal&#225;mos da &lt;i&gt;natureza&lt;/i&gt; neste sentido. Quando se tratava de &lt;i&gt;reac&#231;&#245;es naturais&lt;/i&gt;, n&#227;o nos fic&#225;vamos pela vida ps&#237;quica surda, mas vis&#225;vamos ao mesmo tempo qualquer coisa que se encontra igualmente na vida espiritual. Entre as impress&#245;es e as reac&#231;&#245;es, h&#225; rela&#231;&#245;es que designamos como o termo &lt;i&gt;lei da raz&#227;o&lt;/i&gt;. Ora, esta raz&#227;o - j&#225; o dissemos - umas vezes governa de uma maneira oculta outras vezes manifesta-se claramente e torna-se vis&#237;vel acerca das impress&#245;es e das reac&#231;&#245;es. As leis racionais apoderam-se do conte&#250;do das impress&#245;es e das reac&#231;&#245;es independentemente do tema da vida do esp&#237;rito na qual se operam estas reac&#231;&#245;es. N&#227;o h&#225; nenhuma necessidade de um &lt;i&gt;esp&#237;rito particular&lt;/i&gt;, de uma esfera particularmente qualificada, para que possam exercer o seu imp&#233;rio. Na medida em que a vida do esp&#237;rito se desenrola sob a forma da motiva&#231;&#227;o, quer dizer sob a forma de &lt;i&gt;respostas&lt;/i&gt; &#224;s impress&#245;es conformes &#224; raz&#227;o, o sujeito &#171;espiritual&#187; est&#225; submetido &#224;s leis da raz&#227;o t&#227;o espontaneamente que todos os processos naturais obedecem &#224;s leis naturais. E tendo em conta esta subordina&#231;&#227;o evidente, pode-se falar de um segundo reino da natureza, ou mais exactamente de um reino da &lt;i&gt;raz&#227;o natural&lt;/i&gt;. Parece in&#250;til sublinhar que entre a natureza no sentido pr&#243;prio e esta &lt;i&gt;natureza espiritual&lt;/i&gt; subsiste uma diferen&#231;a radical. Isso ressalta claramente do precedente.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Despertando para a liberdade de esp&#237;rito, o sujeito encontra-se no reino da raz&#227;o natural. Este mesmo despertar, bem como a sua perten&#231;a a este reino e a tend&#234;ncia a comportar-se conforme as suas leis, n&#227;o s&#227;o ainda um efeito da liberdade. Existe, no entanto, mesmo uma liberdade no lugar dessa tend&#234;ncia e de todas as leis racionais particulares concretas. O sujeito &lt;i&gt;pode&lt;/i&gt; sempre ir de encontro &#224;quilo que lhe &#233; conforme. Quanto mais ele se encontra consciente disso e mais uso disso ele faz, menos ele &#233; &lt;i&gt;integrado&lt;/i&gt; no reino da raz&#227;o. N&#227;o mais, com efeito, que na natureza especificada, n&#227;o se encontra aqui verdadeiro repouso. O que precisamente permite entrar neste reino - a liberdade de esp&#237;rito - exclui dele num mesmo tempo o sujeito e o campo sobre o seu pr&#243;prio solo. O reino da raz&#227;o n&#227;o &#233; uma esfera espiritual que emana dum centro pessoal e que nele se encontra qualificado. &#201; apenas nestas esferas que a alma pode realmente ser recolhida, e s&#243; se pode atingi-las transgredindo a liberdade. Esta entrada &#233; um acto livre, atrav&#233;s do qual a alma cede ao esp&#237;rito desta esfera que procura apropriar-se dela, e a ele se d&#225;; assim ele pode tomar posse dela e ela pode escolher domic&#237;lio no seu reino.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Permanece a quest&#227;o de se saber porque &#233; que a alma pode pertencer mais verdadeiramente a uma esfera espiritual que a outra. Diz&#237;amos n&#243;s que para poder entrar na alma, o mal deve ter nela uma morada de origem. N&#227;o seria pois uma pot&#234;ncia exterior que toma posse dela, como nos tinha parecido? A tenta&#231;&#227;o n&#227;o a assalta do exterior; ela descobre-a nela, que apenas espera ser legitimada por um acto livre. O Tentador aborda Cristo do exterior. Mas n&#227;o encontra nenhuma porta de entrada. Cristo &lt;i&gt;n&#227;o entra em tenta&#231;&#227;o&lt;/i&gt; e n&#227;o tem necessidade de se defender dela: Ele apenas a apanha para lhe dar uma boa resposta. Assim ele revela a tenta&#231;&#227;o enquanto tal e mostra como conv&#233;m enfrent&#225;-la.&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt; [&lt;a href=&#034;#nb4-7&#034; class=&#034;spip_note&#034; rel=&#034;appendix&#034; title=&#034;A edi&#231;&#227;o alem&#227; assinala que Edith Stein tinha riscado esta passagem com (&#8230;)&#034; id=&#034;nh4-7&#034;&gt;7&lt;/a&gt;]&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Por si s&#243; o homem n&#227;o &#233; capaz de reconhecer a tenta&#231;&#227;o que nele age, nem de lhe resistir. Naquele que n&#227;o est&#225; &lt;i&gt;justificado pela f&#233;&lt;/i&gt;, &#233; por assim dizer um acaso se n&#227;o peca, mas resiste &#224; tenta&#231;&#227;o. N&#227;o &#233; ent&#227;o o pecado na sua qualidade pr&#243;pria que ele rejeita, mas - na medida em que se trata de uma recusa &lt;i&gt;motivada&lt;/i&gt; e ponderada -&lt;i&gt; o que&lt;/i&gt; &#233; pecaminoso, o que cont&#233;m esta qualidade &#171;pecado&#187;, devido a um valor negativo que, vindo de algures, o afecta real ou aparentemente. o facto da tenta&#231;&#227;o s&#243; pode manifestamente produzir-se numa alma que abriga o bem e o mal. &#192;quele que est&#225; cheio de Deus, a tenta&#231;&#227;o n&#227;o pode atingi-lo. Aquele que est&#225; inteiramente repleto de mal n&#227;o tem em que basear uma escolha contra o mal. A livre recusa de um pressup&#245;e sempre o outro, para nele se apoiar.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Se &#233; pois preciso que o mal tenha feito morada na alma para que ela possa ser tentada, como &#233; poss&#237;vel que ela pr&#243;pria n&#227;o tenha nele igualmente a sua morada? Em primeiro lugar, h&#225; diferen&#231;as entre apresentar um ponto fraco &#224; tenta&#231;&#227;o, ser tentado e ter cedido &#224; tenta&#231;&#227;o. &#201; apenas no &#250;ltimo caso que a alma &#233; colocada sob a marca do mal, que &#233; submetida ao seu imp&#233;rio, de tal maneira que o esp&#237;rito do mal pode nela dar entrada. Ora, diz&#237;amos n&#243;s que este esp&#237;rito agia a partir dela, e que j&#225; n&#227;o &#233; ela que reage, de uma maneira natural, &#224;s impress&#245;es que recebe. &#201; da &lt;i&gt;ordem natural&lt;/i&gt; das coisas que a reac&#231;&#245;es correspondam impress&#245;es que lhe s&#227;o coordenadas segundo leis racionais. H&#225; coisa &lt;i&gt;agrad&#225;veis&lt;/i&gt;; outras s&#227;o &lt;i&gt;detest&#225;veis&lt;/i&gt;. Gostar do que &#233; agrad&#225;vel, detestar o que &#233; detest&#225;vel, todos o fazem naturalmente. Al&#233;m disso, h&#225; diferen&#231;as individuais na forma de gostar ou de detestar, e na disposi&#231;&#227;o para estas paix&#245;es. Ora, detestar o que &#233; agrad&#225;vel n&#227;o &#233; &lt;i&gt;natural&lt;/i&gt;, mas especificamente diab&#243;lico; e isso, s&#243; o &lt;i&gt;Mau&lt;/i&gt; o pode fazer, ou algu&#233;m de que o Maligno tenha tomado posse. As suas reac&#231;&#245;es j&#225; n&#227;o se explicam por raz&#245;es naturais nem por tra&#231;os de car&#225;cter, mas unicamente pelo esp&#237;rito do Mal. O &#243;dio &#233; a reac&#231;&#227;o espec&#237;fica do Maligno, ou mais exactamente o acto espiritual espec&#237;fico pelo qual o Mal pode e tem necessariamente de se difundir segundo o seu ser material&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt; [&lt;a href=&#034;#nb4-8&#034; class=&#034;spip_note&#034; rel=&#034;appendix&#034; title=&#034;Ver a nota 3.&#034; id=&#034;nh4-8&#034;&gt;8&lt;/a&gt;]&lt;/span&gt;. O mal &#233; um fogo devorador. Se permanecesse fixado em si, teria de se devorar a si mesmo. &#201; por isso que, eternamente impelido para a frente, tem de procurar um dom&#237;nio onde possa estabelecer-se; e tudo aquilo de que ele toma posse &#233; tomado desta mesma agita&#231;&#227;o e lan&#231;ado fora. &#201; por isso que a alma, quando se entregou ao Mal, n&#227;o est&#225; junto dela mesma, e ent&#227;o n&#227;o est&#225; em sua casa neste reino.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Consideremos agora a rela&#231;&#227;o da alma com o reino da Gra&#231;a. Tamb&#233;m a gra&#231;a, para que a alma possa assenhorar-se livremente dela, j&#225; deve estar activa na alma; e para poder ser eficaz, deve j&#225; encontrar acesso nela. E tal como o faz o esp&#237;rito do Mal, tamb&#233;m o esp&#237;rito da Luz, o &lt;i&gt;santo&lt;/i&gt; Esp&#237;rito, provoca na alma de que ele toma posse uma trans-forma&#231;&#227;o das suas reac&#231;&#245;es naturais. H&#225; reac&#231;&#245;es que ele exclui, mesmo quando elas seriam naturais: &#243;dio, esp&#237;rito de vingan&#231;a, etc. H&#225; actos espirituais e disposi&#231;&#245;es ps&#237;quicas que s&#227;o as formas espec&#237;ficas da sua vida actual: amor, piedade, perd&#227;o, felicidade, paz. Mant&#234;m-se quando n&#227;o parecem j&#225; n&#227;o ter motiva&#231;&#227;o natural. &#201; por isso que &lt;i&gt;a paz de Deus est&#225; para l&#225; de toda a raz&#227;o&lt;/i&gt;. E &#233; por isso que o Reino de Deus deve ser uma &lt;i&gt;loucura&lt;/i&gt; para os que est&#227;o fora dele. O esp&#237;rito de Luz &#233; na sua ess&#234;ncia uma plenitude superabundante, uma riqueza perfeita nunca diminu&#237;da. Ele n&#227;o irradia pela sua incapacidade de ficar junto de si _ ao irradiar, permanece junto de si e conserva-se a si mesmo. E no que ele enche, ele permanece e isso permanece nele. A alma que o recebe fica repleta dele e ela guarda-o junto dela, mesmo quando ela o difunde ao seu redor; e quanto mais ela o irradia, mais ela fica junto dele. Assim pode encontrar nele uma verdadeira morada. Mas o que se passa ent&#227;o com a sua individualidade? N&#227;o &#233; destru&#237;da quando as reac&#231;&#245;es naturais s&#227;o suspensas; e n&#227;o &#233; ela mesma impedida de viver por si mesma quando o esp&#237;rito novo entra na alma e nela governa? &#201; disso que se trata na palavra sobre a morte pela qual a vida se ganha, sobre a avers&#227;o &#224; sua pr&#243;pria alma, etc.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Na realidade, n&#227;o h&#225; nenhuma d&#250;vida de que a alma, quando &lt;i&gt;renasce do Esp&#237;rito&lt;/i&gt;, sofre uma transforma&#231;&#227;o radical. A vida em que ela se exprimia a si mesma e dava curso ao seu temperamento &#233; interrompida. Primeiramente desaparece dela, &#224; medida que a gra&#231;a se derrama, aquilo que expunha ao mal zonas de fraqueza _ que no entanto faziam parte dela. Depois diminui a liga&#231;&#227;o &#224; raz&#227;o natural e &#224;s reac&#231;&#245;es que ela prescreve. E no entanto, o que chamamos a &lt;i&gt;individualidade&lt;/i&gt;, o mais pr&#243;prio da alma, n&#227;o &#233; apagado. A individualidade n&#227;o &#233; uma disposi&#231;&#227;o para determinadas reac&#231;&#245;es, nem uma faculdade ps&#237;quica. Ela conserva-se por &lt;i&gt;detr&#225;s&lt;/i&gt; de todas as &lt;i&gt;disposi&#231;&#245;es&lt;/i&gt; e reac&#231;&#245;es naturais. Onde elas estiverem presentes, imprime-lhes o seu selo, mas &#233; independente delas e n&#227;o desaparece com elas.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Todo o &lt;i&gt;car&#225;cter&lt;/i&gt; de uma pessoa, quer dizer a totalidade das disposi&#231;&#245;es naturais especificadas pela sua individualidade ps&#237;quica, pode ser destru&#237;do; a alma pode ser arrancada a este fundamento natural do qual e com o qual ela se edificou, e no entanto conservar a sua individualidade. Esta individualidade &#233; &lt;i&gt;intangibilis&lt;/i&gt;. O que entra na alma e o que dela sobressai &#233; impregnada disso. Mesmo a gra&#231;a &#233; recebida &lt;i&gt;&#224; sua pr&#243;pria maneira&lt;/i&gt;. A sua individualidade n&#227;o &#233; afastada pelo esp&#237;rito de Luz, pelo contr&#225;rio, une-se a ele e recebe dele um &lt;i&gt;novo nascimento&lt;/i&gt;. Pois que a alma s&#243; vive plena e puramente o seu ser pr&#243;prio na medida em que permanecer junto dela mesma. Em todas as suas reac&#231;&#245;es, ela n&#227;o vive apenas o que ela &#233;, mas &#233; simultaneamente submetida &#224;s leis que regem aquelas, enquanto tais e independentemente do sujeito que as produz. S&#243; desprendida do mundo exterior e encontrando o repouso ela vive puramente a sua pr&#243;pria vida. Mas a este repouso e a este desprendimento _ repeti-mo-lo v&#225;rias vezes _ ela s&#243; acede ao ser edificada no Reino do Alto. &#201; ent&#227;o que, por gra&#231;a, a alma &#233; dada a ela mesma.&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;
		&lt;hr /&gt;
		&lt;div class='rss_notes'&gt;&lt;div id=&#034;nb4-1&#034;&gt;
&lt;p&gt;&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt;[&lt;a href=&#034;#nh4-1&#034; class=&#034;spip_note&#034; title=&#034;Notas 4-1&#034; rev=&#034;appendix&#034;&gt;1&lt;/a&gt;] &lt;/span&gt;O que os distingue n&#227;o nos interessa aqui.&lt;/p&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div id=&#034;nb4-2&#034;&gt;
&lt;p&gt;&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt;[&lt;a href=&#034;#nh4-2&#034; class=&#034;spip_note&#034; title=&#034;Notas 4-2&#034; rev=&#034;appendix&#034;&gt;2&lt;/a&gt;] &lt;/span&gt;Veremos imediatamente que isso n&#227;o &#233; um reino &lt;i&gt;stricto sensu&lt;/i&gt;.&lt;/p&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div id=&#034;nb4-3&#034;&gt;
&lt;p&gt;&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt;[&lt;a href=&#034;#nh4-3&#034; class=&#034;spip_note&#034; title=&#034;Notas 4-3&#034; rev=&#034;appendix&#034;&gt;3&lt;/a&gt;] &lt;/span&gt;&#201; por isso que os anjos que usam a sua liberdade e querem recusar servir o seu Senhor, n&#227;o podem verdadeiramente afirmar-se. Eles devem necessariamente &lt;i&gt;cair&lt;/i&gt; do reino de Luz para um outro reino, e esta necessidade prov&#233;m do facto de eles o encontrarem j&#225; constitu&#237;do e n&#227;o o produzirem a partir deles pr&#243;prios. Este reino traz em si os tra&#231;os da sua origem: ele s&#243; &#233; qualificado pela &lt;i&gt;oposi&#231;&#227;o&lt;/i&gt; &#224;quele a que o anjo se subtraiu - como trevas, vazio, priva&#231;&#227;o, nada.&lt;/p&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div id=&#034;nb4-4&#034;&gt;
&lt;p&gt;&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt;[&lt;a href=&#034;#nh4-4&#034; class=&#034;spip_note&#034; title=&#034;Notas 4-4&#034; rev=&#034;appendix&#034;&gt;4&lt;/a&gt;] &lt;/span&gt;Reconhecemos-lhe a capacidade de aceitar ou de recusar tomadas de posi&#231;&#227;o.&lt;/p&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div id=&#034;nb4-5&#034;&gt;
&lt;p&gt;&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt;[&lt;a href=&#034;#nh4-5&#034; class=&#034;spip_note&#034; title=&#034;Notas 4-5&#034; rev=&#034;appendix&#034;&gt;5&lt;/a&gt;] &lt;/span&gt;Personagem principal da pe&#231;a de Shakespeare &#034;A Tempestade&#034;. O mago Pr&#243;spero, que tem como aliado o esp&#237;rito de Ariel, provoca um dia uma tempestade na qual naufragam o seu irm&#227;o e outros. (N.d.T.P.).&lt;/p&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div id=&#034;nb4-6&#034;&gt;
&lt;p&gt;&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt;[&lt;a href=&#034;#nh4-6&#034; class=&#034;spip_note&#034; title=&#034;Notas 4-6&#034; rev=&#034;appendix&#034;&gt;6&lt;/a&gt;] &lt;/span&gt;Personagem principal de uma pe&#231;a de Goethe. O Dr. Fausto faz um pacto com o dem&#243;nio Mefist&#243;feles que o enche de uma energia sat&#226;nica geradora de uma paix&#227;o pela t&#233;cnica e pelo progresso. (N.d.T.P.)&lt;/p&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div id=&#034;nb4-7&#034;&gt;
&lt;p&gt;&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt;[&lt;a href=&#034;#nh4-7&#034; class=&#034;spip_note&#034; title=&#034;Notas 4-7&#034; rev=&#034;appendix&#034;&gt;7&lt;/a&gt;] &lt;/span&gt;A edi&#231;&#227;o alem&#227; assinala que Edith Stein tinha riscado esta passagem com l&#225;pis (&#171;O Tentador aborda Cristo [...] como conv&#233;m enfrent&#225;-la&#187;), e tinha reescrito, numa folha separada, igualmente a l&#225;pis, a seguinte vers&#227;o: &#171;S&#243; h&#225; uma tenta&#231;&#227;o &#224; qual o sujeito &lt;i&gt;livre&lt;/i&gt;, enquanto tal e independentemente do que enche a sua alma, est&#225; exposto: a &#250;nica &#224; qual poderia sucumbir o anjo e o homem na sua integridade origin&#225;ria, e com a qual o Tentador podia abordar Cristo, _ a tenta&#231;&#227;o de se apoiar em si mesmo, de se constituir a si mesmo Senhor. &#201; ao mesmo tempo a &#250;nica tenta&#231;&#227;o que, segundo a sua natureza, &#233; uma revolta contra Deus e nada mais, e da qual tem de surgir o mal, enquanto que todas as outras pressup&#245;em a constitui&#231;&#227;o do mal e s&#243; s&#227;o impl&#237;cita ou explicitamente igualmente dirigidas contra Deus. S&#243; podemos opor-nos a uma tenta&#231;&#227;o, qualquer que seja a sua esp&#233;cie, se estivermos cheios do esp&#237;rito do Alto.&#187;&lt;/p&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div id=&#034;nb4-8&#034;&gt;
&lt;p&gt;&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt;[&lt;a href=&#034;#nh4-8&#034; class=&#034;spip_note&#034; title=&#034;Notas 4-8&#034; rev=&#034;appendix&#034;&gt;8&lt;/a&gt;] &lt;/span&gt;Ver a nota 3.&lt;/p&gt;
&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;
		
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	</item>
<item xml:lang="pt">
		<title>Da Pessoa - cap&#237;tulo 2</title>
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		<dc:date>2017-02-28T19:56:54Z</dc:date>
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&lt;p&gt;Destaques: &lt;br class='autobr' /&gt;
&#034;O abandono &#233; o acto mais livre da liberdade.&#034; &lt;br class='autobr' /&gt;
&#034;A ang&#250;stia pode empurrar o pecador para os bra&#231;os da gra&#231;a.&#034; &lt;br class='autobr' /&gt;
&#034;...esperando que um dia brilhe nele a centelha que lhe abrir&#225; os olhos e que dar&#225; entrada no reino da Luz.&#034; &lt;br class='autobr' /&gt; ****** &lt;br class='autobr' /&gt;
Que esse seja um dom, isso depende da natureza da coisa. Quem quer conservar a sua alma perd&#234;-la-&#225;. Assim a alma s&#243; pode vir a se precisamente n&#227;o estiver preocupada com ela mesma. Como se deve compreender isso? Podemos imaginar que um homem acaba (&#8230;)&lt;/p&gt;


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&lt;a href="http://luz-da-sabedoria-divina.com/spip.php?rubrique98" rel="directory"&gt;Da Pessoa &lt;/a&gt;


		</description>


 <content:encoded>&lt;div class='rss_chapo'&gt;&lt;p&gt;Destaques:&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&#034;O abandono &#233; o acto mais livre da liberdade.&#034;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&#034;A ang&#250;stia pode empurrar o pecador para os bra&#231;os da gra&#231;a.&#034;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&#034;...esperando que um dia brilhe nele a centelha que lhe abrir&#225; os olhos e que dar&#225; entrada no reino da Luz.&#034;&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;
		&lt;div class='rss_texte'&gt;&lt;p&gt;******&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Que esse seja um &lt;i&gt;dom&lt;/i&gt;, isso depende da natureza da coisa. &lt;i&gt;Quem quer conservar a sua alma perd&#234;-la-&#225;&lt;/i&gt;. Assim a alma s&#243; pode vir a se precisamente n&#227;o estiver preocupada com ela mesma. Como se deve compreender isso? Podemos imaginar que um homem acaba por se cansar do mundo e que procura reencontrar-se antes mesmo de a gra&#231;a o atingir. Pode tentar encontrar-se a si mesmo libertando-se do mundo, quer dizer suspendendo as reac&#231;&#245;es naturais. O resultado desta ac&#231;&#227;o puramente negativa ser&#225; ele mesmo negativo. Ao desligar-se de toda a fonte exterior que poderia cumul&#225;-lo, esvazia-se; a mortifica&#231;&#227;o conduz &#224; morte. O pr&#243;prio da vida espiritual &#233; derramar-se na alma. E quanto mais esta vida &#233; a sua, a sua pr&#243;pria vida interior, menos &#233; capaz de se munir dela.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Uma outra tentativa de se conservar a si mesmo consiste em opor a sua singularidade ao mundo. N&#227;o suspendendo impress&#245;es e reac&#231;&#245;es, mas ostentando uma &lt;i&gt;s&#243; maneira&lt;/i&gt; de reagir. &#171;Quer seja mau ou razo&#225;vel, &lt;i&gt;eu&lt;/i&gt; comporto-me como &lt;i&gt;me&lt;/i&gt; conv&#233;m.&#187; De facto, pode-se dizer de cada individualidade que ela &#233; o centro da sua pr&#243;pria esfera, e que esta esfera tem a sua pr&#243;pria &lt;i&gt;raz&#227;o&lt;/i&gt;. Quanto a saber se &#233; poss&#237;vel a algu&#233;m retirar-se completamente para esta esfera, e o que ganharia com isso _ se isso fosse poss&#237;vel _, eis outras tantas novas quest&#245;es.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Em primeiro lugar, &#233; muito dif&#237;cil distinguir entre aquilo que &#233; verdadeiramente uma reac&#231;&#227;o espontaneamente sa&#237;da do individuo e aquilo que n&#227;o passa de uma reac&#231;&#227;o habitual, a maior parte das vezes determinada pelo &#171;esp&#237;rito do lugar&#187; onde o homem entra ao nascer e de onde ele sai. Acontece frequentemente que, quando pensa agir livre e espontaneamente, ele &#233; completamente dependente, formado por outros e do exterior. Mas admitamos que esta ilus&#227;o seja evitada e tenhamos que lidar com uma reac&#231;&#227;o que brota verdadeiramente de um indiv&#237;duo. A reac&#231;&#227;o enquanto tal n&#227;o pode, como vemos, ser simplesmente um facto da vida individual. Podemos subtrai-nos &#224; reac&#231;&#227;o exigida pela raz&#227;o e assim a uma lei espec&#237;fica da raz&#227;o; n&#227;o podemos fazer mais do que escolher uma reac&#231;&#227;o &lt;i&gt;poss&#237;vel&lt;/i&gt;, quer dizer uma reac&#231;&#227;o que depende do reino da raz&#227;o e que est&#225; submetida &#224;s suas leis, mas n&#227;o podemos produzir a partir da individualidade uma reac&#231;&#227;o que s&#243; a ela perten&#231;a. qualquer que seja a forma como a ela se reage, o la&#231;o com a impress&#227;o subsiste. Resta a orienta&#231;&#227;o para o exterior. Dela resulta que a alma se esgote em reac&#231;&#245;es que por certo t&#234;m a marca do indiv&#237;duo, mas que n&#227;o repousam nele.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Uma terceira via &#233; aberta: a saber que o homem procura adquirir a gra&#231;a &lt;i&gt;a fim&lt;/i&gt; de ele mesmo se encontrar no reino da gra&#231;a. Nesta situa&#231;&#227;o, ele ainda n&#227;o est&#225; tocado interiormente pela gra&#231;a (antecedente), mas pelo menos &lt;i&gt;sabe&lt;/i&gt; que apenas a&#237; se pode encontrar paz e ref&#250;gio. Ora h&#225; uma lei estranha que leva a que quem olhe a sua pr&#243;pria alma obstrua a vida da gra&#231;a e assim o caminho que conduz a si mesmo. Apenas aquele que, largando de m&#227;o, se volta para a gra&#231;a, pode tomar parte nela. Isso parece estranho, pois &#233; em geral o cuidado com a &lt;i&gt;salva&#231;&#227;o&lt;/i&gt; que leva a alma a desejar a gra&#231;a. Como pode ela estar simultaneamente a cuidar dela mesma e afastar-se de si? De certo, isso apenas &#233; poss&#237;vel enquanto esse &lt;i&gt;cuidado&lt;/i&gt; for verdadeiramente &lt;i&gt;preocupado&lt;/i&gt;. Ora, esta palavra esconde muitas coisas. Cuidar &lt;i&gt;de&lt;/i&gt; pressup&#245;e a familiaridade com aquilo com que se est&#225; em cuidado. Ora, n&#227;o &#233; geralmente &lt;i&gt;esse&lt;/i&gt; cuidado que leva &#224; salva&#231;&#227;o. A preocupa&#231;&#227;o ret&#233;m a coisa. Distinguiremos portanto um estado que chamamos igualmente &lt;i&gt;cuidado&lt;/i&gt;, mas que n&#227;o acarreta preocupa&#231;&#227;o nem liga&#231;&#227;o a uma coisa com que ter&#237;amos o cuidado: &#233; a &lt;i&gt;ang&#250;stia&lt;/i&gt;, que enche qualquer alma desabrigada. Ela pode tomar formas muito diversas, mas todas essas formas t&#234;m em comum uma caracter&#237;stica: a de n&#227;o ser o temor ou o medo de qualquer coisa que a alma teria diante dos olhos. A ang&#250;stia fixa-se uma vezes sobre isto, outras vezes sobre aquilo; mas aquilo em que ela se fixa n&#227;o &#233; o que na realidade ela visa. Ela afasta a alma para longe dela mesma; n&#227;o a ret&#233;m como faz o cuidado. &#201; efectivamente o estado da alma que provoca a ang&#250;stia nela. Mas isso n&#227;o &#233; feito necessariamente sobre a forma de uma motiva&#231;&#227;o explicita. A ang&#250;stia n&#227;o brota necessariamente da preocupa&#231;&#227;o que a alma tem com ela mesma, e nada exige que ela compreenda _ objectivamente _ o seu estado. Em compensa&#231;&#227;o, faz parte da ang&#250;stia ser &lt;i&gt;sentida&lt;/i&gt;. E quanto mais claramente a ang&#250;stia &#233; sentida, mais claramente &#233; vivida como tal.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O estado de alma que provoca a ang&#250;stia e que nela se exprime &#233; o &lt;i&gt;pecado&lt;/i&gt; (&lt;i&gt;peccatum originis&lt;/i&gt; et &lt;i&gt;peccatum actuale&lt;/i&gt;). Enquanto a ang&#250;stia que n&#243;s consideramos _ a ang&#250;stia &lt;i&gt;metafisica&lt;/i&gt; _ n&#227;o for confundida com o medo de qualquer coisa, ela arrasta a alma para uma vida perif&#233;rica: para actividades realizadas para escapar &#224;quilo que angustia, ou para ocupa&#231;&#245;es mundanas pr&#243;prias para afogar a ang&#250;stia em emo&#231;&#245;es que prov&#234;m do mundo e que a afastam dela mesma. A segunda atitude, que consiste em se atordoar, s&#243; &#233; poss&#237;vel se se discerne a ang&#250;stia metaf&#237;sica enquanto tal e a sua rela&#231;&#227;o com o pecado. Mas somente se dela se tiver um conhecimento &lt;i&gt;racional&lt;/i&gt;, e n&#227;o um &lt;i&gt;sentimento&lt;/i&gt; profundo. Pois desde que a alma sinta a ang&#250;stia e o estado de pecado, ela j&#225; n&#227;o pode desfazer-se dela, mesmo que no seu desejo de lhe fugir se atire perdidamente para a vida perif&#233;rica. Ela fica ent&#227;o agarrada a ela mesma apesar de todos os seus esfor&#231;os para se prender a qualquer coisa. Ser retido prisioneiro _ o que n&#227;o &#233; contr&#225;rio &#224; possibilidade de se afastar de si _ &#233; uma caracter&#237;stica da ang&#250;stia.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O que torna seguramente sens&#237;vel o estado de pecado e provoca a ang&#250;stia, &#233; o contacto com a &lt;i&gt;gra&#231;a&lt;/i&gt; e a vis&#227;o da &lt;i&gt;santidade&lt;/i&gt;. As duas coisas v&#227;o juntas. Aquele que n&#227;o for interiormente tocado pela gra&#231;a tamb&#233;m n&#227;o v&#234; a santidade, mesmo que se encontre com ela. Mas a partir do momento em que a gra&#231;a o ilumine, mesmo antes de se encontrar aberto a ela, os seus olhos v&#227;o abrir-se e a santidade vai tornar-se-lhe vis&#237;vel. Mas pode igualmente acontecer que a gra&#231;a germine nele antes de ele efectivamente encontrar um santo.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Falamos sempre da gra&#231;a &lt;i&gt;antecedente&lt;/i&gt;, que &#233; pressuposta para que possamos abrir-mo-nos a ela livremente e entrar no seu reino. Podemos comportar-mo-nos para connosco segundo diversas formas de liberdade. A alma pode fechar os olhos, pois a percep&#231;&#227;o da gra&#231;a acorda e aumenta o sentimento de estar em estado de pecado, e portanto a ang&#250;stia cresce; e pode procurar fugir a esta e a si mesma. Ent&#227;o, como dissemos, fica ligada a ela mesma, e entre todas as emo&#231;&#245;es actuais, &#233; a ang&#250;stia que cresce. Ela pode tamb&#233;m olhar a gra&#231;a friamente, enfrent&#225;-la e no entanto fechar-se a ela. &#201; a atitude do indiv&#237;duo obstinado. Ele quer resistir &#224; ang&#250;stia atrav&#233;s do desafio; mas ao faz&#234;-lo, mergulha cada vez mais profundamente nela. H&#225; enfim uma &#250;ltima possibilidade: a de abra&#231;ar a gra&#231;a sem recursos. &#201; a maneira mais decisiva de a alma se afastar dela mesma, o mais incondicional &#171;largar de m&#227;o&#187;. Mas para assim poder largar de m&#227;o, &#233; preciso que a alma tome posse de si com firmeza, se re&#250;na totalmente &#224; volta do seu centro, ao ponto de n&#227;o mais poder perder-se. O abandono &#233; o acto mais livre da liberdade. Aquele que, assim, se confia &#224; gra&#231;a sem mais se preocupar consigo _ com a sua liberdade e com a sua individualidade _ , esse entra nela _ sendo ao mesmo tempo livre e perfeitamente ele mesmo. Eis de que se demarca a impossibilidade de encontrar a via enquanto nos fixar-mos em n&#243;s mesmos. A ang&#250;stia pode empurrar o pecador para os bra&#231;os da gra&#231;a. A ang&#250;stia que empurra por detr&#225;s. Mas ao voltar-se completamente para ela, o pecador cura-se da sua ang&#250;stia, pois a gra&#231;a liberta-o ao mesmo tempo do pecado e da ang&#250;stia.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Fal&#225;mos da possibilidade de uma atitude livre a respeito do pecado. Mas haver&#225; igualmente uma atitude a respeito da gra&#231;a sem que ela seja eficazmente antecedente? Pode a liberdade antecipar-se &#224; gra&#231;a? Isso pressup&#245;e um saber sobre a gra&#231;a e sobre os seu efeitos. E este saber, qualquer um pode possu&#237;-lo mesmo que n&#227;o tenha sido tocado interiormente pela gra&#231;a. Pode p&#244;r-se em busca da gra&#231;a que por ela mesma n&#227;o o atingiu. N&#227;o pode ainda dar-se a ela; isso s&#243; &#233; poss&#237;vel na propor&#231;&#227;o da gra&#231;a antecedente. Mas desprender-se de si e voltar-se para a gra&#231;a, isso ele pode. E quando for tocado pela gra&#231;a, j&#225; n&#227;o h&#225; necessidade de um acto espec&#237;fico de dom de si: a gra&#231;a flui abundantemente para a alma que antecipadamente se tinha aberto a ela, e toma totalmente posse dela. (Quem pode ter parte na gra&#231;a desta maneira _ como Lutero _ pode evidentemente considerar como nula a coopera&#231;&#227;o da liberdade.) Mas at&#233; l&#225;, vive totalmente na ang&#250;stia. N&#227;o foge para a periferia, mas mant&#233;m-se firme, valentemente concentrado em si mesmo, mesmo se na sua alma ele est&#225; triste e nu. Neste estado de concentra&#231;&#227;o, ele s&#243; pode esperar pacientemente o que vai acontecer. Pode igualmente prepara-se para isso: ocupando-se com coisas que sabe ser santas, mesmo que o esp&#237;rito do Alto que o enche ainda n&#227;o lhe foi tornado sens&#237;vel e se n&#227;o pode portanto ver ainda a santidade, esperando que um dia brilhe nele a centelha que lhe abrir&#225; os olhos e que lhe dar&#225; a entrada no reino da Luz. Este caminho assemelha-se a uma travessia do deserto. A quest&#227;o n&#227;o &#233; a de saber quando ser&#225; atingido o fim. Este caminhar pode encher a vida de um homem.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Entregar-se &#224; gra&#231;a proveniente n&#227;o &#233; necessariamente um acto &#250;nico e a obra de um instante. Mesmo para aquele em que a gra&#231;a &#233; operante, e que se volta para ela, &#233; necess&#225;rio o combate de uma vida para que progressivamente venha a desprender-se do mundo natural e dele mesmo. A liberdade absoluta e a integra&#231;&#227;o plena no reino da gra&#231;a s&#227;o, num e noutro caminho, o objectivo que n&#227;o pode ser atingido na vida terrestre nem num nem noutro caminho. S&#243; segundo uma aproxima&#231;&#227;o imperfeita podemos ver que tudo depende disso. Al&#233;m disso, os dois caminhos n&#227;o est&#227;o t&#227;o afastados um do outro que uma vis&#227;o te&#243;rica das coisas nos obriga a deix&#225;-lo compreender. Mesmo o santo conhece os per&#237;odos de &lt;i&gt;seca&lt;/i&gt;, durante os quais deve resistir no deserto - e conhece-os bem pelo facto de eles se distinguirem dos per&#237;odos em que a luz da gra&#231;a o inunda e o fogo do esp&#237;rito o abrasa.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Procur&#225;vamos compreender que parte toma a liberdade na obra da salva&#231;&#227;o. Ora, para fazer isso n&#227;o basta considerar a liberdade. &#233; preciso igualmente verificar o que pode a gra&#231;a e se existe tamb&#233;m para ela uma fronteira absoluta. J&#225; vimos que a gra&#231;a deve ser dada ao homem. Por si mesmo, pode pelo menos aproximar-se do p&#243;rtico, mas nunca poder&#225; for&#231;ar a entrada. Al&#233;m disso, a gra&#231;a pode vir a ele sem que ele a procure ou a queira. A quest&#227;o &#233; ent&#227;o a de saber se ela pode realizar a sua obra sem a colabora&#231;&#227;o da sua liberdade. Pensamos que &#233; preciso responder a esta quest&#227;o negativamente. E essa palavra pesa muito. Pois que a&#237; &#233; visivelmente dito que a liberdade de Deus, que chamamos a omnipot&#234;ncia, encontra um limite na liberdade do homem.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A gra&#231;a &#233; o esp&#237;rito de Deus que desce &#224; alma humana. Ela n&#227;o pode fazer a&#237; a sua morada se n&#227;o for a&#237; recebida livremente. Esta verdade &#233; dura. &#201; referida a&#237; - al&#233;m do limite da omnipot&#234;ncia divina - a possibilidade de princ&#237;pio de se excluir da reden&#231;&#227;o e do reino da gra&#231;a. N&#227;o significa um limite da miseric&#243;rdia divina. Pois que mesmo se n&#227;o podemos ignorar que a morte atinge uma multid&#227;o imensa de homens que nunca ter&#227;o de facto encarado a eternidade, e para quem a salva&#231;&#227;o nunca ter&#225; sido um problema, que por outro lado s&#227;o muitos aqueles que durante a sua vida se preocuparam com a salva&#231;&#227;o sem ter parte na gra&#231;a, n&#227;o sabemos no entanto se algures no al&#233;m, chegar&#225; a hora decisiva para todos eles; mas a f&#233; pode dizer-nos que &#233; assim.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O amor de infinita Miseric&#243;rdia pode portanto descer sobre todos. Acreditamos que assim &#233;. Mas como diz&#234;-lo, quando h&#225; almas que constantemente se fecham a este amor? Podemos reter isso como uma possibilidade de princ&#237;pio. &lt;i&gt;De facto&lt;/i&gt;, isso pode vir a ser infinitamente improv&#225;vel. Precisamente por causa do que a gra&#231;a proveniente &#233; capaz de realizar na alma. Pode suceder que ela s&#243; bata levemente, e haja almas que se abram a ela a partir do mais discreto apelo. Outras n&#227;o lhe prestam aten&#231;&#227;o. Ela pode ent&#227;o infiltrar-se nas almas e desenvolver-se nelas progressivamente. Quanto mais vasto &#233; o espa&#231;o que ela assim &lt;i&gt;ilegalmente&lt;/i&gt; ocupa, menos se torna veros&#237;mil que a alma se feche &#224; gra&#231;a. E ela v&#234; j&#225; o mundo na luz da gra&#231;a. V&#234; a santidade onde a encontrar e sente-se atra&#237;da por ela. Nota igualmente o que &#233; nefasto e impuro, que lhe repugna, e tudo o resto desbota perante estas qualidades. A isso corresponde, no seu foro interior, uma tend&#234;ncia a comportar-se no sentido da gra&#231;a, conforme a sua pr&#243;pria &lt;i&gt;raz&#227;o&lt;/i&gt;, e n&#227;o mais segundo a raz&#227;o natural, ver segundo a do Maligno.Se ela obedecer a este impulso interior, submete-se implicitamente ao dom&#237;nio da gra&#231;a. &#201; poss&#237;vel que n&#227;o o fa&#231;a. &#201; ent&#227;o preciso que se exer&#231;a uma actividade pr&#243;pria, dirigida contra a influ&#234;ncia da gra&#231;a. E este efeito da liberdade representa uma tens&#227;o tanto maior quanto mais amplamente a gra&#231;a proveniente se expandiu na alma. Esta actividade de resist&#234;ncia - como todos os actos livres - apoia-se sobre um fundamento de um outro g&#233;nero, por exemplo sobre impulsos naturais que, na alma, concorrem ainda com os da gra&#231;a.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Tanto mais a gra&#231;a ganha terreno sobre o que, antes dela, enchia a alma, mais ela resiste aos actos dirigidos contra ela. E em princ&#237;pio n&#227;o limite para esta conquista. Quanto todos os impulsos contr&#225;rios ao esp&#237;rito de luz s&#227;o afastados da alma, uma decis&#227;o livre dirigida contra ele torna-se infinitamente improv&#225;vel &#201; por isso que a f&#233; na grandeza ilimitada do amor e da gra&#231;a de Deus justifica igualmente a esperan&#231;a na universalidade da salva&#231;&#227;o, embora, atendendo ao facto da possibilidade de princ&#237;pio de uma resist&#234;ncia &#224; gra&#231;a, a possibilidade de uma condena&#231;&#227;o eterna permanece igualmente aberta.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Deste ponto de vista, os limites da omnipot&#234;ncia divina, anteriormente assinalados, apagam-se de novo, Eles apenas subsistem enquanto se opuserem unicamente liberdade divina e liberdade humana, sem ter em conta a esfera que constitui o fundamento da liberdade humana. A liberdade humana n&#227;o pode ser quebrada nem eliminada pela liberdade divina, mas pode, por assim dizer, ser contornada pela ast&#250;cia. A descida da gra&#231;a &#224; alma humana &#233; um acto livre do amor divino. E n&#227;o h&#225; limites para a sua extens&#227;o. Saber que via ela escolhe para ser eficaz, porque se afoita junto de uma alma e deixa outra suspirar por ela; saber se isso se produz, quando e como &#233; activa ainda que n&#227;o notemos nada: s&#227;o outras tantas quest&#245;es que escapam a uma investiga&#231;&#227;o racional. Para n&#243;s apenas h&#225; o conhecimento das possibilidades de princ&#237;pio, e na base das possibilidades de princ&#237;pio uma compreens&#227;odos factos que nos s&#227;o acess&#237;veis.&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;
		
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		<title>Da Pessoa - cap&#237;tulo 3</title>
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		<dc:date>2017-02-28T19:56:27Z</dc:date>
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&lt;p&gt;Destaques: &lt;br class='autobr' /&gt;
&#034;Se se considerar que cada um tem a possibilidade, atrav&#233;s da ora&#231;&#227;o, de chamar a gra&#231;a para um outro, cada um parece efectivamente co-respons&#225;vel por cada homem que n&#227;o estiver em estado de gra&#231;a, e c&#250;mplice de toda a falta que esmague um outro homem&#034;. &lt;br class='autobr' /&gt;
&#034;O homem &#233; chamado a ser o salvador da cria&#231;&#227;o. Ele pode s&#234;-lo na medida em que ele mesmo &#233; salvo. O santo compreende a linguagem dos animais, sabe fazer-se compreender por eles, e o irm&#227;o lobo submete-se a ele obedientemente.&#034; (&#8230;)&lt;/p&gt;


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&lt;a href="http://luz-da-sabedoria-divina.com/spip.php?rubrique98" rel="directory"&gt;Da Pessoa &lt;/a&gt;


		</description>


 <content:encoded>&lt;div class='rss_chapo'&gt;&lt;p&gt;Destaques:&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&#034;Se se considerar que cada um tem a possibilidade, atrav&#233;s da ora&#231;&#227;o, de chamar a gra&#231;a para um outro, cada um parece efectivamente co-respons&#225;vel por cada homem que n&#227;o estiver em estado de gra&#231;a, e c&#250;mplice de toda a falta que esmague um outro homem&#034;.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&#034;O homem &#233; chamado a ser o salvador da cria&#231;&#227;o. Ele pode s&#234;-lo na medida em que ele mesmo &#233; salvo. O santo compreende a linguagem dos animais, sabe fazer-se compreender por eles, e o &lt;i&gt;irm&#227;o lobo&lt;/i&gt; submete-se a ele obedientemente.&#034;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&#034;O dom&#237;nio da natureza fundado sobre o conhecimento permite ao homem conter as criaturas dentro do sentido ontol&#243;gico nelas inscrito. A t&#233;cnica moderna, por mais que ela tome como tarefa submeter a natureza ao homem e de a p&#244;r ao servi&#231;o dos seus desejos naturais, sem se importar com o pensamento criador e por vezes em radical oposi&#231;&#227;o a ele, representa uma perda radical em compara&#231;&#227;o com o servi&#231;o inicialmente previsto para ela.&#034;&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;
		&lt;div class='rss_texte'&gt;&lt;p&gt;******&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;At&#233; aqui tratou-se exclusivamente de determinar em que &#233; que os homens singulares, que s&#227;o para salvar, colaboram na obra da salva&#231;&#227;o. O que aprendemos pode fazer-nos compreender ainda outra coisa: a possibilidade de uma &lt;i&gt;media&#231;&#227;o&lt;/i&gt; e as formas que entram em considera&#231;&#227;o. &#201; poss&#237;vel que a gra&#231;a n&#227;o atinja &lt;i&gt;imediatamente&lt;/i&gt; os homens, mas que escolha passar por pessoas finitas. H&#225; na estrutura da pessoa finita diferentes pontos de ancoragem que podem entrar em considera&#231;&#227;o para esta actividade mediadora. Dito de outra forma: um homem pode contribuir de diversas maneiras para a salva&#231;&#227;o de outros homens.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O mediador aparece da maneira mais vis&#237;vel como um instrumento da gra&#231;a divina quando a luz que nele nasceu irradia a partir dele e assim conduz outros indiv&#237;duos na via da salva&#231;&#227;o. As obras de amor e de caridade que - cheias do Esp&#237;rito - ele realiza, sendo toda a conduta da sua vida determinada pelo Esp&#237;rito, atrai sem que o queira os olhares sobre si. A sua santidade torna-se evidente, certamente apenas para aqueles cujos olhos j&#225; foram abertos, e incita-os &#224; imita&#231;&#227;o. E quem o segue submete-se ao Esp&#237;rito de luz, mesmo que ainda n&#227;o tenha progredido at&#233; &#224; fonte pessoal desta luz. No caminho desta &#171;imita&#231;&#227;o&#187;, deve finalmente ser conduzido a Deus, porque o que h&#225; de central na vida deste modelo - de onde tudo se derrama - &#233; uma orienta&#231;&#227;o permanente para a fonte da luz. Esta forma de media&#231;&#227;o opera sem nenhuma colabora&#231;&#227;o da liberdade da parte do mediador. Logo que a sua liberdade estiver em jogo, a situa&#231;&#227;o complica-se. &#192; primeira vista diremos que de dois lados s&#227;o postos limites absolutos &#224; livre actividade de media&#231;&#227;o: pela liberdade do homem cuja salva&#231;&#227;o est&#225; em quest&#227;o, e pela liberdade divina. N&#227;o podemos for&#231;ar ningu&#233;m a salvar-se, e n&#227;o podemos for&#231;ar a gra&#231;a para ningu&#233;m. E apesar disso a colabora&#231;&#227;o da liberdade e da gra&#231;a cria liga&#231;&#245;es t&#227;o estranhas que se &#233; tentado a falar de um poder absoluto do mediador. Consideremos para j&#225; o livre comportamento poss&#237;vel do mediador face &#224;quele cuja salva&#231;&#227;o lhe importa. Pode tentar determin&#225;-lo a voltar-se para a gra&#231;a. Os actos livres que aqui entram em considera&#231;&#227;o s&#227;o principalmente actos de ensinamento relativos ao caminho da salva&#231;&#227;o e a tudo o que dele depende: ensinamentos directos ou reenvio para as fontes de onde obter um &lt;i&gt;saber&lt;/i&gt; &#224;quilo que faz falta. Ao lado desta actividade de &lt;i&gt;ensinamento&lt;/i&gt;, que pressup&#245;e que o conhecimento da salva&#231;&#227;o pode suscitar o seu apetite e que o desejo gera a decis&#227;o livre, pode intervir um apelo a outros motivos: por exemplo, ora&#231;&#245;es que se apoiam sobre o amor natural que a pessoa a ganhar sente pelo mediador, e amea&#231;as que contam com o seu temor, etc. Trata-se sempre de tentar, a favor de uma vida da alma que n&#227;o seria submetida a nenhum arbitr&#225;rio, mobilizar a actividade livre em direc&#231;&#227;o ao objectivo pretendido. Mesmo quando a actividade do mediador se volta directamente para a do outro - que a sua convers&#227;o &#224; salva&#231;&#227;o lhe seja pedida como um livre acto de amor, ou que seja exigida como um acto de obedi&#234;ncia - a contribui&#231;&#227;o deste substrato &#233; pressuposta.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Se o mediador chega assim a conciliar-se com a vontade do outro, ter&#225; estabelecido uma conex&#227;o imediata entre a alma desejosa de salva&#231;&#227;o e a gra&#231;a, e ent&#227;o o seu papel de mediador terminar&#225;, pelo menos quando a sua actividade tem directamente por objecto a alma de outrem. Ele pode tomar uma outra via, e essa &#233; a &#250;nica que lhe resta se n&#227;o chegou a atrair a alma para o seu lado. Eu compreendo o apelo &#224; pr&#243;pria gra&#231;a, a tentativa de fazer uma aliada da actividade amante de Deus. A actividade que se trata de p&#244;r em ac&#231;&#227;o &#233; a &lt;i&gt;ora&#231;&#227;o&lt;/i&gt;. Na ora&#231;&#227;o, o crente pode voltar-se para Deus e pedir-lhe para conceder a sua gra&#231;a a outrem. E Deus, pelo amor de uma alma que recebeu junto Dele, pode atrair outrem. Como, disse-mo-lo mais acima. Que a liberdade divina se submeta de algum modo, no acolhimento favor&#225;vel da ora&#231;&#227;o, &#224; vontade dos seus eleitos, &#233; o facto mais maravilhoso da vida religiosa. Porque &#233; que &#233; assim, isso ultrapassa o entendimento.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A possibilidade desta media&#231;&#227;o perante Deus tem prolongamentos consider&#225;veis. &#201; ela que faz da salva&#231;&#227;o o trabalho &lt;i&gt;comum&lt;/i&gt; a todos os homens. Cada um &#233; &lt;i&gt;respons&#225;vel&lt;/i&gt; pela sua pr&#243;pria salva&#231;&#227;o na medida em que ela se faz com a participa&#231;&#227;o da vontade, e nunca sem ela. E cada um &#233; simultaneamente respons&#225;vel pela salva&#231;&#227;o de todos, na medida em que tem a possibilidade de pedir, pela sua ora&#231;&#227;o, a gra&#231;a para todos. Pela sua ora&#231;&#227;o que &#233; o seu &lt;i&gt;acto livre&lt;/i&gt;. Pois &#233; na esfera da liberdade que est&#225; ancorada a responsabilidade. O homem n&#227;o &#233; respons&#225;vel pela constitui&#231;&#227;o natural da sua alma. Ela pode estar manchada, ser de valor negativo, &lt;i&gt;abjecta&lt;/i&gt;. Mas isso n&#227;o &#233; uma &lt;i&gt;falta&lt;/i&gt; sua. Pois que a falta s&#243; pode ser produzido, no mundo, por actos livres. Quando, pelo acto livre de uma pessoa, foi realizado no mundo um estado de coisas negativo, foi precisamente uma falta que teve lugar. A falta faz apelo a uma puni&#231;&#227;o, e segundo o seu conte&#250;do material, a puni&#231;&#227;o &#233; uma &lt;i&gt;pena&lt;/i&gt; aplicada ao culpado. Por &#171;responsabilidade&#187; entende-se a capacidade de ser autor de uma falta, e portanto a de ser objecto da correspondente puni&#231;&#227;o. Ela &#233; imediatamente dada com a liberdade.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Os contr&#225;rios da falta e da puni&#231;&#227;o s&#227;o o m&#233;rito e a recompensa. Tamb&#233;m o m&#233;rito &#233; gerado no mundo por um acto livre, a saber a realiza&#231;&#227;o de um estado de coisas de qualidade positiva; e a recompensa que lhe sucede &#233;, segundo o seu conte&#250;do material, uma &lt;i&gt;felicidade&lt;/i&gt; que gratifica aquele que adquiriu este m&#233;rito. A responsabilidade deve ser estendida aos poss&#237;veis autores de m&#233;ritos. Tal como as m&#225;s disposi&#231;&#245;es n&#227;o s&#227;o faltas do homem, tamb&#233;m os dons naturais dispositivos n&#227;o s&#227;o m&#233;ritos. O homem n&#227;o &#233; respons&#225;vel nem por uns nem por outros; tal como n&#227;o o &#233; por aqueles que, sem a sua participa&#231;&#227;o, a gra&#231;a produz na sua alma. Em compensa&#231;&#227;o, &#233; respons&#225;vel por tudo o que se possa &lt;i&gt;fazer&lt;/i&gt; contra as m&#225;s disposi&#231;&#245;es e pela obten&#231;&#227;o da salva&#231;&#227;o, tanto quanto isso seja do dom&#237;nio da liberdade. Cada acto atrav&#233;s do qual ele se puser em oposi&#231;&#227;o &#224; gra&#231;a, e toda a omiss&#227;o de actos necess&#225;rios ou poss&#237;veis para obter a salva&#231;&#227;o, entra na conta das faltas. E igualmente tudo o que pelo qual ele se opuser &#224; salva&#231;&#227;o dos outros, e tudo o que ele deixar de fazer para a sua salva&#231;&#227;o. &#201; totalmente estranho que exactamente aquilo que isola completamente o homem e o reenvia totalmente a si mesmo - o que produz a liberdade - ao mesmo tempo o liga indissoluvelmente a todos os outros e funda uma verdadeira comunidade de destino. Ele &#233; respons&#225;vel pela sua salva&#231;&#227;o porque a salva&#231;&#227;o n&#227;o pode ser ganha sem a sua colabora&#231;&#227;o, e ningu&#233;m pode livr&#225;-lo dessa responsabilidade. Ao mesmo tempo, &#233; respons&#225;vel pela salva&#231;&#227;o de todos os outros, e todos os outros pela sua; e desta responsabilidade, ele tamb&#233;m n&#227;o pode livrar ningu&#233;m, nem ningu&#233;m pode livr&#225;-lo.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;No sentido estrito dos termos, n&#227;o &#233; justo falar de &lt;i&gt;responsabilidade colectiva&lt;/i&gt;. Pois que os actos livres s&#227;o qualquer coisa que cada pessoa deve realizar por si, e que n&#227;o pode efectuar em comunidade, como por exemplo tomadas de posi&#231;&#227;o. E assim cada um acarreta sozinho a sua responsabilidade, a que tem de si mesmo e a que tem dos outros. E no entanto esta &lt;i&gt;responsabilidade rec&#237;proca&lt;/i&gt; &#233; altamente &lt;i&gt;formadora de comunidade&lt;/i&gt;, mais que todas as viv&#234;ncias, por mais autenticamente comunit&#225;rias que elas possam ser. &#201; nela que repousa a &lt;i&gt;Igreja&lt;/i&gt;.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;No interior da Igreja existente pode haver pr&#225;ticas comunit&#225;rias de g&#233;neros muito diversos: cultos, edifica&#231;&#245;es espirituais, obras de caridade; n&#227;o &#233; no entanto a isso que a Igreja deve a exist&#234;ncia, mas a que cada um se apresente diante de Deus a favor do encontro e da reciprocidade da liberdade divina e da liberdade humana, e ao facto de assim a for&#231;a ser dada a cada um para estar l&#225; por todos; e &#233; este &lt;i&gt;Um por todos e todos por um&lt;/i&gt; que faz a Igreja. Que sobre a base desta absoluta depend&#234;ncia rec&#237;proca ela constitua actualmente comunidades de vida &#233; secund&#225;rio. Quanto mais algu&#233;m estiver cheio do amor divino, mais estar&#225; capaz de realizar de facto a substitui&#231;&#227;o, em princ&#237;pio poss&#237;vel a todos. Pois que o acto livre da ora&#231;&#227;o s&#243; &#233; aut&#234;ntico e eficaz se for fundado no amor: no amor de Deus quando se trata puramente do com&#233;rcio de cada alma com Deus, e no caso da ora&#231;&#227;o por outra pessoa, igualmente no amor por esta, quer dizer no amor do pr&#243;ximo em Deus, necessariamente ligado ao seu pedido de salva&#231;&#227;o. Quando falta este amor vivo, impelindo para a actividade, o acto livre n&#227;o &#233; exclu&#237;do de facto, mas ent&#227;o ele n&#227;o passa de uma sombra da verdadeira ora&#231;&#227;o salutar.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Cristo, o &#250;nico em quem o amor divino se incarnou plenamente, &#233; portanto de facto o &#250;nico representante de todos perante Deus e o verdadeiro &lt;i&gt;chefe da comunidade&lt;/i&gt;, que re&#250;ne a Igreja &lt;i&gt;&#250;nica&lt;/i&gt;. Todos os outros s&#227;o membros da Igreja segundo o esp&#237;rito e os dons recebidos em partilha, chamados a realizar aquilo de que foram tornados capazes. E &#233; precisamente devido a esta imperfei&#231;&#227;o dos membros da Igreja que a ningu&#233;m &#233; garantido poder passar sem a am&#225;vel generosidade dos outros, nem os outros da sua. E compreende-se a partir desta imperfei&#231;&#227;o que, independentemente da substitui&#231;&#227;o universal de um por todos, possam ter sentido rela&#231;&#245;es espec&#237;ficas de protec&#231;&#227;o espiritual. Cada um em particular, no interior da Igreja &#250;nica, pode intervir especialmente pelos seus &lt;i&gt;pr&#243;ximos&lt;/i&gt; numa comunidade actual de vida ou por aqueles que fizeram particularmente apelo ao seu sufr&#225;gio, e que, por uma raz&#227;o ou por outra, o seu amor abra&#231;a mais eficazmente.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Nesta rela&#231;&#227;o de protec&#231;&#227;o entram em jogo, al&#233;m do sufr&#225;gio geral com vista a obter a gra&#231;a divina, a rela&#231;&#227;o entre falta e puni&#231;&#227;o e entre m&#233;rito e recompensa. O autor de uma falta deve sofrer uma puni&#231;&#227;o que &lt;i&gt;compense&lt;/i&gt; a falta&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt; [&lt;a href=&#034;#nb5-1&#034; class=&#034;spip_note&#034; rel=&#034;appendix&#034; title=&#034;Por acto punitivo, ou aplica&#231;&#227;o de uma pena, entende-se aqui primeiramente o (&#8230;)&#034; id=&#034;nh5-1&#034;&gt;1&lt;/a&gt;]&lt;/span&gt;. Consciente da sua falta, o culpado est&#225; diante de Deus como diante do seu Juiz, a quem primitivamente pertence a execu&#231;&#227;o da pena. Ora cada acto livre cont&#233;m a possibilidade de princ&#237;pio de uma pessoa se substituir &#224;quela que primitivamente tem o direito de punir. Na rela&#231;&#227;o falta-puni&#231;&#227;o, a possibilidade de uma substitui&#231;&#227;o pode realizar-se a diferentes n&#237;veis. O juiz originariamente competente pode confiar a execu&#231;&#227;o da pena a um outro. N&#243;s n&#227;o temos que aprofundar este tema. A outra situa&#231;&#227;o pessoal que pode estar relacionada com uma substitui&#231;&#227;o &#233; a do culpado. Para compreender que, tamb&#233;m aqui, um outro pode tomar o seu lugar, devemos ver que actividade est&#225; implicada na &lt;i&gt;pena punitiva&lt;/i&gt; como tal.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Vimos que, segundo o seu conte&#250;do material, a puni&#231;&#227;o consiste numa pena infligida ao culpado. S&#243; por ela, a pena n&#227;o &#233; um acto livre; portanto ela presta-se mal a uma substitui&#231;&#227;o. Mas o que a&#237; se presta &#233; o facto de pagar pela pena enquanto tal. Ora, tamb&#233;m aqui, se discernem v&#225;rios aspectos. Ao sofrer, posso compreender a pena que me afecta como uma puni&#231;&#227;o por uma falta cometida. Esta intelig&#234;ncia do sentido, ligada ao sofrimento, n&#227;o &#233; um acto livre do qual eu possa remeter a realiza&#231;&#227;o para um outro. H&#225; depois uma atitude a respeito do sofrimento padecido: revoltar-se ou assumi-lo, &lt;i&gt;suport&#225;-lo voluntariamente&lt;/i&gt;, no nosso caso suport&#225;-lo &lt;i&gt;como puni&#231;&#227;o&lt;/i&gt;. Esta atitude &#233; livre, e ent&#227;o &#233; poss&#237;vel uma substitui&#231;&#227;o. E para que a rela&#231;&#227;o de substitui&#231;&#227;o possa realizar-se, o substituto deve assumir a substitui&#231;&#227;o num acto livre. Deve declarar-se pronto para se submeter &#224; pena por um outro. O juiz deve aceitar a substitui&#231;&#227;o.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Podemos perguntar-nos se a colabora&#231;&#227;o do culpado &#233; exigida. Ela &#233; sempre poss&#237;vel. Ele pode dar o seu assentimento. Pode igualmente tomar a iniciativa: Quando apenas a seu pedido o outro vem substitui-lo. Neste pedido, o assentimento est&#225; implicado, e nada exige - mesmo se, em princ&#237;pio, ela fosse necess&#225;ria para a realiza&#231;&#227;o da substitui&#231;&#227;o - que depois do outro ter aceite a substitui&#231;&#227;o o pedido seja expressamente formulado. Mas este assentimento n&#227;o &#233; por princ&#237;pio um requisito. Se o juiz estiver pronto a aceitar o substituto como tal, e uma vez que ele condenou este &#224; pena, a falta &#233; suprimida e o culpado fica livre dela, mesmo que n&#227;o esteja de acordo com esta pr&#225;tica. Pode acontecer que continue a sentir-se culpado, e que por este sentimento carregue livremente a pena e assim fa&#231;a penit&#234;ncia: isso n&#227;o est&#225; ligado &#224; sua puni&#231;&#227;o, e j&#225; n&#227;o pode &lt;i&gt;exigi-la&lt;/i&gt; para ele.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O mesmo &#233; v&#225;lido para o substituto. &#201; poss&#237;vel que, como o admitimos at&#233; aqui, ele mesmo se proponha para sofrer a pena de uma forma substitutiva, com ou sem o assentimento do culpado. Mas pode igualmente suceder que o pr&#243;prio juiz o escolha como substituto e o deixe sofrer em vez do culpado, sem esperar o seu oferecimento ou o seu assentimento. Deus &lt;i&gt;pode&lt;/i&gt; castigar os filhos por causa dos pecados dos seus pais, quer dizer que os princ&#237;pios do direito puro nada t&#234;m que opor a isso. &#201; necess&#225;rio que em princ&#237;pio o substituto possa aceder ao sentido do sofrimento que ele padece na pena que lhe &#233; imposta enquanto substituto; mas n&#227;o &#233; requerido que seja efectivamente assim. O sofredor pode n&#227;o compreender porque &#233; que esse sofrimento o atingiu; ele n&#227;o tem mesmo necessidade de colocar esta quest&#227;o. o juiz &#233; o &#250;nico cuja colabora&#231;&#227;o &#233; indispens&#225;vel para que a substitui&#231;&#227;o se realize.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A quest&#227;o &#233; de saber se isso pode ser extra&#237;do da pura disposi&#231;&#227;o jur&#237;dica da substitui&#231;&#227;o, ou se isso depende da posi&#231;&#227;o particular do juiz. Em geral, para que uma pessoa possa ser encarregada de uma substitui&#231;&#227;o, quer dizer, ver ser transferido o direito e o dever de ser, em nome de outro, o sujeito e o objecto de actos livres, &#233; necess&#225;rio um livre acordo entre as pessoas envolvidas. Um terceiro s&#243; pode por si mesmo transferir a substitui&#231;&#227;o - sempre &lt;i&gt;em nome&lt;/i&gt; daquele que se trata de substituir - se o sujeito em quest&#227;o n&#227;o for capaz de realizar actos livres, por exemplo se ainda for menor. (N&#227;o &#233; o pupilo que confere o direito de tutela.) O substituto n&#227;o pode ser descartado da mesma maneira, pois &#233; necess&#225;rio uma pessoa capaz de realizar actos livres. Se n&#227;o aceitar a substitui&#231;&#227;o, ela n&#227;o se realiza. Do mesmo modo, &#233; juridicamente imposs&#237;vel que algu&#233;m exija de uma pessoa diferente daquela que assumiu uma obriga&#231;&#227;o, de a preencher, e que possa design&#225;-la por sua pr&#243;pria autoridade como substituta. As situa&#231;&#245;es particulares que em mat&#233;ria de substitui&#231;&#227;o descobrimos no caso da puni&#231;&#227;o, devem ser fundamentadas em certas particularidades desta &#250;ltima.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A particularidade reside em que, no facto de punir, o juiz &#233; &lt;i&gt;necessariamente&lt;/i&gt; o &#250;nico a agir. Para os outros interessados s&#243; h&#225; a possibilidade da participa&#231;&#227;o activa, e conforme a esta possibilidade, de uma parte activa para a realiza&#231;&#227;o desta rela&#231;&#227;o de substitui&#231;&#227;o. S&#243; o juiz tem o direito de punir, e &#233; ele que decide activar ou modificar a pena, e por exemplo de a fazer executar por um outro que n&#227;o o culpado. Pode-se-lhe suplicar tanto uma coisa como outra, mas ningu&#233;m pode juridicamente exigir-lho. Tudo isto s&#243; &#233; dito acerca do Juiz divino. N&#227;o existe juiz humano para o qual isto pudesse ser transferido. Na medida em que se trata de uma falta &lt;i&gt;pura&lt;/i&gt; (e n&#227;o simplesmente de uma falta relativa a um direito positivo), cada juiz terrestre - segundo o seu &lt;i&gt;senso&lt;/i&gt;, mesmo que nem sempre de maneira consciente - &#233; o substituto do Juiz supremo, apenas ao qual originariamente pertence o direito de punir. Em que medida e sob que formas lhe &#233; concedido o direito de punir n&#227;o tem a ver com ele , mas depende unicamente do juiz origin&#225;rio. No caso de uma falta relevante do direito positivo, o juiz originariamente competente &#233; o Estado, respons&#225;vel pelo direito positivo correspondente. Ele mesmo, e por conseguinte os ju&#237;zes institu&#237;dos por ele em sua substitui&#231;&#227;o, s&#227;o submetidos, no direito (subjectivo) de punir, ao direito positivo editado pelo dito Estado.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;As situa&#231;&#245;es formais que acabamos de apresentar permanecem, com algumas mudan&#231;as de &#237;ndices, quando substitu&#237;mos &lt;i&gt;falta&lt;/i&gt; e &lt;i&gt;puni&#231;&#227;o&lt;/i&gt; por &lt;i&gt;m&#233;rito&lt;/i&gt; e &lt;i&gt;recompensa&lt;/i&gt;. Se eu posso propor-me para cumprir uma pena em vez do culpado, e de certa maneira aplicar a mim mesmo a sua pena, posso da mesma forma &lt;i&gt;conceder&lt;/i&gt; os meus m&#233;ritos a outro e procurar conseguir que lhe seja dada a correspondente recompensa. Al&#233;m disso, posso incitar algu&#233;m que adquiriu m&#233;ritos a ceder-me alguma coisa dos seus m&#233;ritos. E de novo, &#233; poss&#237;vel que, por si, o Juiz supremo me recompense por qualquer coisa que tenha sido realizada por outro, ou que recompense outro no meu lugar.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Estas situa&#231;&#245;es t&#234;m o seu significado no contexto da substitui&#231;&#227;o geral perante Deus, que nos ocupa. Pelas obras &lt;i&gt;agrad&#225;veis&lt;/i&gt; a Deus, adquirimos m&#233;ritos cuja &lt;i&gt;recompensa&lt;/i&gt; correspondente &#233; a gra&#231;a. O santo que que por superabund&#226;ncia de amor fez boas obras e amealhou &lt;i&gt;um tesouro no C&#233;u&lt;/i&gt;, pode fazer beneficiar outros desta riqueza, quer dizer pedir para eles a gra&#231;a por causa dos seus m&#233;ritos, e &#233; justo rogar-lho&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt; [&lt;a href=&#034;#nb5-2&#034; class=&#034;spip_note&#034; rel=&#034;appendix&#034; title=&#034;A passagem precedente indica como isso deve ser compreendido.&#034; id=&#034;nh5-2&#034;&gt;2&lt;/a&gt;]&lt;/span&gt;. Por outro lado, todo aquele que pecou diante de Deus, que transporta o fardo de uma ofensa a Deus, merece como puni&#231;&#227;o a &lt;i&gt;c&#243;lera de Deus&lt;/i&gt;, a retirada da sua gra&#231;a. J&#225; h&#225; gra&#231;a se em vez disso, ele envia uma outra pena, por via da qual se pode sempre voltar a Ele. Do mesmo modo que se pode renunciar aos seus m&#233;ritos por um outro, deposit&#225;-los por ele aos p&#233;s do trono do Juiz, tamb&#233;m &#233; poss&#237;vel tomar sobre si a falta de um outro, quer dizer de se propor como aquele que a pena deve atingir.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&#201; de notar que s&#243; &#233; merit&#243;rio o que n&#227;o &#233; feito com vista a uma recompensa. N&#227;o se pode &lt;i&gt;negociar&lt;/i&gt; com Deus, nem por si, nem pelos outros. S&#243; pode agradar a Deus o que &#233; feito em seu nome. E relativamente &lt;i&gt;ao que&lt;/i&gt; lhe agrada, s&#243; ele &#233; o juiz, e n&#227;o aquele que o faz. Portanto ningu&#233;m pode vangloriar-se perante Deus de m&#233;ritos que teria adquirido, pois nunca pode saber se tem algum m&#233;rito. (Para o santo, &#233; precisamente caracter&#237;stico ele n&#227;o ver os seus m&#233;ritos.)&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Dissemos acima que os m&#233;ritos pr&#243;prios permitiam pedir um dom de gra&#231;a para um outro; no entanto isso n&#227;o significa que se possa fazer valer os seus m&#233;ritos e exigir uma recompensa. Isso apenas significa que os m&#233;ritos &lt;i&gt;objectivamente&lt;/i&gt; adquiridos por um santo tornam as suas ora&#231;&#245;es particularmente eficazes. A refer&#234;ncia aos pr&#243;prios m&#233;ritos nunca pode ser mais que hipot&#233;tica. E tudo isso nos mostra que o santo que realizou sinais e fez milagres, n&#227;o &#233; o &#250;nico habilitado a ser substituto diante de Deus. Mesmo o mais pobre, e aquele que se dobra sob o peso do pecado, podem e t&#234;m o direito de se apresentar diante de Deus e de orar por um outro. Em primeiro lugar porque o Senhor &#233; n&#227;o s&#243; &lt;i&gt;justo&lt;/i&gt; mas &lt;i&gt;misericordioso&lt;/i&gt;. E depois, porque nenhuma obra agrada mais a Deus que uma ora&#231;&#227;o crente.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&#201; a chave para compreender a possibilidade de uma substitui&#231;&#227;o na ordem da falta e do m&#233;rito. Se s&#243; se considerarem os aspectos jur&#237;dicos, fica-se antes absorvido pelo facto de que eles possam encontrar aqui um dom&#237;nio de aplica&#231;&#227;o. Mas se se considerar que cada um tem a possibilidade, atrav&#233;s da ora&#231;&#227;o, de chamar a gra&#231;a para um outro, cada um parece efectivamente co-respons&#225;vel por cada homem que n&#227;o estiver em estado de gra&#231;a, e c&#250;mplice de toda a falta que esmague um outro homem. Ao oferecer-se para sofrer em substitui&#231;&#227;o, s&#243; procura compensar as omiss&#245;es das quais se tornou culpado junto do outro. E o Senhor concede-lhe uma gra&#231;a se o aceitar como substituto de sofrimento, dando-lhe assim a possibilidade de reparar alguma coisa. Assim as situa&#231;&#245;es formais do direito tomam um sentido profundamente religioso.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Dessa forma acedemos a uma responsabilidade do homem completamente nova. Diz&#237;amos mais acima que a passagem da natureza &#224; gra&#231;a apenas &#233; poss&#237;vel para um ser livre. O que n&#227;o &#233; criado livre n&#227;o consegue por si participar na sua salva&#231;&#227;o. Isso de maneira nenhuma significa que a reden&#231;&#227;o &#233; in&#250;til. &lt;i&gt;O inquieto suspiro da criatura est&#225; na expectativa da revela&#231;&#227;o dos filhos de Deus&lt;/i&gt;. A alma surdamente fechada sobre si do animal, apesar disso inquieta sem cessar por sair dela mesma, pede um porto tranquilo tal que s&#243; a gra&#231;a lhe pode dar. Mas o animal n&#227;o pode compreender o que lhe falta; e nele o pesado esfor&#231;o n&#227;o chega a tornar-se num apetite finalizado ou numa ac&#231;&#227;o libertadora. A sua salva&#231;&#227;o vem-lhe inteiramente de fora. S&#243; pode vir-lhe de um ser que por si encontre um acesso &#224; sua alma, e ao qual o ligue uma certa capacidade de compreens&#227;o. O homem &#233; chamado a ser o salvador da cria&#231;&#227;o. Ele pode s&#234;-lo na medida em que ele mesmo &#233; salvo. O santo compreende a linguagem dos animais, sabe fazer-se compreender por eles, e o &lt;i&gt;irm&#227;o lobo&lt;/i&gt; submete-se a ele obedientemente.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O que &#233; que abre ao homem a alma do animal? Ele mesmo &#233; por natureza um animal, e na unidade da natureza est&#225; ligado a todas as criaturas. Est&#225; igualmente submetido &#224; lei que regula o jogo das impress&#245;es e das reac&#231;&#245;es. Pode &lt;i&gt;sentir&lt;/i&gt; o que vive na alma do animal, da mesma maneira que o animal sente o que se passa na alma do homem. Percebe o suspiro inquieto da criatura e sente a surda ang&#250;stia que dele se solta. Mas &#233; capaz de proporcionar algum aux&#237;lio, n&#227;o enquanto parte da natureza que ele &#233;, mas apenas enquanto &lt;i&gt;filho de Deus&lt;/i&gt; elevado acima da natureza. De p&#233;, reconhece a ang&#250;stia &lt;i&gt;como&lt;/i&gt; ang&#250;stia, que apenas obscuramente vive no animal. E na medida em que ele estiver cheio do amor divino, consegue abra&#231;ar a alma inquieta do animal - o qual encontra repouso confiando-se ao homem apaziguado.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Pode o homem livre, mas ainda n&#227;o elevado &#224; gra&#231;a, fazer j&#225; qualquer coisa de semelhante, s&#243; pelo simples amor natural? N&#227;o h&#225;, visivelmente, rela&#231;&#227;o natural no mundo animal compar&#225;vel aos la&#231;os naturais entre os homens, feitos de um sentimento de atrac&#231;&#227;o rec&#237;proca e de uma esp&#233;cie de seguran&#231;a natural sobre a protec&#231;&#227;o de certos homens. Mas esta seguran&#231;a natural n&#227;o &#233; mais que a base natural para uma paz aut&#234;ntica e verdadeira, do mesmo modo que o amor natural &#233; uma base natural para o amor de Deus. Nada est&#225; realmente assegurado sob a guarda do homem n&#227;o pacificado. Mas pode-se j&#225; sentir nele a &lt;i&gt;voca&#231;&#227;o&lt;/i&gt; para o papel de protector, antes de ele estar para isso habilitado de facto. Trata-se de novo aqui de um dos casos espec&#237;ficos de protec&#231;&#227;o, tornados necess&#225;rios pela capacidade finita de amor de pessoas finitas, e que preparam as suas disposi&#231;&#245;es e condi&#231;&#245;es naturais de vida. Elas condicionam responsabilidades &lt;i&gt;particulares&lt;/i&gt; no interior da responsabilidade universal.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A responsabilidade pelo salvamento do mundo animal n&#227;o &#233; uma &lt;i&gt;co&lt;/i&gt;responsabilidade como o &#233; para o caso dos homens. N&#227;o h&#225; aqui a possibilidade de princ&#237;pio de um acesso n&#227;o mediatizado &#224; gra&#231;a, e assim a sorte das criaturas n&#227;o livres depende inteiramente da ac&#231;&#227;o mediadora dos homens.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Perguntar-se-&#224; se esta responsabilidade se estende &#224; criatura n&#227;o animada. As rela&#231;&#245;es descobertas at&#233; aqui n&#227;o o permitem afirmar. Enquanto tal, tudo o que n&#227;o tem alma n&#227;o conhece ang&#250;stia metaf&#237;sica. Se um &lt;i&gt;salvamento&lt;/i&gt; &#233; aqui poss&#237;vel, portanto igualmente necess&#225;rio, isso n&#227;o pode ter o mesmo sentido que para os seres dotados de alma. Nas criaturas n&#227;o animadas exprime-se de uma forma pura um sentido que foi originariamente nelas colocado: nas criaturas vivas, por uma estrutura&#231;&#227;o do interior para o exterior; nas criaturas inertes, por um desenvolvimento puramente exterior, por uma extens&#227;o no espa&#231;o e um preenchimento do espa&#231;o.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Neste mundo, os efeitos do pensamento criador n&#227;o caminham por si s&#243;s e sem obst&#225;culos; as criaturas est&#227;o continuamente expostas, sem defesa, a obst&#225;culos e perturba&#231;&#245;es. Alguns adjuvantes s&#227;o inerentes &#224; sua estrutura. H&#225; subst&#226;ncias &lt;i&gt;resistentes&lt;/i&gt; que suportam um choque ou podem evit&#225;-lo. Mas do mesmo modo que o &lt;i&gt;car&#225;cter&lt;/i&gt; de um homem mostra os seus limites, e que a cada &lt;i&gt;virtude&lt;/i&gt; corresponde, como &#224; sua sombra, um &lt;i&gt;defeito&lt;/i&gt;, a qualidade pr&#243;pria das subst&#226;ncias materiais significa um limite de algumas das suas capacidades. &#201; precisamente a caracter&#237;stica da sua estrutura, que as garante contra &lt;i&gt;certas&lt;/i&gt; agress&#245;es, que as exp&#245;e a outras. (O que n&#227;o exclui que uma subst&#226;ncia, tomada como um todo, seja mais resistente que uma outra.) Al&#233;m disso, a capacidade imanente de resist&#234;ncia s&#243; a assegura em geral contra a destrui&#231;&#227;o - e apenas dentro de certos limites -, mas n&#227;o contra um desvio da sua orienta&#231;&#227;o origin&#225;ria. N&#227;o lhe &#233; dado evitar perigos ou de os &lt;i&gt;enfrentar&lt;/i&gt;, pois para isso seria necess&#225;rio - pelo menos - a capacidade de &lt;i&gt;sentir&lt;/i&gt; e de poder agir livre ou impulsivamente a partir de um centro ps&#237;quico.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A criatura n&#227;o animada n&#227;o consegue conservar-&lt;i&gt;se&lt;/i&gt;, mas deve &lt;i&gt;ser conservada&lt;/i&gt;; ela n&#227;o pode activar o seu plano de cria&#231;&#227;o; a sua realiza&#231;&#227;o f&#237;sica n&#227;o entravada deve ser-lhe assegurada do exterior. Deve haver um &lt;i&gt;Senhor&lt;/i&gt; que domine a cria&#231;&#227;o, um ser livre e dotado de raz&#227;o. Atrav&#233;s das reac&#231;&#245;es cegas de que &#233; capaz, o animal pode bem conservar-&lt;i&gt;se&lt;/i&gt;, mas n&#227;o mais que isso. Para poder intervir como regulador, &#233; preciso penetrar nas correla&#231;&#245;es da natureza para l&#225; do c&#237;rculo da vida pr&#243;pria, e prever o que pode acontecer. N&#227;o &#233; necess&#225;rio que esta penetra&#231;&#227;o e esta previs&#227;o tomem em todos os casos a forma de conhecimento racional. H&#225; um discernimento racional das conex&#245;es que basta para assegurar uma interven&#231;&#227;o securizante, e toda a compreens&#227;o racional se constr&#243;i sobre esta base. Mas a possibilidade de ser instru&#237;do na luz do conhecimento prende-se com isso. E para um esp&#237;rito finito, que n&#227;o pode abarcar conjuntos mais vastos, que s&#243; pode apropriar-se deles atrav&#233;s de fixa&#231;&#245;es conceptuais, a via do conhecimento &#233; a mais indicada.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A tarefa origin&#225;ria das ci&#234;ncias da natureza &#233; a de compreender progressivamente, por via da raz&#227;o, as conex&#245;es de efeitos na natureza, e de criar assim uma base para prever toda a possibilidade de acontecimentos futuros e preparar uma interven&#231;&#227;o reguladora. O dom&#237;nio da natureza fundado sobre o conhecimento permite ao homem conter as criaturas dentro do sentido ontol&#243;gico nelas inscrito. A t&#233;cnica moderna, por mais que ela tome como tarefa submeter a natureza ao homem e de a p&#244;r ao servi&#231;o dos seus desejos naturais, sem se importar com o pensamento criador e por vezes em radical oposi&#231;&#227;o a ele, representa uma perda radical em compara&#231;&#227;o com o servi&#231;o inicialmente previsto para ela. Para tudo aquilo que, na natureza, n&#227;o &#233; tal como deveria ser, &#233; o homem que &#233; respons&#225;vel; o desvio entre o plano criador e a natureza &#233;-lhe imput&#225;vel.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Lembraremos mais uma vez que, segunda a sua estrutura, o homem &#233; &lt;i&gt;capaz&lt;/i&gt; de suportar uma tal responsabilidade. Quanto a saber se a cria&#231;&#227;o est&#225; efectivamente colocada sob a sua salvaguarda, e s&#243; a ele lhe &#233; confiada, ou se o pr&#243;prio Criador estende a sua m&#227;o sobre ela, e eventualmente encarregou igualmente outros esp&#237;ritos de um of&#237;cio regulador: eis outras tantas quest&#245;es que de facto &#233; imposs&#237;vel esquadrinhar racionalmente.&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;
		&lt;hr /&gt;
		&lt;div class='rss_notes'&gt;&lt;div id=&#034;nb5-1&#034;&gt;
&lt;p&gt;&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt;[&lt;a href=&#034;#nh5-1&#034; class=&#034;spip_note&#034; title=&#034;Notas 5-1&#034; rev=&#034;appendix&#034;&gt;1&lt;/a&gt;] &lt;/span&gt;Por acto punitivo, ou aplica&#231;&#227;o de uma pena, entende-se aqui primeiramente o facto de infligir uma pena, depois em segundo lugar a sua execu&#231;&#227;o.&lt;/p&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div id=&#034;nb5-2&#034;&gt;
&lt;p&gt;&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt;[&lt;a href=&#034;#nh5-2&#034; class=&#034;spip_note&#034; title=&#034;Notas 5-2&#034; rev=&#034;appendix&#034;&gt;2&lt;/a&gt;] &lt;/span&gt;A passagem precedente indica como isso deve ser compreendido.&lt;/p&gt;
&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;
		
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		<title>Da Pessoa - cap&#237;tulo 4</title>
		<link>http://luz-da-sabedoria-divina.com/spip.php?article123</link>
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		<dc:date>2017-02-28T19:50:44Z</dc:date>
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&lt;p&gt;Destaques: &lt;br class='autobr' /&gt;
&#034;Um sujeito sem vida psico-espiritual n&#227;o tem outra possibilidade para l&#225; desta imers&#227;o no corpo; n&#227;o pode confrontar-se com ele e n&#227;o tem uma interioridade mais profunda na qual poderia retirar-se. A sua vida interna resume-se &#224;s sensa&#231;&#245;es dos seus estados de vida. Em compensa&#231;&#227;o, para um sujeito dotado de alma e de esp&#237;rito, as sensa&#231;&#245;es dos estados corp&#243;reos apenas constituem a periferia mais exterior da sua vida interior; quando mais fundo mergulha nele mesmo, tanto mais o (&#8230;)&lt;/p&gt;


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&lt;a href="http://luz-da-sabedoria-divina.com/spip.php?rubrique98" rel="directory"&gt;Da Pessoa &lt;/a&gt;


		</description>


 <content:encoded>&lt;div class='rss_chapo'&gt;&lt;p&gt;Destaques:&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&#034;Um sujeito sem vida psico-espiritual n&#227;o tem outra possibilidade para l&#225; desta imers&#227;o no corpo; n&#227;o pode confrontar-se com ele e n&#227;o tem uma interioridade mais profunda na qual poderia retirar-se. A sua vida interna resume-se &#224;s sensa&#231;&#245;es dos seus estados de vida. Em compensa&#231;&#227;o, para um sujeito dotado de alma e de esp&#237;rito, as sensa&#231;&#245;es dos estados corp&#243;reos apenas constituem a periferia mais exterior da sua vida interior; quando mais fundo mergulha nele mesmo, tanto mais o corpo se afasta. E inversamente: para poder mergulhar em si mesmo, &#233; preciso que ele se destaque o mais poss&#237;vel do seu corpo e n&#227;o &#233; preciso que viva nele&#034;.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&#034;O corpo n&#227;o &#233; apenas a pris&#227;o da alma, que a ret&#233;m, a entrava e a impede de se elevar. Esse s&#243; o caso do corpo corrompido, mas n&#227;o do corpo conforme ao seu sentido origin&#225;rio. Ainda no seu estado de corrup&#231;&#227;o, mas o mais puramente na medida em que corresponde ao seu sentido origin&#225;rio, ele &#233; o espelho da alma no qual se reflecte toda a sua vida interior, por meio do qual ela entra no campo da visibilidade. Quanto menos a alma se entrega, tanto mais ele toma a sua forma. Ele mesmo pode ser transfigurado com ela; a luz que enche a alma pode igualmente penetr&#225;-lo e irradiar atrav&#233;s dele&#034;.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&#034;Quanto mais a alma estiver cheia do esp&#237;rito de luz, tanto mais tudo o resto se apaga perante ela: todo o mundo terrestre e mesmo o seu pr&#243;prio corpo, que faz parte dele.&#034;&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;
		&lt;div class='rss_texte'&gt;&lt;p&gt;******&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;At&#233; aqui, tudo o que foi dito sobre a gra&#231;a s&#243; dizia respeito aos efeitos no interior da alma. Considerou-se o homem unicamente como um ser espiritual, cujos esp&#237;rito e alma podem orientar-se para a luz e no esp&#237;rito do qual a luz pode efectivamente penetrar. O corpo n&#227;o foi tido em considera&#231;&#227;o. N&#227;o saber&#237;amos como n&#227;o ir mais longe. N&#227;o &#233; indiferente que a alma humana esteja imersa num corpo de carne e que esteja ligada a este. N&#227;o se pode rejeitar a hip&#243;tese de um outro ponto de apoio para outros efeitos da gra&#231;a, ver para uma actividade salv&#237;fica pr&#243;pria, e &#233; preciso examinar a respectiva possibilidade. N&#227;o se manter&#225; menos que a ideia de que s&#243; a alma pode autenticamente ser a morada da luz, e tratar-se-&#224; apenas de saber se as suas liga&#231;&#245;es ao corpo e as influ&#234;ncias que se exercem a partir de l&#225;, permitem um novo acesso &#224; alma. A respeito deste assunto, a pr&#243;xima tarefa consistir&#225; portanto em determinar qual o g&#233;nero de liga&#231;&#227;o existente e quais as suas poss&#237;veis influ&#234;ncias.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Enquanto tal, o &#171;corpo&#187; &#233; caracterizado, e distinguido da &#171;carne&#187; puramente material que o constitui, pelo facto de todos os seus estados e todos os seus &#171;acidentes&#187; serem sentidos ou poderem ser sentidos. Tudo o que &#233; corp&#243;reo tem uma &lt;i&gt;face interna&lt;/i&gt;; onde h&#225; um &#171;corpo&#187;, h&#225; tamb&#233;m uma vida interna. N&#227;o &#233; simplesmente um &lt;i&gt;corpo sens&#237;vel&lt;/i&gt;, mas enquanto &#171;corpo&#187; ele &lt;i&gt;pertence&lt;/i&gt; necessariamente a um sujeito, a quem o seu &#171;corpo&#187; permite sentir, que lhe d&#225; a sua forma exterior, gra&#231;as ao qual &#233; colocado no mundo exterior e pode dar-lhe forma &#8213; a um sujeito que sente os seus estados. Onde n&#227;o h&#225; vida interna, tamb&#233;m n&#227;o h&#225; &#171;corpo&#187;, o que quer que seja que esta entidade possa ter em comum com a &#171;carne&#187;.O que significa mais precisamente esta &lt;i&gt;interioridade&lt;/i&gt;, necessariamente pr&#243;pria do &#171;corpo&#187;, n&#227;o o podemos desenvolver agora. Visto que como o &#171;corpo&#187; &#233; igualmente &#171;carne&#187;, ele &#233; at&#233; &#224;s suas profundezas a face externa desta interioridade.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Sentir os estados e os processos corp&#243;reos pode tomar formas diversas e corresponder a diferentes atitudes fundamentais do sujeito a respeito do seu corpo e no seu corpo. Podemos ter sensa&#231;&#245;es mais ou menos precisamente localizadas sobre e dentro do corpo: dor, press&#227;o, etc. Este &lt;i&gt;ter&lt;/i&gt; pode ser um puro ser-afectado-na-periferia-do-seu-ser. Do outro lado, um olhar inteligente pode dirigir-se sobre as sensa&#231;&#245;es e fazer delas o seu objecto. &#201; esse o caso quando, de uma maneira puramente humana, notamos aqui ou acol&#225; uma dor e eventualmente procuramos saber &lt;i&gt;de onde ela vem&lt;/i&gt; e o que poderemos fazer para a remediar. &#201; igualmente o caso quando (intencionalmente) &lt;i&gt;sofremos&lt;/i&gt; dessa dor.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Al&#233;m disso, mediando estas sensa&#231;&#245;es, o olhar pode voltar-se para o pr&#243;prio corpo, pois a sua fun&#231;&#227;o (fenomenologicamente falando) &#233; a de conduzir o corpo ao estatuto de dado. Nesta atitude, o corpo &#233; um objecto para o qual se dirige o olhar, da mesma forma que, quando se consideram as sensa&#231;&#245;es, ele constitui o fundo objectivo das quais elas se destacam. Se, em compensa&#231;&#227;o, somos afectados por e nas sensa&#231;&#245;es sem as visar ou as trespassar com o olhar da intelig&#234;ncia, ent&#227;o &lt;i&gt;vivemos no corpo&lt;/i&gt;. Ent&#227;o o sujeito n&#227;o se situa perante o seu corpo; est&#225; imerso nele; &#233; primariamente um sujeito corp&#243;reo, o sujeito dos seus estados corp&#243;reos.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Um sujeito sem vida psico-espiritual n&#227;o tem outra &lt;i&gt;possibilidade&lt;/i&gt; para l&#225; desta imers&#227;o no corpo; n&#227;o pode confrontar-se com ele e n&#227;o tem uma &lt;i&gt;interioridade&lt;/i&gt; mais profunda na qual poderia retirar-se. A sua vida interna resume-se &#224;s sensa&#231;&#245;es dos seus estados de vida. Em compensa&#231;&#227;o, para um sujeito dotado de alma e de esp&#237;rito, as sensa&#231;&#245;es dos estados corp&#243;reos apenas constituem a periferia mais exterior da sua vida interior; quando mais fundo mergulha nele mesmo, tanto mais o corpo se afasta. E inversamente: para poder mergulhar em si mesmo, &#233; preciso que ele se destaque o mais poss&#237;vel do seu corpo e n&#227;o &#233; preciso que viva nele. &lt;i&gt;Tanto quanto poss&#237;vel&lt;/i&gt; &#8213; a separa&#231;&#227;o completa constitui o caso limite. Quando o imaginamos realizado, o sujeito tornou-se insens&#237;vel a tudo o que acontece ao corpo, e tem a capacidade de o deixar. Entre estes dois p&#243;los: estar completamente entregue ao corpo e estar totalmente liberto dele, todas as situa&#231;&#245;es interm&#233;dias s&#227;o poss&#237;veis. Uma pessoa pode privilegiar os actos espirituais e apesar disso sentir os estados corp&#243;reos na sua periferia. Constatar-se-&#224; que as diversas camadas da vida interna, perif&#233;ricas ou centrais, n&#227;o se justap&#245;em distintamente mas influenciam-se reciprocamente. Um processo de pensamento e o facto de se estar afectado por uma dor n&#227;o podem coexistir sem que um possua tra&#231;os do outro (eventualmente t&#227;o m&#237;nimos que se subtraem &#224; observa&#231;&#227;o). Ou a dor atrai a ela a aten&#231;&#227;o do esp&#237;rito, distraindo-o &#8213; total ou parcialmente &#8213; do tema intelectual. Ou perturba o processo intelectual retirando-lhe mais ou menos as energias necess&#225;rias ao seu desenvolvimento. Debru&#231;&#225;-mo-nos algures sobre a natureza destas energias&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt; [&lt;a href=&#034;#nb6-1&#034; class=&#034;spip_note&#034; rel=&#034;appendix&#034; title=&#034;Causalidade ps&#237;quica [isto &#233; Beitr&#228;ge..., tratado 1, cap. V, &#167; 3].&#034; id=&#034;nh6-1&#034;&gt;1&lt;/a&gt;]&lt;/span&gt;.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Toda a vida interior se alimenta de uma fonte que cham&#225;mos &lt;i&gt;energia vital&lt;/i&gt;. Tudo o que amontoamos sem uma justifica&#231;&#227;o mais precisa sob o t&#237;tulo de &lt;i&gt;interioridade&lt;/i&gt;, e que j&#225; se revelou muito diverso, &#233; unificado em si pela liga&#231;&#227;o a uma tal fonte, e delimitado do exterior. Chamamos &lt;i&gt;psique&lt;/i&gt; uma tal monada fechada sobre ela mesma, e nela distinguimos a &lt;i&gt;alma&lt;/i&gt;, caracterizada como o mais interior de toda esta interioridade. Atrav&#233;s da energia vital, que alimenta todo o movimento ps&#237;quico, todos os acontecimentos que se passam no &lt;i&gt;interior&lt;/i&gt; s&#227;o ligados uns aos outros. O significado do corpo para a psique &#233; ainda diferente daquele que faz com que o &lt;i&gt;lado&lt;/i&gt; ps&#237;quico dos estados f&#237;sicos absorva alguma coisa das energias ps&#237;quicas. S&#243; quando discernimos a psique podemos compreender que sentido tem o facto de, por compenetra&#231;&#227;o, o interior se inserir no corpo.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A energia vital consome-se no acontecimento ps&#237;quico. Ela deveria diminuir progressivamente - mesmo que n&#227;o de um modo uniforme - se n&#227;o se voltasse a alimentar em algum lugar e assim se reconstitu&#237;sse. A flutua&#231;&#227;o dos sentimentos vitais, que nos informam acerca do estado da energia vital, indicam-nos que, para al&#233;m desta diminui&#231;&#227;o h&#225; uma produ&#231;&#227;o. E h&#225; fen&#243;menos que nos fazem reconhecer no corpo &#171;esta&#231;&#245;es de energia&#187; da qual a psique retira os seus recursos. A frescura que sentimos em todo o corpo (os psic&#243;logos chama-lhe uma &lt;i&gt;sensa&#231;&#227;o&lt;/i&gt; global), e que d&#225; testemunho de um &lt;i&gt;bem-estar&lt;/i&gt;, passa para o plano ps&#237;quico e condiciona o crescimento de toda a vida interior, na medida em que nada mais o entrave. A favor da energia vital, a psique aparece como propriamente imersa na corporeidade. &#201; por esta porta que penetram todas as influ&#234;ncias voltadas para o exterior e vindas de l&#225;. E situa-se igualmente a&#237; o ponto a partir do qual se poderiam encontrar os caminhos poss&#237;veis para a liberta&#231;&#227;o do corpo.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&#192; primeira vista parece insensato procurar uma tal liberta&#231;&#227;o, se o corpo &#233; necess&#225;rio &#224; psique para a restaura&#231;&#227;o das suas for&#231;as. Mas por um lado, o renovamento das energias n&#227;o &#233; &lt;i&gt;apenas&lt;/i&gt; poss&#237;vel a partir do corpo (o que ser&#225; preciso explicar); e por outro, a liga&#231;&#227;o ao corpo, tal como ela se apresenta na vida perif&#233;rica, n&#227;o &#233; de modo nenhum sin&#243;nimo de uma utiliza&#231;&#227;o racional das suas for&#231;as ao servi&#231;o da psique. Pelo contr&#225;rio, quanto mais lugar se d&#225; ao corpo, mais o sujeito &#233; nele imerso e se confunde com o sentimento dos seus estados, tamb&#233;m mais o corpo utiliza as for&#231;as para si; a psique reduz-se ent&#227;o &#224; dimens&#227;o de um anexo do corpo (um caso particular de que o &lt;i&gt;epifenomenismo&lt;/i&gt; tem falaciosamente feito um princ&#237;pio). Mas o corpo s&#243; se torna mais &lt;i&gt;ele-mesmo&lt;/i&gt; quando lhe &#233; permitido assim proliferar; ele decai numa esp&#233;cie de si-mesmo e torna-se cada vez mais uma &lt;i&gt;massa amorfa&lt;/i&gt;. Pois ele n&#227;o tem mais um aspecto formado e apoiado no interior.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;At&#233; onde podem as energias do corpo ser conduzidas para o interior, isso depende do sujeito, mas n&#227;o apenas dele. A &lt;i&gt;constitui&#231;&#227;o som&#225;tica&lt;/i&gt; desempenha igualmente o seu papel. S&#243; determinadas subst&#226;ncias est&#227;o aptas a servir para a constru&#231;&#227;o do organismo e a serem usadas e formadas, enquanto &#171;corpo&#187;, do interior. Esta base geral material de entidades psico-f&#237;sicas apresenta inumer&#225;veis variantes. Da estrutura &lt;i&gt;hil&#233;tica&lt;/i&gt; &lt;i&gt;[stofflich]&lt;/i&gt;, que &#233; a sua base material &lt;i&gt;natural&lt;/i&gt;, depende a forma como se &lt;i&gt;organiza&lt;/i&gt; uma tal entidade ps&#237;quica, depois da natureza das energias que ela &#233; capaz de p&#244;r &#224; disposi&#231;&#227;o da vida interior. Ela &#233; &lt;i&gt;programada&lt;/i&gt; para uma vida interior mais ou menos profunda.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Pertence &#224; pessoa saber o que faz deste fundamento natural do seu ser, relativamente ao qual goza de uma ampla liberdade. A sua actividade pode iniciar-se em in&#250;meros pontos, e atrav&#233;s de in&#250;meros erros ou omiss&#245;es tornar-se respons&#225;vel por desvios do caminho prescrito. A constitui&#231;&#227;o material origin&#225;ria do corpo deve ser mantida atrav&#233;s de um contributo de elementos nutritivos, para que as suas fun&#231;&#245;es org&#226;nicas e propriamente &#171;corp&#243;reas&#187; &#8213; centros de energia, andamento exterior, instrumentos adaptados &#224;s necessidades da vida interna &#8213; permane&#231;am intactas. O animal realiza atrav&#233;s da puls&#227;o, cegamente, a lei que o governa. Conduzido pelo &lt;i&gt;instinto&lt;/i&gt;, encontra aquilo de que precisa. Os seus tormentos s&#227;o consequ&#234;ncia de mal-forma&#231;&#245;es naturais ou de perturba&#231;&#245;es exteriores do curso &lt;i&gt;normal&lt;/i&gt; da vida; nunca derivam da sua pr&#243;pria falta. O homem a quem o seu corpo &#233; confiado &#233; respons&#225;vel por ele. Se o corpo &#233; negligenciado ou maltratado, isso gera perturba&#231;&#245;es das fun&#231;&#245;es corp&#243;reas, e existe o risco de que por consequ&#234;ncia a vida interna seja igualmente perturbada. Pois que &#8213; &#224; parte outros factores &#8213; o princ&#237;pio quer que a pessoa seja tanto mais livre relativamente ao seu corpo quanto este funcione normalmente. Ele s&#243; se imp&#245;e verdadeiramente quando algo n&#227;o est&#225; em ordem. Ent&#227;o h&#225; o perigo de ele absorver o sujeito; ou pelo menos ele chama a aten&#231;&#227;o para si, as for&#231;as ps&#237;quicas afrouxam e ele j&#225; n&#227;o &#233; o instrumento obediente de ac&#231;&#245;es exteriores.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Se o funcionamento normal do corpo s&#243; dependesse da pessoa ao qual ele pertence, bastaria adquirir esta liberdade &lt;i&gt;natural&lt;/i&gt; a respeito do corpo, e a mestria exactamente correspondente sobre ele, atrav&#233;s de uma aten&#231;&#227;o satisfat&#243;ria das suas necessidades. No homem &#8213; tal como no animal &#8213;, h&#225; mal-forma&#231;&#245;es naturais e defeitos de constitui&#231;&#227;o condicionados pelo mundo exterior. Pode tamb&#233;m acontecer que tal seja devido &#224; falta de elementos nutritivos necess&#225;rios ao corpo. Em todos estes casos, &#233; obrigado a lidar com as dificuldades com um corpo prejudicado nas suas fun&#231;&#245;es, com um corpo &lt;i&gt;diminu&#237;do&lt;/i&gt;. Se n&#227;o quiser cair sob a sua tirania ou deixar-se absorver por ele, deve encaminhar-se, a respeito do corpo, para uma liberdade e um dom&#237;nio que j&#225; n&#227;o s&#227;o naturais. A &lt;i&gt;ascese&lt;/i&gt; &#233; um caminho a seguir. O seu fim &#233; o de manter o corpo totalmente dirig&#237;vel e de conduzir tudo o que nele se passa sob o controlo da vontade. Por um lado, trata-se de adquirir a maior precis&#227;o de percep&#231;&#227;o poss&#237;vel, que possa tornar sens&#237;vel e control&#225;vel tudo o que &lt;i&gt;normalmente&lt;/i&gt; acontece sem que se lhe d&#234; aten&#231;&#227;o ou inten&#231;&#227;o. Por outro, &#233; preciso atingir a insensibilidade absoluta, que permita fechar &#224; vontade as portas que conduzem ao corpo e dele se abstrair totalmente. Estas duas qualidades adquirem-se pela concentra&#231;&#227;o e atrav&#233;s de exerc&#237;cios. Como, n&#227;o h&#225; de modo nenhum necessidade de o explicar aqui.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A obten&#231;&#227;o da liberdade perfeita &#233; ela mesma uma obra da liberdade. Certamente, n&#227;o apenas da simples liberdade. Vimos precedentemente que toda a actividade se baseia num fundamento de uma outra esp&#233;cie. Onde iria a vontade buscar as for&#231;as que uma tens&#227;o e um esfor&#231;o t&#227;o consider&#225;veis necessitam? Parece exclu&#237;do que as for&#231;as naturais possam ser para isso suficientes. Pois trata-se precisamente de se tornar independente dessas for&#231;as naturais e de manter intacta a vida espiritual no caso de essas for&#231;as virem a desfalecer.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;H&#225; a possibilidade de renovar as energias ps&#237;quicas quando estas diminuem na sequ&#234;ncia de um esgotamento f&#237;sico, sem que nada seja mudado no estado do corpo. O mundo espiritual, com o qual a &lt;i&gt;alma&lt;/i&gt; est&#225; em contacto, fornece-lhe energias; e ela cont&#233;m uma fonte origin&#225;ria que a torna capaz, independentemente da constitui&#231;&#227;o do corpo e dos seus estados mut&#225;veis, de se abrir e de activar espiritualmente e de se regenerar a partir do esp&#237;rito. A fonte &lt;i&gt;origin&#225;ria&lt;/i&gt; &#233; um dado nativo, an&#225;logo &#224; constitui&#231;&#227;o f&#237;sica. N&#227;o mais que as energias que a psique deve &#224; sua imers&#227;o no corpo, ela n&#227;o &#233; inesgot&#225;vel. Mas inesgot&#225;veis s&#227;o as energias que a ela chegam. Na medida em que isso pode produzir-se depende da sua liberdade, assim como do que ela faz do seu potencial origin&#225;rio. &#201; poss&#237;vel que se esgote numa actividade est&#233;ril, por exemplo dedicando-se activamente ao corpo e &#224; vida dos sentidos, na paix&#227;o e no prazer que da&#237; prov&#233;m, no cuidado do que lhe diz respeito. Esgota-se ent&#227;o sem se renovar, pois de maneira nenhuma dirige o seu olhar para o lugar de onde poderia vir-lhe algum socorro: para os valores espirituais de todas as esp&#233;cies, pessoais ou objectivas, e singularmente para a fonte da pr&#243;pria luz. O cuidado com o corpo pode ter como consequ&#234;ncia manter intactas as suas for&#231;as. Mas estas de nada aproveitam &#224; vida interna, pois que o esgotamento da fonte interior conduz &#224; &lt;i&gt;materializa&#231;&#227;o do corpo e da alma&lt;/i&gt;.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Por outro lado, a vontade pode apoderar-se de todas as energias originariamente submetidas &#224; psique &#8212; energias que lhe v&#234;m tanto do corpo como da alma &#8212; para conseguir com o seu apoio o dom&#237;nio do corpo. Quando ela faz isso sem se assegurar de que est&#225; ligada &#224;s fontes da energia espiritual, o resultado da ascese n&#227;o pode ser mais que uma &lt;i&gt;mortifica&#231;&#227;o&lt;/i&gt;, um enfraquecimento da alma &lt;i&gt;e&lt;/i&gt; do corpo. A tirania do corpo &#233; quebrada, mas n&#227;o se tira nada disso. libertar-se das suas pr&#243;prias for&#231;as, j&#225; o dissemos, conduz a um vazio total.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Libertar-se do corpo pela ascese s&#243; tem sentido quando isso n&#227;o &#233; um fim em si, mas quando visa tornar independente a vida da alma. Ela n&#227;o deve resumir-se ao esfor&#231;o concentrado da vontade, mas deve fixar o seu olhar sobre as esferas espirituais nas quais a alma pode viver autenticamente e a partir das quais pode renovar-se. Assim, s&#243; com o concurso da gra&#231;a o caminho da ascese pode tornar-se um caminho de &lt;i&gt;salva&#231;&#227;o&lt;/i&gt;.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Do ponto de vista da salva&#231;&#227;o, a ascese s&#243; diz respeito aos aspectos negativos da rela&#231;&#227;o entre alma e corpo, e na sua rela&#231;&#227;o somente o que perturba a vida da alma; ela procura romper esta rela&#231;&#227;o, mesmo em detrimento de valores positivos de que o corpo &#233; portador. Ela sacrifica a sa&#250;de e a beleza do corpo, e igualmente a liberdade &lt;i&gt;natural&lt;/i&gt; que ela pode garantir, para o ter perfeitamente na m&#227;o. &#201; preciso perguntar-se se &#233; o &#250;nico caminho poss&#237;vel para chegar &#224; liberdade. &#201; certamente o &#250;nico que o homem pode tomar por &lt;i&gt;ele mesmo&lt;/i&gt;. Mas relativamente &#224; obra de salva&#231;&#227;o pura e imediatamente iniciada na alma, vimos como a gra&#231;a pode ser pr&#233;-vinda, pode vir ao encontro do homem, e n&#227;o poder&#237;amos rejeitar a ideia de que, tamb&#233;m aqui, a gra&#231;a disp&#245;e de vias completamente diferentes.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Quanto mais a alma estiver cheia do esp&#237;rito de luz, tanto mais tudo o resto se apaga perante ela: todo o mundo terrestre e mesmo o seu pr&#243;prio corpo, que faz parte dele. No &lt;i&gt;&#234;xtase&lt;/i&gt;, esta distancia&#231;&#227;o pode culminar numa total insensibilidade e numa absor&#231;&#227;o completa. &#201; um dom puro da gra&#231;a levada do interior para o exterior, e ent&#227;o n&#227;o h&#225; mais, como actividade pr&#243;pria, que o perfeito abandono &#224; gra&#231;a. Isso pode mesmo fazer-se contra o consentimento da alma&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt; [&lt;a href=&#034;#nb6-2&#034; class=&#034;spip_note&#034; rel=&#034;appendix&#034; title=&#034;Ver as descri&#231;&#245;es de santa Teresa na sua Vida.&#034; id=&#034;nh6-2&#034;&gt;2&lt;/a&gt;]&lt;/span&gt;. Pelo que &#233; preciso compreender que esta resist&#234;ncia n&#227;o &#233; uma oposi&#231;&#227;o &#224; gra&#231;a enquanto tal, mas a este efeito particular da gra&#231;a. A convers&#227;o imanente ao reino da Luz n&#227;o poderia faltar.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Mas o desprendimento n&#227;o &#233; o &#250;nico efeito poss&#237;vel da gra&#231;a que se repercute no corpo. O corpo n&#227;o &#233; apenas a &lt;i&gt;pris&#227;o&lt;/i&gt; da alma, que a ret&#233;m, a entrava e a impede de se elevar. Esse s&#243; o caso do corpo &lt;i&gt;corrompido&lt;/i&gt;, mas n&#227;o do corpo conforme ao seu sentido origin&#225;rio. Ainda no seu estado de corrup&#231;&#227;o, mas o mais puramente na medida em que corresponde ao seu sentido origin&#225;rio, ele &#233; o &lt;i&gt;espelho&lt;/i&gt; da alma no qual se reflecte toda a sua vida interior, por meio do qual ela entra no campo da visibilidade. Quanto menos a alma se entrega, tanto mais ele toma a sua forma. Ele mesmo pode ser transfigurado com ela; a luz que enche a alma pode igualmente penetr&#225;-lo e irradiar atrav&#233;s dele. Trata-se ent&#227;o de uma santifica&#231;&#227;o do corpo atrav&#233;s da alma.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O caminho inverso n&#227;o seria igualmente poss&#237;vel? Uma santifica&#231;&#227;o que come&#231;aria ao n&#237;vel do corpo e que, a partir dele, penetraria a alma? Vimos que o corpo, na sua constitui&#231;&#227;o origin&#225;ria, &#233; o fundamento natural que suporta a vida ps&#237;quica, que segundo esta constitui&#231;&#227;o origin&#225;ria suporta sem prender. Ele prende penas quando est&#225; corrompido, &lt;i&gt;por natureza&lt;/i&gt; ou no percurso da vida terrestre. O que est&#225; corrompido, a gra&#231;a pode &lt;i&gt;cur&#225;-lo&lt;/i&gt;: tanto o corpo como a alma. Da mesma forma que a alma &#233; enchida pelo seu contacto com a luz e se afasta dela tudo o que se op&#245;e &#224; luz, tamb&#233;m o contacto exterior com subst&#226;ncias santificadas torna s&#227;s as substancias corrompidas. &#201; por isso que o que &#233; santo &#233; tamb&#233;m sempre curativo. N&#227;o como uma m&#233;dico &lt;i&gt;naturalista&lt;/i&gt; que conhece a composi&#231;&#227;o das substancias e as leis naturais segundo as quais &#233; preciso transfundi-las, e que disp&#245;e &#8212; nestes limites e segundo o que lhe oferece a natureza &#8212; de meios para restabelecer um estado de origem. Mas como um m&#233;dico que pode transformar tudo o que toca no que ele mesmo &#233;. N&#227;o poder&#237;amos imaginar um processo deste tipo segundo um modelo mecanicista. &#201; um puro efeito da gra&#231;a, um &lt;i&gt;milagre&lt;/i&gt;, quer dizer um acontecimento no qual a vontade divina &#233; imediatamente eficaz. N&#227;o h&#225; nenhuma &lt;i&gt;lei&lt;/i&gt; segundo a qual, em todos os casos em que um corpo santo toca um outro, este &#250;ltimo seria transformado. Mas &#233; poss&#237;vel que em cada caso de um contacto parecido este efeito se produza.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Isso pode acontecer quando o santo, confiante no aux&#237;lio do Alto, imponha as m&#227;os sobre um doente, mesmo que este n&#227;o seja crente. Isso pode igualmente produzir-se quando o doente crente toca o manto do santo, mesmo quando este n&#227;o o sabe nem o quer. E isso pode ainda produzir-se, mesmo que de nenhum lado o milagre seja esperado na f&#233; ou pedido, como uma pura manifesta&#231;&#227;o da santidade.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Outros tantos efeitos da gra&#231;a que s&#243; dizem respeito ao &#171;corpo&#187; (ver um corpo puramente material), sem ainda o considerar como via de acesso &#224; alma. Mas ent&#227;o, esta possibilidade torna-se imagin&#225;vel. Um corpo santificado n&#227;o importuna a alma. Ele &#233; o seu habitat preparado, que lhe torna poss&#237;vel uma vida livre e santa. &#201; aqui que os &lt;i&gt;sacramentos&lt;/i&gt; t&#234;m o seu lugar. Segundo as defini&#231;&#245;es do conc&#237;lio de Trento, o sacramento &#233; &lt;i&gt;res sensibus, quae ex Dei instutione sanctitatis et justitiae tum significandae tum efficiendae vim habet&lt;/i&gt;. Eles n&#227;o s&#227;o aqui considerados como sinais vis&#237;veis da gra&#231;a divina. A &#250;nica quest&#227;o que aqui nos interessa &#233; de saber se, e de que maneira, eles s&#227;o suscept&#237;veis de produzir a santidade e a justi&#231;a.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Se o homem fosse um ser puramente espiritual, nenhuma outra via de salva&#231;&#227;o para al&#233;m da via puramente interior entraria para ele em linha de conta. A sua constitui&#231;&#227;o corp&#243;rea, que &#8213; devido &#224; sua corrup&#231;&#227;o &#8213; o entravam na sua ascens&#227;o espiritual, torna por outro lado poss&#237;vel que ela venha em sua ajuda por outros meios da gra&#231;a. O homem tem necessidade de alimento para manter o corpo em bom estado. &#201; pois poss&#237;vel dar-lhe, al&#233;m dos alimentos terrestres, que podem ser s&#227;os mas que s&#227;o igualmente perec&#237;veis, um alimento que seja para ele um agente de salva&#231;&#227;o. Todo aquele que recebe o Corpo do Senhor, faz com que o seu pr&#243;prio corpo seja santificado. Certamente, este efeito da gra&#231;a s&#243; pode passar para a alma se ela estiver aberta &#224; gra&#231;a. Se n&#227;o for o caso, a recep&#231;&#227;o da Eucaristia permanece sem efeito para a alma; ela n&#227;o recebe o Senhor e portanto n&#227;o pode ser santificada. Em contrapartida, efeitos salutares espirituais manifestam-se mesmo se um homem, que deseja ser salvo, recebe a Eucaristia sem acreditar no seu efeito sacramental ou sem o conhecer. Isso deveria manifestar-se como um desatar dos la&#231;os que impedem o voo da alma. O pr&#243;prio voo, na medida em que ele se produz, j&#225; n&#227;o seria um efeito sacramental, mas um efeito interior. Mesmo quando o sacramento &#233; recebido com f&#233;, e que a alma se sente imediatamente elevada, estamos em presen&#231;a de um efeito duplo da gra&#231;a.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;No entanto o efeito dos sacramentos, n&#227;o &#233;, como no caso de uma cura milagrosa, o de restabelecer a constitui&#231;&#227;o material origin&#225;ria, e portanto de afastar toda a doen&#231;a. O que deve ser restabelecido, &#233; a rela&#231;&#227;o origin&#225;ria entre a alma e o corpo, devendo o corpo ser reconduzido ao seu lugar conveniente, o que &#233; poss&#237;vel sem que ele seja curado do mal.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&#201; evidente que a significa&#231;&#227;o dos sacramentos s&#243; recebe aqui um esclarecimento particular; e n&#227;o parece que possamos aplicar a tudo, aquilo que s&#243; &#233; aqui mostrado como um exemplo. Mas podemos dizer, de uma maneira mais geral, que os sacramentos s&#227;o adaptados &#224; organiza&#231;&#227;o psico-f&#237;sica do homem e que se devem compreender a partir da&#237;. &lt;i&gt;Vita spiritualis conformitatem aliquam habet ad vitam corporalem&lt;/i&gt;, diz Tom&#225;s de Aquino, designando a no&#231;&#227;o de &lt;i&gt;vita corporalis&lt;/i&gt; o conjunto da vida humana natural. J&#225; o facto de a vontade do Senhor se ter manifestado na Palavra, e de &lt;i&gt;o Verbo se ter feito carne&lt;/i&gt; n&#227;o deve ser compreendido a partir do esp&#237;rito, mas unicamente como adapta&#231;&#227;o &#224; constitui&#231;&#227;o natural das criaturas a quem Ele procura comunicar-se. O dado sens&#237;vel &#233; medido &#224; natureza humana, e &#233; desta forma que o momento espiritual pode mais facilmente ser-lhe sugerido, quando se torna vis&#237;vel. &#201; por palavras e por sinais que a gra&#231;a, por meio da via dos sentidos, aborda o esp&#237;rito dos homens para se introduzir, por caminhos espirituais, na sua alma . Do mesmo modo ela se adapta at&#233; nos seus efeitos reais &#224;s condi&#231;&#245;es da sua organiza&#231;&#227;o. A penit&#234;ncia e o perd&#227;o dos pecados aparecem ent&#227;o como processos t&#227;o espirituais que n&#227;o parece haver a&#237; espa&#231;o para um efeito sacramental. A alma que a luz da gra&#231;a ilumina e que se v&#234; nessa luz, deve reconhecer que havia e que h&#225; nela mal , e ela ficar&#225; cheia de horror e rejeit&#225;-lo-&#224;. E ao rejeit&#225;-lo liberta-se dele e ser&#225; perdoada.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Em princ&#237;pio &lt;i&gt;poderia&lt;/i&gt; ser assim. De facto, n&#227;o &#233; um processo t&#227;o simples; n&#227;o &#233; um acontecimento puramente espiritual, mas ao mesmo tempo um processo ps&#237;quico, submetido &#224;s leis da realidade ps&#237;quica. J&#225; o &lt;i&gt;pecado&lt;/i&gt; toma um aspecto completamente diferente se se tiverem em conta as leis ps&#237;quicas ou se se considerar o lado puramente espiritual. Segundo a sua natureza, o pecado &#233; uma mancha da alma que aparece quando o homem comete uma falta contra Deus. Podemos dizer que cada falta cont&#233;m uma falta contra Deus e que assim toda a falta moral &#233; igualmente um pecado. H&#225; pecado no estado puro quando me revolto contra o pr&#243;prio Deus, quando transgrido os seus mandamentos como tais, quando me fecho &#224; sua gra&#231;a sensivelmente oferecida. Se fa&#231;o qualquer coisa n&#227;o &lt;i&gt;porque&lt;/i&gt;, mas &lt;i&gt;ainda que&lt;/i&gt; seja contr&#225;ria &#224; lei divina, ou sem que a lei divina me esteja presente, podemos tirar da qualidade &#171;pecado&#187; aspectos que apenas dependem de um julgamento moral ou jur&#237;dico.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O pecado deve ser compreendido como a oposi&#231;&#227;o a Deus. Est&#225; em estado de pecado a alma que se revolta contra Deus, mas tamb&#233;m aquela que vive longe de Deus e em oposi&#231;&#227;o ao seu Esp&#237;rito. E da mesma forma que o afastamento e a oposi&#231;&#227;o constituem o pecado, este s&#243; pode ser apagado pela proximidade e pela uni&#227;o. Quando for reparado todo o preju&#237;zo que eu tiver causado a outrem, e quando eu tiver sido punido na propor&#231;&#227;o da minha falta, ainda nada mudou quanto ao pecado. Para ser liberto do pecado, n&#227;o h&#225; outra via que a da reconcilia&#231;&#227;o directa com Deus. &#201; preciso em primeiro lugar reconhecer que, &#224; parte todo o resto, falt&#225;mos a Deus; &#233; preciso compenetrar-se do que significa viver contra Deus e submeter-se a Ele num total abandono de si, a fim de poder obter o seu perd&#227;o.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Tal &#233; o facto do pecado e do perd&#227;o, sem ter em conta a organiza&#231;&#227;o ps&#237;quica. Compenetrar-se do reconhecimento do pr&#243;prio estado pecaminoso, e por consequ&#234;ncia voltar-se-contra-o-pecado (contra a natureza pecadora e contra a mancha particular por um &lt;i&gt;peccatum actuale&lt;/i&gt;), constitui o &lt;i&gt;arrependimento&lt;/i&gt;, que se trata igualmente de compreender no seu sentido propriamente espiritual, sem o qual nenhum perd&#227;o &#233; imagin&#225;vel.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&#233; preciso dar-se conta das consequ&#234;ncias que, segundo a lei da estrutura&#231;&#227;o do sujeito ps&#237;quico, o pecado tem neste. H&#225; no psiquismo qualquer coisa que poder&#237;amos chamar o seu &lt;i&gt;peso&lt;/i&gt;, e que corresponde ao peso na natureza material. Todo o acontecimento ps&#237;quico actual &lt;i&gt;disp&#245;e&lt;/i&gt; a psique para um certo tipo de reac&#231;&#227;o. Se por exemplo o comportamento de um qualquer outro provocou em mim a c&#243;lera &#8213; com,admitamos, um motivo completamente razo&#225;vel &#8213;, &#233; porque eu estou disposto a reagir assim; e quanto mais esta disposi&#231;&#227;o entra em fun&#231;&#227;o, mais ela se confirma. Ou ainda: quanto mais esta reac&#231;&#227;o se repete, tamb&#233;m mais o &lt;i&gt;h&#225;bito&lt;/i&gt; vai prevalecer sobre a motiva&#231;&#227;o de origem. Esta disposi&#231;&#227;o (que apresenta tanto tend&#234;ncias inatas como car&#225;cter adquirido) &lt;i&gt;determina&lt;/i&gt; o acontecimento ps&#237;quico quase como o fazem as leis naturais. &lt;i&gt;Quase&lt;/i&gt;, pois a liberdade da pessoa subsiste. Em princ&#237;pio, esta &lt;i&gt;pode&lt;/i&gt; levantar-se contra a &lt;i&gt;for&#231;a do h&#225;bito&lt;/i&gt; e voltar &#224; sua liberdade e &#224;s suas motiva&#231;&#245;es primeiras.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Se o homem, em conformidade com a sua natureza espiritual, tende a reagir segundo a raz&#227;o, esta tend&#234;ncia, em conformidade com a sua estrutura ps&#237;quica, fixa-se em disposi&#231;&#245;es dur&#225;veis. Do mesmo modo, uma vez que se deixa conduzir ao mal, isso torna-se um h&#225;bito. E mesmo se o remorso o atormenta, e o seu esp&#237;rito reage, o mau h&#225;bito pode fazer que repita incansavelmente o mal do qual interiormente se afastou. Assim uma actividade espec&#237;fica deve intervir para extirpar o mal, igualmente segundo a carne. &#201; aqui que a penit&#234;ncia encontra o seu lugar. A sua fun&#231;&#227;o &#233; a de fazer passar &#171;para o sangue&#187; do pecador a sua avers&#227;o pelo mal e a sua convers&#227;o ao bem. A cada inclina&#231;&#227;o pecaminosa deve corresponder um acto penitencial espec&#237;fico, a fim de desabituar o homem e de o dispor em sentido inverso.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A ascese v&#234;-se agora carregada com uma nova tarefa. A de, n&#227;o somente libertar a alma da tirania do corpo, mas a de destruir o dom&#237;nio das estruturas ps&#237;quicas e de permitir &#224; pessoa o seu autocontrole. De novo se v&#234; claramente como o lugar da liberdade, ao qual &#233; necess&#225;rio voltar para destruir este dom&#237;nio, &#233; ao mesmo tempo o ponto de fixa&#231;&#227;o poss&#237;vel da alma nas Alturas.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O &lt;i&gt;sacramento&lt;/i&gt; da penit&#234;ncia &#233; o efeito da gra&#231;a que vem ao encontro e eventualmente antecipa a livre actividade penitencial. A Palavra do Senhor que absolve &#233; capaz de infundir na alma uma for&#231;a que resiste &#224;s pot&#234;ncias ps&#237;quicas. Em que medida, al&#233;m disso, uma ac&#231;&#227;o livre, um &lt;i&gt;acto&lt;/i&gt; de penit&#234;ncia para l&#225; da disposi&#231;&#227;o &#224; penit&#234;ncia, s&#227;o necess&#225;rios: isso depende Dele. Ningu&#233;m pode salvar-se atrav&#233;s de penit&#234;ncias escolhidas por si mesmo. Todos os actos de penit&#234;ncia s&#227;o necessariamente actos conduzidos pela Vontade divina, obras de obedi&#234;ncia.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O nosso problema n&#227;o exige que consideremos cada um dos sacramentos. Trata-se somente de compreender que significa&#231;&#227;o poss&#237;vel lhes pertence na obra da salva&#231;&#227;o. Procur&#225;mos mostrar onde, na estrutura da personalidade humana, se manifesta a gra&#231;a e como ela age por interm&#233;dio dos sacramentos. Isso n&#227;o significa que estes sejam indispens&#225;veis para a salva&#231;&#227;o. A gra&#231;a &lt;i&gt;pode&lt;/i&gt; servir-se deles, mas n&#227;o &#233; constrangida por eles. Em princ&#237;pio, ela pode atingir o seu objectivo atrav&#233;s da simples via que chamamos a via interior. Pertence a Deus e n&#227;o ao homem a escolha entre estas duas vias. A gra&#231;a pode ser-lhe dada pela via da ilumina&#231;&#227;o interior, mas insistir sobre esta via e recusar a outra seria fazer prova de um orgulho culp&#225;vel. O homem pode ser elevado acima da natureza, mas n&#227;o pode elevar-se por si mesmo.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;H&#225; qualquer coisa de semelhante na quest&#227;o da forma sob a qual os sacramentos podem ser apresentados aos homens. O facto de existir uma institui&#231;&#227;o objectiva, que teria a administra&#231;&#227;o deles n&#227;o &#233; uma necessidade de princ&#237;pio. Poderia pensar-se que, para o crente, o simples p&#227;o quotidiano se transforma em Corpo do Senhor. Pode igualmente pensar-se que, por via de ilumina&#231;&#227;o interior, ele perceba que penit&#234;ncia deve fazer e que, da mesma maneira, a absolvi&#231;&#227;o dos pecados lhe seja directamente manifestada. Por outro lado, &#233; poss&#237;vel que uma institui&#231;&#227;o objectiva tenha por tarefa tornar vis&#237;vel a forma exterior da gra&#231;a do Senhor, de conservar e de anunciar a sua Palavra, de administrar e de distribuir os meios de gra&#231;a escolhidos por Ele. E toda a institui&#231;&#227;o da Igreja vis&#237;vel &#233; conforme a esta adapta&#231;&#227;o &#224; natureza sens&#237;vel do homem, a partir da qual podemos compreender os sacramentos. A ideia da Igreja, do sacramento do altar e da comunh&#227;o s&#227;o muito estreitamente ligadas entre elas e &#224; Incarna&#231;&#227;o de Cristo: em Cristo a Divindade tomou um rosto exterior para permanecer &lt;i&gt;para sempre&lt;/i&gt; vis&#237;vel entre os homens. No sacramento do altar ele est&#225; realmente presente, e pela comunh&#227;o cada qual que o recebe &#233; transformado no seu Corpo, de tal modo que a comunidade dos crentes reunida na Igreja representa, no sentido mais literal do termo, o Corpo de Cristo.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Se o Senhor escolheu esta via, n&#227;o &#233; uma quest&#227;o do homem aceit&#225;-la ou recus&#225;-la. O Senhor &lt;i&gt;pode&lt;/i&gt; igualmente conceder uma gra&#231;a &#224;queles que vivem fora da Igreja. Mas ningu&#233;m pode exigir isso como um direito, e a ningu&#233;m &#233; leg&#237;timo excluir-se voluntariamente da Igreja sob o pretexto desta possibilidade.&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;
		&lt;hr /&gt;
		&lt;div class='rss_notes'&gt;&lt;div id=&#034;nb6-1&#034;&gt;
&lt;p&gt;&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt;[&lt;a href=&#034;#nh6-1&#034; class=&#034;spip_note&#034; title=&#034;Notas 6-1&#034; rev=&#034;appendix&#034;&gt;1&lt;/a&gt;] &lt;/span&gt;Causalidade ps&#237;quica [isto &#233; &lt;i&gt;Beitr&#228;ge&lt;/i&gt;..., tratado 1, cap. V, &#167; 3].&lt;/p&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div id=&#034;nb6-2&#034;&gt;
&lt;p&gt;&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt;[&lt;a href=&#034;#nh6-2&#034; class=&#034;spip_note&#034; title=&#034;Notas 6-2&#034; rev=&#034;appendix&#034;&gt;2&lt;/a&gt;] &lt;/span&gt;Ver as descri&#231;&#245;es de santa Teresa na sua &lt;i&gt;Vida&lt;/i&gt;.&lt;/p&gt;
&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;
		
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		<title>Da Pessoa - cap&#237;tulo 5</title>
		<link>http://luz-da-sabedoria-divina.com/spip.php?article122</link>
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		<dc:date>2017-02-28T19:50:13Z</dc:date>
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		<dc:language>pt</dc:language>
		



		<description>
&lt;p&gt;Destaques: &lt;br class='autobr' /&gt;
&#034;Aquele que ama verdadeiramente v&#234; o amado tal &#171;como ele saiu das m&#227;os de Deus&#187;, tal como ele poderia ser actualmente se ele fosse totalmente ele-mesmo e pr&#243;ximo de si. Aqui Ver n&#227;o &#233; para ser tomado no sentido estrito. Isso significa uma apreens&#227;o, que n&#243;s consider&#225;mos como um momento da fides. Nesta rela&#231;&#227;o absoluta com um ser humano, somos tocados interiormente pela sua forma de ser pessoal, como se o fossemos pela m&#227;o de Deus&#034;. &lt;br class='autobr' /&gt;
&#034;A gra&#231;a &#233; o esp&#237;rito de Deus que surge, o (&#8230;)&lt;/p&gt;


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&lt;a href="http://luz-da-sabedoria-divina.com/spip.php?rubrique98" rel="directory"&gt;Da Pessoa &lt;/a&gt;


		</description>


 <content:encoded>&lt;div class='rss_chapo'&gt;&lt;p&gt;Destaques:&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&#034;Aquele que ama verdadeiramente v&#234; o amado tal &#171;como ele saiu das m&#227;os de Deus&#187;, tal como ele poderia ser actualmente se ele fosse totalmente ele-mesmo e pr&#243;ximo de si. Aqui &lt;i&gt;Ver&lt;/i&gt; n&#227;o &#233; para ser tomado no sentido estrito. Isso significa uma apreens&#227;o, que n&#243;s consider&#225;mos como um momento da &lt;i&gt;fides&lt;/i&gt;. Nesta rela&#231;&#227;o absoluta com um ser humano, somos tocados interiormente pela sua forma de ser pessoal, como se o fossemos pela m&#227;o de Deus&#034;.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&#034;A gra&#231;a &#233; o esp&#237;rito de Deus que surge, o amor divino que desce sobre n&#243;s. Na f&#233;, a gra&#231;a que nos &#233; objectivamente dada &#233; assumida subjectivamente&#034;.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&#034;Podemos designar a f&#233; como o efeito da gra&#231;a. N&#227;o &#233; poss&#237;vel tornar-se crente sem receber a gra&#231;a. Pela liberdade, podemos dispor-nos &#224; gra&#231;a. Por outro lado, a f&#233; n&#227;o pode desenvolver-se se a gra&#231;a n&#227;o for livremente apreendida. A gra&#231;a e a liberdade s&#227;o pois constitutivas da f&#233;&#034;.&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;
		&lt;div class='rss_texte'&gt;&lt;p&gt;******&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Saber se existe uma Igreja vis&#237;vel e sacramentos enquanto institui&#231;&#245;es divinas, eis que &#233;, como j&#225; o dissemos, uma pura quest&#227;o de facto &#224; qual s&#243; a &lt;i&gt;f&#233;&lt;/i&gt; pode responder. &#201; por isso que nos devemos perguntar o que &#233; a f&#233;; e a partir da&#237;, novas luzes incidir&#227;o sobre a quest&#227;o da gra&#231;a.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Trata-se em primeiro lugar de distinguir a f&#233; &lt;i&gt;religiosa&lt;/i&gt; &lt;i&gt;[fides]&lt;/i&gt; de tudo o que se chama &lt;i&gt;cren&#231;a&lt;/i&gt; num sentido n&#227;o religioso. O termo &#171;crer&#187; &#233; eminentemente poliss&#233;mico. Significa em primeiro lugar o ter-por-verdadeiro ou tomar-por-real um ente, a certeza inerente &#224; apreens&#227;o de uma coisa que existe &lt;i&gt;realiter&lt;/i&gt; ou &lt;i&gt;idealiter&lt;/i&gt;, assim como o saber que com ela se relaciona. O &lt;i&gt;belief&lt;/i&gt;&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt; [&lt;a href=&#034;#nb7-1&#034; class=&#034;spip_note&#034; rel=&#034;appendix&#034; title=&#034;Fixamos este termo para significar o &#171;crer&#187; neste primeiro sentido. (Toda (&#8230;)&#034; id=&#034;nh7-1&#034;&gt;1&lt;/a&gt;]&lt;/span&gt; pode ser considerado como o correlato da exist&#234;ncia. Da mesma forma que a realidade &#8213; como qualquer outro tipo de ser &#8213; n&#227;o pode existir por si, mas unicamente como modo de ser de um conte&#250;do que se explicita materialmente, tamb&#233;m a consci&#234;ncia que se tem de um existente real ou ideal cont&#233;m um momento especificamente relativo &#224; exist&#234;ncia, que tamb&#233;m ele n&#227;o pode subsistir por si mas apenas na base de certos actos do qual ela &#233; um momento constitutivo.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;N&#243;s designa-mo-la como &lt;i&gt;certeza&lt;/i&gt;, ou &#8213; segundo a terminologia aqui introduzida &#8213; como &lt;i&gt;belief&lt;/i&gt;. Os actos sobre os quais podem apresentar-se e que s&#227;o seus elementos constitutivos, s&#227;o de diversos g&#233;neros. Distinguem-se em primeiro lugar pelo g&#233;nero dos objectos nos quais e com os quais a exist&#234;ncia se oferece &#224; apreens&#227;o: objectos reais ou ideais, &lt;i&gt;externos&lt;/i&gt; ou &lt;i&gt;internos&lt;/i&gt;, etc. Depois, segundo os objectos, com a sua exist&#234;ncia, serem, ou n&#227;o, dados originariamente. O momento do &lt;i&gt;belief&lt;/i&gt; afecta tanto a apreens&#227;o origin&#225;ria do objecto como o &lt;i&gt;ser-consciente-de&lt;/i&gt; que se constr&#243;i sobre este fundo, por conseguinte por exemplo tanto a percep&#231;&#227;o como a lembran&#231;a de um ente real, tanto o ajustamento de um estado-de-coisa como o saber do qual ele &#233; objecto.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Em segundo lugar, ligando-nos aos &lt;i&gt;estados-de-coisa&lt;/i&gt; como a um dom&#237;nio particular de objectos, somos conduzidos ao &#171;crer&#187; num segundo sentido. Estamos no direito de aceitar os estados-de-coisa como &lt;i&gt;objectos&lt;/i&gt; no sentido formal mais amplo do termo, quer dizer como qualquer coisa que pode ser o correlato de um acto, ou no sentido l&#243;gico, o sujeito de uma pr&#233;dica. Por outro lado, s&#227;o objectos &lt;i&gt;de segunda m&#227;o&lt;/i&gt;que pressup&#245;em objectos num sentido mais estrito e no entanto ainda completamente formal&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt; [&lt;a href=&#034;#nb7-2&#034; class=&#034;spip_note&#034; rel=&#034;appendix&#034; title=&#034;Que A &#233; B &#233; o estado-de-coisa, que pressup&#245;e o objecto A.&#034; id=&#034;nh7-2&#034;&gt;2&lt;/a&gt;]&lt;/span&gt;. Os objectos prim&#225;rios, os objectos &lt;i&gt;propriamente objectos&lt;/i&gt;, s&#227;o os correlatos de um acto simples e n&#227;o pressup&#245;em nada. Os estados-de-coisa s&#227;o os correlatos de um acto que pressup&#245;e outros actos, e finalmente um acto simples. O &lt;i&gt;conhecimento&lt;/i&gt; do estado-de-coisa, quer seja o conhecimento imediato que chamamos intui&#231;&#227;o ou o conhecimento mediatizado que chamamos racioc&#237;nio, cont&#233;m o momento do &lt;i&gt;belief&lt;/i&gt;, mas igualmente o &lt;i&gt;saber&lt;/i&gt; que resulta do conhecimento e que, em certos casos, pode preced&#234;-lo.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Al&#233;m do conhecimento e do saber pode haver relativamente aos estados-de-coisa uma outra atitude intelectual, uma &lt;i&gt;tomada de posi&#231;&#227;o&lt;/i&gt; na qual o momento do &lt;i&gt;belief&lt;/i&gt; de alguma forma se separou e tornou independente: &#233; a &lt;i&gt;persuas&#227;o&lt;/i&gt;. Estou persuadido de &lt;i&gt;que A &#233; B&lt;/i&gt;. Isso significa uma coisa diferente de reconhecer o ser-B de A. Neste (re)conhecimento, o olhar pousa sobre A e sobre o seu ser-B. Na persuas&#227;o, e na afirma&#231;&#227;o que nela se fundamenta, &#233; a &lt;i&gt;efectividade&lt;/i&gt; do estado-de-facto que se fixa. Em toda a opera&#231;&#227;o com os estados-de-coisa: afirma&#231;&#227;o, racioc&#237;nio, prova, o momento formal torna-se absoluto e a isso corresponde, do lado do sujeito, o momento formal do &lt;i&gt;belief&lt;/i&gt;, a persuas&#227;o. Esta s&#243; &#233; poss&#237;vel a respeito dos estados-de-coisa, ou mais exactamente a respeito da sua efectividade. Mas n&#227;o a respeito de um objecto prim&#225;rio. Pois separar a efectividade de um objecto real ou ideal e consider&#225;-la por ela pr&#243;pria, n&#227;o significa mais do que explicit&#225;-la na sua qualidade de estado-de-coisa. A base objectiva da persuas&#227;o &#233; a &lt;i&gt;proposi&#231;&#227;o&lt;/i&gt; na qual &#233; afirmada a efectividade do estado-de-coisa. &#192; efectividade do estado-de-coisa corresponde a &lt;i&gt;verdade&lt;/i&gt; da proposi&#231;&#227;o, e estar persuadido do estado-de-coisa, &#233; estar persuadido da verdade da proposi&#231;&#227;o.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Em terceiro lugar, &#233; preciso acrescentar ao momento do &lt;i&gt;belief&lt;/i&gt; uma s&#233;rie de outros momentos; e paralelamente, &#233; preciso acrescentar &#224; persuas&#227;o, uma s&#233;rie de outras atitudes intelectuais: a suposi&#231;&#227;o, a d&#250;vida, a quest&#227;o, etc. Entre as &lt;i&gt;modalidades&lt;/i&gt; da certeza e da persuas&#227;o, h&#225; uma, que se costuma chamar &lt;i&gt;cren&#231;a&lt;/i&gt;. &#171;Creio que &#233; assim, mas n&#227;o sei&#187;. Este &#171;crer&#187;, que se op&#245;e ao &#171;saber&#187;, distingue-se claramente do &lt;i&gt;belief&lt;/i&gt; e da persuas&#227;o. E ele em si n&#227;o &#233; un&#237;voco: por isso podemos entender qualquer coisa que se parece com uma impress&#227;o, e que chamaremos &lt;i&gt;opinio&lt;/i&gt;; &lt;i&gt;parece-me que&lt;/i&gt; A &#233; B, mas &#233; poss&#237;vel que seja de outra maneira. Na impress&#227;o, faz-se refer&#234;ncia a raz&#245;es e objec&#231;&#245;es; na &lt;i&gt;opinio&lt;/i&gt;, nada se op&#245;e a isso; mas ela procede de uma certa atitude c&#233;ptica, que tem sempre presente no esp&#237;rito a possibilidade vazia de ser-de-outra-maneira. E n&#227;o mais que as objec&#231;&#245;es, as raz&#245;es que advogam em seu favor n&#227;o est&#227;o presentes na &lt;i&gt;opino&lt;/i&gt;.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Em quarto lugar: ela partilha esta caracter&#237;stica com a &lt;i&gt;doxa&lt;/i&gt;, a cren&#231;a &lt;i&gt;cega&lt;/i&gt;, que tamb&#233;m &#233; contr&#225;ria ao saber. Mas aqui, as raz&#245;es e as objec&#231;&#245;es, mesmo como possibilidades vazias, n&#227;o desempenham qualquer papel, e &#233; a isso que a &lt;i&gt;doxa&lt;/i&gt;, ao contr&#225;rio da &lt;i&gt;opinio&lt;/i&gt; hesitante, deve a caracter&#237;stica de apresentar uma firmeza interna que a coloca ao lado da persuas&#227;o. Poder&#237;amos praticamente associ&#225;-la &#224; persuas&#227;o, o que obrigaria, &#233; verdade, a distinguir no seio de persuas&#227;o a que &#233; cega da que v&#234;.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Entre estas diversas significa&#231;&#245;es do &#171;crer&#187;, h&#225; poucas que n&#227;o sejam confundidas com a cren&#231;a religiosa. Tamb&#233;m aqui, n&#227;o se trata de um simples estado de facto, o que torna dif&#237;cil a distin&#231;&#227;o. Procuramos em primeiro lugar ver claro no acto fundamental. Chamamos-lhe &lt;i&gt;fides&lt;/i&gt;. Retemos em primeiro lugar que &#233; propriamente um &lt;i&gt;acto&lt;/i&gt;, e n&#227;o apenas qualquer coisa que tem um car&#225;cter de acto, como o &lt;i&gt;belief&lt;/i&gt;. Distingue-se da persuas&#227;o e das suas modifica&#231;&#245;es por isto, que o seu correlato n&#227;o &#233; um estado de coisa mas um objecto prim&#225;rio, e que ele mesmo, o que resulta da&#237;, n&#227;o &#233; um acto fundamentado noutro, mas um acto simples. E distingue-se de tudo o que foi exposto at&#233; aqui, como n&#227;o sendo um acto puramente te&#243;rico. N&#227;o h&#225; aqui simplesmente a apreens&#227;o de qualquer coisa que &#233; tida por verdadeira &#8213; &#224; dist&#226;ncia, sem que isso me diga respeito, como &#233; o caso na atitude te&#243;rica &#8213;, mas que eu apreendo, &lt;i&gt;no que&lt;/i&gt; eu apreendo, me penetra; isso apodera-se de mim no centro da minha pessoa e eu permane&#231;o a&#237;. Este &lt;i&gt;no que&lt;/i&gt; deve ser tomado &#224; letra. N&#227;o h&#225; aqui &lt;i&gt;antes&lt;/i&gt; e &lt;i&gt;depois&lt;/i&gt;. Nem quanto ao tempo nem quanto &#224; coisa. Aquilo que chamamos um a seguir ao outro, e que isolamos pela an&#225;lise, &#233; uma uniformidade num acto indivis&#237;vel, em que nenhum momento &#233; anterior ao outro, em que nenhum &#233; poss&#237;vel sem os outros. Quanto mais profundamente isso me impressiona, mais fortemente me seguro e tamb&#233;m mais eu apreendo. E tudo isso pode tamb&#233;m ser invertido. Tudo o que habitualmente aparece como separado, como obedecendo, eventualmente, a motiva&#231;&#245;es opostas, &#233; aqui fundido num acto &#250;nico: conhecimento, amor, ac&#231;&#227;o.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&#171;Conhecimento&#187; n&#227;o &#233; para ser tomado no sentido precedentemente evocado. No acto de f&#233;, o objecto de f&#233; n&#227;o &#233; reconhecido como sendo assim ou de outra forma; n&#227;o se sabe &lt;i&gt;que&lt;/i&gt; este objecto &#233; assim... Este conhecimento s&#243; pode ser &lt;i&gt;recebido na f&#233;&lt;/i&gt;. Ora temos j&#225; aqui a rela&#231;&#227;o entre acolhimento e ac&#231;&#227;o cognitiva, por exemplo entre percep&#231;&#227;o e conhecimento do mundo exterior. Mas na f&#233;, a &lt;i&gt;apreens&#227;o&lt;/i&gt; n&#227;o &#233; uma tomada de conhecimento do g&#233;nero da percep&#231;&#227;o. O objecto da f&#233; n&#227;o &#233; percebido. De onde poder&#225; vir a confus&#227;o entre f&#233; e &lt;i&gt;doxa&lt;/i&gt; cega. Mas invis&#237;vel, inacess&#237;vel aos sentidos, ele nos &#233; no entanto imediatamente presente, ele toca-nos, sustem-nos e torna-nos capazes de permanecermos nele.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O objecto da f&#233;, &#233; Deus. &lt;i&gt;Fides&lt;/i&gt;, &#233; a &lt;i&gt;f&#233; em Deus&lt;/i&gt;. Este &#171;Em&#187; exprime todos os momentos que a distinguem de toda a cren&#231;a te&#243;rica. Dizemos igualmente: crer num homem. E tamb&#233;m isso parece pertencer ao dom&#237;nio da &lt;i&gt;fides&lt;/i&gt;. Quando falamos de crer num homem, dizemos que nos fiamos nele, ou que podemos faz&#234;-lo; que tamb&#233;m ele nos sust&#233;m, que estamos seguros com ele; ; que a nossa morada &#233; na sua casa, ou que em caso de necessidade ele seria o nosso ref&#250;gio. E cremos tamb&#233;m sem &lt;i&gt;ver&lt;/i&gt;, quer dizer sem provas fornecidas pela experi&#234;ncia.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&#201; isso que exprime a escolha do termo &lt;i&gt;crer&lt;/i&gt;. E ele ainda cont&#233;m outra coisa: aquilo que nos sust&#233;m, e aquilo em que n&#243;s cremos ter um apoio como o qual podemos contar em cada momento deve ser duravelmente s&#243;lido. A const&#226;ncia faz parte do objecto da f&#233;. E em Santa Teresa d' &#193;vila lemos: &#171;Pensa como os homens mudam rapidamente, e como pouco podemos contar com eles; por isso segura-te a Deus, que n&#227;o muda&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt; [&lt;a href=&#034;#nb7-3&#034; class=&#034;spip_note&#034; rel=&#034;appendix&#034; title=&#034;Ver Escritos, t. IV, p. 98.&#034; id=&#034;nh7-3&#034;&gt;3&lt;/a&gt;]&lt;/span&gt;. Isso significa: Somos muito inclinados a crer nos homens, mas eles n&#227;o s&#227;o o verdadeiro objecto da f&#233;. N&#227;o temos aqui de nos perguntar se &#233; leg&#237;timo, se e em que medida &#233; util crer nos homens. Neste contexto, s&#243; nos importa saber se crer nos homens deve ser considerado como um &lt;i&gt;caso&lt;/i&gt; real da &lt;i&gt;fides&lt;/i&gt; e se podemos tom&#225;-lo validamente como exemplo para a an&#225;lise, ou se em si este &#171;crer&#187; &#233; j&#225; diferente da f&#233; em Deus. Certamente, teremos de nos perguntar se &#233; compat&#237;vel com a ess&#234;ncia da &lt;i&gt;fides&lt;/i&gt; que, por princ&#237;pio, vai &#224; deriva quando a aplicamos a certos objectos.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;H&#225; actos que, embora apresentem o car&#225;cter do &lt;i&gt;belief&lt;/i&gt;, s&#227;o suscept&#237;veis de se &lt;i&gt;debilitar&lt;/i&gt;. Neste n&#250;mero contam-se as percep&#231;&#245;es e as experi&#234;ncias de todas as &lt;i&gt;coisas deste mundo&lt;/i&gt;. A possibilidade de n&#227;o ser ou de ser outras coisa, que imprime a sua marca &#224; &lt;i&gt;opinio&lt;/i&gt;, existe mesmo para o correlato de actos em que a &lt;i&gt;certeza&lt;/i&gt; parece atestar subjectivamente o momento do &lt;i&gt;belief&lt;/i&gt;, o ser e o ser-tal dos seus objectos. E n&#227;o &#233; apenas objectivamente assim; isso est&#225; inclu&#237;do nos pr&#243;prios actos e no &lt;i&gt;belief&lt;/i&gt;. o crer &lt;i&gt;emp&#237;rico&lt;/i&gt; n&#227;o &#233; definitivo e invari&#225;vel, n&#227;o &#233; &lt;i&gt;absoluto&lt;/i&gt;. A f&#233; em Deus &lt;i&gt;tem&lt;/i&gt; a qualidade de absoluto. Podemos perd&#234;-la, mas ela n&#227;o se pode transformar. &lt;i&gt;Duvidar de Deus&lt;/i&gt; n&#227;o &#233; uma modifica&#231;&#227;o da &lt;i&gt;fides&lt;/i&gt;. E em todo o rigor, esta express&#227;o n&#227;o &#233; correcta. S&#243; pode haver d&#250;vida acerca da &lt;i&gt;exist&#234;ncia&lt;/i&gt; de Deus, portanto s&#243; pode haver modifica&#231;&#227;o da certeza: Deus existe. Esta d&#250;vida pode ter as suas ra&#237;zes na aus&#234;ncia de f&#233;. Mas &#233; igualmente poss&#237;vel que a f&#233; esteja presente e que paralelamente, na esfera intelectual, em vez da persuas&#227;o que nela estaria apoiada, haveria d&#250;vida, ver a persuas&#227;o de que... n&#227;o...&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;H&#225; muitas diferen&#231;as subjectivas da &lt;i&gt;fides&lt;/i&gt;. Podemos falar de uma f&#233; mais ou menos &lt;i&gt;s&#243;lida&lt;/i&gt;. N&#227;o s&#227;o contudo graus na certeza da f&#233;, mas uma maior ou menor intensidade do apoiar-se nela ou do sentir-se apoiado por ela.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Para tentar descobrir se &#233; poss&#237;vel falar de &lt;i&gt;fides&lt;/i&gt; a respeito dos homens, &#233; preciso abstrair de toda a experi&#234;ncia relativa a tra&#231;os de car&#225;cter, atitudes, formas de agir, etc. Tudo isso pertence ao dom&#237;nio do &lt;i&gt;belief&lt;/i&gt;, e em princ&#237;pio est&#225; marcado com o sinal de poss&#237;veis decep&#231;&#245;es. H&#225; no entanto uma maneira de apoiar-se num homem apesar das experi&#234;ncias, e de elas n&#227;o desacreditarem. Esta fidelidade orienta-se sobre qualquer coisa que, no homem, se mant&#233;m atrav&#233;s de todas as muta&#231;&#245;es e sob todas as transforma&#231;&#245;es. Aquele que ama verdadeiramente v&#234; o amado tal &#171;como ele saiu das m&#227;os de Deus&#187;, tal como ele poderia ser actualmente se ele fosse totalmente ele-mesmo e pr&#243;ximo de si. Aqui &lt;i&gt;Ver&lt;/i&gt; n&#227;o &#233; para ser tomado no sentido estrito. Isso significa uma &lt;i&gt;apreens&#227;o&lt;/i&gt;, que n&#243;s consider&#225;mos como um momento da &lt;i&gt;fides&lt;/i&gt;. Nesta rela&#231;&#227;o absoluta com um ser humano, somos tocados interiormente pela sua forma de ser pessoal, como se o fossemos pela m&#227;o de Deus. Aqui h&#225; de novo uma certeza absoluta, e em si assinalada como absoluta, que permanece, mesmo que, sob o efeito da experi&#234;ncia, a persuas&#227;o de &#171;que ele &#233; verdadeiramente assim&#187; possa eventualmente dar lugar &#224; d&#250;vida, e finalmente tornar-se no seu contr&#225;rio. Mas o que o homem &#233; neste sentido absoluto, pode s&#234;-lo mais ou menos na actualidade da vida terrestre. E quanto menos ele o for, menos podemos fiar-nos nele &#8213; apreendemos o vazio se o tentarmos. Aqui n&#227;o h&#225; verdadeira seguran&#231;a.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;E &#233; nisso que reside a diferen&#231;a entre a pura &lt;i&gt;fides&lt;/i&gt; e o &#171;crer num homem&#187;. Quanto &#224; apreens&#227;o, ela &#233; compar&#225;vel de um e de outro lado. O apoiar-se e ser-apoiado, em compensa&#231;&#227;o, &#233; diferente. A qualidade de absoluto e a perman&#234;ncia do ser divino correspondem &#224; seguran&#231;a absoluta daquele que permanece firme na f&#233;. A dualidade no ser do homem, que explica que ele possa decair e perder-se, torna-o incapaz de ser um apoio absolutamente seguro. As expectativas, motivadas pela confian&#231;a que se tem nele, podem sempre ser decepcionadas, e isso produz no pr&#243;prio homem uma inseguran&#231;a que &#233; exclu&#237;da na &lt;i&gt;fides&lt;/i&gt;.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;J&#225; por diversas vezes sublinh&#225;mos como a &lt;i&gt;fides&lt;/i&gt; faz apelo &#224;s diferentes significa&#231;&#245;es do crer na esfera intelectual. Ao &lt;i&gt;belief&lt;/i&gt; corresponde, no acto fundamental religioso, aquilo que chamamos a certeza da f&#233;. Mas este momento distingue-se do &lt;i&gt;belief&lt;/i&gt; pela sua qualidade de absoluto e pela impossibilidade de princ&#237;pio de o transferir para outros caracteres, por exemplo a d&#250;vida, etc.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Face &#224; persuas&#227;o, a &lt;i&gt;fides&lt;/i&gt; desempenha o papel de um fundamento poss&#237;vel, como o objecto do crer pode ser o fundamento dos estados-de-coisas, objectos de certeza. Isto merece ser assinalado, pois a isso liga-se o que j&#225; foi tratado: &lt;i&gt;do&lt;/i&gt; crer podem ser tirados conhecimentos relativos aos objectos da cren&#231;a. Enquanto vivermos inteiramente no crer, o objecto da cren&#231;a mant&#233;m-se simplesmente diante de n&#243;s, ele n&#227;o nos &lt;i&gt;aparece&lt;/i&gt; como tendo tal ou tal qualidade. Mas logo que passamos a uma atitude de saber, podemos aprender aquilo que &lt;i&gt;sent&#237;amos&lt;/i&gt; ao crer, a que g&#233;nero de objecto nos seguramos.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Para descobrir isso, conv&#233;m analisar mais proximamente este &lt;i&gt;estado de alma sentido&lt;/i&gt;. Diz&#237;amos que no acto religioso fundamental, o conhecimento, o amor e a ac&#231;&#227;o est&#227;o reunidos. Dev&#237;amos retirar o termo &#171;conhecimento&#187; como n&#227;o sendo rigorosamente correcto. Prefer&#237;amos &lt;i&gt;apreens&#227;o&lt;/i&gt;, que caracterizar&#237;amos como um toque da m&#227;o de Deus, em virtude de que aquilo que nos toca &#233;-nos igualmente presente. N&#227;o podemos de maneira nenhuma subtrair-nos a este toque, e n&#227;o h&#225; nenhum lugar aqui para uma colabora&#231;&#227;o da nossa liberdade. Assim Deus est&#225; &#224; nossa frente como uma pot&#234;ncia impar&#225;vel, como o Deus &lt;i&gt;de For&#231;a e de Majestade&lt;/i&gt; que deve ser temido e obedecido. A esta primeira apreens&#227;o pode responder um comportamento livre. Se eu apreendo a M&#227;o que me toca, eu sou absolutamente apoiado e protegido. O Deus &lt;i&gt;todo-poderoso&lt;/i&gt; est&#225; presente como Deus &lt;i&gt;infinitamente bom&lt;/i&gt;, &#171;como nossa esperan&#231;a e nossa fortaleza&#187;. O amor por Ele inunda-nos, e senti-mo-nos levados pelo seu amor. Apreender e segurar a M&#227;o de Deus &#233; o &lt;i&gt;acto&lt;/i&gt; que co-constitui o acto de f&#233;. Aquele que n&#227;o faz isso, aquele que n&#227;o houve bater e que continua a viver a sua vida terrestre como se de nada se trata-se, nesse o acto de f&#233; n&#227;o desabrocha e o objecto da f&#233; permanece-lhe oculto.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;H&#225; ainda uma outra possibilidade. Pode-se ouvir bater e no entanto n&#227;o abrir, pode-se recusar a obedi&#234;ncia pedida. Ent&#227;o Deus est&#225; presente, mas como qualquer coisa de amea&#231;ador, contra a qual nos insurgimos, como um entrave que se quer rejeitar. N&#227;o se permanece, e n&#227;o se &#233; abrigado, n&#227;o amamos e n&#227;o nos sentimos amados.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;S&#243; pode adquirir o conhecimento de Deus, que se deve colher na &lt;i&gt;fides&lt;/i&gt;, o que vive na f&#233; e que no entanto consegue efectu&#225;-lo interiormente em todo o seu aspecto concreto. Quem n&#227;o conhece a f&#233; a partir do interior tamb&#233;m n&#227;o pode aceder a um conhecimento de Deus.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O conhecimento que se trata de beber na f&#233;, a explicita&#231;&#227;o objectiva daquilo que est&#225; simplesmente presente em v&#243;s como objecto de f&#233;, podemos design&#225;-lo como o conhecimento natural de Deus. A express&#227;o &lt;i&gt;natural&lt;/i&gt; n&#227;o &#233; muito feliz, pois este conhecimento j&#225; saiu do contacto com o Transcendente. O conhecimento &lt;i&gt;sobrenatural&lt;/i&gt;apenas representa uma forma diferente, superior, de penetra&#231;&#227;o no mundo transcendente. O acto de f&#233; diz respeito a um Deus &lt;i&gt;invis&#237;vel&lt;/i&gt;. Mas nada imp&#245;e a Deus permanecer invis&#237;vel. Ele pode decidir &lt;i&gt;manifestar-se ao crente&lt;/i&gt; e nomeadamente falar-lhe; ao &lt;i&gt;crente&lt;/i&gt;, pois a f&#233; &#233; a chave da revela&#231;&#227;o, e ela &#233; inacess&#237;vel ao n&#227;o-crente. Podemos crer sem manifesta&#231;&#227;o; mas sem f&#233;, as revela&#231;&#245;es ficam mudas, n&#227;o se lhes &#171;concede nenhuma f&#233;&#187;. &#201; certamente poss&#237;vel que pela revela&#231;&#227;o, ao recebe-la, a f&#233; seja despertada (como em Paulo); &#233; por isso que &#233; exactamente a f&#233; que torna poss&#237;vel receber a manifesta&#231;&#227;o como uma revela&#231;&#227;o. Mas regra geral o Senhor gratifica os que s&#227;o fortes na f&#233;, os seus profetas e os seus santos.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;H&#225; v&#225;rios tipos de revela&#231;&#227;o. As palavras que Deus pronuncia pela boca dos profetas s&#227;o revela&#231;&#245;es; primeiro revela&#231;&#245;es para eles mesmos, depois para aqueles a quem eles falam, se &#171;tiverem ouvidos para ouvir&#187;. Antes de tudo, as palavras Daquele em quem &#171;o Verbo se fez carne&#187;, e a pr&#243;pria Incarna&#231;&#227;o. As revela&#231;&#245;es parecem trazer um conhecimento mediato, comparado com o conhecimento adquirido na f&#233;. &lt;i&gt;Mediato&lt;/i&gt;, n&#227;o no sentido de uma conclus&#227;o tirada de um conhecimento imediato, mas no sentido de uma comunica&#231;&#227;o. O motivo da sua certeza &#233; a cren&#231;a na veracidade Daquele que entrega esta comunica&#231;&#227;o. Certamente nada obriga a ficar numa comunica&#231;&#227;o ordin&#225;ria. A pr&#243;pria mensagem comunicada &#233; impenetr&#225;vel. Recebo-a e acredito nela na medida em que considero o mensageiro cred&#237;vel. &#201; poss&#237;vel que eu &lt;i&gt;veja claramente&lt;/i&gt; o que me &#233; comunicado. Mas finalmente (na troca entre pessoas humanas) isso &#233; independente do mensageiro: um conhecimento imediato novamente inaugurado, que se segue &#224; mensagem. A revela&#231;&#227;o pode igualmente tornar-se intelig&#237;vel, e pode suceder que se exija simplesmente que assim permane&#231;a. &#233; esse o caso para a grande massa de crentes, que s&#243; v&#234;em &#171;num espelho, numa palavra obscura&#187; mas n&#227;o &#171;face a face&#187;. Mesmo para o profeta, a revela&#231;&#227;o que lhe &#233; transmitida permanece muitas vezes uma palavra obscura. Mas tamb&#233;m nesse caso,&lt;i&gt; h&#225;&lt;/i&gt;, um &#171;ver face a face&#187;, e isso n&#227;o &#233; independente Daquele que Fala, mas &#233; uma gra&#231;a muito particular, o cume da revela&#231;&#227;o.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Igualmente sobre a &lt;i&gt;forma&lt;/i&gt; da revela&#231;&#227;o. No que diz respeito ao seu conte&#250;do, tudo pode a&#237; entrar: ensinamentos sobre a natureza de Deus e do seu Reino, manifesta&#231;&#245;es da Vontade divina, ordens para o receptor da revela&#231;&#227;o ou para outros, a quem este &#233; enviado como mensageiro, ensinamentos sobre o mundo terrestre. Finalmente, cada conhecimento imediato traz a marca de um dom da gra&#231;a divina. O conhecimento &lt;i&gt;natural&lt;/i&gt; &#233; precedido de uma livre actividade intelectual, mas quando, mas quando ela chega a um resultado, &#233; mesmo assim sempre como se uma m&#227;o invis&#237;vel levantasse o v&#233;u de um mist&#233;rio. Toda a verdade vem de Deus.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Aquilo a que a revela&#231;&#227;o permite aceder pode ser exprimido numa proposi&#231;&#227;o &#8213; como ali&#225;s o que &#233; directamente bebido na &lt;i&gt;fides&lt;/i&gt;. Isso torna-se um &lt;i&gt;dogma&lt;/i&gt;&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt; [&lt;a href=&#034;#nb7-4&#034; class=&#034;spip_note&#034; rel=&#034;appendix&#034; title=&#034;Aquilo que a Igreja elevou &#224; categoria de dogma &#233; uma escolha entre o que, (&#8230;)&#034; id=&#034;nh7-4&#034;&gt;4&lt;/a&gt;]&lt;/span&gt;. O dogma &#233; novamente uma proposi&#231;&#227;o que pede a f&#233;. Esta f&#233; &#233; uma persuas&#227;o que o &#233; como o diz o dogma. Esta persuas&#227;o distingue-se daquela que aprendemos a conhecer anteriormente, como a certeza absoluta da &lt;i&gt;fides&lt;/i&gt; se distingue do &lt;i&gt;belief&lt;/i&gt;. A &lt;i&gt;convic&#231;&#227;o dogm&#225;tica&lt;/i&gt; apoia-se sobre a &lt;i&gt;fides&lt;/i&gt; como a certeza puramente intelectual sobre os actos simples que est&#227;o na base do conhecimento natural, donde ela tira a sua for&#231;a.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Existe, &#233; verdade, uma imagem enganadora. Uma certeza que &#233; como o ensinamento dos dogmas, que n&#227;o estaria ancorada na &lt;i&gt;fides&lt;/i&gt;, mas por exemplo na confian&#231;a em autoridades humanas. &lt;i&gt;Cremos&lt;/i&gt; porque &lt;i&gt;assim o aprendemos&lt;/i&gt;. Um tal homem pode agarrar-se ao dogma sem ser crente, quer dizer sem nunca ter efectuado o acto religioso fundamental, e tamb&#233;m sem viver nele. As suas &lt;i&gt;obras&lt;/i&gt; podem ser completamente correctas, mas n&#227;o s&#227;o feitas em nome da vontade divina, e portanto tamb&#233;m n&#227;o podem agradar a Deus. E onde ele n&#227;o for conduzido pelos dogmas &#8213; quer por eles deixarem um &lt;i&gt;espa&#231;o de jogo&lt;/i&gt;, ou por a vida interior transgredir os limites &#8213;, tamb&#233;m l&#225; vai faltar a conformidade exterior com a lei divina. Pois que o sinal distintivo da &lt;i&gt;fides&lt;/i&gt;, e de tudo o que sobre ela repousa, &#233; que ela se exprime na totalidade da vida. Quanto mais algu&#233;m &#233; firme na f&#233;, mais a sua vida &#233; penetrada e formada, at&#233; &#224;s suas &#250;ltimas consequ&#234;ncias, pela f&#233;, e tamb&#233;m mais os &lt;i&gt;frutos do amor&lt;/i&gt; ser&#227;o nele vis&#237;veis.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Diz&#237;amos que os dogmas, na medida em que eles mesmos n&#227;o se baseiam na f&#233;, exprimem verdades reveladas. Eles conduzem sempre finalmente &#224; &lt;i&gt;fides&lt;/i&gt;, pois sem ela nenhuma revela&#231;&#227;o &#233; poss&#237;vel. Para que a revela&#231;&#227;o possa ser recebida como tal, &#233; preciso crer naquele que revela. Mas aqui, h&#225; qualquer coisa que n&#227;o est&#225; completamente claro. Parece que h&#225; muito poucas revela&#231;&#245;es que sejam, para n&#243;s, revela&#231;&#245;es directas de Deus. Os seus mandamentos s&#227;o anunciados pelos profetas, por intermedi&#225;rios. &#201; &lt;i&gt;neles&lt;/i&gt; que devemos acreditar se queremos receber as suas palavras como revela&#231;&#245;es. Mas, no entanto, o que &#233; exigido n&#227;o &#233; acreditar num homem &#8213; aquilo de que fal&#225;mos mais acima. Esta confian&#231;a n&#227;o &#233; suficiente para ser portador de uma revela&#231;&#227;o, quer dizer que, por princ&#237;pio, ela n&#227;o &#233; o seu fundamento de direito. &#201; preciso uma &lt;i&gt;fides&lt;/i&gt; aut&#234;ntica. E de facto, a f&#233; em Cristo &#233; &lt;i&gt;fides&lt;/i&gt;; crer nele, crer num profeta ou num santo, n&#227;o significa outra coisa que crer em Deus, que sentir nele a presen&#231;a de Deus. O Cristo &#233; a revela&#231;&#227;o &#171;corp&#243;rea&#187; de Deus. Reconhecer que &#233; assim, s&#243; o podemos fazer se nele formos tocados pela divindade, quer dizer se acreditarmos Nele. Do mesmo modo: reconhecer algu&#233;m como santo, ou reconhecer que &#233; um santo, s&#243; o podemos fazer se nele sentirmos o Esp&#237;rito &lt;i&gt;qui locutus est per prophetas&lt;/i&gt;.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A f&#233; em Deus realmente presente, ou a f&#233; no Esp&#237;rito que fala pela boca dos santos &#233; ent&#227;o o fundamento da f&#233; nas suas palavras. Tal &#233; a situa&#231;&#227;o para aqueles para quem os &lt;i&gt;mediadores&lt;/i&gt; est&#227;o realmente presentes. Pode igualmente suceder que o Esp&#237;rito se dirija directamente a n&#243;s por essas palavras, e que elas se tornem para n&#243;s revela&#231;&#227;o porque n&#243;s &lt;i&gt;cremos nelas imediatamente&lt;/i&gt;. &#201; a &#250;nica via que nos resta quando mais nenhum outro mediador est&#225; presente. E a situa&#231;&#227;o pode inverter-se, a saber que sejamos conduzidos pelas palavras &#224; pessoa do Mediador; assim, quando hoje, atrav&#233;s das palavras de Cristo, &#233; a divindade que nos interpela.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;H&#225; qualquer coisa de semelhante nos meios exteriores da gra&#231;a: os sacramentos e a Igreja. Podemos fundamentar nas palavras da Escritura, na qual cremos, a persuas&#227;o que se tratam de institui&#231;&#245;es divinas. Mas &#233; igualmente poss&#237;vel que &lt;i&gt;acreditemos nelas&lt;/i&gt; imediatamente, quer dizer que sintamos neles a presen&#231;a do Esp&#237;rito de Deus.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Podemos agora juntar o que foi dito precedentemente sobre a f&#233; e sobre a gra&#231;a. A gra&#231;a &#233; o esp&#237;rito de Deus que surge, o amor divino que desce sobre n&#243;s. Na f&#233;, a gra&#231;a que nos &#233; objectivamente dada &#233; assumida subjectivamente. E isso em diversos sentidos. Primeiro, tomamos consci&#234;ncia daquilo que &#233; activo em n&#243;s. A gra&#231;a ao vir habitar em n&#243;s, torna-se vis&#237;vel ao esp&#237;rito na f&#233; e &#233; espiritualmente tornada pr&#243;pria. Al&#233;m disso, ela &#233; activamente apreendida &lt;i&gt;pela alma&lt;/i&gt;, recebida como propriedade sua. E ao mesmo tempo, o centro pessoal no qual o amor divino &#233; recebido torna-se um novo ponto de onde brota o amor divino: como amor de Deus, e como amor do pr&#243;ximo e de toda a criatura em Deus. A caracter&#237;stica do acto de f&#233;, que &#233; a de ser simultaneamente conhecimento, amor e ac&#231;&#227;o, encontra-se aqui com toda a clareza.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;podemos designar a f&#233; como o efeito da gra&#231;a. N&#227;o &#233; poss&#237;vel tornar-se crente sem receber a gra&#231;a. Pela liberdade, podemos dispor-nos &#224; gra&#231;a. Por outro lado, a f&#233; n&#227;o pode desenvolver-se se a gra&#231;a n&#227;o for livremente apreendida. A gra&#231;a e a liberdade s&#227;o pois constitutivas da f&#233;. O mesmo se passa com a obra da salva&#231;&#227;o. E na verdade, crer e ser salvo &#233; o mesmo. Pela f&#233;, somos justificados, quer dizer que &lt;i&gt;somos&lt;/i&gt; justos porquanto vivermos na f&#233; e da f&#233;. S&#243; podemos separar a f&#233; e as obras enquanto n&#227;o apreendermos a f&#233; na sua dimens&#227;o concreta, e a confundirmos com o momento te&#243;rico que ela cont&#233;m. Se algu&#233;m estiver persuadido de que s&#243; a gra&#231;a divina pode salvar o pecador, pode levar uma vida t&#227;o cheia de pecado e dissoluta como se n&#227;o tivesse essa certeza.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Mas esta persuas&#227;o n&#227;o basta para o justificar. Mesmo o puro toque da gra&#231;a n&#227;o basta: &#233; preciso apreend&#234;-la. S&#243; pela apreens&#227;o a f&#233; se torna concreta, viva, eficaz. Mas quando ela &#233; tudo isso, j&#225; n&#227;o &#233; mais poss&#237;vel permanecer entorpecido no estado de natureza e de pecado.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Tornar-se firme na f&#233; e progredir no caminho da perfei&#231;&#227;o: s&#227;o duas coisas indissoluvelmente ligadas. N&#227;o podemos ligar-nos a Cristo sem o seguir. Mas segui-lo, &#233; precisamente tornar-se justo e nada mais.&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;
		&lt;hr /&gt;
		&lt;div class='rss_notes'&gt;&lt;div id=&#034;nb7-1&#034;&gt;
&lt;p&gt;&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt;[&lt;a href=&#034;#nh7-1&#034; class=&#034;spip_note&#034; title=&#034;Notas 7-1&#034; rev=&#034;appendix&#034;&gt;1&lt;/a&gt;] &lt;/span&gt;Fixamos este termo para significar o &#171;crer&#187; neste primeiro sentido. (Toda esta passagem merece um esclarecimento. O termo geral alem&#227;o &lt;i&gt;Glaube&lt;/i&gt; subdivide-se em tr&#234;s sectores: a &lt;i&gt;fides&lt;/i&gt;, em latim &#171;f&#233;&#187; religiosa, no sentido crist&#227;o da virtude teologal, e n&#227;o das cren&#231;as religiosas em geral; o &lt;i&gt;belief&lt;/i&gt;, termo ingl&#234;s empregue na fenomenologia husserliana para designar a certeza inicial, a evid&#234;ncia, na qual se apoiam todas as certezas e verdades ulteriores constru&#237;das pela raz&#227;o; a &lt;i&gt;doxa&lt;/i&gt;, em grego a &#171;opini&#227;o&#187;, n&#227;o passa de uma &#171;ideia incerta&#187; e que &#233; o contr&#225;rio do saber. (N.d.T.F.).&lt;/p&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div id=&#034;nb7-2&#034;&gt;
&lt;p&gt;&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt;[&lt;a href=&#034;#nh7-2&#034; class=&#034;spip_note&#034; title=&#034;Notas 7-2&#034; rev=&#034;appendix&#034;&gt;2&lt;/a&gt;] &lt;/span&gt;Que A &#233; B &#233; o estado-de-coisa, que pressup&#245;e o objecto A.&lt;/p&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div id=&#034;nb7-3&#034;&gt;
&lt;p&gt;&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt;[&lt;a href=&#034;#nh7-3&#034; class=&#034;spip_note&#034; title=&#034;Notas 7-3&#034; rev=&#034;appendix&#034;&gt;3&lt;/a&gt;] &lt;/span&gt;Ver Escritos, t. IV, p. 98.&lt;/p&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div id=&#034;nb7-4&#034;&gt;
&lt;p&gt;&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt;[&lt;a href=&#034;#nh7-4&#034; class=&#034;spip_note&#034; title=&#034;Notas 7-4&#034; rev=&#034;appendix&#034;&gt;4&lt;/a&gt;] &lt;/span&gt;Aquilo que a Igreja &lt;i&gt;elevou &#224; categoria de dogma&lt;/i&gt; &#233; uma escolha entre o que, neste sentido, &#233; um dogma poss&#237;vel. Pode suceder pois que, de facto, no interior de uma Igreja o n&#250;mero de dogmas aumente ao longo do tempo. &#201; igualmente poss&#237;vel que diferentes Igrejas tenha cada uma um outro estado de dogmas verdadeiros. Isso s&#243; diz respeito, bem entendido, aos dogmas que n&#227;o se op&#245;em.&lt;/p&gt;
&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;
		
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	</item>
<item xml:lang="pt">
		<title>Da pessoa - anexo I</title>
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		<dc:date>2017-02-28T19:49:40Z</dc:date>
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		<description>
&lt;p&gt;Destaques: &lt;br class='autobr' /&gt;
&#034;O que &#233; a pessoa, percebe-mo-lo ao ver em que mundo de valores ela vive, a que valores ela &#233; sens&#237;vel, e eventualmente que valores &#8213; guiada por outros valores &#8213; ela cria.&#034; &lt;br class='autobr' /&gt;
&#034;No seu conjunto, a personalidade humana apresenta-se-nos como uma unidade de um g&#233;nero qualitativo pr&#243;prio, formada a partir de um n&#250;cleo, de uma raiz formadora. Ela &#233; constitu&#237;da por alma, corpo e esp&#237;rito, mas apenas na alma a individualidade se exprime no estado puro e sem mistura.&#034; &lt;br class='autobr' /&gt; ****** (&#8230;)&lt;/p&gt;


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&lt;a href="http://luz-da-sabedoria-divina.com/spip.php?rubrique98" rel="directory"&gt;Da Pessoa &lt;/a&gt;


		</description>


 <content:encoded>&lt;div class='rss_chapo'&gt;&lt;p&gt;Destaques:&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&#034;O que &#233; a pessoa, percebe-mo-lo ao ver em que mundo de valores ela vive, a que valores ela &#233; sens&#237;vel, e eventualmente que valores &#8213; guiada por outros valores &#8213; ela cria.&#034;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&#034;No seu conjunto, a personalidade humana apresenta-se-nos como uma unidade de um g&#233;nero qualitativo pr&#243;prio, formada a partir de um n&#250;cleo, de uma raiz formadora. Ela &#233; constitu&#237;da por alma, corpo e esp&#237;rito, mas apenas na alma a individualidade se exprime no estado puro e sem mistura.&#034;&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;
		&lt;div class='rss_texte'&gt;&lt;p&gt;******&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;CONTRIBUI&#199;&#195;O PARA A FUNDA&#199;&#195;O DA PSICOLOGIA &lt;br class='autobr' /&gt;
E DA CI&#202;NCIA DO ESP&#205;RITO&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt; [&lt;a href=&#034;#nb8-1&#034; class=&#034;spip_note&#034; rel=&#034;appendix&#034; title=&#034;Beitrag..., p.205-215.&#034; id=&#034;nh8-1&#034;&gt;1&lt;/a&gt;]&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt; &lt;i&gt;[Car&#225;cter, alma e n&#250;cleo da pessoa.]&lt;/i&gt; &lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Naquilo que chamamos o &#171;car&#225;cter&#187; no sentido mais estrito, &#233; a &lt;i&gt;pr&#243;pria pessoa&lt;/i&gt; que parece presente, enquanto que as suas outras qualidades lhe s&#227;o mais exteriores. E embora &#8213; enquanto portadoras de tais qualidades &#171;anexas&#187; &#8213; lhe possa ser atribu&#237;do um valor, n&#227;o &#233; no entanto o seu pr&#243;prio valor, tal como ele nos aparece no &#171;car&#225;cter&#187;. Ora, face a uma pessoa a &#171;atitude natural&#187; &#233; de &#171;tomar posi&#231;&#227;o&#187;; a pessoa apresenta-se n&#227;o como um ser axiologicamente neutro, mas como um ser que &#171;vale&#187; e a resposta axiol&#243;gica &lt;i&gt;[Wertantwort]&lt;/i&gt; &#233; o comportamento &#171;natural&#187; relativamente a ele, e portanto igualmente a respeito das qualidades nas quais o seu valor mais claramente se manifesta.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Destas considera&#231;&#245;es retemos que h&#225; qualidades mais intimamente ligadas &#224; personalidade que as qualidades intelectuais. N&#227;o se trata apenas da constitui&#231;&#227;o especificamente &#233;tica da pessoa &#8213; da receptividade aos valores morais e da disposi&#231;&#227;o a deixar-se determinar por eles &#8213; mas [...] da abertura aos valores em geral, das diversas capacidades que s&#227;o as condi&#231;&#245;es de todas as formas de intui&#231;&#227;o dos valores. O que &lt;i&gt;&#233;&lt;/i&gt; a pessoa, percebe-mo-lo ao ver em que mundo de valores ela vive, a que valores ela &#233; sens&#237;vel, e eventualmente que valores &#8213; guiada por outros valores &#8213; ela cria.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Este &#171;estar-mais-pr&#243;ximo&#187;, este &#171;pertencer mais propriamente&#187; a uma pessoa, que podemos reivindicar para as qualidades do &#171;sentido afectivo&#187; &lt;i&gt;[Gem&#252;t]&lt;/i&gt;, pode ainda ser abordado por outro lado. A personalidade &#171;sai dela mesma&#187;, naquilo em que vive e cria valores, &#8213; como na apreens&#227;o do mundo exterior ou de conex&#245;es te&#243;ricas. Mas ainda que as actividades intelectivas n&#227;o brotem do interior, n&#227;o subam das profundezas do Eu, estas profundezas s&#227;o despertadas na vida afectiva e volitiva; com o que &#233; pr&#243;prio do seu estar-junto-de-si, &lt;i&gt;a alma&lt;/i&gt; abre-se ao mundo dos valores. A vida afectiva e o car&#225;cter s&#227;o impregnados de qualidades &#171;adormecidas&#187; da alma. A forma como ela &#233; em si, reflecte-se nas qualidades do car&#225;cter. Que um homem veja bem ou mal, que a sua mem&#243;ria seja mais ou menos fiel [...], que pense rapidamente, lentamente ou pouco claramente, com tudo isso a alma permanece inalter&#225;vel, e tudo isso n&#227;o &#233; absolutamente nada influenciado por ela qualitativamente.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O pensamento n&#227;o trai nada da pureza e da profundidade da alma &#8213; mas antes, efectivamente, os motivos que a guiam, assim como a vida afectiva. Como acolhemos os valores e como nos relacionamos com eles: como desfrutamos, como nos alegramos, como nos compadecemos e como sofremos, tudo isso depende da constitui&#231;&#227;o da alma.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Devemos tentar aproximar-nos desse qualquer coisa de misterioso que &#233; a alma. Segundo os &lt;i&gt;Gespr&#228;che von der Seele&lt;/i&gt; de H. Conrad-Martius&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt; [&lt;a href=&#034;#nb8-2&#034; class=&#034;spip_note&#034; rel=&#034;appendix&#034; title=&#034;Summa, segundo caderno, Hellerau, 1917.&#034; id=&#034;nh8-2&#034;&gt;2&lt;/a&gt;]&lt;/span&gt;, o que &#233; pr&#243;prio dos seres dotados de uma alma &#8213; diferenciando-os dos esp&#237;ritos elementares, os quais se caracterizam por s&#243; terem uma configura&#231;&#227;o somato-ps&#237;quica &lt;i&gt;[leiblich-geistige Figuration]&lt;/i&gt; &#8213; &#233; de terem neles mesmos um peso e um fundamento fixos. Enquanto que esses seres espirituais s&#227;o levados para a esfera espiritual &#224; qual pertencem, o homem &#171;desabrocha&#187; da sua alma, que forma o centro do seu ser. Esta posi&#231;&#227;o central n&#227;o significa no entanto que a totalidade do eu, que se desdobra em alma, corpo e esp&#237;rito, seja formada e estruturada a partir da alma. Antes efectivamente, a alma sai de uma raiz que determina tudo o que &lt;i&gt;&#233;&lt;/i&gt; o ser espiritual &lt;i&gt;[Seelenwesen]&lt;/i&gt; individual. Se consideramos esta raiz ou este &#171;n&#250;cleo&#187; como a for&#231;a formadora de onde finalmente procede o ser do indiv&#237;duo, &#233; preciso sermos claros sobre isto: n&#227;o &#233; todo o ser e o devir f&#237;sicos e ps&#237;quicos que se ligam a este n&#250;cleo e que s&#227;o formados por ele. H&#225; processos f&#237;sicos e ps&#237;quicos que n&#227;o significam nada para a forma unit&#225;ria, para a &#171;personalidade&#187;, e que n&#227;o t&#234;m a sua marca. Isso n&#227;o vale para alma. Tudo o que &#233; &#171;alma&#187; est&#225; enraizado neste n&#250;cleo. Mas tudo o que, na ordem ps&#237;quica, n&#227;o &#233; um espelho, uma express&#227;o da alma, e todo o ps&#237;quico que n&#227;o exprime nada da alma &#8213; realidade dur&#225;vel e actualidade de vida &#8213; n&#227;o &#233; nem &#171;nodal&#187; nem &#171;radical&#187; e sai fora da unidade da personalidade individual. H&#225; uma experi&#234;ncia actual na qual &#8213; segundo uma imagem de H. Conrad-Martius&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt; [&lt;a href=&#034;#nb8-3&#034; class=&#034;spip_note&#034; rel=&#034;appendix&#034; title=&#034;P. 133.&#034; id=&#034;nh8-3&#034;&gt;3&lt;/a&gt;]&lt;/span&gt; &#8213;a alma n&#227;o est&#225; &#171;engrenada&#187;, uma experi&#234;ncia que n&#227;o passou pelo &#171;si central&#187;. Isso faz parte da unidade da psique, mas n&#227;o procede do n&#250;cleo, e a alma n&#227;o toma parte nisso. &#201; surpreendente que tais acontecimentos &#171;sem alma&#187; abranjam n&#227;o apenas acontecimentos com os quais a alma, por princ&#237;pio, n&#227;o tem qualquer rela&#231;&#227;o &#8213; acontecimentos tomados no dom&#237;nio da sensa&#231;&#227;o ou do intelecto &#8213;, mas igualmente afectos nos quais a alma normalmente se manifesta. &#171;A esfera afectiva &#8213; &#233; assim que Conrad-Martius caracteriza estes estranhos fen&#243;menos &#8213; parecem-me, como o &#8220;corpo&#8221; da alma, ou como o seu si perif&#233;rico espec&#237;fico; assim como, no corpo f&#237;sico, cada impress&#227;o externa &#233; imediatamente sentida, tamb&#233;m neste &#8220;corpo&#8221; da alma, cada impress&#227;o interna &#233; registada; mas enquanto ela n&#227;o estiver relacionada com o centro, n&#227;o passa de um sistema de impress&#245;es superficiais &#8213; um simples jogo de excita&#231;&#245;es e de reac&#231;&#245;es. O principal da alma n&#227;o se resume a esta regi&#227;o de experi&#234;ncias e de reac&#231;&#245;es particularmente sens&#237;veis; com ela, apenas percebemos o &#8220;inv&#243;lucro&#8221; da alma&#187;. &#8213; Voltaremos a este estranho comportamento &#171;despido de alma&#187;.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Para j&#225;, procuramos abordar a natureza da alma por um outro lado &#8213; com a ajuda do contraste entre esp&#237;rito e alma que encontramos no tratado citado mais acima: &#171;O que &#233; o &lt;i&gt;esp&#237;rito&lt;/i&gt;, ou o que prov&#233;m do &lt;i&gt;esp&#237;rito&lt;/i&gt;, nunca chega a fixar-se em si, nunca tem uma determina&#231;&#227;o ontol&#243;gica estabelecida, e devido a isso tamb&#233;m n&#227;o tem verdadeiro &lt;i&gt;peso&lt;/i&gt;&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt; [&lt;a href=&#034;#nb8-4&#034; class=&#034;spip_note&#034; rel=&#034;appendix&#034; title=&#034;P. 119.&#034; id=&#034;nh8-4&#034;&gt;4&lt;/a&gt;]&lt;/span&gt;.&#187; A natureza do esp&#237;rito (do esp&#237;rito subjectivo, &#233; preciso dizer mais precisamente), seria portanto a sua actualidade. Mas ent&#227;o &#233; preciso perguntar-se o que, relativamente a isso, significa &#171;determina&#231;&#227;o ontol&#243;gica&#187;,&#171;peso&#187;. Este tratado cont&#233;m uma passagem relativa ao duplo sentido destes termos. &#193; actualidade do vivenciado &#233; primeiro oposta a fixa&#231;&#227;o de &#171;qualidades dur&#225;veis&#187;, de &#171;capacidades&#187;, de &#171;disposi&#231;&#245;es&#187;. &lt;i&gt;Uma tal&lt;/i&gt; fixa&#231;&#227;o ontol&#243;gica n&#227;o depende, num primeiro sentido, mais da alma que do esp&#237;rito. Num sentido transposto, podemos falar de qualidades do esp&#237;rito como falamos de qualidades dos sentidos ou da alma &#8213; segundo as diferentes viv&#234;ncias actuais que correspondem a estas &#171;faculdades&#187;. Mas as faculdades enquanto tais s&#227;o originariamente ps&#237;quicas. Esta fixa&#231;&#227;o &#233; baseada na natureza da psique. Um ser somato-ps&#237;quico pode abandonar o mecanismo da estrutura ps&#237;quica (assim como o peso &#171;terreno&#187;, se n&#227;o for toda a corporeidade em geral) e no entanto conservar a sua alma e um peso de uma outra ordem, que &#233; insepar&#225;vel dela. N&#227;o cessa de viver da sua alma como de uma &#171;fonte mais longe&#187;, o seu ser resplandece na actualidade da vida que procede das suas profundezas. , sem se esgotar totalmente. E este ser da alma n&#227;o &#233; um conjunto de propriedades dur&#225;veis como o &#233; a psique; n&#227;o podemos exprimi-lo por qualidades design&#225;veis.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Exprimiremos ainda de outra maneira a diferen&#231;a entre esp&#237;rito e alma. Com o esp&#237;rito, estamos simplesmente em contacto com o mundo, enquanto que a alma assume nela o mundo, nela o mundo &#233; &#171;juntamente derramado&#187;, e isso de uma maneira singular em cada alma individual. A isto, devemos acrescentar que n&#227;o h&#225;, de todos os &#171;objectos&#187;, uma apreens&#227;o simples ou uma recep&#231;&#227;o tal que, segundo o que acaba de ser descrito, ela seria de natureza &#171;espiritual&#187;. Em princ&#237;pio, um ser &#171;carregado de valor&#187; &lt;i&gt;[werthaft]&lt;/i&gt; s&#243; pode ser apreendido de uma maneira adequada quando a alma se abre a ele; e toda a apreens&#227;o plena de um tal ser &#233; uma recep&#231;&#227;o &#171;na&#187; alma, e da&#237; o facto de uma alma que sai &#171;de&#187; si. N&#227;o &#233; pois menos uma actividade do esp&#237;rito. A fronteira entre esp&#237;rito e alma, que parecia t&#227;o firmemente tra&#231;ada, arrisca a apagar-se novamente, e talvez seja efectivamente imposs&#237;vel manter esta estrita separa&#231;&#227;o. A &lt;i&gt;vida da alma&lt;/i&gt;, na medida em que ela &#233; um sair-de-si, um confrontar-se-com-o-mundo, &#233; uma &lt;i&gt;actualidade&lt;/i&gt; do esp&#237;rito&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt; [&lt;a href=&#034;#nb8-5&#034; class=&#034;spip_note&#034; rel=&#034;appendix&#034; title=&#034;Como se se trata-se de uma personalidade base (alma) onde se apoia a (&#8230;)&#034; id=&#034;nh8-5&#034;&gt;5&lt;/a&gt;]&lt;/span&gt;. Mas o &lt;i&gt;ser&lt;/i&gt; da alma, que est&#225; na base desta actualidade de vida, deve considerar-se n&#227;o espiritual? N&#227;o deve antes dizer-se que o esp&#237;rito, na medida em que ele toma forma e se delimita como o centro de uma personalidade assente nela mesma, &#233; a alma?&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Estas primeiras clarifica&#231;&#245;es levantam uma s&#233;rie de quest&#245;es. O que &#233; a alma, a alma &lt;i&gt;individual&lt;/i&gt;, n&#227;o se exprime, diz&#237;amos, em qualidades design&#225;veis. O seu ser, tal como o n&#250;cleo no qual ela est&#225; enraizada, &#233; simplesmente individual, indissol&#250;vel e inomin&#225;vel. E no entanto temos falado de &#171;qualidades adormecidas&#187; da alma, que lhe reaparecem no seu estar-junto-de-si, e nome&#225;mos tais qualidades: pureza, bondade, nobreza,etc. Estas duas asser&#231;&#245;es s&#243; s&#227;o aparentemente contradit&#243;rias. Estas qualidades n&#227;o s&#227;o propriedades dur&#225;veis, constitutivas do ser da alma. Mas tamb&#233;m n&#227;o s&#227;o simples aspectos factuais de experi&#234;ncias flutuantes. Elas s&#227;o aquilo de que a alma constantemente se enche: elas n&#227;o a enchem de fora, mas brotam constantemente do seu fundo, e o ser da alma brilha nelas.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A alma e as qualidades &#034;adormecidas que a enchem &#8213; aquilo do qual part&#237;amos &#8213; t&#234;m um significado particular para o que cham&#225;vamos o car&#225;cter da pessoa no sentido estrito. As qualidades do car&#225;cter, enquanto capacidades para fazer a experi&#234;ncia de valores, n&#227;o pertence elas-mesmas &#224; alma, tanto como ao n&#250;cleo da pessoa; mas desdobram-se nela em direc&#231;&#227;o ao exterior, e mostram o que enche a alma interiormente [...].&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Por oposi&#231;&#227;o &#224;s faculdades ps&#237;quicas, inferiores ou superiores, o n&#250;cleo da pessoa e o ser da pessoa que ele determina n&#227;o manifestam nenhuma evolu&#231;&#227;o. A vida da psique &#233; um processo evolutivo no qual as suas capacidades chegam &#224; maturidade. As condi&#231;&#245;es desta matura&#231;&#227;o s&#227;o as for&#231;as de que a pessoa disp&#245;e, e as circunst&#226;ncias exteriores sob o imp&#233;rio das quais a vida se desenrola; por fim as disposi&#231;&#245;es inatas que no processo evolutivo se desenvolvem mais ou menos. As circunst&#226;ncias exteriores desempenham um duplo papel: por um lado, elas determinam o crescimento ou a diminui&#231;&#227;o da for&#231;a vital, e orientam a evolu&#231;&#227;o, certamente dentro dos limites das disposi&#231;&#245;es origin&#225;rias. Quem n&#227;o tem nenhum dom para as matem&#225;ticas, mesmo o ensino mais perfeito n&#227;o far&#225; dela um matem&#225;tico. Quanto a saber para que dom&#237;nio particular vai voltar-se um indiv&#237;duo dotado, isso pode depender de circunst&#226;ncias exteriores &#224;s quais ele deve a orienta&#231;&#227;o do seu esp&#237;rito. A disposi&#231;&#227;o inata est&#225; na base, e n&#227;o se desenvolve a ela -mesma. Em condi&#231;&#245;es favor&#225;veis, desenvolver-se-&#224; mais que em condi&#231;&#245;es desfavor&#225;veis, mas ela-mesma n&#227;o recebe nada de novo e n&#227;o perde nada do que &#233; dado.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Devemos considerar agora a rela&#231;&#227;o da alma e das suas qualidades, no que diz respeito a essas disposi&#231;&#245;es origin&#225;rias e a esses dons inatos. N&#227;o representam eles apenas uma frac&#231;&#227;o, a saber as disposi&#231;&#245;es que reunimos sob o t&#237;tulo de &#171;propriedades do car&#225;cter&#187;&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt; [&lt;a href=&#034;#nb8-6&#034; class=&#034;spip_note&#034; rel=&#034;appendix&#034; title=&#034;Podemos ler com efeito, um pouco mais acima, numa passagem n&#227;o reproduzida (&#8230;)&#034; id=&#034;nh8-6&#034;&gt;6&lt;/a&gt;]&lt;/span&gt; ? Certamente que n&#227;o. As disposi&#231;&#245;es inatas s&#227;o pr&#233;-formadas nas correspondentes qualidades. Para a alma e as suas qualidades, n&#227;o existe a oposi&#231;&#227;o entre desenvolvido e imaturo. Para a pureza, a bondade, a nobreza, n&#227;o h&#225; circunst&#226;ncias exteriores que as possam favorecer ou impedir o respectivo desenvolvimento. &#201; certo que as circunst&#226;ncias exteriores podem levar a praticar bons ou maus actos, e da mesma forma dar ocasi&#227;o a formarem-se as disposi&#231;&#245;es correspondentes. As &#171;virtudes&#187; e os &#171;v&#237;cios&#187; podem ser adquiridos sob o efeito de bons ou maus &#171;exemplos&#187;. A pureza interior da alma n&#227;o &#233; por eles tocada. Pode ainda manifestar-se na maneira de conduzir uma ac&#231;&#227;o &#171;censur&#225;vel&#187;, da mesma forma que actos &#171;louv&#225;veis&#187; n&#227;o excluem uma abjec&#231;&#227;o interior e podem conter a respectiva marca. O fariseu &#233; exactamente o tipo de homem que apenas faz apelo ao seu &#171;car&#225;cter&#187; e aos seus &#171;actos&#187;, e que n&#227;o tem em qualquer conta a esfera interior. Esta esfera interior, enquanto que subtra&#237;da a todas as influ&#234;ncias, &#233; inacess&#237;vel n&#227;o apenas &#224;s influ&#234;ncias externas, mas igualmente &#224; auto-educa&#231;&#227;o. Todo o trabalho sobre si-mesmo, todos os esfor&#231;os realizados com vista a uma purifica&#231;&#227;o da alma, apenas podem consistir em reprimir tend&#234;ncias ps&#237;quicas e actos de qualidade negativa, em combater ou em n&#227;o deixar que se manifestem as disposi&#231;&#245;es para estes actos, e por outro lado em abrir-se a valores positivos. Mas n&#227;o podemos adquirir ou desfazer-mo-nos de qualidades da alma. Se surgir uma transforma&#231;&#227;o neste dom&#237;nio, n&#227;o se trata do resultado de um &#171;desenvolvimento&#187;; &#233; preciso considerar isso como o efeito de uma for&#231;a vinda de &#171;mais longe&#187;, quer dizer de uma for&#231;a exterior &#224; pessoa e a todas as conex&#245;es naturais em que ela se encontra colocada.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Se devemos recusar a ideia de um &#171;desenvolvimento&#187; da alma, de uma matura&#231;&#227;o e de uma transforma&#231;&#227;o de qualidades interiores &#8213; &#224; maneira de capacidades ps&#237;quicas &#8213;, existe no entanto um crescimento e uma matura&#231;&#227;o da alma que se deve cuidadosamente distinguir de uma tal evolu&#231;&#227;o. Ela n&#227;o se mostra desde o come&#231;o da evolu&#231;&#227;o ps&#237;quica do indiv&#237;duo; s&#243; se torna vis&#237;vel progressivamente. E se o mundo &#171;se junta sempre de novo em cada indiv&#237;duo humano&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt; [&lt;a href=&#034;#nb8-7&#034; class=&#034;spip_note&#034; rel=&#034;appendix&#034; title=&#034;Hedwig CONRAD-MARTIUS, p. 132.&#034; id=&#034;nh8-7&#034;&gt;7&lt;/a&gt;]&lt;/span&gt;&#187;, isso significa que a alma &#233; ela-pr&#243;pria, e sempre nova. Sob a cobertura do desenvolvimento ps&#237;quico, a alma amadurece e imprime a sua marca a este desenvolvimento, sem ela-pr&#243;pria se submeter &#224; determina&#231;&#227;o deste. &#201; preciso distinguir a pr&#243;pria matura&#231;&#227;o e aquilo que desta se manifesta na actualidade da vida e no desenvolvimento do car&#225;cter. Para a manifesta&#231;&#227;o, a expans&#227;o da alma, o contacto com o mundo n&#227;o &#233; visivelmente indiferente. Mas este g&#233;nero de contacto &#233; completamente diferente do impacto de circunst&#226;ncias exteriores sobre o desenvolvimento das disposi&#231;&#245;es origin&#225;rias. Para que uma dada disposi&#231;&#227;o possa desabrochar e para que a faculdade ps&#237;quica correspondente possa desenvolver-se, s&#227;o indispens&#225;veis determinadas circunst&#226;ncias exteriores: para um talento art&#237;stico, por exemplo, o contacto com os valores est&#233;ticos correspondentes. &#201; imposs&#237;vel dizer o que pode provocar o &#171;despertar&#187; da alma. Tudo e n&#227;o importa o qu&#234; pode de repente penetrar nas suas profundezas, quando at&#233; a&#237; nada tinha o tinha conseguido. E quando isso acontece, n&#227;o &#233; esta ou aquela faculdade que se desenvolve; &#233; toda a riqueza da alma que se derrama na actualidade da vida e que nela se manifesta; e ent&#227;o a vida &#233; &#171;cheia de alma&#187;. Se ao contr&#225;rio considerarmos o comportamento &#171;de algum modo sem alma&#187; de que fal&#225;vamos mais acima, percebemos toda uma s&#233;rie de diferentes possibilidades. H&#225; o caso de viv&#234;ncias perif&#233;ricas desenvolvidas porque ainda n&#227;o foram acordadas as profundezas da alma. Ent&#227;o os pr&#243;prios afectos, que t&#234;m &#171;como coisa particular&#187; a pretens&#227;o de ser vividos nas profundezas, s&#243; se desenvolvem na periferia; e enquanto n&#227;o conhecer as suas pr&#243;prias profundezas o indiv&#237;duo n&#227;o sente isso como um d&#233;fice. Em compensa&#231;&#227;o, assiste-se a uma fuga das profundezas para a periferia quando a vida espiritual de uma pessoa se torna uma tortura para ela, quando a alma fica cheia de desespero. Neste caso, a alma est&#225; acordada embora a sua vida pr&#243;pria seja relegada para um plano posterior a favor da periferia. &#201; poss&#237;vel que esta oculta&#231;&#227;o n&#227;o obtenha sucesso, e que a vida das profundezas se manifeste na viv&#234;ncia perif&#233;rica e lhe confira a sua colora&#231;&#227;o. Se, pelo contr&#225;rio, a &#171;fuga&#187; tiver sucesso, o desespero permanece no fundo da alma, ao passo que o eu se desdobra completamente na actualidade da vida perif&#233;rica.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;i&gt;Uma tal&lt;/i&gt; exclus&#227;o da alma &#233; arbitr&#225;ria. A sua contrapartida &#233; um esgotamento da vida, uma esclerose da alma, que se instala apesar de todos os esfor&#231;os, um enfraquecimento da vida. O eu desce &#224;s suas profundezas, permanece nele mas descobre um vazio medonho; tem a impress&#227;o de ter perdido a sua alma, de n&#227;o passar de uma sombra de si mesmo, de estar separado do seu ser. (&#201; preciso distinguir claramente esta esp&#233;cie de &#171;aus&#234;ncia de alma&#187; da do indiv&#237;duo que ainda n&#227;o foi despertado para a vida da alma, que se identifica com a totalidade da vitalidade.) &#192; primeira vista esta situa&#231;&#227;o parece completamente enigm&#225;tica. Pergunta-mo-nos o que de facto falta, e o que est&#225; presente. Pois a alma que n&#227;o comparece perante v&#243;s est&#225; no entanto presente em toda a sua especificidade &#8213; apenas n&#227;o nos &lt;i&gt;recordamos&lt;/i&gt; de ter alguma vez possu&#237;do algo de semelhante.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Para vermos isso com clareza, devemos em primeiro lugar saber o que significa &lt;i&gt;viver a partir da alma&lt;/i&gt;. Isso n&#227;o significa apenas que a vida actual reflecte as qualidades da alma, mas que emana dela que &#233; a &lt;i&gt;sua&lt;/i&gt; vida. Por v&#225;rias vezes, tent&#225;mos descobrir as origens da vida ps&#237;quica. Fal&#225;mos da vitalidade sensual e ps&#237;quica e vimos que as for&#231;as ps&#237;quicas prov&#234;m em parte dos objectos, e que, por outro lado, t&#234;m origem no interior do indiv&#237;duo ps&#237;quico. Sem d&#250;vida cheg&#225;mos a esta fonte origin&#225;ria &#171;interior&#187;. A pr&#243;pria alma &#233; fonte de vida. Quando ela desperta, estas novas for&#231;as irradiam para a vida do esp&#237;rito e o mundo abre-se de algum modo como novo ao indiv&#237;duo que o vive. Se ele n&#227;o vive das suas profundezas, a partir da alma, as suas for&#231;as s&#227;o perdidas para a vida. Ora, pode acontecer que a alma, sem ser exclu&#237;da, cesse de dar a vida. A fonte que nela esconde pode secar. O mundo ainda se concentra nela, mas ela n&#227;o j&#225; n&#227;o se pode inflamar com isso, ela j&#225; n&#227;o tem &#034;respondente&#034;. A disponibilidade para os valores enfraquece, e mesmo as &#171;qualidades adormecidas&#187; parecem ter desaparecido: a bondade j&#225; n&#227;o irradia em atitudes positivas e em actos benevolentes, o interior parece estar vazio de tudo o que o enchia e em virtude do qu&#234; a pr&#243;pria individualidade inomin&#225;vel se exprimia. Uma tal falha na vida de uma pessoa pode produzir-se quando um &#171;golpe do acaso&#187; devora todas as energias da alma; mas ela tamb&#233;m pode enfraquecer pelo constante abuso das suas for&#231;as; &#233; preciso ent&#227;o que novas for&#231;as lhe cheguem de outras fontes, para que ela seja despertada para uma nova vida&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt; [&lt;a href=&#034;#nb8-8&#034; class=&#034;spip_note&#034; rel=&#034;appendix&#034; title=&#034;Ver Beitr&#228;ge..., p. 76 s.: &#171;O repouso em Deus, relativamente ao (&#8230;)&#034; id=&#034;nh8-8&#034;&gt;8&lt;/a&gt;]&lt;/span&gt;.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Sempre que a alma &#233; exclu&#237;da da actualidade da vida, falta ao comportamento e ao ser vis&#237;vel do indiv&#237;duo a nota individual ou, como n&#243;s dizemos, &#171;pessoal&#187;; mesmo se continua a viver no seu estilo pr&#243;prio e, visto de fora, conserva a sua postura, esse estilo pr&#243;prio est&#225; ferido de inautenticidade. A vida deste indiv&#237;duo &#233; movida por for&#231;as sensuais, ou eventualmente pela vontade, ou ainda &#233; levada por for&#231;as ps&#237;quicas exteriores, mas n&#227;o procede do fundo do seu pr&#243;prio ser; falta-lhe assim a originalidade e autenticidade da vida conduzida pelo seu &#171;n&#250;cleo&#187;. Podemos imaginar indiv&#237;duos que, pura e simplesmente, n&#227;o t&#234;m um centro pr&#243;prio, e que devido a esse facto t&#234;m falta de personalidade e de individualidade (qualitativa). Quanto ao &lt;i&gt;homem&lt;/i&gt;, n&#227;o se poder&#225; falar de comportamento &#171;despido de alma&#187;, a n&#227;o ser no sentido em que ainda n&#227;o se encontrou a si pr&#243;prio ou tempor&#225;rio se perdeu, e enquanto a sua individualidade n&#227;o for reconhec&#237;vel (o que n&#227;o impede pensar como realizado o caso limite de um comportamento &#171;absolutamente&#187; despido de alma, em que n&#227;o se trataria apenas de um mais ou menos). Por princ&#237;pio , ele possui um tal centro, que a todo o momento pode ressurgir. Por outro lado, &#233; preciso dizer que apenas nos seres dotados de alma a alma e a individualidade, ou a originalidade pessoal, est&#227;o incondicionalmente ligadas. Os esp&#237;ritos elementares, que n&#227;o t&#234;m alma, constituem no entanto, a partir de uma raiz formadora, uma personalidade unificada em esp&#237;rito e em corpo. Neles, a aus&#234;ncia de alma n&#227;o significa uma falta de individualidade. A censura de falta de individualidade, relacionada com esta aus&#234;ncia de alma, s&#243; faz sentido quando existe um car&#225;cter de alma &lt;i&gt;[Seelenhaftigkeit]&lt;/i&gt;, quando a estrutura somato-ps&#237;quica faz apelo a uma procura de um centro, sem que no entanto ela seja formada de parte a parte a partir de um tal centro. A plasticidade do psiquismo, a influ&#234;ncia que nele exercem for&#231;as exteriores formadoras, permite (como uma possibilidade de princ&#237;pio) que um indiv&#237;duo ps&#237;quico apenas seja a r&#233;plica de uma individualidade autenticamente dotada de uma alma e que n&#227;o seja formado do interior, a partir de um n&#250;cleo pr&#243;prio. Distinguimos o crescimento da alma e a sua manifesta&#231;&#227;o nas qualidades em que ela se exprime, e o desenvolvimento das disposi&#231;&#245;es origin&#225;rias em verdadeiras capacidades ps&#237;quicas. De um e de outro lado, a energia vital desempenha um papel, mas um papel muito diferente. As disposi&#231;&#245;es inatas t&#234;m necessidade de for&#231;as renovadas, e a vida actual deve ser orientada na sua direc&#231;&#227;o para se poderem desenvolver. Para o seu crescimento, a alma n&#227;o necessita do contributo de for&#231;as. Ela tem nela mesma as suas for&#231;as, e usa-as em benef&#237;cio do desenvolvimento ps&#237;quico quando amadurece e acede &#224; actualidade viva. Se as suas for&#231;as interiores s&#227;o destru&#237;das pelo mundo ao qual se abre, ela n&#227;o sofre uma &#171;regress&#227;o&#187;, como seria o caso de uma capacidade ps&#237;quica &#224; qual as for&#231;as necess&#225;rias viessem a faltar; retira-se sobre si mesma, torna-se ineficaz e, devido a isso, invis&#237;vel. A alma n&#227;o &#233; nem um desenvolvimento a partir de uma disposi&#231;&#227;o inata, nem uma disposi&#231;&#227;o origin&#225;ria pr&#243;pria para qualquer coisa. O contraste entre &#171;acto&#187; e &#171;pot&#234;ncia&#187; tal como o encontramos nos movimentos vitais actuais e nas faculdades ps&#237;quicas correspondentes, n&#227;o tem lugar aqui. E no entanto, observamos entre a alma e certas disposi&#231;&#245;es origin&#225;rias rela&#231;&#245;es particularmente pr&#243;ximas que ainda devemos procurar elucidar.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Ao contr&#225;rio da alma e das qualidades que nela &#171;dormem&#187;, vimos que a receptividade aos valores de todos os n&#237;veis e o g&#233;nero de comportamento (pessoal) relativamente a eles, depende tanto da energia vital como das circunst&#226;ncias exteriores da vida. Aqui h&#225; desenvolvimento e processos de forma&#231;&#227;o; distingue-se entre disposi&#231;&#227;o inata e car&#225;cter desenvolvido. A quest&#227;o &#233; a de saber como esta disposi&#231;&#227;o origin&#225;ria a que chamamos qualidades do car&#225;cter, est&#225; relacionada com a alma e com o n&#250;cleo da pessoa &#8213; dos quais aproxim&#225;mos a vida afectiva. A receptividade est&#233;tica desenvolve-se, exerce-se e constr&#243;i-se em experi&#234;ncias est&#233;ticas actuais, e estas exigem o contacto com os objectos est&#233;ticos. Mas cada experi&#234;ncia est&#233;tica tomada isoladamente traz a marca de uma nota pessoal que a alma traz nela, que lhe &#233; inerente &#8213; independentemente de toda a actividade externa. E esta &#171;nota pessoal&#187; &#233; a mesma em cada experi&#234;ncia similar e na pr&#243;pria qualidade, e n&#227;o conhece nem aumento nem diminui&#231;&#227;o em curso de evolu&#231;&#227;o.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;As qualidades &#171;adormecidas&#187; e as disposi&#231;&#245;es caracteriais inatas s&#227;o ambas essenciais na forma&#231;&#227;o da vida afectiva e volitiva. Esta vida surge das profundezas da alma e traz em si a marca da sua especificidade; ela d&#225; testemunho al&#233;m disso de uma receptividade que, em si, n&#227;o faz parte das qualidades da alma, mas est&#225; enraizada no n&#250;cleo pessoal a partir do qual a pr&#243;pria alma &#233; formada. A receptividade aos valores e os centros de irradia&#231;&#227;o da actividade criadora t&#234;m precisamente esta profundidade que atribu&#237;mos &#224;s qualidades &#171;adormecidas&#187;. Est&#227;o inscritas no n&#250;cleo da pessoa. &#192;s diferentes disposi&#231;&#245;es de car&#225;cter correspondem diferentes n&#237;veis de profundidade correlativamente ordenados segundo a hierarquia dos valores, dos actos e das obras. Quanto mais elevado &#233; o valor, mais profundo &#233; o ponto de ancoragem da experi&#234;ncia do valor e dos comportamentos que por ele s&#227;o motivados. N&#227;o mais que as qualidades &#171;adormecidas&#187;, os n&#237;veis profundos n&#227;o se desenvolvem. Eventualmente &lt;i&gt;manifestam-se&lt;/i&gt;, em certas &#171;ocasi&#245;es&#187; num comportamento que procede deles, abrem-se assim para fora, mas existem actualmente antes deste g&#233;nero de manifesta&#231;&#227;o. &#171;Superficialidade e &#171;profundidade&#187; pertencem, elas-mesmas, ao que constitui a alma no seu estar-junto-de-si. Para o resto, as qualidades &#171;adormecidas&#187; subdividem-se naquelas que enchem todas as camadas da alma e que imp&#245;em a sua marca a toda a experi&#234;ncia em que a alma est&#225; interessada &#8213; como a pureza, a nobreza ou a vulgaridade &#8213;, e noutras, que certamente pertencem igualmente &#224; alma enquanto todo indiviso, mas que t&#234;m uma particular afinidade com determinados dom&#237;nios de valores e que se manifestam mais frequentemente nos comportamentos que correspondem a estes &#250;ltimos, e nas camadas de que procedem: assim por exemplo da bondade, dos valores morais e do agir. Mas &#233; sempre poss&#237;vel que a qualidade correspondente se manifeste no exterior &lt;i&gt;igualmente&lt;/i&gt; em outras viv&#234;ncias.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;No seu conjunto, a personalidade humana apresenta-se-nos como uma unidade de um g&#233;nero qualitativo pr&#243;prio, formada a partir de um n&#250;cleo, de uma raiz formadora. Ela &#233; constitu&#237;da por alma, corpo e esp&#237;rito, mas apenas na alma a individualidade se exprime no estado puro e sem mistura. Nem o corpo material, nem a psique como unidade substancial de todo o ser e de toda a vida sens&#237;vel e intelectual do indiv&#237;duo, s&#227;o integralmente determinados pelo n&#250;cleo. &#201; nele que se fundamenta a disponibilidade para o mundo dos valores, cujos n&#237;veis correspondem a essas camadas em profundidade e portanto o &#171;car&#225;cter&#187; no sentido espec&#237;fico; mas o car&#225;cter formado &#233; ao mesmo tempo dependente da natureza da psique, das for&#231;as que nela fazem lei e das capacidades ps&#237;quicas que n&#227;o est&#227;o enraizadas no n&#250;cleo: faculdades sensitivas, mem&#243;ria e entendimento.&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;
		&lt;hr /&gt;
		&lt;div class='rss_notes'&gt;&lt;div id=&#034;nb8-1&#034;&gt;
&lt;p&gt;&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt;[&lt;a href=&#034;#nh8-1&#034; class=&#034;spip_note&#034; title=&#034;Notas 8-1&#034; rev=&#034;appendix&#034;&gt;1&lt;/a&gt;] &lt;/span&gt;Beitrag..., p.205-215.&lt;/p&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div id=&#034;nb8-2&#034;&gt;
&lt;p&gt;&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt;[&lt;a href=&#034;#nh8-2&#034; class=&#034;spip_note&#034; title=&#034;Notas 8-2&#034; rev=&#034;appendix&#034;&gt;2&lt;/a&gt;] &lt;/span&gt;&lt;i&gt;Summa&lt;/i&gt;, segundo caderno, Hellerau, 1917.&lt;/p&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div id=&#034;nb8-3&#034;&gt;
&lt;p&gt;&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt;[&lt;a href=&#034;#nh8-3&#034; class=&#034;spip_note&#034; title=&#034;Notas 8-3&#034; rev=&#034;appendix&#034;&gt;3&lt;/a&gt;] &lt;/span&gt;P. 133.&lt;/p&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div id=&#034;nb8-4&#034;&gt;
&lt;p&gt;&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt;[&lt;a href=&#034;#nh8-4&#034; class=&#034;spip_note&#034; title=&#034;Notas 8-4&#034; rev=&#034;appendix&#034;&gt;4&lt;/a&gt;] &lt;/span&gt;P. 119.&lt;/p&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div id=&#034;nb8-5&#034;&gt;
&lt;p&gt;&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt;[&lt;a href=&#034;#nh8-5&#034; class=&#034;spip_note&#034; title=&#034;Notas 8-5&#034; rev=&#034;appendix&#034;&gt;5&lt;/a&gt;] &lt;/span&gt;Como se se trata-se de uma personalidade base (alma) onde se apoia a personalidade din&#226;mica (esp&#237;rito)? Surge-nos a quest&#227;o. (NDTP).&lt;/p&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div id=&#034;nb8-6&#034;&gt;
&lt;p&gt;&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt;[&lt;a href=&#034;#nh8-6&#034; class=&#034;spip_note&#034; title=&#034;Notas 8-6&#034; rev=&#034;appendix&#034;&gt;6&lt;/a&gt;] &lt;/span&gt;Podemos ler com efeito, um pouco mais acima, numa passagem n&#227;o reproduzida aqui (p. 204), a seguinte concis&#227;o: &#171;Parece que a receptividade aos valores (e particularmente aos valores morais), e a maneira como na pr&#225;tica algu&#233;m se deixa determinar por eles, deve ser atribu&#237;da &#224; personalidade total em vez de a outras qualidades. No que chamamos car&#225;cter &#8213; neste preciso sentido &#8213;, &#233; &lt;i&gt;a pr&#243;pria pessoa&lt;/i&gt; que parece colocar-se diante de n&#243;s, enquanto que as outras qualidades lhe s&#227;o mais exteriores.&#187; (N.d.T.)&lt;/p&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div id=&#034;nb8-7&#034;&gt;
&lt;p&gt;&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt;[&lt;a href=&#034;#nh8-7&#034; class=&#034;spip_note&#034; title=&#034;Notas 8-7&#034; rev=&#034;appendix&#034;&gt;7&lt;/a&gt;] &lt;/span&gt;Hedwig CONRAD-MARTIUS, p. 132.&lt;/p&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div id=&#034;nb8-8&#034;&gt;
&lt;p&gt;&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt;[&lt;a href=&#034;#nh8-8&#034; class=&#034;spip_note&#034; title=&#034;Notas 8-8&#034; rev=&#034;appendix&#034;&gt;8&lt;/a&gt;] &lt;/span&gt;Ver Beitr&#228;ge..., p. 76 s.: &#171;O repouso em Deus, relativamente ao enfraquecimento da actividade, &#233; qualquer coisa completamente nova e &#250;nica [...]. Deixando-me levar por esse sentimento [de total seguran&#231;a] uma nova vida me enche pouco a pouco e [...] me torna capaz de uma nova actividade [...]. A &#250;nica condi&#231;&#227;o para esse renascimento da alma &#233; uma certa disponibilidade, que se apoia na estrutura da pessoa [...] liberta do mecanismo ps&#237;quico. Qualquer coisa de semelhante &#233; poss&#237;vel no relacionamento de uma pessoa com outra. O amor com que eu abra&#231;o um ser &#233; suscept&#237;vel de o encher de uma nova for&#231;a de vida quando a sua est&#225; esgotada.&#187;&lt;/p&gt;
&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;
		
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	</item>
<item xml:lang="pt">
		<title>Da Pessoa - anexo II</title>
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		<dc:date>2017-02-28T19:48:34Z</dc:date>
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&lt;p&gt;Destaques: &lt;br class='autobr' /&gt;
&#034;A pessoa leva e envolve o seu corpo e a sua alma, mas &#233; simultaneamente levada e envolvida por eles. A sua vida de esp&#237;rito eleva-se de um fundo obscuro; ela sobe como a chama de uma vela que luz, mas ela &#233; alimentada por uma mat&#233;ria que em si n&#227;o d&#225; luz.&#034; &lt;br class='autobr' /&gt;
&#034;A vida consciente, na sua &#237;ntegra, n&#227;o equivale ao meu ser &#8213; ela &#233; semelhante a uma superf&#237;cie iluminada em cima de um sombrio abismo que revela esta superf&#237;cie. Se quisermos compreender o ser que a pessoa humana &#233; , (&#8230;)&lt;/p&gt;


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&lt;a href="http://luz-da-sabedoria-divina.com/spip.php?rubrique98" rel="directory"&gt;Da Pessoa &lt;/a&gt;


		</description>


 <content:encoded>&lt;div class='rss_chapo'&gt;&lt;p&gt;Destaques:&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&#034;A pessoa leva e envolve o seu corpo e a sua alma, mas &#233; simultaneamente levada e envolvida por eles. A sua vida de esp&#237;rito eleva-se de um fundo obscuro; ela sobe como a chama de uma vela que luz, mas ela &#233; alimentada por uma mat&#233;ria que em si n&#227;o d&#225; luz.&#034;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&#034;A vida consciente, na sua &#237;ntegra, n&#227;o equivale ao meu ser &#8213; ela &#233; semelhante a uma superf&#237;cie iluminada em cima de um sombrio abismo que revela esta superf&#237;cie. Se quisermos compreender o ser que a pessoa humana &#233; , devemos tentar penetrar nesta profundidade tenebrosa.&#034;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&#034;O homem n&#227;o &#233; animal nem anjo pois ele &#233; os dois num. A sua condi&#231;&#227;o de corpo sens&#237;vel &#233; diferente da do animal, e a sua espiritualidade &#233; outra que n&#227;o a do anjo.&#034;&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;
		&lt;div class='rss_texte'&gt;&lt;p&gt;******&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;SER FINITO E SER ETERNO&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt; [&lt;a href=&#034;#nb9-1&#034; class=&#034;spip_note&#034; rel=&#034;appendix&#034; title=&#034;Werke, t. II, VII, &#167; 3, p. 336-349.&#034; id=&#034;nh9-1&#034;&gt;1&lt;/a&gt;]&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;1. &lt;i&gt;[O homem na sua qualidade de corpo, de esp&#237;rito e de alma. O que &#233; pr&#243;prio da sua vida espiritual.]&lt;/strong&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O homem &#233; um ser feito de corpo, de alma e de esp&#237;rito. Na medida em que, por natureza, &#233; um esp&#237;rito, pela &#171;vida do seu esp&#237;rito&#187; sai dele pr&#243;prio e entra num mundo que a ele se abre, sem que, no entanto, ele perca alguma coisa dele-mesmo. N&#227;o somente &#8213; como toda a forma&#231;&#227;o real &#8213; ele &#171;exala&#187; a sua natureza de uma maneira imaterial, exprimindo-se ele-mesmo inconscientemente; ele age igualmente enquanto pessoa e enquanto esp&#237;rito. &lt;i&gt;Enquanto&lt;/i&gt; esp&#237;rito, a alma humana ultrapassa-se a si mesma na sua vida espiritual. Mas o esp&#237;rito humano &#233; condicionado tanto para cima como para baixo: ele est&#225; imerso no organismo material que ele anima e forma para fazer dele o seu corpo &lt;i&gt;[Leibgestalt]&lt;/i&gt;. A pessoa leva e envolve o &lt;i&gt;seu&lt;/i&gt; corpo e a &lt;i&gt;sua&lt;/i&gt; alma, mas &#233; simultaneamente levada e envolvida por eles. A sua vida de esp&#237;rito eleva-se de um fundo obscuro; ela sobe como a chama de uma vela que luz, mas ela &#233; alimentada por uma mat&#233;ria que em si n&#227;o d&#225; luz. Ela ilumina sem ser, de parte a parte, luz: o esp&#237;rito humano &#233; vis&#237;vel para ele-mesmo, mas n&#227;o &#233; totalmente transparente: pode iluminar outra coisa sem a penetrar completamente. J&#225; assinal&#225;mos os seus aspectos obscuros&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt; [&lt;a href=&#034;#nb9-2&#034; class=&#034;spip_note&#034; rel=&#034;appendix&#034; title=&#034;Na medida em que eles dizem respeito &#224; apreens&#227;o imediata da pr&#243;pria vida, &#8213; (&#8230;)&#034; id=&#034;nh9-2&#034;&gt;2&lt;/a&gt;]&lt;/span&gt;: atrav&#233;s da sua pr&#243;pria luz interior ele conhece a sua vida presente, e muito do que foi outrora a sua vida presente; mas o passado &#233; lacunar e o futuro s&#243; &#233; previs&#237;vel com uma certa probabilidade atrav&#233;s de retalhos; ele &#233; em larga escala incerto e indeterminado, mesmo que seja apreens&#237;vel nesta incerteza e nesta indetermina&#231;&#227;o; a sua origem e o seu fim s&#227;o totalmente inacess&#237;veis (enquanto nos apoiarmos na consci&#234;ncia que depende da pr&#243;pria vida sem nos socorrermos da experi&#234;ncia alheia , do julgamento e do racioc&#237;nio ou das verdades de f&#233; &#8213; outros tantos meios de que o puro esp&#237;rito n&#227;o necessita para se conhecer a si mesmo). A vida presente, imediatamente certa, &#233; o cumprimento fugidio de um instante que imediatamente cai e que muito em breve nos escapa completamente. A vida consciente, na sua &#237;ntegra, n&#227;o equivale ao &lt;i&gt;meu ser&lt;/i&gt; &#8213; ela &#233; semelhante a uma superf&#237;cie iluminada em cima de um sombrio abismo que revela esta superf&#237;cie. Se quisermos compreender o ser que a pessoa humana &#233; , devemos tentar penetrar nesta profundidade tenebrosa.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;2. &lt;i&gt;[A vida do eu e o ser do corpo e da alma.]&lt;/strong&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Fal&#225;vamos de um duplo al&#233;m, em direc&#231;&#227;o ao qual o esp&#237;rito humano avan&#231;a na sua vida desperta e consciente: o mundo exterior e o mundo interior. (ultrapassando estes dois mundos, estas duas vias conduzem a um al&#233;m superior, o do ser divino). O mundo &lt;i&gt;exterior&lt;/i&gt; pode ser compreendido em dois sentidos: como tudo o que n&#227;o pertence ao eu, &#224; unidade monad&#225;ria do meu ser &#8213; compreenderia ent&#227;o igualmente os mundos interiores de outros esp&#237;ritos, ou como o que s&#243; &#233; acess&#237;vel &#224; percep&#231;&#227;o externa, o mundo corp&#243;reo com tudo o que lhe pertence. Ent&#227;o o mundo &lt;i&gt;interior&lt;/i&gt; compreenderia tamb&#233;m o mundo interior de outras pessoas. Por agora, limitamos a nossa observa&#231;&#227;o ao mundo interior pr&#243;prio. Isso n&#227;o designa simplesmente a vida consciente do eu &#8213; a vida presente e, a partir dela, a vida passada e a vida futura acess&#237;veis atrav&#233;s de uma apreens&#227;o prospectiva e retrospectiva, a unidade do fluxo do vivenciado &#8213; mas tamb&#233;m o que n&#227;o &#233; imediatamente consciente, de onde se eleva a vida consciente. Estou a reflectir numa quest&#227;o dif&#237;cil e tento em v&#227;o encontrar uma solu&#231;&#227;o. Enfim , eu desisto, pois &#171;hoje estou muito est&#250;pido&#187;. N&#227;o posso perceber a minha estupidez com os sentidos exteriores (abstra&#237;-mo-nos aqui da marca exteriormente percept&#237;vel que ela pode dar ao corpo). Ela tamb&#233;m n&#227;o pode ser-me &#171;imediatamente consciente&#187;, como a reflex&#227;o cujo curso ela me permite ver. Mas tenho uma &#171;experi&#234;ncia&#187; dela, comunica-se a mim da mesma maneira que fa&#231;o a experi&#234;ncia do uso de uma faca quando j&#225; n&#227;o posso servir-me dela para cortar o p&#227;o. &#192; forma mais original de uma tal experi&#234;ncia, sobre a qual se constroem os julgamentos e as conclus&#245;es ulteriores e que, conservada na mem&#243;ria, nos permite progressivamente acumular um tesouro de experi&#234;ncias gra&#231;as &#224;s quais &#171;nos conhecemos a n&#243;s mesmos&#187;, chama-mo-la com Husserl, &lt;i&gt;percep&#231;&#227;o interna&lt;/i&gt;. Ela &#233; completamente distinta da consci&#234;ncia que acompanha indissoluvelmente a vida do eu (&lt;i&gt;enquanto vida do eu puro&lt;/i&gt;), mas desempenha nesta um papel indispens&#225;vel. O que eu percebo interiormente e que no curso da vida aprendo a conhecer cada vez melhor &#233; qualquer coisa que tem um car&#225;cter de objecto: possui qualidades est&#225;veis (dons do entendimento &#8213; por exemplo uma facilidade mais ou menos grande para apreender as coisas, uma acuidade de julgamento, a capacidade para descobrir la&#231;os, passa por estados de mudan&#231;a de dura&#231;&#227;o mais ou menos longa (alegria e entusiasmo por toda a esp&#233;cie de empreendimentos, ou abatimento e inibi&#231;&#227;o), e age de diversas maneiras; sofre influ&#234;ncias exteriores e ele-mesmo exerce uma ac&#231;&#227;o que ultrapassa o seu pr&#243;prio mundo interior, e assim insere-se no conjunto causal do mundo da experi&#234;ncia. Eis simplesmente algumas primeiras indica&#231;&#245;es para atrair a aten&#231;&#227;o sobre um ente dotado de uma estrutura extremamente complexa. A pequena experi&#234;ncia vivida de que partimos pode ainda conduzir-nos noutra direc&#231;&#227;o. Constatei que &lt;i&gt;hoje&lt;/i&gt; estou muito est&#250;pido. Portanto eu fui mais inteligente noutras vezes, e espero s&#234;-lo de novo amanh&#227;. N&#227;o se trata portanto de uma qualidade imut&#225;vel, mas de uma disposi&#231;&#227;o passageira. Penso igualmente saber a que isso se deve: a minha cabe&#231;a hoje est&#225; muito pesada; &#233; como se ela estivesse envolvida num nevoeiro espesso. Esta constata&#231;&#227;o faz dirigir o nosso olhar para um dom&#237;nio inteiramente novo: o facto de a cabe&#231;a ter qualquer coisa a ver com o pensamento inscreve-se na grande problem&#225;tica da rela&#231;&#227;o entre a alma e o corpo. O que &#233; a alma? O que &#233; o corpo? &#201; a alma esse qualquer coisa que eu percebo e experimento interiormente, ou antes &#233; o todo constitu&#237;do de um corpo e de uma alma? Surge uma multid&#227;o de quest&#245;es perturbadoras. Vamos simplesmente tentar progredir bastante longe para que se torne apreens&#237;vel o que &#233; pr&#243;prio da pessoa humana, e assim do ser-homem em geral.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A cabe&#231;a e o corpo completo s&#227;o uma coisa f&#237;sica, percept&#237;vel pelos sentidos externos. Mas nesta percep&#231;&#227;o estou submetido a surpreendentes limita&#231;&#245;es, o que n&#227;o se passa para qualquer outro corpo. N&#227;o possuo a seu respeito uma completa liberdade de movimentos, n&#227;o o posso observar de todos os lados, pois n&#227;o posso &#171;desfazer-me dele&#187;. Em contrapartida, no que lhe diz respeito, n&#227;o dependo apenas da percep&#231;&#227;o externa. Percebo-o do interior. &#201; por isso que ele &#233; &lt;i&gt;corpo (animado)&lt;/i&gt; &lt;i&gt;[Leib]&lt;/i&gt; e n&#227;o apenas corpo (material) &lt;i&gt;[K&#246;rper]&lt;/i&gt;. Ele &#233; o &#171;meu&#187; corpo, e pertence-me como nada do exterior &#233; &lt;i&gt;meu&lt;/i&gt;, pois habito nele como na minha morada &#171;inata&#187;, sinto o que se passa e o que lhe acontece; percebo-o ao mesmo tempo que o sinto. A sensa&#231;&#227;o dos processos corp&#243;reos &#233; tanto &#171;minha vida&#187; como o meu pensamento e a minha alegria, embora se trate de movimentos vitais de uma esp&#233;cie totalmente diferente. O frio que percorre a minha pele, a press&#227;o na cabe&#231;a, uma dor de dentes &#8213; tudo isso n&#227;o surge como uma actividade intelectual volunt&#225;ria, e estas sensa&#231;&#245;es tamb&#233;m n&#227;o prov&#234;m de profundezas interiores, como a alegria, mas eu estou nelas; o que toca o meu corpo toca-me tamb&#233;m a mim, e precisamente no s&#237;tio em que &#233; tocado &#8213;, eu estou presente em todas as partes do meu corpo onde sinto qualquer coisa de presente. O facto de sentir pode produzir-se de maneira &lt;i&gt;impessoal&lt;/i&gt;, como uma impress&#227;o puramente sens&#237;vel que, propriamente falando, n&#227;o atinge o eu espiritual. Ele &#233; certamente atingido na medida em que o sentir ou o tocar se lhe tornem conscientes, de modo que ele a veja e a constate (intelectualmente). Mas sentir e tornar consciente s&#227;o duas coisas diferentes. A partir da&#237; conseguimos compreender a possibilidade de uma vida de puras sensa&#231;&#245;es, que nunca tomam a forma da vida do eu pessoal, como devemos pens&#225;-lo para os seres puramente sensitivos. Por outro lado, os processos corp&#243;reos &lt;i&gt;podem&lt;/i&gt; ser inclu&#237;dos na vida pessoal: cada passo, cada movimento da m&#227;o realizado livre e judiciosamente &#233; um acto pessoal para a unidade do qual o corpo colabora e onde ele &#233; compreendido e sentido como tal. Enquanto instrumento dos meus actos, o corpo pertence &#224; unidade da minha pessoa&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt; [&lt;a href=&#034;#nb9-3&#034; class=&#034;spip_note&#034; rel=&#034;appendix&#034; title=&#034;Ele n&#227;o pertence apenas nesta qualidade, mas considera-mo-lo primeiro deste (&#8230;)&#034; id=&#034;nh9-3&#034;&gt;3&lt;/a&gt;]&lt;/span&gt;. O eu humano n&#227;o &#233; apenas um &lt;i&gt;eu puro&lt;/i&gt;, nem apenas um eu espiritual, mas &#233; tamb&#233;m um eu corp&#243;reo.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Mas o que &#233; corp&#243;reo nunca &#233; &lt;i&gt;simplesmente&lt;/i&gt; corp&#243;reo. O que diferencia o corpo de um simples corpo f&#237;sico &lt;i&gt;[Korper]&lt;/i&gt;, &#233; que ele &#233; um &lt;i&gt;corpo animado&lt;/i&gt;. Onde houver um corpo pr&#243;prio, h&#225; tamb&#233;m uma alma. E inversamente: onde houver uma alma, h&#225; um corpo pr&#243;prio&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt; [&lt;a href=&#034;#nb9-4&#034; class=&#034;spip_note&#034; rel=&#034;appendix&#034; title=&#034;A separa&#231;&#227;o do corpo e da alma na morte &#233; o seccionamento de uma unidade (&#8230;)&#034; id=&#034;nh9-4&#034;&gt;4&lt;/a&gt;]&lt;/span&gt;. Um objecto f&#237;sico sem alma &#233; simplesmente um corpo f&#237;sico e n&#227;o um corpo vivo. Um ser espiritual sem corpo carnal &#233; um puro esp&#237;rito, e n&#227;o uma alma. Quem n&#227;o quiser falar de &lt;i&gt;alma&lt;/i&gt; relativamente &#224;s plantas tamb&#233;m n&#227;o deve atribuir-lhe um corpo. Deve ent&#227;o empregar outro termo para distinguir organismos materiais animados dos que s&#227;o inanimados. Conhecemos a concep&#231;&#227;o &lt;i&gt;tomista&lt;/i&gt; da alma que &#8213; com &lt;i&gt;Arist&#243;teles&lt;/i&gt; &#8213;, v&#234; na alma a forma essencial de todo o ser vivo, e que distingue diferentes graus de uma tal informa&#231;&#227;o, na medida em que s&#243; &#233; produzida uma estrutura material viva, ou igualmente uma vida &lt;i&gt;interior&lt;/i&gt;, e que esta vida interior &#233; apenas sensitiva, ou igualmente espiritual. Segundo o seu grau de efic&#225;cia, distinguem-se assim as almas da planta, do animal e do homem (alma vital, alma sensitiva e alma racional), e de tal forma que o grau superior traz em si a mesma coisa que o grau inferior, acrescentando-lhe aquilo que &#233; a sua fun&#231;&#227;o particular. Clarific&#225;mos o sentido de &lt;i&gt;forma&lt;/i&gt;&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt; [&lt;a href=&#034;#nb9-5&#034; class=&#034;spip_note&#034; rel=&#034;appendix&#034; title=&#034;Na acep&#231;&#227;o aristot&#233;lico-escol&#225;stica da palavra, e n&#227;o compreendida como (&#8230;)&#034; id=&#034;nh9-5&#034;&gt;5&lt;/a&gt;]&lt;/span&gt; no que ela confere ao ente a sua determina&#231;&#227;o essencial. Para o corpo morto, devemos compreender por isso apenas o que fixa a propriedade espec&#237;fica do seu ser material, a sua maneira particular de organizar e de preencher o espa&#231;o, do seu movimento e dos seus efeitos, e o sentido intelig&#237;vel que se exprime na particularidade da sua linguagem espacial de forma. A qualidade diferencial das formas &lt;i&gt;vivas&lt;/i&gt; que as distingue das que s&#227;o inertes est&#225; na sua for&#231;a que, superior &#224; mat&#233;ria, pode reunir e transformar uma grande quantidade de organismos materiais j&#225; existentes, e formar com eles um todo articulado, que mant&#233;m e perpetua a unidade estrutural assim formado num constante metabolismo. O seu &#171;ser &#233; vida e a vida &#233; forma&#231;&#227;o da mat&#233;ria em &lt;i&gt;tr&#234;s graus&lt;/i&gt;: a transforma&#231;&#227;o dos elementos nutritivos, a auto-forma&#231;&#227;o e a reprodu&#231;&#227;o e a reprodu&#231;&#227;o&#187;&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt; [&lt;a href=&#034;#nb9-6&#034; class=&#034;spip_note&#034; rel=&#034;appendix&#034; title=&#034;Ibid., &#167; 5, 1.&#034; id=&#034;nh9-6&#034;&gt;6&lt;/a&gt;]&lt;/span&gt;.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Conv&#233;m considerar o que distingue a &lt;i&gt;vida&lt;/i&gt; tomada neste sentido &#8213; o ser dos organismos materiais vivos enquanto vivos &#8213; da vida dos puros esp&#237;ritos. A &lt;i&gt;vida ligada &#224; mat&#233;ria&lt;/i&gt; &#233; o devir de um ente que deve primeiro tomar posse da sua natureza, que &#171;evolui&#187; e segue o caminho da plenitude de si. A vida do esp&#237;rito &#233; um desdobramento de ess&#234;ncia como actividade de qualquer coisa de completo no seu g&#233;nero essencial&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt; [&lt;a href=&#034;#nb9-7&#034; class=&#034;spip_note&#034; rel=&#034;appendix&#034; title=&#034;Ibid., &#167; 5, 2.&#034; id=&#034;nh9-7&#034;&gt;7&lt;/a&gt;]&lt;/span&gt;. Encontra-mo-nos de novo perante uma &lt;i&gt;analogia&lt;/i&gt;: o nome &lt;i&gt;vida&lt;/i&gt; n&#227;o &#233; simplesmente equ&#237;voco; tem em ambos os casos uma significa&#231;&#227;o comum. Tanto um como outro designam o ser enquanto movendo-se a si mesmo a partir da sua pr&#243;pria natureza. Mas num caso, &#233; um movimento no qual o ente &#8213; enquanto que em devir &#8213; vem a si mesmo, no outro caso &#233; um movimento no qual ele sai &#8213; enquanto que perfeito &#8213; e entrega-se a si mesmo sem no entanto se deixar ou se perder: ambos s&#227;o uma &lt;i&gt;imagem&lt;/i&gt; que &#171;participa&#187; mais ou menos perfeitamente na plenitude da vida do ser divino.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Consider&#225;mos (com Hedwig Conrad Martius) que o que &#233; pr&#243;prio da alma &#233; que ela deve ser concebida como o &lt;i&gt;centro do ser&lt;/i&gt; do vivente, e como a fonte escondida de onde extrai o seu ser e se eleva &#224; sua forma vis&#237;vel&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt; [&lt;a href=&#034;#nb9-8&#034; class=&#034;spip_note&#034; rel=&#034;appendix&#034; title=&#034;Ibid., &#167; 4,2 e 5,2.&#034; id=&#034;nh9-8&#034;&gt;8&lt;/a&gt;]&lt;/span&gt;. O corpo material inanimado &#233; uma realidade singular, caracterizada e unificada, mas n&#227;o formada a partir do seu pr&#243;prio centro, nem a partir do interior. Em contrapartida, para o ser puro finito, n&#227;o podemos falar de um centro &#244;ntico, n&#227;o apenas porque n&#227;o possui um &lt;i&gt;exterior&lt;/i&gt; naturalmente ligado a ele que deveria ser formado do interior e em correspond&#234;ncia como o interior, mas ainda porque ele n&#227;o se forma a partir de um fundamento escondido.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Retenhamos em primeiro lugar o sentido segundo o qual a &lt;i&gt;alma&lt;/i&gt; &#233; o centro &#244;ntico dos corpos materiais vivos &#8213; de tudo o que &#171;traz em si o poder de se formar a si-mesmo&#187;&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt; [&lt;a href=&#034;#nb9-9&#034; class=&#034;spip_note&#034; rel=&#034;appendix&#034; title=&#034;Ibid., &#167; 5,2.&#034; id=&#034;nh9-9&#034;&gt;9&lt;/a&gt;]&lt;/span&gt;. Mas a palavra &lt;i&gt;alma&lt;/i&gt; encontra uma justifica&#231;&#227;o verdadeiramente plena no local onde o &lt;i&gt;interior&lt;/i&gt; &#233; n&#227;o apenas o centro e o ponto de partida da configura&#231;&#227;o exterior, mas ainda o lugar onde o ente faz irrup&#231;&#227;o para o interior, no local onde a &lt;i&gt;vida&lt;/i&gt; j&#225; n&#227;o &#233; apenas forma&#231;&#227;o de mat&#233;ria, mas um ser em si, e onde cada alma &#233; um &#171;mundo interior&#187; fechado sobre si, mesmo que ela n&#227;o esteja separada da sua conex&#227;o como o corpo e ao mundo real inteiro. Isso, j&#225; o &#233; a alma sensitiva, a qual n&#227;o tem vida espiritual compar&#225;vel &#224; das almas puras. A sua vida ps&#237;quica &#233; inteiramente ligada ao corpo, ela n&#227;o se eleva acima da vida corp&#243;rea para formar um dom&#237;nio de significa&#231;&#227;o aut&#243;nomo que poderia destacar-se dela. O que acontece ao corpo &#233; sentido, experimentado, e responde-se a partir da&#237;, do interior, do centro da vida, atrav&#233;s de movimentos e impulsos que servem para a conserva&#231;&#227;o e o crescimento da vida ps&#237;quica. Mas n&#227;o seria justo considerar a alma animal como um simples &#171;utens&#237;lio&#187; ao servi&#231;o do corpo, e a ele subordinado. Reina aqui um equil&#237;brio entre o interior e o exterior, enquanto que para a planta o exterior predomina absolutamente, e que alma humana, tem uma vida separ&#225;vel do corpo, carregada de uma significa&#231;&#227;o pr&#243;pria. O animal &#233; uma unidade de forma som&#225;tico-ps&#237;quica, o seu g&#233;nero manifesta-se de duas maneiras: nas propriedades f&#237;sicas e nas propriedades ps&#237;quicas, e manifesta-se num comportamento ao mesmo tempo f&#237;sico e ps&#237;quico. &#201; como totalidade que o animal est&#225; presente no seu meio, e &#233; enquanto todo que ele se confronta com o mundo, de uma maneira que lhe &#233; pr&#243;pria. &#201; do ponto mais &#237;ntimo do seu ser, onde se produz a troca entre a impress&#227;o exterior e o comportamento correspondente, que ele se confronta. Esse &#233; um centro &lt;i&gt;vivo&lt;/i&gt; onde tudo converge e de onde tudo parte: o jogo dos &lt;i&gt;stimuli&lt;/i&gt; e das respostas &#233; a &lt;i&gt;vida do eu&lt;/i&gt;. Mas n&#227;o &#233; uma experi&#234;ncia vivida e consciente, nem uma tomada de posi&#231;&#227;o livre. Este eu &#233; entregue e abandonado &#224;s &#171;rodagens&#187; da vida; ele n&#227;o se levanta pessoalmente por detr&#225;s, nem o domina.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;3. &lt;i&gt;[Corpo, alma, esp&#237;rito, o &#171;castelo da alma&#187;.]&lt;/strong&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Na alma humana, este aprumo realizou-se. Aqui, a vida &lt;i&gt;interior&lt;/i&gt; &#233;: estar consciente, e o eu: estar desperto, o esp&#237;rito do qual &#8213; esp&#237;rito aberto &#8213; olha para o exterior e para o interior; Ele pode receber o que vem ao seu encontro, compreendendo-o e pode reagir de uma maneira ou de outra segundo a sua liberdade pessoal. Ele &lt;i&gt;pode&lt;/i&gt;, e &lt;i&gt;porque&lt;/i&gt; pode, o homem &#233; uma pessoa espiritual, o &lt;i&gt;portador&lt;/i&gt; da sua vida, no sentido eminente do &#171;manter-se vigilante&#187; pessoalmente. Ele n&#227;o faz, portanto, pleno uso da sua liberdade, mas abandona-se amplamente ao &#171;acontecimento&#187; ou ao &#171;fluxo das coisas&#187;, como um ser sens&#237;vel. E de facto, ele &#233; verdadeiramente um ser sens&#237;vel e n&#227;o est&#225; absolutamente nada &#224; altura de fazer de toda a sua vida um acto livre. O puro esp&#237;rito criado s&#243; &#233; limitado na sua liberdade pelo facto de n&#227;o extrair o seu ser dele mesmo mas de o receber, e isso durante toda a sua vida como um dom sempre novo. Toda a liberdade da criatura &#233; uma liberdade condicionada. Apesar disso, o ser do puro esp&#237;rito &#233; plenamente vida pessoal, livre empenho de si-mesmo. Conhecer, amar e servir como ele o faz &#8213; e a alegria bem-aventurada no conhecimento, no amor e no servi&#231;o &#8213; tudo isso &#233; ao mesmo tempo receber e aceitar, livre dom de si em direc&#231;&#227;o a esse dom de vida. Para o homem, n&#227;o h&#225; um &#250;nico dom&#237;nio da liberdade que n&#227;o coincida com toda a amplitude do seu ser. E aqui a alma &#233; um &lt;i&gt;centro&lt;/i&gt; num novo sentido: a media&#231;&#227;o entre a qualidade de esp&#237;rito e de corpo-sentidos. Mas a tradicional triparti&#231;&#227;o entre corpo, alma e esp&#237;rito n&#227;o deve ser compreendida como se a alma do homem fosse um terceiro reino entre os dois reinos que existiriam j&#225; sem ela e independentemente um do outro. Nela a espiritualidade e a vida sens&#237;vel coincidem e misturam-se. &#201; precisamente isso que separa o ser pr&#243;prio de alma-esp&#237;rito do ser de alma-sentidos e do puro esp&#237;rito. O homem n&#227;o &#233; animal nem anjo pois ele &#233; os dois num. A sua condi&#231;&#227;o de corpo sens&#237;vel &#233; diferente da do animal, e a sua espiritualidade &#233; outra que n&#227;o a do anjo. [...] Ele sente e experimenta o que se produz no e com o corpo, mas este &#171;sentir&#187; &#233; uma sensa&#231;&#227;o &lt;i&gt;consciente&lt;/i&gt;, destinada a transformar-se em &lt;i&gt;percep&#231;&#227;o compreensiva&lt;/i&gt; do corpo e dos processos f&#237;sicos e na percep&#231;&#227;o do que do mundo exterior &#171;cai sob os sentidos&#187;. A percep&#231;&#227;o j&#225; &#233; um conhecimento, um acto do esp&#237;rito. Nisso o conhecedor encontra o conhecido, o pr&#243;prio corpo &#8213; e n&#227;o unicamente o mundo exterior &#8213; torna-se &lt;i&gt;objecto&lt;/i&gt;, embora objecto de um g&#233;nero particular; de certa maneira o eu destaca-se do corpo e levanta-se num movimento de liberdade acima da sua corporeidade e da sua sensibilidade. &#171;De certa maneira&#187;, pois ele fica retido. A vida do esp&#237;rito eleva-se sempre de novo acima da vida sens&#237;vel e n&#227;o repousa sobre o seu pr&#243;prio fundo, mas o eu tem a possibilidade de tomar posi&#231;&#227;o no seu ser &lt;i&gt;superior&lt;/i&gt;, e partindo da&#237;, tratar livremente do ser &lt;i&gt;inferior&lt;/i&gt;. Ele pode por exemplo fixar como objectivo explorar cognitivamente o seu pr&#243;prio corpo e a sua pr&#243;pria vida sens&#237;vel. Ele aprende a utilizar o corpo e os sentidos como instrumento do seu conhecimento e da sua ac&#231;&#227;o, a exerce-los com vista a determinados fins, e assim fazer deles instrumentos cada vez mais perfeitos. H&#225; igualmente a possibilidade de reprimir movimentos sens&#237;veis, de se retirar largamente da vida corp&#243;reo-sens&#237;vel e assim apoiar-se mais firmemente na vida do esp&#237;rito. Esta &#233; propriamente o dom&#237;nio da liberdade: aqui o eu pode realmente criar qualquer coisa a partir dele-mesmo. O que n&#243;s chamamos &lt;i&gt;actos livres&lt;/i&gt; &#8213; uma decis&#227;o, a iniciativa volunt&#225;ria de uma ac&#231;&#227;o, a ades&#227;o explicita a uma ideia &#171;ascendente&#187;, a ruptura consciente de um curso de pensamento, questionar, rezar, concordar, prometer, ordenar, obedecer: outros tantos &#171;actos&#187; do eu, diversos na sua significa&#231;&#227;o e na sua estrutura interna, mas todos reunidos por isto: neles o eu d&#225; ao seu ser um conte&#250;do e uma direc&#231;&#227;o, e num certo sentido ele &#171;gera&#187; a sua pr&#243;pria vida empenhando-se numa determinada direc&#231;&#227;o e consagrando-se a um conte&#250;do de experi&#234;ncia escolhido. Ele n&#227;o se torna o seu pr&#243;prio criador, e n&#227;o &#233; absolutamente livre: a liberdade para a autodetermina&#231;&#227;o &#233;-lhe &lt;i&gt;dada&lt;/i&gt; assim como a &#171;vivacidade&#187; que desenvolve numa direc&#231;&#227;o escolhida e cada acto &#233; uma resposta &#224; estimula&#231;&#227;o e &#224; apreens&#227;o de qualquer coisa oferecida. Resta contudo aos actos livres a qualidade do empenho de si que &#233; a forma mais aut&#234;ntica da vida pessoal. Mas toda a influ&#234;ncia volunt&#225;ria sobre o corpo e toda a interven&#231;&#227;o formadora sobre o mundo exterior que utiliza o corpo como instrumento, baseia-se no facto de que a liberdade n&#227;o &#233; restringida ao dom&#237;nio puramente espiritual, e que este n&#227;o est&#225; fechado sobre ele-mesmo. O fundamento sobre o qual se constroem a vida espiritual e a ac&#231;&#227;o livre ao qual elas ficam ligadas, &#233;-lhe dado como &lt;i&gt;mat&#233;ria&lt;/i&gt; para as levar &#224; luz, lhes dar forma e as utilizar. A vida f&#237;sica e sens&#237;vel do homem torna-se ent&#227;o ela-mesma uma vida pessoalmente formada e uma parte integrante da pessoa. Mas ela n&#227;o cessa nunca de ser um &#171;fundo tenebroso&#187;. A tarefa jamais acabada do esp&#237;rito na sua liberdade, &#233; de o perscrutar e de o aperfei&#231;oar de uma maneira cada vez mais pessoal.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Com isto, ainda n&#227;o apreendemos o que &#233; o esp&#237;rito no seu verdadeiramente &#250;ltimo sentido. A alma &#233; o &#171;espa&#231;o&#187; que se encontra no centro do todo f&#237;sico-ps&#237;quico-espiritual. Enquanto alma sens&#237;vel, ela habita no corpo, em todos os seus membros e em todas as suas partes; ela recebe do corpo e interv&#233;m nele formando-o e conservando-o. Enquanto alma-esp&#237;rito, ela transcende-se e considera um mundo situado para l&#225; do seu pr&#243;prio si &#8213; um mundo de coisas, de pessoas, de acontecimentos &#8213; entra em rela&#231;&#227;o com ele compreendendo-o, e recebe dele; mas enquanto &lt;i&gt;alma&lt;/i&gt; no mais verdadeiro sentido, ela habita junto dela-mesma e &#233; nela que o eu pessoal tem a sua morada. Aqui se junta tudo o que entra pelo mundo dos sentidos e pelo mundo do esp&#237;rito; &#233; aqui o lugar da confronta&#231;&#227;o com tudo isso; &#233; a partir daqui que se toma posi&#231;&#227;o, e &#233; aqui que se ganha o que se torna um bem pessoal, uma parte integrante do seu pr&#243;prio si &#8213; o que, falando por imagens, vos &#171;passa para o sangue&#187;. A alma, como &#171;castelo interior&#187;, tal como a descreveu a nossa santa madre Teresa&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt; [&lt;a href=&#034;#nb9-10&#034; class=&#034;spip_note&#034; rel=&#034;appendix&#034; title=&#034;TH&#201;R&#200;SE D'AVILA, Las Moradas del Castilo interior; Le Ch&#226;teau int&#233;rieur, (&#8230;)&#034; id=&#034;nh9-10&#034;&gt;10&lt;/a&gt;]&lt;/span&gt;, n&#227;o tem a forma de um ponto como o &lt;i&gt;eu puro&lt;/i&gt;, mas &#233; um &#171;espa&#231;o&#187; &#8213; um castelo com muitas moradas &#8213; no qual o eu pode mover-se livremente, umas vezes indo para o exterior, outras vezes antes retirando-se para o interior. N&#227;o &#233; um &#171;espa&#231;o vazio&#187;, embora possam a&#237; entrar coisas &#224; profus&#227;o e ser acolhidas, e devem mesmo s&#234;-lo, para ela poder desenvolver a vida que lhe &#233; pr&#243;pria . A alma n&#227;o pode viver sem receber; ela alimenta-se de conte&#250;dos que, &#171;atrav&#233;s da experi&#234;ncia&#187;, assimila tal como o corpo assimila o alimento de que tira a subst&#226;ncia &#250;til. Esta imagem, mais claramente que a do espa&#231;o, mostra-nos que n&#227;o se trata simplesmente do preenchimento de um vazio, mas que o &#171;recet&#225;culo&#187; &#233; um ente dotado de uma ess&#234;ncia pr&#243;pria (uma &lt;i&gt;ousia&lt;/i&gt;), que recebe &#224; &lt;i&gt;sua maneira&lt;/i&gt; e que assimila o que recebe. Tal &#233; a ess&#234;ncia da alma com as propriedades e as capacidades que se enra&#237;zam nela, que se manifesta na experi&#234;ncia vivida, e que assim recebe aquilo de que tem necessidade para se tornar naquilo que deve ser. Esta ess&#234;ncia, com o seu car&#225;cter pr&#243;prio, confere ao corpo, tal como a toda a atividade espiritual da pessoa, a sua marca particular, e al&#233;m disso emana dele de uma maneira inconsciente e involunt&#225;ria.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;4. &lt;i&gt;[Eu, alma, esp&#237;rito, pessoa.]&lt;/strong&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Eu, alma, esp&#237;rito, pessoa &#8213; manifestamente tudo isto est&#225; estreitamente ligado, e no entanto cada um destes termos tem um sentido particular, que n&#227;o coincide completamente com os dos outros. Por &lt;i&gt;eu&lt;/i&gt;, entendemos o ente cujo ser est&#225; vivo (e n&#227;o certamente vivo no sentido da organiza&#231;&#227;o da mat&#233;ria, mas enquanto desenvolvimento do eu num ser que brota desse eu) e que, nesse ser, se apreende a si-mesmo (sob a forma inferior da sensa&#231;&#227;o confusa ou sob aquela, superior, da consci&#234;ncia desperta). N&#227;o &#233; equivalente &#224; alma, como tamb&#233;m n&#227;o &#233; equivalente ao corpo. &#171;Mora&#187; no corpo e na alma &#8213; presente em cada ponto em que sente qualquer coisa de mat&#233;ria viva e atual, quando efetivamente tem mesmo a sua &#171;sede&#187; mais aut&#234;ntica num ponto determinado do corpo e num &#171;lugar&#187; determinado da alma&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt; [&lt;a href=&#034;#nb9-11&#034; class=&#034;spip_note&#034; rel=&#034;appendix&#034; title=&#034;Ver A. Pf&#228;nder, Die Seele des Menschen, Halle, 1993, p. 20: &#171;O sujeito (&#8230;)&#034; id=&#034;nh9-11&#034;&gt;11&lt;/a&gt;]&lt;/span&gt;, e &#233; porque o &#171;seu&#187; corpo e a &#171;sua&#187; alma lhe pertencem que transpomos para o homem completo o nome &lt;i&gt;eu&lt;/i&gt;. A vida do corpo n&#227;o &#233; completamente uma vida do eu &#8213;, o crescimento e os processos de nutri&#231;&#227;o, por exemplo, efetuam-se em larga medida sem que deles sintamos alguma coisa, mesmo que efetivamente experimentemos muita coisa que faz parte deles ou que lhe est&#227;o ligados. Tamb&#233; a vida da alma n&#227;o &#233; uma pura vidado eu. O desenvolvimento e a forma&#231;&#227;o da alma realizam-se em grande parte sem que eu tome consci&#234;ncia disso. Pode acontecer que eu considere uma experi&#234;ncia dolorosa como &#171;ultrapassada&#187; e que n&#227;o pense mais nela durante muito tempo. Mas subitamente ela vem-me &#224; mem&#243;ria atrav&#233;s de uma nova experi&#234;ncia vivida, e a impress&#227;o que ela agora produz em mim , a ideia que suscita, fazem-me compreender que que nunca deixou de trabalhar em mim durante todo o tempo, e mesmo que, sem ela, eu n&#227;o seria o que sou hoje. &#171;Em mim&#187;, quer dizer na minha alma, h&#225; uma profundidade que a maior parte do tempo est&#225; escondida e que s&#243; raramente se abre. A vida do eu, desperta e consciente, &#233; a via de acesso &#224; alma e &#224; sua vida escondida, tal como a vida sens&#237;vel &#233; o acesso ao corpo e &#224; sua vida escondida. &#201; uma via de acesso, pois &#233; o testemunho do que se produz na alma e a manifesta&#231;&#227;o da sua natureza. Tudo o que eu &#171;Vivo&#187; vem da minha alma, &#233; o encontro da minha alma, com qualquer coisa que lhe &#171;fez impress&#227;o&#187;. O seu ponto de partida na alma ou a sua sa&#237;da podem estar mais &#224; superf&#237;cie ou mais em profundidade. A sua proveni&#234;ncia e esta estratifica&#231;&#227;o da pr&#243;pria alma manifestam-se &lt;i&gt;na&lt;/i&gt; experi&#234;ncia que &lt;i&gt;dela&lt;/i&gt; emerge, e que nela est&#225;, porque se abrem nela e a&#237; atingem o seu ser atual, presentemente vivo. Isso j&#225; se produz na dire&#231;&#227;o origin&#225;ria da experi&#234;ncia vivida, mesmo antes que um olhar retrospetivo (uma &lt;i&gt;reflex&#227;o&lt;/i&gt;) &#8213; desperta, atenta, observadora e analisadora &#8213; se volte para a experi&#234;ncia vivida, do mesmo modo que a forma mais origin&#225;ria da consci&#234;ncia acompanha a vida do eu sem se dissociar dele como uma &lt;i&gt;perce&#231;&#227;o&lt;/i&gt; particular e sem se voltar para ela. &#201; por isso que todo o homem aprende a conhecer-se a si mesmo na sua simples vida desperta, sem se constituir em objeto e sem se esfor&#231;ar por se conhecer atrav&#233;s da observa&#231;&#227;o e da an&#225;lise. A consci&#234;ncia origin&#225;ria s&#243; se torna &lt;i&gt;perce&#231;&#227;o de si&lt;/i&gt; ou &lt;i&gt;perce&#231;&#227;o interior&lt;/i&gt; (as duas n&#227;o s&#227;o coincidentes, porque a perce&#231;&#227;o do corpo, tamb&#233;m ela, faz parte da perce&#231;&#227;o de si , e porque tamb&#233;m h&#225; um acesso ao corpo pela perce&#231;&#227;o externa e atrav&#233;s do corpo &#8213; gra&#231;as aos fen&#243;menos expressivos do corpo &#8213; mas tamb&#233;m um acesso &#224; alma a partir do exterior), quando o eu sai da experi&#234;ncia vivida origin&#225;ria e faz dela seu objeto. Depois a alma aparece ao eu como qualquer coisa &#171;do g&#233;nero de um objeto&#187;, qualquer coisa de &#171;substancial&#187;, com qualidades duradouras, com as suas capacidades que t&#234;m necessidades de ser desenvolvidas e acrescidas, com as suas atividades e os seus estados mut&#225;veis. Mas o eu descobre assim a sua pr&#243;pria face, pois ele encontra-se a si mesmo naquele que &#233; o &lt;i&gt;portador&lt;/i&gt; da experi&#234;ncia vivida, naquele que realiza as a&#231;&#245;es e sofre as impress&#245;es. O eu do qual brota toda a vida do eu e que nele est&#225; consciente dele-mesmo &#233; o mesmo que tem como coisa particular o corpo e a alma, que os engloba e os abra&#231;a. O que na coisa &lt;i&gt;morta&lt;/i&gt; &#233; o facto da forma de objeto vazio &#233; aqui o trabalho do eu vivo-espiritual-pessoal. Por &lt;i&gt;pessoa&lt;/i&gt;, entendemos o eu consciente e livre. &#201; &lt;i&gt;livre&lt;/i&gt; por que &#233; &#171;mestre&#187; dos seus atos, porque &#8213; sob a forma de &lt;i&gt;atos livres&lt;/i&gt; &#8213; determina a sua pr&#243;pria vida. Os atos livres s&#227;o o primeiro espa&#231;o de domina&#231;&#227;o da pessoa. Mas como, pela sua a&#231;&#227;o, ela tem uma influ&#234;ncia formadora sobre o corpo e sobre a alma, &#233; toda a sua pr&#243;pria &#171;natureza humana&#187; que pertence ao dom&#237;nio sobre o qual ela reina. E como pela sua a&#231;&#227;o psicof&#237;sica ela pode intervir no mundo que a rodeia, tem tamb&#233;m a&#237; um espa&#231;o de domina&#231;&#227;o que est&#225; no direito de considerar como &#171;meu&#187;. O que ela realiza livre e conscientemente, &#233; isso a vida do eu; mas ela extrai-a de profundezas mais ou menos grandes: a resolu&#231;&#227;o de fazer um passeio, por exemplo, vem de uma camada muito mais superficial que uma resolu&#231;&#227;o relativa a uma orienta&#231;&#227;o de vida, e esta profundeza &#233; a profundeza da alma, que na vida do eu se torna &#171;viva&#187; e brilha na vida do eu, mas que anteriormente estava escondida e que, apesar deste vislumbre, permanece misteriosa. O que o homem &#171;pode&#187;, enquanto pessoa livre, ele s&#243; o sabe quando o faz, ou de uma determinada maneira j&#225; por antecipa&#231;&#227;o quando se lhe depara como uma &lt;i&gt;exig&#234;ncia&lt;/i&gt;. As conex&#245;es entre o eu, a pessoa e a alma, tornam-se mais claras. Se tomarmos o &lt;i&gt;eu puro&lt;/i&gt; como o &#171;ponto&#187; a partir do qual toda a a&#231;&#227;o livre se empreende e no qual tudo o que se recebe &#233; sentido e levado &#224; consci&#234;ncia, &#233; completamente poss&#237;vel ver assim as coisas. Mas esta conce&#231;&#227;o faz abstra&#231;&#227;o do enraizamento da vida do eu no fundo do qual ele surge. O eu &#233; por assim dizer a brecha que se abre da escura profundeza para a clara luz da vida consciente e assim permite passar da &#171;possibilidade&#187; ou &#171;pr&#233;-realidade&#187; para a plena presente realidade (da pot&#234;ncia ao ato). Ao fazer a experi&#234;ncia deste &#171;poder&#187;, o eu torna-se consciente das &#171;for&#231;as&#187; que &#171;dormitam&#187; na alma e das quais ele vive. E a vida do eu &#233; a realiza&#231;&#227;o, o produto dessas for&#231;as, aquilo que as manifesta. Enquanto eu englobando corpo e alma, enquanto eu elucidante pelo saber e dominante pela vontade, a pessoa apareceu-nos como o portador preparado na retaguarda e acima do todo formado pelo corpo e pela alma, ou como a forma unificante de toda a plenitude. Aparece aqui de uma maneira particularmente clara o que foi dito de um modo geral: que a forma vazia n&#227;o pode existir sem espa&#231;o ocupado, nem o espa&#231;o ocupado sem forma. A pessoa n&#227;o saberia viver como &lt;i&gt;eu puro&lt;/i&gt;. Ela vive a plenitude da sua ess&#234;ncia que brilha na vida acordada sem nunca poder ser inteiramente elucidada ou dominada. Ela traz essa plenitude e ao mesmo tempo &#233; levada por ela como pelo seu fundo escuro. Mostra-se aqui o que &#233; pr&#243;prio da pessoa &lt;i&gt;humana&lt;/i&gt;: o que lhe &#233; comum com o ser-pessoa de Deus e dos puros esp&#237;ritos e o que deles a distingue. Dotada de uma vida consciente e livre, englobando e portando a plenitude da sua ess&#234;ncia, ela assemelha-se aos puros esp&#237;ritos; surgindo de um fundo obscuro e levada por ele, incapaz de formar, de iluminar e de dominar todo o seu &#171;si&#187; de maneira pessoal, ela fica atr&#225;s deles; mas por outro lado, ela goza de um certo privil&#233;gio ontol&#243;gico sobre os puros esp&#237;ritos criados gra&#231;as &#224; &#171;profundidade&#187; que lhe &#233; pr&#243;pria, e portanto gra&#231;as a uma semelhan&#231;a com Deus diferente da deles.&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;
		&lt;hr /&gt;
		&lt;div class='rss_notes'&gt;&lt;div id=&#034;nb9-1&#034;&gt;
&lt;p&gt;&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt;[&lt;a href=&#034;#nh9-1&#034; class=&#034;spip_note&#034; title=&#034;Notas 9-1&#034; rev=&#034;appendix&#034;&gt;1&lt;/a&gt;] &lt;/span&gt;Werke, t. II, VII, &#167; 3, p. 336-349.&lt;/p&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div id=&#034;nb9-2&#034;&gt;
&lt;p&gt;&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt;[&lt;a href=&#034;#nh9-2&#034; class=&#034;spip_note&#034; title=&#034;Notas 9-2&#034; rev=&#034;appendix&#034;&gt;2&lt;/a&gt;] &lt;/span&gt;Na medida em que eles dizem respeito &#224; apreens&#227;o imediata da pr&#243;pria vida, &#8213; negligenciamos aqui as lacunas e as insufici&#234;ncias no conhecimento de objectos estranhos ao eu.&lt;/p&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div id=&#034;nb9-3&#034;&gt;
&lt;p&gt;&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt;[&lt;a href=&#034;#nh9-3&#034; class=&#034;spip_note&#034; title=&#034;Notas 9-3&#034; rev=&#034;appendix&#034;&gt;3&lt;/a&gt;] &lt;/span&gt;Ele n&#227;o pertence &lt;i&gt;apenas&lt;/i&gt; nesta qualidade, mas considera-mo-lo primeiro deste ponto de vista.&lt;/p&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div id=&#034;nb9-4&#034;&gt;
&lt;p&gt;&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt;[&lt;a href=&#034;#nh9-4&#034; class=&#034;spip_note&#034; title=&#034;Notas 9-4&#034; rev=&#034;appendix&#034;&gt;4&lt;/a&gt;] &lt;/span&gt;A separa&#231;&#227;o do corpo e da alma na morte &#233; o seccionamento de uma unidade natural, e ela n&#227;o pode suprimir a sua perten&#231;a rec&#237;proca. Nela as duas partes perdem qualquer coisa da sua natureza.&lt;/p&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div id=&#034;nb9-5&#034;&gt;
&lt;p&gt;&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt;[&lt;a href=&#034;#nh9-5&#034; class=&#034;spip_note&#034; title=&#034;Notas 9-5&#034; rev=&#034;appendix&#034;&gt;5&lt;/a&gt;] &lt;/span&gt;Na acep&#231;&#227;o aristot&#233;lico-escol&#225;stica da palavra, e n&#227;o compreendida como &lt;i&gt;forma vazia&lt;/i&gt;. Ver &lt;i&gt;Endliches und Ewiges Sein&lt;/i&gt;, cap. IV, e em particular o resumo do &#167; 5 (n&#227;o compreendido neste volume).&lt;/p&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div id=&#034;nb9-6&#034;&gt;
&lt;p&gt;&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt;[&lt;a href=&#034;#nh9-6&#034; class=&#034;spip_note&#034; title=&#034;Notas 9-6&#034; rev=&#034;appendix&#034;&gt;6&lt;/a&gt;] &lt;/span&gt;&lt;i&gt;Ibid.&lt;/i&gt;, &#167; 5, 1.&lt;/p&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div id=&#034;nb9-7&#034;&gt;
&lt;p&gt;&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt;[&lt;a href=&#034;#nh9-7&#034; class=&#034;spip_note&#034; title=&#034;Notas 9-7&#034; rev=&#034;appendix&#034;&gt;7&lt;/a&gt;] &lt;/span&gt;&lt;i&gt;Ibid.&lt;/i&gt;, &#167; 5, 2.&lt;/p&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div id=&#034;nb9-8&#034;&gt;
&lt;p&gt;&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt;[&lt;a href=&#034;#nh9-8&#034; class=&#034;spip_note&#034; title=&#034;Notas 9-8&#034; rev=&#034;appendix&#034;&gt;8&lt;/a&gt;] &lt;/span&gt;&lt;i&gt;Ibid.&lt;/i&gt;, &#167; 4,2 e 5,2.&lt;/p&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div id=&#034;nb9-9&#034;&gt;
&lt;p&gt;&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt;[&lt;a href=&#034;#nh9-9&#034; class=&#034;spip_note&#034; title=&#034;Notas 9-9&#034; rev=&#034;appendix&#034;&gt;9&lt;/a&gt;] &lt;/span&gt;&lt;i&gt;Ibid.&lt;/i&gt;, &#167; 5,2.&lt;/p&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div id=&#034;nb9-10&#034;&gt;
&lt;p&gt;&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt;[&lt;a href=&#034;#nh9-10&#034; class=&#034;spip_note&#034; title=&#034;Notas 9-10&#034; rev=&#034;appendix&#034;&gt;10&lt;/a&gt;] &lt;/span&gt;TH&#201;R&#200;SE D'AVILA, &lt;i&gt;Las Moradas del Castilo interior; Le Ch&#226;teau int&#233;rieur, Oeuvres compl&#232;tes&lt;/i&gt;, Paris, Ed. du Cerf, 1982, t. IV. &#8213; Nota de Edith Stein: Para a santa madre Teresa, trata-se simplesmente de descrever o &#171;castelo da alma&#187; como a &#171;casa de Deus&#187; e de mostrar o que ela-mesma experimentou: a maneira como o pr&#243;prio Senhor chama a alma da sua perdi&#231;&#227;o no mundo exterior, do qual ele a atrai cada vez mais para junto de si, at&#233; que ele possa finalmente uni-la a ele no seu pr&#243;prio centro. Longe dela a ideia de examinar se a estrutura da alma tem ainda um sentido mesmo se se fizer abstra&#231;&#227;o do facto de que Deus a habita e de ver se h&#225; talvez ainda uma outra &#171;porta&#187; de recolhimento para l&#225; da ora&#231;&#227;o. Devemos por&#233;m responder afirmativamente &#224;s duas quest&#245;es.&lt;/p&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div id=&#034;nb9-11&#034;&gt;
&lt;p&gt;&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt;[&lt;a href=&#034;#nh9-11&#034; class=&#034;spip_note&#034; title=&#034;Notas 9-11&#034; rev=&#034;appendix&#034;&gt;11&lt;/a&gt;] &lt;/span&gt;Ver A. Pf&#228;nder, &lt;i&gt;Die Seele des Menschen&lt;/i&gt;, Halle, 1993, p. 20: &#171;O sujeito ps&#237;quico tem uma &lt;i&gt;situa&#231;&#227;o determinada&lt;/i&gt; no interior do seu espa&#231;o &lt;i&gt;consciente&lt;/i&gt;. Por um lado, &#233; em determinado sentido o centro da alma e da vida ps&#237;quica pessoais. Por outro lado, situa-se atr&#225;s dos olhos, pouco mais ou menos no meio da testa [...]. O sujeito aproxima-se sempre &lt;i&gt;dele mesmo&lt;/i&gt; quando regressa das outras partes do seu pr&#243;prio corpo a esse centro que &#233; a cabe&#231;a. A partir desse lugar, o sujeito ps&#237;quico orienta-se no seu pr&#243;prio corpo e em todo o espa&#231;o envolvente do seu corpo, do qual ele est&#225; consciente. Involuntariamente, o olhar de outros homens (e tamb&#233;m de determinados animais) dirige-se para esse lugar da cabe&#231;a situado por detr&#225;s dos olhos, quando quer dirigir-se ao pr&#243;prio sujeito ps&#237;quico.&#187;&lt;/p&gt;
&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;
		
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